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A imaginação de uma dama é muito rápida, salta da admiração ao amor, e do amor ao matrimônio, num momento. (Jane Austen)

A estória de Meg Wickham - Capítulo 10

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Após, deixar a cesta vazia na cozinha, Meg foi direto para seu quarto, precisava se acalmar da agitação que a confissão de Samuel Woods lhe provocara. Nunca lhe passara pela cabeça que ele a amava e que tal sentimento fosse tão sério a ponto dele lhe propor casamento, não se importando com o escândalo que a comprometera, nem com o fato dela já estar noiva. Ele, jamais dera demonstração de que sentia um afeto tão profundo por ela. Era correto em suas atitudes, amável e trata-a da mesma forma que tratava Tory, com gentileza e cavalheirismo, nunca percebera nenhuma deferência especial a ela.

 

"Coitado de Samuel Woods, como deveria estar desesperado para abrir seu coração da forma que o fez. Não queria que ele sofresse. Queria tanto poder corresponder ao sentimento dele, pois tenho certeza que eu seria mais feliz casada com ele do que com Richard.

Ele seria um marido leal, amoroso, atencioso que faria de tudo para me fazer feliz. Mas, acho que eu não seria feliz ao lado dele porque não o amo. Iria sempre me sentir culpada por não corresponder ao afeto dele.

E será que serei feliz casada com Richard? Não preciso ter o dom da premonição para saber o que será meu casamento com ele. Nosso relacionamento será distante e formal, sem nenhum calor de afetividade.

Meu Deus, é isto que quero para minha vida? Não, certamente não é, não foi o que sonhei para mim a vida inteira.

Vejo meus tios Lizzy e Fiztwilliam, Jane e Charles, Georgiana e James, eles são casais felizes no casamento porque se amam, existe amor entre eles, a gente vê isto nos mínimos gestos, na forma que se olham, se respeitam um ao outro.

O que adianta eu amar Richard se ele não corresponde a este sentimento? O amor precisa ser recíproco para desabrochar e ser um sentimento bonito.”


Meg não desceu para o almoço, pretextando dor de cabeça, e logo após a refeição ela viu pela janela de seu quarto, todos os homens da casa, saindo a cavalo para uma visita, programada anteriormente, para um proprietário de terras vizinhas. Meg sentiu um alívio muito grande, pois poderia ficar sozinha no quarto, sem precisar fazer companhia ao noivo e sem precisar ver a fisionomia abatida e tristonha de Samuel Woods.


***************

 
Os jantares eram muito animados em Pemberley, pois passada a cerimônia e o constrangimento inicial com a presença de Lord Richard, a velha camaradagem entre os primos voltou e com ela o ambiente festivo, as brincadeiras animadas e descontraídas.

 

Naquela noite, Samuel Woods tentou disfarçar o melhor que pôde seu abatimento, participou das conversas com sua simpatia habitual e apenas Meg notou um brilho triste no olhar quando a fitava.

 

"Ele é tão jovem, simpático, inteligente, tem um futuro acadêmico brilhante, logo irá me esquecer e encontrará uma mulher que o mereça." - pensava Meg tentando se sentir menos culpada pela decepção e tristeza que estava causando a ele.

 

A hora habitual todos se recolheram e Meg já estava deitada lendo na cama, como era seu hábito,  quando ouviu uma leve batida na porta e logo em seguida ela se abriu e para seu espanto viu a figura alta de seu noivo entrando em seu quarto.

 

- Richard, pelo amor de Deus, é muito impróprio, você entrar em meu quarto.

 

- Preciso conversar com você. Amanhã é o dia de minha partida de Pemberley e não terei a menor chance de ficar a sós com você para conversarmos.

 

-- Richard, amanhã logo cedo eu darei um jeito de ficarmos a sós e conversaremos. Por favor, agora saia do meu quarto, se nos pegarem juntos aqui, será horrível.

 

- Todos já se recolheram, por que alguém viria ao seu quarto?

 

- Podem ouvir nossas vozes e vir...

 

- Não, as paredes de Pemberley são grossas o suficiente para garantir nossa privacidade. - Richard aproximou-se da cama de Meg, esta instintivamente puxou as cobertas até seu pescoço, embora sua camisola fosse muito discreta e nada revelasse de sua anatomia.  - Quero saber o que existe entre você e Samuel Woods?

 

- Não existe nada entre nós. Por que está perguntando isso?

 

- Ah! Tenho certeza de que não tive alucinações esta manhã, quando vi minha noiva trocando carinhos com o Sr. Woods na beira do rio.

 

- Richard, deixe-me explicar, na realidade... Meu Deus, como vou explicar ...

 

- É impossível explicar o inexplicável, minha cara. - Richard retrucou num tom sarcástico.

 

Meg estava num impasse, não poderia trair Samuel Woods revelando a declaração de amor e a proposta de casamento que este lhe fizera, Richard se sentiria ferido em seu orgulho e poderia até chamar o rival para um duelo, seria uma tragédia que ela teria que evitar a todo custo.

 

- Richard... ele me fez algumas confissões pessoais que não posso revelar... pois seria trair a confiança que ele depositou em mim,  não existe nada entre nós, somos apenas amigos, quero bem a ele, como quero bem a meus primos.

 

- Que tocante! E os beijos que trocaram? O que significaram?

 

- Acredite, foi apenas uma troca de carinho fraternal. Ele me beijou na testa e eu retribuí beijando-o no rosto como você deve ter visto.

 

- Uma intimidade fora de propósito para uma mulher que está noiva de outro. Outra coisa que me intriga e que me deixa furioso é que, desde que cheguei aqui, não tive um momento de privacidade com minha noiva porque seu tio colocou os filhos e sobrinhos para tomar conta de nós, como se eu fosse estuprá-la nos jardins de Pemberley, entretanto você teve toda liberdade para passear e receber e trocar carinhos com o professorzinho. E não vi nenhuma pressa de sua parte de sair dos braços do Sr. Woods, parecia muito à vontade lá, enquanto comigo a única vez que consegui beijá-la, logo que cheguei aqui, você saiu correndo como se mil demônios a perseguissem. O que há de errado com meus beijos, eles te são repulsivos? Eu te desagrado a ponto de você não suportar meu contato?

 

- Richard, você está enganado. Concordo que meu tio está exagerando na vigilância que exerce sobre nós, mas isto se deve às circunstâncias em que nosso noivado ocorreu. Ele é muito protetor conosco. Eu não acho seus beijos repulsivos, nem tampouco seu contato me desagrada. Richard... é que nós nos conhecemos tão pouco, eu me sinto um pouco intimidada com sua presença.

 

- Pois, minha cara, não acha que está na hora de ir se acostumando comigo? Falta apenas um mês para nosso casamento e eu não quero uma noiva relutante no nosso leito de núpcias. - Richard inclinou-se sobre a cama, segurou Meg pelos braços, arrancando-a do leito, abraçou-a firmemente e antes que ela pudesse protestar, selou os lábios de Meg com os seus.

 

O beijo foi possessivo, como se ele quisesse marcar seu território em face de um intruso que queria tomar o que ele considerava como seu. Mas, aos poucos o calor do contato foi amainando a fúria dele e logo ela começou sentir a paixão, o fogo do desejo que incendiava o corpo de Richard.

 

Ele começou a distribuir beijos por todo o rosto dela, descendo vagarosamente pelo pescoço e ao se deparar com a gola da camisola atrapalhando sua trilha de beijos, desabotoou os pequenos botões que fechavam o traje recatado. Os beijos continuaram pelo colo até alcançarem os seios, onde ele continuou distribuindo beijos até capturar na boca um dos mamilos róseos de Meg. Ela sentia arrepios pelo corpo todo e parecia que todas as suas terminações nervosas estavam à flor da pele.

 

- Richard, por favor... - nem ela mesmo sabia se estava pedindo para ele parar ou continuar aquelas carícias que a estavam deixando fora de si.

 

Entre beijos, ele lhe tirou a camisola, deitou-a de volta na cama, onde se juntou a ela. As mãos experientes de Richard passeavam ousadas pelas pernas de Meg, subindo pelas suas coxas, até alcançar suas partes mais íntimas. Meg sentia seu corpo em fogo, mas ao mesmo tempo que o desejo tomava conta dele, ela pensava se o que Richard fazia com ela era algo que uma dama deveria permitir que um homem fizesse com ela, nunca ninguém havia lhe contado sobre as intimidades entre homem e mulher, ela conversara algumas vezes com Tory sobre isto, mas esta era tão ignorante quanto ela nestes assuntos e ambas ficavam num mar de dúvidas.

 

- Richard, acho melhor pararmos. Eu...

 

Habilmente Richard beijou Meg, mergulhando avidamente sua língua profundamente dentro da boca dela e calando qualquer protesto ou negativa que ela pudesse emitir. As carícias continuaram deixando o corpo de Meg completamente à mercê da vontade de Richard. Quando percebeu que Meg estava pronta para recebê-lo, Richard se despiu rapidamente e sussurou no ouvido de Meg:

 

- Dizem que a primeira vez para a mulher é um pouco dolorosa, Meg, mas nada que uma mulher não possa suportar, pois elas vem fazendo isto através dos tempos. Vou procurar ser cuidadoso.

 

Richard a penetrou lentamente, ao ultrapassar a barreira de sua virgindade, Meg sentiu dor, mas ao emitir um gemido de dor, sua boca foi coberta por um beijo devastador que a fez esquecer a dor que aos poucos foi diminuindo. Quando Meg pensou que tudo havia terminado, Richard começou a se movimentar dentro dela em investidas rítmicas, a princípio Meg sentiu um pouco de sensibilidade com o movimento, mas aos poucos desajeitadamente ela sentiu necessidade de acompanhá-lo até sentir todo seu corpo estremecer numa explosão de prazer. Richard, por sua vez, não demorou a encontrar seu clímax no corpo macio de Meg.

 

- Meg, eu a machuquei? Tentei me conter, mas acabei perdendo o controle no final.

 

- Não, eu estou bem.

 

- Meg, não quero que você se preocupe com o que aconteceu, hoje. Daqui a um mês estaremos casados e se eu te engravidei esta noite, nosso filho nascerá prematuramente e ninguém ficará sabendo que nos o concebemos antes de nos casarmos.

 

- Se eu estiver grávida, nós só voltaremos a fazer amor quando você quiser outro filho? É assim que funciona? - Meg perguntou corando até a raiz dos cabelos com a ousadia de sua pergunta.

 

Richard soltou uma risada ante a pergunta tão ingênua e beijando a ponta do nariz de Meg respondeu:

 

- Não, nós faremos amor muitas vezes, mesmo se você estiver grávida. Esta primeira experiência nunca é muito agradável para a mulher, por causa da dor e porque seu corpo não está acostumado ao meu, mas nas próximas não haverá mais dor, apenas o prazer.

 

Meg pensou que em seguida, Richard iria se vestir e ir  embora do quarto, mas ele continuou deitado ao lado dela, abraçando-a na estreita cama de solteiro, caindo logo em seguida num sono profundo. O calor gerado pela proximidade dos corpos fez Meg se sentir sonolenta, mas ela não conseguiu dormir, estava assustada demais para isto, procurou ficar quieta, aninhada nos braços de Richard, sentindo o calor do corpo dele, o cheiro masculino que emanava de seu corpo, inundando-a de um bem estar nunca antes experimentado.

 

Ela procurou não pensar na magnitude do que fizera, procurou não julgar sua atitude, procurou não se sentir culpada. Ficou olhando, na penumbra do quarto, iluminado apenas pela vela acesa no criado mudo, o belo rosto de Richard, enquanto ele dormia. O amor que sentia por ele, agora que havia entregado seu corpo a ele, parecia ter crescido. Imaginava o quanto seria maravilhoso, fazer amor e dormir nos braços dele depois de casados. Começava a ter uma visão menos pessimista de sua vida de casada, quem sabe Richard viesse a amá-la com a convivência e pudessem ser realmente felizes.

 

Quando Meg percebeu pelas frestas da janela que o dia começa a clarear, ela sacudiu Richard pelo ombro e disse:

 

- Richard é melhor você voltar para o seu quarto, daqui a pouco os criados já estarão levantando e alguém pode vê-lo.

 

- Meg, daqui a algumas horas vou embora de Pemberley, quero que saiba que apesar de sua inexperiência, esta noite foi muito especial para mim.

 

Richard saiu relutante da cama, vestiu-se rapidamente, beijou Meg com paixão e deixou o quarto sorrateiramente.


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