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Seus olhos erravam por aqui, por lá, por toda a parte, maravilhados. Ela viera para ser feliz, e já se sentia feliz.(Jane Austen)

A estória de Meg Wickham - Capítulo 15

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Após o jantar em família, Tory saiu para seu compromisso social com sua tia Georgiana, Darcy, Lizzy e Meg ficaram na sala de visitas conversando, após algum tempo, Meg voltou-se para os tios e disse:

 

- Meus tios, agora que tia Lizzy já está praticamente curada, gostaria de voltar para Pemberley.

 

- Meg, estou planejando ir a Pemberley na semana que vem, então poderemos ir juntos, inclusive gostaria que você também nos acompanhasse Lizzy, iria fazer bem a sua saúde respirar o ar puro de Derbyshire. Ficaremos lá uns 10 dias, enquanto isto, Tory fica com Georgiana, minha irmã e o marido adoram a vida social e acompanharão Tory com prazer.

 

Meg pensou que gostaria de ir embora logo no dia seguinte, colocando bastante distância entre ela e o ex-noivo, mas seria melhor ficar mais uma semana e poder voltar com os tios, Não lhe faria diferença, ela só deveria evitar os locais públicos onde poderia eventualmente encontrar o conde.

 

Na manhã seguinte, à hora marcada por Lord Richard, Meg ficou em seu quarto pensando que àquela hora ele estaria aguardando sua chegada, olhando para todos os lados, consultando o relógio de bolso a cada instante, mas tal pensamento não lhe deu satisfação, deixando-a depressiva, pois não queria que ele sofresse por sua causa.

 

Era cerca de 11 horas daquela mesma manhã, Meg encontrava-se sozinha na sala de visitas bordando, quando o mordomo entrou para avisá-la que o Conde de Lindsey viera visitá-la.

 

- Jones, diga a ele que não estou... que sai com minha tia.

 

- Sim, senhorita.

 

Após alguns minutos, antes que o mordomo pudesse detê-lo, Lord Richard irrompeu na sala.

 

- Srta. Margareth desculpe-me, mas não consegui deter o senhor conte... - disse o mordomo muito aflito.

 

- Tudo bem, Jones. Vou recebê-lo. Pode se retirar.

 

- Margareth, preciso conversar com você, já que não compareceu ao nosso encontro no parque esta manhã, conforme lhe pedi,  vamos ter esta conversa aqui.

 

- Pois bem, o que o senhor deseja me dizer? Peço que seja breve, meus tios saíram e estou sozinha na casa, portanto recebê-lo sozinha é muito impróprio.

 

- Quero reatar nosso noivado, nesses meses todos que ficamos separados, pensei muito em nós dois e cheguei à conclusão que você é a mulher que sempre idealizei para esposa. É inteligente, elegante, educada e bonita, tem todas as qualidades para ser minha esposa e minha condessa. O que aconteceu entre nós em Pemberley foi uma prova de que somos compatíveis no leito marital, o que é muito importante para mim, pois preciso gerar um herdeiro.

 

- Lord Richard fui bastante clara em nosso encontro em Newcastle do que espero de um casamento. Por favor, procure outra mulher, tenho certeza de que não lhe faltarão pretendentes com todas as qualidades que enumerou e ainda por cima bem nascidas, de famílias tão ilustres como a sua. Deixe-me em paz.

 

- Margareth, sei que a assustei com minha atitude em Pemberley, não agi como um cavalheiro, mas nunca antes me descontrolei daquela forma com uma mulher, não consigo explicar  nem a mim mesmo minha atitude. Dê-me outra chance, tenho certeza de que poderemos ser felizes.

 

- ... pois para mim aquela atitude foi uma demonstração de total falta de respeito por mim, duvido que o senhor teria tal comportamento se eu fosse filha de alguém de sua classe social. - Meg abaixou os olhos, pois eles estavam rasos de água.

 

Richard sentou-se no sofá ao lado dela. Ficou alguns segundos em silêncio, depois pegou as mãos dela onde depositou um beijo, lutando contra a vontade de chorar Meg não reagiu, foi quando se viu repentinamente puxada para os braços de Richard que capturou seus lábios, num beijo faminto.

 

- Que diabos está acontecendo aqui? - esbravejou Darcy, irrompendo na sala, como um furacão, neste preciso instante.

 

O casal se separou rapidamente.

 

- Senhor Darcy!!! - Richard exclamou, colocando-se imediatamente de pé, inclinando-se para saudar Elizabeth que entrava no aposento logo atrás do marido.

 

- Como o senhor me explica este beijo desrespeitoso em minha sobrinha? - esbravejou Darcy, partindo em direção a Lord Richard. Lizzy correu em direção aos dois homens, colocando-se entre ambos, na tentativa de impedir um confronto entre eles.

 

- O que está havendo entre você e minha sobrinha que eu não estou sabendo?

 

- Meu tio, não há nada entre nós. – murmurou Meg assustada diante da fúria do tio. Este ignorou o aparte da sobrinha e dirigiu sua atenção para Richard.

 

- Sr. Darcy, eu vim pedir a sua sobrinha para reatarmos nosso noivado, pois nestes meses em que estivemos afastados cheguei à conclusão de que desejo torná-la minha esposa.

 

- Lord Richard, ainda bem que o senhor chegou a esta conclusão, pois irá se casar com ela, quer queira, quer não. Vocês dois já causaram problemas suficientes para meu gosto. Estou, portanto, concluindo que está pedindo a mão de minha sobrinha em casamento e eu estou consentindo. Mas devo avisá-lo que não vou mais tolerar noivados longos. Exijo que o senhor providencie uma licença especial de casamento, quero vocês dois casados até o final da semana.

 

- Meu tio!

 

- Fiztwilliam...

 

- Lizzy, por favor, deixe-me lidar com este problema a minha maneira. Estou farto de escândalos, falatórios e boatos em torno do nome de minha sobrinha e consequentemente do meu. Ontem, fiquei sabendo através de meu cunhado James que andaram falando que minha sobrinha recebeu dinheiro de seu falecido pai para desfazer o noivado, como se ela fosse aceitar e como se eu fosse permitir um absurdo desses. Isto, foi a gota d'água, trate de se casar com ela e acabar de uma vez por todas com esta boataria. Dúvido que esta gente terá coragem de falar dela quando ela estiver sob a proteção de seu nome.

 

- Sr. Darcy, vou providenciar a licença especial imediatamente. Creio que poderei obtê-la no máximo em 48 horas.

 

- Pois, apresse-se, rapaz.

 

- Meu tio...

 

- Não, Meg, desta vez não vou aceitar seus argumentos. Vocês irão se casar e logo, aliás, no meu entender, já deveriam estar casados. Eu não deveria ter cedido às suas argumentações e as de minha mulher. Basta!!!  As diferenças que porventura tenham, vocês irão acertar como marido e mulher, aí não vou mais interferir.

 

******************************

 

Nos dias que se seguiram, Darcy manteve-se irredutível em sua posição.

 

Meg ficou estupefata, ao saber da dimensão do escândalo em que seu nome estava envolvido.  Foi obrigada a concordar com seu tio, o casamento seria a única solução viável para calar as línguas maldosas, nunca imaginara que pudesse ser alvo do falatório da sociedade. Ela que sempre vivera na obscuridade, mas todo este interesse se devia ao fato dela ter arrebatado o melhor partido do momento, despertando a inveja e o ciúme das donzelas casadouras e de suas ambiciosas mães.

 

Lizzy, desta vez, resolveu manter-se calada, pois analisando com cuidado a situação chegou a conclusão que Darcy tinha razão. Por outro lado, ela concordou com o casamento, porque sabia que a sobrinha amava Lord Richard, e este por sua vez dava mostras de também estar amando Meg, pois que outro motivo ele teria em insistir em se casar com ela?

 

Lizzy arrastou Meg para um frenesi de compras, pois as roupas dela não eram próprias para o novo papel que ocuparia. Uma Meg atordoada com a reviravolta dos acontecimentos em sua vida, se deixou levar como um autômato. Seguia sua tia às lojas, chapelarias, sapatarias e modistas, acolheu todas as sugestões desta a respeito das roupas e acessórios que compravam. 

 

Na noite anterior ao dia do casamento, Lizzy foi ao quarto de Meg para ter com ela aquela tradicional conversa entre mãe e filha sobre a noite de núpcias.

 

- Meg, minha filha, sei que está bastante contrariada com o rumo que os acontecimentos tomaram. Sei que não quer casar com Lord Rutherford nestas circunstâncias, mas seu tio está certo  este casamento será a solução para acabar com todo este escândalo em que você está envolvida.

 

- É, tia, também cheguei a essa conclusão, é horrível o que andaram falando de mim e acabaram envolvendo meu tio também. Sabe, eu já estava conformada em ficar solteira, não me incomodava ficar sozinha. Viveria feliz com vocês para sempre.

 

- Eu e seu tio não seremos eternos, Meg, um dia nós vamos embora e, aí, o que seria de você? Ficaria em Pemberley com William e a família dele, como uma tia velha, vivendo da caridade deles, isto não é bom. Nós não sabemos com quem William se casará, se será uma boa pessoa ou não. Creia-me, a perspectiva de casar-se com Lord Richard me parece muito mais atraente. Você será a senhora de Lindsey Hall, poderá ter seus próprios filhos, como sempre sonhou, e ainda existe a grande possibilidade de fazer este casamento dar certo. Todo esse empenho de Lord Richard em se casar com você, significa que ele deve nutrir algum sentimento forte por você. Conquiste-o Meg.

 

- Estou com tanto medo do futuro, minha tia, medo de ser infeliz ao lado dele. A senhora sabe que eu o amo, por isso mesmo sei que ele tem o poder de me magoar mais que qualquer outra pessoa no mundo. Sinto-me tão insegura em relação a ele, ao mundo em que ele vive e que logo será o meu, à família dele, principalmente à mãe dele.

 

- A vida é feita de desafios, você terá que enfrentá-los e toda noiva, por mais que ame seu noivo, sempre tem uma ponta de medo do futuro, ele é sempre uma incógnita. Meg, sei que quando se é solteira, fica-se imaginando de muitas formas como será a noite de núpcias. Mas, posso lhe dizer por experiência própria que você deve confiar em seu noivo, ele é um cavalheiro, como seu tio e tenho certeza que ele fará tudo para que você passe por esta experiência da melhor forma possível. A primeira vez é uma experiência um pouco dolorosa, mas nada que uma mulher não possa suportar.

 

Meg ficou calada, não iria aborrecer a tia contando-lhe que ela já passara por esta experiência, a mais extraordinária que já tivera na vida.

 

*************************************

 

O casamento aconteceu tão logo Lord Richard obteve a licença especial, isto é no terceiro dia após as tratativas do casamento.

 

Escolheram uma igreja pequena e a cerimônia foi simples, comparececendo apenas Darcy, Lizzy, Tory, Georgiana e James, seu marido. O único convidado e padrinho de Lord Richard,foi o seu primo Lord Dorsey. A condessa de Lindsey que estava passando uma temporada numa das propriedades da família em Gales, embora avisada por carta pelo filho, não compareceu à cerimônia, pois não havia tempo hábil para ela viajar a Londres.

 

Os Darcy ofereceram um almoço comemorativo aos noivos e no início da tarde eles partiram para  Lindsey Park, a propriedade ancestral do conde, onde os noivos passariam a lua de mel.

 

A maior parte da viagem foi feita em silêncio pelos noivos, cada qual perdido em seus pensamentos, Meg observava a bela paisagem dos campos ingleses que se descortinava pela janela, pensando nos tios e nos primos, como sentiria falta deles e de Pemberley. Lord Richard sentado ao seu lado, também viajava calado.

 

Finalmente chegaram ao portão de entrada de Lindsey Park, mas a carruagem ainda rodou vários milhas antes que Lindsey Hall surgisse à vista, a mansão era imensa, Pemberley parecia minúscula em comparação às proporções palacianas da mansão. Na entrada principal, uma fila imensa de criados, uniformizados, em ordem hierárquica e em atitude respeitosa perfilava-se para saudar a nova senhora.

 

Após, apresentada ao mordomo e a governanta, Meg passou pelos demais criados que a saudaram com uma reverência respeitosa. Terminada a apresentação, a governanta, Sra. Barclay, uma mulher rechonchuda, de meia idade, com um ar maternal e bondoso, conduziu Meg para os aposentos que estavam reservados para ela, passando por uma sucessão de salas e corredores e subindo uma imensa escadaria de mármore. Embora estivesse acostumada com o luxo e o requinte de Pemberley, Meg estava atônita com a suntuosidade de Lindsey Hall, tudo ali era grandioso, requintado e luxuoso, após andar por algum tempo pelos imensos corredores, ela se sentiu perdida não saberia voltar ao ponto de origem, e este seria seu novo lar, pensou Meg.

 

O quarto que a governanta lhe apresentou como o seu, era imenso e suntuoso, uma larga cama dominava o ambiente com seu dossel de brocado bordô, os móveis finamente trabalhados, um biombo chinês de laca e lavrado em madrepérola dava um toque sofisticado, na lareira de mármore crepitava um fogo acolhedor. Uma criada já guardava as roupas de Meg em armários e guarda roupas:

 

- Sra. Condessa, Mary será sua criada de quarto.Qualquer coisa que a senhora precise basta tocar a sineta e mais uma vez bem vinda a Lindsey Hall.

 

Meg sentia-se perdida nunca imaginara que a residência dos condes Lindsey fosse esta mansão palaciana, com um batalhão de criados. Ela se voltou para uma das janelas para olhar a vista, pois não sabia o que fazer, enquanto a criada continuava a guardar suas roupas. Embora já estivesse anoitecendo, os jardins e o parque que se descortinavam de sua janela era maravilhosos, a possibilidade de caminhar por eles animou seu estado de espírito.

 

Ela despertou de seu devaneio sobre a beleza da vista quando Lord Richard entrou no quarto e ordenou para a criada:

 

- Desejo ficar a sós com minha mulher.

 

A criada fez uma reverência e retirou-se imediatamente, fechando a porta atrás de si com cuidado.

 

Richard aproximou-se de Meg e disse:

 

- Estava apreciando a vista, pena que já esteja anoitecendo, os jardins e parques de Lindsey Park são famosos por sua beleza. Espero que tenha gostado de seu quarto, mas vou avisando que ele é provisório, quando minha mãe mudar-se daqui, ocuparemos os quartos principais da casa que são melhores e mais espaçosos.

 

- Sua mãe não irá morar conosco?

 

- Não, ela irá morar a mais ou menos uma milha daqui, dentro de nossa propriedade, numa casa menor destinada às condessas viúvas da família.

 

- Mas há espaço suficiente para ela aqui.

 

- Claro que há, minha cara, mas eu quero que você seja a senhora aqui e ela que comandou esta casa por quase 30 anos não ficaria confortável tendo que dividir o comando com você.

 

- Mas, eu não saberei como administrar esta casa enorme com um verdadeiro exército de criados.

 

- Não se preocupe, Fleming, o mordomo e a Sra. Barclay, a governanta, cuidarão de tudo, como vem fazendo a muito tempo. Você só irá mudar se algo não estiver de seu agrado.

 

- Eu gostaria que você me ajudasse... sinto-me tão insegura.

 

- Margareth... Meg, agora posso chamá-la assim, não é? Claro que vou ajudá-la. Sei que nosso casamento começou de forma errada, os acontecimentos fugiram de nosso controle, mas quero que saiba que apesar das aparências, não fui coagido por seu tio. Casei-me com você por espontânea vontade. 

 

- E como você pretende que nossa união seja feliz quando diz que não vai haver.... amor conjugal entre nós?

 

- Podemos ser bons amigos, podemos ser companheiros um do outro, sei que você foi criada no seio de uma família numerosa e que gosta de crianças, poderemos ter quantos filhos você quiser. Você viu que aqui há espaço suficiente.

 

Meg ficou em silêncio, refletindo sobre o que Richard Rutherford lhe oferecia amizade, companheirismo, filhos, numa vida de riqueza e luxo, ela se sentiu abençoada. Se ele não pudesse lhe dar amor, ela o amaria pelos dois. Agora que conhecia um pouco melhor o marido podia entender muitas de suas atitudes.

 

- Está bem, Richard. Aceito sua amizade e de minha parte também vou me esforçar para que sejamos felizes.

 

- Obrigada, Meg. - ele a tomou nos braços e o beijo que uniu suas bocas nada tinha de amigável, foi um beijo ardente e apaixonado, quando finalmente ele a libertou de seus braços, Meg arfava e olhou o marido com um olhar em que transparecia todo o amor que sentia por ele.

 

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