Era novamente verão em Pemberley.
A família Darcy estava novamente reunida, os rapazes estavam de volta para as férias escolares, Tory e seu agora noivo Lord Dorsey e Meg, que chegara na véspera.
Mas Meg não sentia a felicidade que antecipara sentir ao chegar a Pemberley. Ela estava melancólica e apática, nem a beleza de Derbyshire no verão, nem a presença de seus tios e primos, nem o noivado de sua amada Tory conseguiam alegrá-la, embora ela se esforçasse em parecer contente e animada.
Seus tios foram os primeiros a notarem o estado de espírito da sobrinha e Lizzy aproveitou um passeio nos jardins para interpelar a sobrinha sobre o que acontecia com ela.
- Meg, o que está acontecendo com você? Desde que chegou ontem, estou notando que você está triste e procurando a todo custo disfarçar sua melancolia, mas a mim você não consegue enganar. Vamos conte-me o que se passa.
Meg respirou fundo, gostaria de resolver seus problemas sozinha, mas conhecia a tia o suficiente para saber que esta não a deixaria em paz até que ela dissesse o que a atormentava. Meg contou a tia a conversa que ouvira no Hyde Park entre as duas desconhecidas.
- Meg, você não deve acreditar em tudo o que ouve. Existem muitos boatos circulando por aí, gente que comenta fatos que não sabe se são verdadeiros. E muita maldade, inveja e ciúme também. É preciso averiguar com cuidado.
- Como poderemos saber a verdade, tia Lizzy?
- Meg, quero lhe contar um episódio de minha vida que nunca contei a você, mas que acho que irá ajudá-la neste momento. Certa vez, quando eu era recém-casada, a irmã de seu tio Charles, Caroline Bingley, que havia tido sérias intenções de casar-se com Fitzwilliam e nunca aceitou nosso casamento, mandou-me uma carta, dizendo que Fitzwilliam, tinha uma amante em Londres. Eu fiquei tão transtornada que fugi para a casa de Jane e Charles, que na época moravam ainda em Hertfordshire.
- Tia Lizzy, meu tio jamais arrumaria uma amante, ele é loucamente apaixonado pela senhora.
- Pois é, você confia mais em seu tio, do que eu naquela época... Mas, continuando a estória, Fitzwilliam foi me buscar e eu, ao invés, de perguntar diretamente a ele o que havia de verdade naquela carta, preferi acreditar na perfídia de Caroline e fiquei sofrendo alguns meses, brigada com meu marido, no final fiquei sabendo que era tudo mentira, a moça que diziam ser amante dele, era na verdade amiga de infância e de família. Lamento até hoje, o sofrimento por que passei, o tempo desperdiçado brigada com o homem que eu amo, quando poderia ter sido sincera e direta, esclarecendo o mal entendido imediatamente. Por isso, Meg, minha querida, peço que tenha calma, não acredite em tudo que ouve de terceiros. Você deve perguntar a seu marido o que há de verdade nisso.
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O Sr. Darcy olhava pela janela de seu escritório sua sobrinha Meg, a quem mandara chamar, caminhando pelos jardins em direção a casa.
Ele estava realmente preocupado com ela, com a melancolia que via em seus olhos, o abatimento em que se encontrava. Meg, embora não tivesse a vibração e alegria de Tory, sempre fora uma menina serena, mas feliz. O Sr. Darcy sempre tivera a desconfiança de que o casamento não poria fim as tão comentadas aventuras de Lord Richard Rutherford. O homem era bem apessoado, rico e charmoso demais para que as mulheres o deixassem em paz.
- Quer conversar comigo, meu tio?
- Sim, Meg, sente-se, sua tia contou-me o que você soube sobre seu marido. Eu vou mandar averiguar o que existe de verdade nesta estória.
- Meu tio, acho que eu mesmo devo resolver este problema. Afinal agora sou uma mulher casada.
- Não vou interferir na sua vida e na de Richard, sempre fui contra terceiros interferindo na vida de um casal, mas acredito que tenho melhores meios para saber a verdade sobre o relacionamento de seu marido com esta atriz. Mas, o meu propósito ao te chamar aqui foi para te dizer que você terá sempre meu total apoio e o de Elizabeth. Nós nunca a desampararemos, nossas portas estarão sempre abertas para você, você terá sempre um lar em Pemberley.
Emocionada com as palavras do tio, Meg atirou-se em seus braços enquanto lágrimas de emoção caiam sobre suas faces.
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O tempo só fez piorar a fúria de Richard, tanto que ao terminar de resolver suas questões em Hampshire, ele rumou direto para Derbyshire. Ele chegou a Pemberley exausto e ansioso para encontrar a esposa, mas quando entrou no hall perguntando por ela ao mordomo, o Sr. Darcy abriu a porta de seu escritório, dizendo-lhe:
- Richard, antes de você conversar com Meg, eu gostaria de ter uma conversa com você.
Richard tentou disfarçar sua contrariedade o melhor que pôde, entrou no escritório do Sr. Darcy que o convidou a se sentar, ofereceu-lhe uma bebida que Richard recusou e começou a falar pausadamente, destacando bem as palavras.
- Primeiramente, gostaria de refrescar-lhe a memória sobre o que lhe disse quando concedi a mão de Meg em casamento, que lamentava concedê-la a alguém com sua fama de conquistador e libertino, a alguém que não saberia dar valor ao tesouro de criatura que ela era e finalmente lhe disse que se você a fizesse sofrer teria que responder a mim. Está lembrado?
- Perfeitamente, senhor, só não estou entendendo o porquê o senhor está me relembrando suas palavras. Eu não me recordo de nada que eu possa ter feito para fazer minha esposa sofrer. Será o fato de tê-la deixado sozinha em Londres? Fui obrigado a ir resolver problemas de arrendatários em minha propriedade em Hampshire...Eu a teria levado se soubesse que teria de passar tanto tempo lá...
- Não se faça de inocente. Trata-se da amante que o senhor mantém desde quando era solteiro, a Srta. Rachel West.
- Mas eu terminei meu relacionamento com esta pessoa muito antes de me casar.
- Pois, minha sobrinha ouviu no Hyde Park uma conversa de duas senhoras dizendo que o relacionamento continua.
- Essas senhoras estão mal informadas, meu primo Dorsey poderá confirmar o que estou falando. Sr. Darcy, lhe dou minha palavra de cavalheiro que não tenho mais nada com a pessoa em questão ou com nenhuma outra mulher. Desde que me casei tenho sido fiel a minha esposa, pois levo a sério o sacramento do casamento.
- Espero que esteja sendo sincero comigo. Caso esteja me engando, você terá que se ver comigo. E devo previni-lo que já avisei Meg que seja qual for a decisão que ela tomar na vida, terá sempre meu apoio e o de minha esposa.
- O que o senhor está querendo dizer com isto, Sr. Darcy?
- Estou dizendo que se você não cumprir os votos do casamento e voltar a sua vida de libertino, com amantes e farras, e Meg achar por bem deixá-lo, ela terá sempre as portas de Pemberley abertas para ela. Fui claro?
Richard não se lembrava de ter ficado tão furioso na vida, mas em respeito à idade e ao fato do Sr. Darcy ser praticamente o pai de Meg, engoliu sua ira. O tio não tinha que estar interferindo na vida dos dois, afinal agora Meg era uma mulher casada e sob a proteção dele, seu marido. Ele saiu do escritório de Darcy mais irritado do que quando entrara, pois tinha consciência que a reprimenda que recebera fora totalmente injusta.
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