A carruagem dos Darcys seguia em direção de Derbyshire, deixando para trás a cidade de Londres e a temporada. Todos seguiam calados, cada um absorto em seus próprios problemas.
Meg olhava a paisagem que se descortinava de sua janela, mas seus pensamentos estavam no jantar da noite anterior na casa dos futuros sogros, se ela tinha alguma dúvida de que não seria aceita pelos pais de Lord Richard, esta dúvida acabou naquele jantar. Os condes receberam o casal Darcy e a ela com requinte e educação, mas com frieza e altivez, em nenhum momento ela sentiu que seria bem-vinda à família, não houve nem um olhar ou gesto de acolhimento.
Lord Richard foi atencioso com ela, mantendo durante o tempo todo uma postura polida e gentil, porém desprovida de qualquer afetividade.
O longo jantar formal na magnífica sala de jantar da mansão foi uma prova para os nervos de Meg. Ela não saberia dizer quais os pratos servidos e muito menos o sabor de cada um deles. Parecia que todos os pratos preparados com requinte pelo chef francês do conde, tinham gosto de palha seca que ela só conseguia engolir com goles de vinho ou água.
Ela teria dois meses do verão para se preocupar com os preparativos de seu casamento que aconteceria no início de setembro. Seu noivo ficara de passar 15 dias da segunda quinzena de julho em Pemberley, aceitando um convite que Darcy fizera a pedido de sua esposa. Elizabeth achava que a convivência em Pemberley seria uma forma dos noivos se conhecerem melhor e de Lord Richard vir a amar a noiva.
Meg não sentia entusiasmo algum com esta visita, pois sabia que ele viria por obrigação, para cumprir seu papel de noivo, não porque quisesse vê-la ou estar em sua companhia.
***********
Os jardins estavam floridos, os parques e bosques coloridos em diferentes tons de verde. Os pássaros e insetos faziam sua sinfonia incessante. Era a estação do ano preferida de Meg, porque, além da beleza da natureza, seus primos William, Jonathan e Frank estavam de volta para casa das férias escolares e a família estava completa.
A mansão ganhava vida com todos querendo falar ao mesmo tempo, rindo e brincando o tempo todo. Os rapazes inventavam passeios a pé e a cavalo, aproveitando para fazer pic-nics. À noite se reuniam em volta do piano dançando, cantando e fazendo brincadeiras de salão. Desta forma, a primeira quinzena de julho passou voando para Meg.
A família Bingley veio para sua visitar anual aos Darcys, trazendo consigo seus filhos Joshua, James e Joanne e este ano trouxeram também um amigo de Joshua da Universidade de Cambrigde, Samuel Woods.
O rapaz tinha 24 anos, era filho de um professor da Universidade e apesar de sua pouca idade, devido a sua inteligência brilhante, já começara a lecionar na Universidade, como professor assistente de História Romana. Ele foi muito bem recebido por todos, era simpático, agradável, culto sem ser pedante, e logo se juntou ao bando de primos em suas brincadeiras, passeios e reuniões.
Uma tarde em que todos estavam voltando de uma pescaria fazendo a maior algazarra, ao se aproximarem de Pemberley depararam com Lord Richard Rutherford andando pelo parque, ele chegara aquela tarde para a prometida visita à noiva. Meg estava um pouco afastada do grupo, caminhando e conversando animadamente com Samuel Woods e só se deu conta da presença do noivo quando estava próxima a ele.
- Boa tarde, Margareth. Como vai?
- Boa tarde, Lord Richard. Vou bem, obrigada. E o senhor como está?
- Bem. Não vai me apresentar o cavalheiro ao seu lado?
- Ah! sim. É o Sr. Samuel Woods, amigo de meu primo Joshua Bingley.
- Sr. Samuel, este é Lord Richard Rutherford.
Sam Woods cumprimentou Lord Richard com sua habitual simpatia ao que o outro respondeu com um ar altivo que aborreceu Meg, pois simpatizava profundamente com o jovem professor, que aprendera a gostar nos poucos dias em que este se encontrava em Pemberbey, pois além de ser extremamente agradável, tinha uma conversa inteligente e tratava-a sempre com muita simpatia.
- Sr. Woods, o senhor nos daria licença, pois eu gostaria de conversar com minha noiva a sós?
- Com certeza, milord. Com licença.
- Por que não me apresentou ao Sr. Woods, como seu noivo, Margareth?
- Eu... eu ainda não me acostumei ainda com a idéia de que estou noiva.
- Pois, deveria ter se acostumado rápido, pois será um período curto, falta apenas um mês e meio para se tornar minha esposa.
Meg estranhou o tom irritado na voz de Lord Richard.
“Ele deve estar contrariado por ter vindo a Pemberley por uma imposição de meu tio para me visitar”. Pensou Meg com uma ponta de amargura no coração.
- Pedi para ficarmos a sós porque queria lhe entregar o seu anel de noivado, é uma herança de família que as condessas de Lindsey usam a várias gerações, como anel de compromisso. Espero que sirva em seu dedo e que goste.
O anel era uma bela jóia antiga, uma gema de esmeralda rodeada de pequenos brilhantes, Lord Richard colocou-o no dedo de Meg.
- Ficou um pouco folgado, mas quando estivermos em Londres, vou mandar ajustá-lo. Por enquanto, acho que dará para você usá-lo, assim mesmo.
- Obrigado, é muito lindo, gostei muito, Lord Richard.
- Quero que passe a me chamar de Richard. - disse um tom de voz intimista onde toda a irritação tinha desaparecido. Ele beijou a mão de Meg lentamente, olhando profundamente em seus olhos, Meg sentiu sua respiração se acelerar e tentou libertar sua mão, mas rapidamente Lord Richard puxou a para si, beijando-a nos lábios com uma avidez que a deixou paralisada.
Embora estivessem no parque em plena luz do dia, algumas árvores e arbustos mais altos davam certa privacidade ao casal, assustada com o beijo inesperado, Meg a princípio tentou afastar Lord Richard, pois ela ficara traumatizada com as conseqüências daquele primeiro beijo. Mas seu corpo frágil não era páreo para o corpo musculoso e atlético do noivo, ela não conseguiu se distanciar dele nem um milímetro.
- Por favor, Lord Richard é muito impróprio nos beijarmos...
- Acho que tenho todo o direito de beijar minha noiva.
Lord Richard voltou a beijá-la. Os lábios macios e quentes de Meg tinham o poder de enfeitiçá-lo, aquele suave corpo feminino colado ao seu, enlouqueciam seus sentidos. Até que, por fim, ela conseguiu escapar do abraço do noivo e saiu em disparada em direção a casa, só parou quando chegou a seu quarto.
"Meu Deus, quando vou conseguir agir com naturalidade na presença de Lord Richard, ele tem o poder de me deixar completamente perturbada e quando me abraça e beija fico à mercê dele." Pensou Meg olhando assustada para sua aparência no espelho, os cabelos meio despenteados, o rosto afogueado pela corrida e pelos beijos que trocara.
******************************
Lizzy estava sozinha em sua sala particular bordando quando Darcy entrou e sentou-se ao lado dela e foi falando de forma direta como era seu costume.
- Agora que Lord Richard chegou, pedi a nossos filhos e sobrinhos que tomem conta de Meg, não quero que ele fique a sós com ela um minuto sequer.
- Mas, Fitzwilliam, esqueceu que eles estão noivos, e aos noivos é permitida certa liberdade para se conhecerem melhor. - retrucou Lizzy.
- Ele vai conhecê-la melhor quando se casarem. Não vou permitir que este can... que ele tome liberdades indevidas com minha sobrinha.
- Mas eu pedi que você o convidasse para nos visitar justamente para que ele pudesse conhecer melhor a Meg. Afinal logo eles estarão casados e mal se conhecem.
- Pois, ele terá toda a oportunidade do mundo para conhecê-la quando estiver casado com ela. Não confio neste rapaz depois de como agiu com Meg. Todo cuidado é pouco.
- Meu amor, você está sendo severo demais, quando nós noivamos há 20 anos, nos foi permitido ficarmos a sós muitas vezes.
- Sim, mas sempre fui respeitador com você, nunca passei dos limites.
- Mas, me beijou várias vezes e muitas vezes percebi que você ficava bem... entusiasmado.
- Lógico, estava perdidamente apaixonado por você.
- Fitzwilliam, se montarmos um cerco em volta dos dois, como você quer, eles não vão poder nem se beijar.
- Eles já se beijaram e veja no que deu. Ele vai voltar a beijá-la quando estiver casado com ela. Lizzy, confie em mim, sei o que estou fazendo. Este rapaz tem fama de conquistador e libertino.
A presença de Lord Richard em Pemberley trouxe certa formalidade ao ambiente familiar e descontraído que desfrutavam até então. Este percebeu logo que os primos de Meg, principalmente os cinco rapazes não lhe davam oportunidade de ficar um minuto sequer a sós com Meg. E este verdadeiro complô o estava aborrecendo muito.
Meg ficava pouco à vontade na presença do noivo. Ele parecia estar sempre irritado com as algazarras dos jovens Darcy e Bingley que riam e brincavam o tempo todo. Era uma situação constrangedora para Meg ter que ficar ao lado do noivo carrancudo e pouco comunicativo, que mostrava visivelmente que não estava gostando da situação.
LAST_UPDATED2















