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Gostar de dançar é certamente a primeira etapa antes de se apaixonar. (Jane Austen)

A estória de Meg Wickham - Capítulo 12

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Sob a aparência de suavidade e meiguice Meg escondia uma vontade e uma determinação muito grande, quando tomava uma decisão dificilmente alguém conseguia demovê-la e foi com esta decisão que escreveu naquela noite mesmo, as duas cartas que seguem:

 

"Meus queridos tios:

Primeiramente, peço desculpas por todo o sofrimento e atribulações por que vão passar por minha causa. Acreditem, vocês são as últimas pessoas no mundo a quem eu gostaria de causar qualquer dor.

Sou imensamente grata por tudo que fizeram por mim, no plano material e principalmente no plano afetivo e moral . Tudo o que sou hoje, devo a vocês, a sólida estrutura moral que me deram, as minhas mais caras recordações na vida, de momentos de amor e alegria vivi juntamente com vocês.

Estou rompendo meu noivado com Lord Richard Rutherford, a quem vou enviar uma carta. Não vejo sentido num casamento realizado apenas para dar satisfação à sociedade porque fomos vistos numa situação comprometedora.

Aprendi com vocês, meus tios, a ver o casamento com uma união de dois seres que se amam, se respeitam e têm objetivos em comum.

Não quero sacrificar minha vida ao lado de um homem que não me ama, que unirá sua vida a minha por obrigação, que tem valores tão diferentes dos meus. Eu o liberto deste compromisso.

Ele encontrará a esposa adequada e eu seguirei meu caminho em paz.

Decidi ficar com meus pais em Newcastle, vou ajudar minha mãe a cuidar de meu pai que se encontra gravemente enfermo, até o seu desenlace final que, segundo seu médico, não tardará a ocorrer.

Depois poderei arrumar um emprego de preceptora ou dama de companhia com a boa formação que recebi de vocês. Não se preocupem comigo porque tenho certeza tudo irá se ajeitar.

Tenho o dinheiro que me deram para a viagem e algumas economia que fiz ao longo dos anos e que trouxe comigo.

Quanto a Victoria, pensei muito a respeito e creio que não será prejudicada pelo escândalo do rompimento de meu noivado, ele será esquecido até a próxima temporada. E além do mais, ela não é uma Wickham e sim uma Darcy, como tal poderá frequentar a próxima temporada de cabeça erguida.

Espero que entendam esta minha atitude e que não a considerem um ato de ingratidão, pois serei sempre imensamente grata a vocês que me acolheram e me trataram  sempre como uma filha.

Peço ao meu tio que devolva o anel de noivado a Lord Richard. Ele se encontra guardado na caixa de jóias de tia Lizzy.

Que Deus os abençoe.

A vocês o meu amor incondicional sempre.

Meg Wickham"

 

 

 

"Prezado Lord Richard Rutherford

 

Venho através desta carta romper nosso noivado que o senhor tão cavalheirescamente propôs após o escândalo ocorrido no baile de Lord e Lady Westbury.

O motivo principal que me leva a este rompimento é que aprendi no convívio com meus tios que um casamento deve ter como base o amor entre duas pessoas que se respeitam e que têm objetivos em comum. Tal sentimento não existe entre nós e durante sua estada em Pemberley em julho, cheguei a conclusão que não existe a possibilidade de vir a existir.

O segundo motivo e não menos sério é a forte oposição que seus pais fazem a minha pessoa, por causa de minha origem obscura, eles jamais irão me aceitar como um membro da família serei sempre considerada como alguém inferior.

Estes dois motivos são suficientes para me levar a concluir que nossa união seria desastrosa.

Peço desculpas pelos transtornos que o senhor vier a sofrer por este rompimento.

Pedi a meu tio Sr. Darcy que lhe devolva o anel de noivado e ele o fará na primeira oportunidade em for a Londres.

Desejo ao senhor felicidades.

Sinceramente.

Margareth Wickham"

 

No dia seguinte, Meg chamou a Sra. Perkins que ocupava o quarto ao lado do seu e disse:

 

- Sra. Perkins, tomei uma decisão muito séria ontem à noite. Vou ficar aqui em Newcastle, ajudando minha mãe a cuidar de meu pai. Quero que a senhora volte para Pemberley e entregue esta carta para meus tios.

 

- Srta. Meg, sinto dizer que não vou obedecê-la. Seus tios me fizeram prometer que eu não largaria a senhorita um minutos sequer, e eu não arredarei pé daqui de jeito nenhum, só cumprei ordens do Sr. ou Sra. Darcy a este respeito.

 

Diante da negativa da Sra. Perkins, conhecendo a sua teimosia e fidelidade aos Darcy, Meg acrescentou uma nota junto à carta para os tios e despachou ambas pelo correio.

 

"Meus queridos tios:

 

Depois da decisão que tomei, pedi a Sra. Perkins que voltasse para Pemberley sozinha, mas ela se recusa a fazê-lo, dizendo que só irá embora por ordem dos senhores, por isso, peço que escrevam a ela ordenando-a que volte para aí. Meg."

 

Enquanto aguardavam as ordens do Sr. Darcy, Meg disse a Sra. Perkins que queria mudar-se do hotel para a casa dos Wickham, pois Lydia se propôs dormir no mesmo quarto que o marido e deixar o outro cômodo para Meg e a Sra. Perkins.

 

- Eu acho que devemos continuar no hotel, onde a senhorita tem todo o conforto a que está acostumada, o Sr. Darcy não vai gostar de saber que descumpriu sua ordem e se mudou para aquela casa.

 

Apesar de irritada com o jeito mandão da Sra. Perkins, Meg decidiu que seria melhor não contrariá-la, pois em questão de poucos dias chegaria carta de seu tio, ordenando que ela fosse embora e aí Meg poderia mudar para a casa dos pais. Entretanto, não foi o que aconteceu, dentro de alguns dias, o próprio Sr. Darcy acompanhado da esposa materializou-se em Newcastle.

 

Um mensageiro do hotel foi à casa dos Wickham avisar Meg que o Sr. e a Sra. Darcy a esperavam no hotel. Ao chegar à sala de visitas da suite que ocupava encontrou o tio com expressão furiosa e a tia preocupada, Darcy levantou-se abruptamente ao vê-la, indo ao seu encontro.

 

- Meg, você enlouqueceu?

 

Lizzy interveio imediatamente.

 

- Fitzwilliam, por favor, deixe eu falar. Meg, minha filha, acho que você está se precipitando em suas decisões. Se você não quer se casar com Lord Richard, nós apoiamos totalmente sua decisão, não a forçaremos a se casar contra sua vontade, como nós já conversamos anteriormente. O casamento é um compromisso muito sério e se você acha que não poderá ser feliz com ele, não precisa se casar com ele. O que questionamos é sua decisão de ficar morando com seus pais aqui em Newcastle. Você deve ter ficado penalizada com a situação que encontrou e está se sentindo culpada por viver conosco.

 

- Por pior que sejam os pecados de meu pai, ele se arrependeu amargamente e eu gostaria de dar um pouco de conforto a ele em seus últimos dias de vida. Minha mãe sai para trabalhar e ele fica sozinho largado na cama o dia inteiro, apenas uma vizinha vai dar uma olhada de vez em quando para ver se ele precisa de algo. Eu quero ficar para cuidar dele, meus tios, não vou ficar em paz comigo mesma se for embora e deixá-lo neste estado.

 

Darcy ficou penalizado ao ver os olhos de Meg marejados de lágrimas, apesar de seu aspecto severo, ele não suportava ver lágrimas nas mulheres que amava, aproximou-se de Meg e falou num tom conciliador.

 

- Meg, então vamos fazer um trato. Você fica cuidando de seu pai, como quer, mas a Sra. Perkins ficará também e vocês continuam hospedadas aqui no hotel. E quando seu pai melhorar ou se ele vier a falecer, você volta para Pemberley, nada desta estória de ficar aqui em Newcastle e trabalhar como preceptora ou dama de companhia. Quanto à sua mãe, não se preocupe com ela, não ficará desamparada, nós cuidaremos dela. Em relação ao seu casamento com Richard Rutherford como disse tua tia, nós apoiaremos a sua decisão.

 

- Obrigada, meu tio. O senhor é o melhor homem do mundo! - Meg que se atirou nos braços do tio que lhe beijou a testa acariciando seus cabelos.

 

Os Darcys partiram de Newcastle no dia seguinte, mas Lizzy ainda foi fazer uma rápida visita a sua irmã Lydia e a Wickham. Darcy, entretanto, recusou-se a visitar o ex-amigo de infância, filho do antigo capataz de Pemberley, pois não conseguira perdoar as maldades que este praticara.

 

*****************

 

A rotina de Meg era levantar-se cedo e ir à casa dos pais ainda em tempo de ver sua mãe sair para o trabalho. Passava o dia ao lado do pai, às vezes conversavam, lia para ele ou ficava bordando, enquanto ele dormia a maior parte do tempo. A Sra. Perkins saía para fazer compras e cozinhava as refeições. À noite, depois que Lydia voltava do serviço, jantavam e o coche de aluguel que Darcy contratara vinha buscar as duas para levá-las de volta ao hotel para passarem a noite.

 

Uma tarde, a senhora Perkins havia saído para as compras e Meg ouviu batidas na porta da rua, pensando se tratar da vizinha que, às vezes ainda aparecia para uma visita, ela foi atender a porta, ao abri-la deparou-se com Richard Rutherford, ela precisou se agarrar à porta, pois sentia que suas pernas fraquejavam com o susto que levou.

 

- Ri... Lord Richard! O que faz aqui? Como me encontrou?

 

- Não vai me convidar para entrar? Ou vamos ter que conversar na rua?

 

- Desculpe, pode entrar.

 

Um pouco mais refeita do choque inicial de ver o ex-noivo na porta da casa dos pais em Newcastle, Meg se afastou da porta para que ele entrasse na sala. Ele parecia completamente fora de ambiente com suas roupas elegantes naquela sala extremamente simples e pobre, mas Meg não deu importância a isto, preocupada com o que o trazia ali.

 

- Como o senhor descobriu que eu estava aqui em Newcastle?

 

- Seu tio procurou-me em Londres para oficializar o rompimento de nosso noivado e me disse onde você se encontrava.

 

- Então, acho que ficou tudo acertado, meu tio deve ter reforçado o que eu disse na carta ao senhor. Não temos mais nada a dizer um ao outro.

 

- Pelo contrário, Margareth, eu não vou aceitar os argumentos que você usou naquela carta como desculpa para terminarmos nosso noivado.

 

- Meus argumentos são mais do que convincentes para terminar qualquer noivado.  

 

- O que seu tio não sabe é que você se entregou a mim, se soubesse duvido que ele concordaria com este rompimento.

 

- O senhor veio aqui me ameaçar contar a meu tio, o que... aconteceu... entre nós para me obrigar a casar com o senhor? - Meg perguntou horrorizada.

 

- Não, não vou revelar nosso segredo a ninguém, pode ficar tranqüila, minha cara. Vim para lembrá-la que naquela noite selamos um compromisso.

 

- Não vejo desta forma o que aconteceu.

 

- Margareth, você é minha. Não vou permitiu que outro homem tome o que é meu!

 

- Não pertenço ao senhor, nem a ninguém, sou uma mulher livre, Lord Richard. E como tal tenho o direito de escolher o homem que quero para marido, não quero me comprometer num casamento em que serei sempre vista como uma pessoa de nível social inferior, porque não me considero assim. Não quero estar casada com um homem que desfila com amantes pelas ruas de Londres enquanto vou ficar esquecida em sua propriedade do campo, servindo de chacota à sociedade.  Não quero um casamento de aparências, frio e formal, quero ser amada, respeitada, não quero dividir apenas a cama com meu marido para lhe dar um herdeiro, quero compartilhar a vida com ele, quero amar e ser amada e ter filhos gerados deste amor. E o senhor, não vai me oferecer nada disto, por isso o desobriguei do compromisso firmado. Agora, por favor, saia, não temos mais nada a tratar.

 

Meg tremia da cabeça aos pés, mas conseguiu reunir forças para dirigir-se à porta, abrindo-a para que Richard passasse. Este estava atônito, pois jamais esperara que a meiga e dócil Meg Wickham fosse ter um rompante desses.

 

- Vou sair porque vejo que está muito nervosa, e não conseguiremos conversar civilizadamente, mas não considero nossa conversa encerrada. Pode ter certeza de que voltaremos a debater este assunto.

 

- Não, se depender de mim!

 

- É o que veremos

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