Lord Richard saiu pisando duro e Meg bateu a porta atrás dele, apoiando-se nela para não cair ao chão, ficou alguns minutos ali perdida em seus pensamentos e emoções tumultadas.
Ela ferira o orgulho de Lord Richard, um homem que, desde que nascera, sempre tivera sua vontade respeitada, que era adulado pela sociedade por ser muito rico, de família poderosa e herdeiro de um dos mais importantes títulos da Inglaterra, mas Meg sentia que estava de alma lavada dissera a ele tudo que estivera atravessado em sua garganta desde o fatídico noivado. Dissera coisas que uma jovem bem educada jamais diria a um cavalheiro, tais como se referir a amantes que ele tinha, dividir a cama com o marido, mas Meg tinha certeza de que ele de qualquer jeito, não a considerava uma dama, pois não a tratara como tal durante o breve noivado.
Revendo os acontecimentos passados, ela chegara a conclusão de que mesmo a visita noturna de Richard ao seu quarto se devia a falta de respeito que ele tinha por ela.
"Duvido que ele teria ido ao quarto de Tory, se fosse noivo dela. Ele iria respeitá-la porque ela é uma Darcy, mas eu, sou uma pobre coitada, a filha de George Wickham, a quem ele fez a caridade de propor casamento, por isso aqueles beijos lascivos, por isso aquelas carícias tão ousadas e pensar que eu consenti, que gostei que ele fizesse comigo aquilo tudo, achando que havia da parte dele algum sentimento por mim. Ele nunca sentiu nada por mim, além de luxúria que o homem sente por qualquer mulher que ele ache atraente. E ele se deu ao trabalho de vir até aqui foi porque eu feri o orgulho dele desfazendo o noivado, eu ousei desprezá-lo, ele quer ter sempre a última palavra. Juro que vou deixar de amá-lo, nem que tenha de morrer tentando. Ele não merece meu amor, foi um crápula comigo. Vá para o inferno, Richard Rutherford, eu te odeio!" - Meg corou violentamente, ao pensar na blasfêmia que viera a sua cabeça, imitando o linguajar grosseiro que seus primos usavam um com os outros.
Meg, entretanto, estava certa que se o ex-noivo que se dara ao trabalho de viajar até Newcastle, iria voltar a procurá-la, mas quando isto não aconteceu estranhou o fato dele ter aceito tão rapidamente a dispensa dela. Mas, no dia seguinte ela ficou sabendo, através da Sra. Perkins, o motivo dele não ter voltado a procurá-la.
- Srta. Margareth, a criada do hotel me contou que Lord Richard Rutherford chegou ontem pela manhã, hospedando-se aqui e que perguntou pela senhorita. Mas, após algumas horas na cidade, precisou partir para Londres às pressas porque recebeu uma carta urgente, dizendo que o pai dele se acidentara gravemente.
Meg sentiu-se penalizada pelo conde e pelo filho, lamentou não poder saber mais notícias deles, por outro lado sentiu um alívio muito grande ao saber que Lord Richard havia ido embora. Agora tudo estava definitivamente acabado entre eles.
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A doença de George Wickham seguiu seu curso normal, ele enfraquecia a olhos vistos e apesar do zêlo com que Meg cuidava dele, ministrando-lhe pontualmente os remédios que o médico prescrevera e alimentando-o devidamente com a comida preparada com esmêro pela Sra. Perkins.
- Meg, minha filha, sinto que meu fim está próximo, queria te agradecer pelo que fez por mim. Você é uma filha maravilhosa. Sei que não mereço os cuidados que você está tendo comigo, pois eu nunca fiz nada por você, mas agora é tarde para remediar minha falta de responsabilidade, as maldades que fiz prejudicando tantas pessoas. Só me resta levar o arrependimento comigo, a você pelo menos posso pedir perdão por tê-la abandonado e não ter cumprido meu dever como pai.
- Meu pai, o senhor está se cansando à toa, por favor, pare de falar e descanse.
- Não, eu preciso falar para aliviar o peso que tenho em minha consciência.
Quando Lydia voltou de seu trabalho aquela tarde, encontrou o marido inconsciente, mandou chamar o médico e este ao examiná-lo, disse num tom de pesar e consolo.
- Sra. Wickham, lamento dizer que nada mais posso fazer.
Naquela madrugada, George Wickham faleceu, tendo ao seu lado a esposa e a filha.
- Meg, apesar de tudo, amei muito seu pai a vida inteira, por isso suportei a vida de agruras que passei ao lado dele. - Lydia disse essas palavras mais para ela mesma que para a filha, acariciando a testa lívida do marido morto.
Apesar da insistência de Meg para que a mãe fosse embora para Pemberley com ela, Lydia se negou dizendo que tinha obrigação de continuar cuidando da Sra. Morrison e que gostava de viver em Newcastle, onde tinha alguns amigos, estava ambientada e o argumento que convenceu Meg a deixar a mãe foi que ela disse que não gostaria de viver de caridade na casa dos Darcy.
Assim um mês e meio após terem chegado a Newcastle, Meg e a Sra. Perkins voltavam para casa.
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A visão de Pemberley foi um bálsamo para o coração ferido de Meg. Ela sentira profundamente a morte do pai, embora tivesse tido pouca convivência com ele, naquele mês e meio que passara cuidando dele, seu coração generoso aprendera a amar aquele homem torturado por um passado de erros, arrependido das maldades que praticara, mas que sabia irreversíveis.
E embora não confessasse nem a si própria, o fim de seu noivado com Lord Richard ainda a magoava profundamente. Procurava não pensar nele, mas quando menos esperava o belo rosto dele aparecia na sua frente, e as sensações que ele lhe provocara com seus beijos e carícias vinham a sua mente, assombrando-a e roubando-lhe a paz enquanto ela lutava bravamente para esquecê-lo.
Os tios e Tory a receberam com grande alegria, pois os meninos haviam voltado para o colégio em Eton.
Tory que sentira a ausência de Meg, mais que ninguém na casa, não a largava um minuto, tagarelando sem parar.
- Você não sabe da grande novidade, o pai de Lord Richard faleceu, ele sofreu um acidente enquanto cavalgava e quebrou o pescoço. Lord Richard agora é o novo conde de Lindsey. Imagine se você estivesse casada com ele, agora seria uma condessa. Oh! Como sou avoada, mamãe disse para eu não tocar no nome de Lord Richard com você.
- Não faz mal, Tory. Ele que faça bom proveito do título!
- Meg, posso te perguntar por que você desfez o noivado com ele? Porque até agora não entendi, o que aconteceu para você romper com ele. Eu tinha certeza de que você era apaixonada por ele e ele também estava apaixonado por você, quando passou aqueles dias em julho aqui em Pemberley, não tirava os olhos de você, sabe daquele jeito disfarçado e altivo dele, mas eu reparei.
- Você deve estar enganada, Tory. Ele não me amava, os pais dele eram contrários ao nosso casamento e aquela reputação de mulherengo que ele tem, foram os motivos que me levaram a desmanchar o noivado. Eu jamais seria feliz casando-me com ele.
- Mamãe falou que vamos novamente na temporada do ano que vem para Londres. Vamos ver se nesta temporada encontramos nossos príncipes encantados.
- Tory, você irá com tia Lizzy, você encontrará seu príncipe encantado, eu desisti do meu. Vou ficar em Pemberley, você se esqueceu que sou uma mulher marcada por um escândalo, imagine se na temporada passada falaram de mim por ser filha de George Wickham, depois de tudo que aconteceu com meu noivado, o que não irão falar. Estou pensando em beijar um sapo do jardim, quem sabe ele se transformaria no meu príncipe encantado.
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