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O orgulho se relaciona mais com a opinião que temos de nós mesmos, e a vaidade, com o que desejaríamos que os outros pensassem de nós.(Jane Austen)

A estória de Meg Wickham - Capítulo 9

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A esposa de um dos empregados de Pemberley, havia dado a luz recentemente e estava acamada porque tivera complicações durante o parto. Meg, cujo bom coração, não podia ver ninguém necessitado para que logo se prontificasse em ajudar, iria fazer uma visita à mulher, levando comida para ela e para os filhos. Normalmente, Tory a acompanhava nestas visitas aos necessitados da região, mas ela amanhecera indisposta e Meg teria de ir sozinha.

 

A cozinheira designara um rapazola, ajudante da cozinha, para acompanhar e ajudar Meg, enquanto ele carregava um saco com mantimentos, Meg levava um cesto de comidas.

 

Eles já estavam quase perto do seu destino quando encontraram Samuel Woods  que fazia um passeio a pé.

 

- Bom dia, Srta. Meg.

 

- Bom dia, Sr. Samuel.

 

- Onde está indo?

 

- Vou visitar a Sra. Smith, a esposa de um dos empregados de meu tio, ela está doente e tem dois filhos pequenos e um bebê, vamos levando comida para eles.

 

- A senhorita permite-me acompanhá-la?

 

- Claro, será um prazer ter a sua companhia.

 

- Deixe-me carregar a cesta para a senhorita.

 

Conversando amigavelmente chegaram à casa humilde dos Smith, dois meninos pequenos espiavam pela porta entreaberta os visitantes.

 

- Obrigada por carregar o cesto para mim, Sr. Samuel.

 

- Vou aguardá-la enquanto faz a visita para voltarmos juntos a Pemberley. Isto é, se a senhorita me permitir?

 

- Se não for atrapalhar seu passeio, será um prazer.

 

- Vou esperar, faça sua visita à vontade, não tenha pressa.

 

Meg entrou na casa de um cômodo apenas, depositou o cesto de comida sobre a mesa e aproximou-se da cama onde se encontrava a enferma com o bebê ao seu lado.

 

- Srta. Meg, estávamos esperando sua visita. E a Srta. Tory?

 

- Ela amanheceu indisposta e não pôde vir, Sra. Smith.

 

Meg ia falando e ajeitando nos pratos a comida que a cozinheira mandara, serviu primeiro a Sra. Smith e depois os dois meninos que começaram a comer avidamente. Meg, então, inclinou-se sobre o bebezinho que dormia ao lado da mãe e acariciou as bochechas rosadas da criança.

 

- Tão lindinha! Será que posso pegá-la no colo, ela não irá acordar?

 

- Claro que não, pegue-a, ela terminou de mamar e agora só irá acordar daqui a algumas horas. Esta menina tem sono pesado como o do pai.

 

Meg pegou delicadamente o bebê no colo e olhava embevecida para os traços minúsculos da criança. Ela adorava crianças, e sempre sonhara ter muitos filhos, gostaria de ter uma casa cheia de crianças, uma família grande, alegre e barulhenta.

 

"Casando-me com Lord Richard, dificilmente terei muito filhos, dizem que os aristocratas precisam ter um filho homem que será o herdeiro do título e um segundo por medida de garantia, no caso do mais velho vir a falecer e depois nem mais dormem com suas esposas. A não ser que eu seja que nem minha avó e tenha 5 meninas, aí ele será obrigado a ir tentando até nascer um filho homem."

 

- Sra. Smith, gostaria de ficar mais tempo com a senhora, mas vou ter que ir embora.

 

- Claro, Srta. Meg, não se preocupe, logo mais, minha irmã ficou de vir e dar um jeito em tudo. Muito obrigada, a senhorita é um anjo, feliz de seu noivo que terá uma mulher maravilhosa como esposa. Mande recomendações minhas a Sra. e a Srta. Darcy.

 

Meg colocou cuidadosamente o bebê de volta à cama ao lado da mãe, beijou os dois meninos que terminavam sua comida e saiu.

 

- Pensei que fosse demorar mais. O rapazinho que te acompanhava foi embora dizendo que a cozinheira mandara ele voltar logo, pois tinha muito serviço a fazer.

 

- Tudo bem, vamos embora também.

 

Samuel e Meg foram caminhando e conversando. Ela achava incrível como se sentia à vontade com Samuel Woods, embora o conhecesse há poucos dias, tinha a impressão de que era seu amigo a anos e mesmo o silêncio entre eles era agradável, não havia nada de opressivo nele.

 

- Quero lhe mostrar o meu local preferido à beira do rio. É logo ali, venha ver, Sr. Samuel, é muito lindo!

 

Meg seguiu em direção ao rio por um atalho da estrada por onde caminhavam. Naquele local, o rio fazia um remanso, a água cristalina brilhava refletindo a luz do sol, as árvores frondosas, a relva coalhada de pequenas flores silvestres de diferentes cores, faziam do local um cenário muito romântico.

 

- É muito bonito mesmo, Srta. Meg.

 

- Sempre que posso venho aqui, gosto de ver a curva que o rio faz, o verde...as árvores frondosas e as pedras, enfim tudo.

 

Samuel Woods olhava fixamente o rosto de beleza suave de Meg, o silêncio era quebrado apenas pelo murmurar das águas do rio e de algum pássaro que cantava ao longe.

 

- Srta. Meg... estou para falar com a senhorita... não quero que pense que seja impertinência de minha parte, nem falta de respeito. Sei que está noiva de Lord Richard, mas Joshua Bingley me contou as circunstâncias deste noivado... de que foi obrigada a aceitar a oferta de casamento que ele lhe fez devido a um escândalo. Eu quero lhe dizer que a amo e que apesar de não ser nem nobre, nem rico como ele, tenho condições de fazê-la feliz, oferecer-lhe uma vida confortável, com meu salário de professor...  A mim não importa o que houve entre este cavalheiro e a senhorita para gerar este escândalo. Pois, acredito firmemente que a senhorita foi envolvida sem ter culpa alguma... Minha ousadia em propor-lhe casamento, estando noiva de outro, vem da certeza que não existe nenhum sentimento profundo entre Lord Richard e a senhorita, pelo que pude observar nestes dias de convivência.

 

Meg olhava Samuel Woods estarrecida, jamais imaginara que o rapaz nutrisse qualquer sentimentos mais profundo por ela, além da amizade. Ela sentiu seu coração apertar dentro do peito de dor ao ver os olhos brilhantes de esperança de Samuel Woods.

 

- Sr. Samuel, sinto muito desapontá-lo, mas tenho de recusar sua oferta. Eu não poderia aceitá-la porque não o amo...

 

- O sentimento que sinto pela senhorita é tão grande que a princípio bastaria para nós dois, tenho certeza que com o tempo e a convivência a senhorita iria desenvolver afeição por mim, pois nunca vi um coração tão generoso como o seu.

 

- Embora não demonstre amo meu noivo desde os 15 anos e creio que irei amá-lo a vida inteira, é um sentimento unilateral, pois Lord Richard está se casando comigo apenas para cumprir sua obrigação de cavalheiro por ter me comprometido.

 

O rosto angustiado de Meg encheu Samuel de piedade por ela. Instintivamente, ele a puxou para o círculo de seus braços, para consolá-la e depositou um beijo na testa de Meg, esta deixou-se ficar nos braços de Samuel, por alguns minutos. Por fim, levantando a cabeça, depositou um beijo fraterno no rosto de Samuel e se separou do abraço dizendo:

 

- Sinto muito ter despertado este sentimento em você, Samuel. Não foi intencional, sei, melhor que ninguém o quanto é difícil amar e não ser correspondida.

 

- Srta. Meg, minha oferta fica em aberto. Se pensando melhor, resolver aceitar minha proposta, a senhorita me fará o mais feliz dos homens.

 

 Meg sentiu seus olhos se encherem de lágrimas, as palavras que desejara ouvir da boca de Lord Richard, vinham de outro homem, honrado e bom, que certamente faria de tudo para fazê-la feliz, mas como ela poderia entregar a ele um coração que pertencia a muito tempo a outro homem. Seria vil, seria desonesto, seria desleal.

 

O casal deixou o belo cenário à margem do rio e voltou para a estrada, só que desta vez um silêncio incomodo pairou sobre eles até alcançarem Pemberley. Cada qual envolvido no tumulto das emoções que as confissões feitas acarretaram. Estavam tão distraídos que não perceberam que houvera uma testemunha oculta entre as árvores e que assistira de longe a cena à margem do rio.

 

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