Na manhã seguinte, Meg estava terminando de se arrumar quando sua tia entrou no quarto com uma xícara de chá nas mãos.
- Bom dia, Meg. Trouxe-lhe chá. Conseguiu dormir?
- Quase nada, tia Lizzy. Mas, pensei bastante e vou aceitar o pedido de Lord Richard. Já causei muitos problemas e não quero que por minha causa o nome dos Darcys fique manchado. Quero que Tory continue brilhando na próxima temporada e possa escolher sem nenhum empecilho seu futuro marido, muito menos por um problema causado por mim.
Aparentando uma serenidade que estava longe de sentir, Meg foi procurar Darcy em seu escritório, ele continuava com o semblante sombrio.
- Meu tio, vim lhe comunicar que aceitarei o pedido de Lord Richard.
- É uma decisão sensata, Meg. Sua tia me falou em prolongar o noivado para você vir a conhecer melhor seu noivo, em casos como estes se costuma marcar o casamento o mais rápido possível, posso concordar que se espere no máximo por 2 meses. No mais tardar, no início de setembro quero vê-la casada.
- Está certo. Peço desculpas ao senhor, meu tio, pelo que aconteceu. Pode crer que ninguém sente mais do que eu o que aconteceu.
- Também peço desculpas, Meg, ontem, eu estava descontrolado e devo ter sido brusco. Sei que o que aconteceu não foi intencional, na verdade você foi uma vítima das circunstâncias. O erro foi de Lord Richard, ele é um homem maduro, acostumado à sociedade e jamais deveria ter agido da forma que agiu.
Algumas horas depois, Meg recebeu Lord Richard na sala de visita da casa dos Darcys. Ele estava sério, com a fisionomia visivelmente cansada, apresentando em volta dos olhos, sinais de uma noite insone.
Meg, muito envergonhada, sentia seu rosto em fogo, incapaz de levantar os olhos para enfrentar o olhar de Lord Richard, olhava a intrincada trama do tapete a seus pés.
- Srta. Margareth, seu tio deve ter-lhe dito que eu viria hoje aqui para formalizar meu pedido de casamento a senhorita.
- Sim.
- E a senhorita aceita?
- Sim... Não sei se era sua intenção casar-se este ano, mas tenho certeza que não era sua intenção casar-se com alguém tão inapropriada para o papel de sua esposa como eu. Lamento muito que os fatos tenham nos levado a este compromisso
- Vou ser sincero com a senhorita, apesar da pressão de meus pais, não era minha intenção casar-me este ano. Quanto ao fato de se achar inapropriada para o papel de minha esposa, não concordo, a senhorita se comporta muito bem em sociedade, nunca a vi cometendo uma gafe.
Um silêncio incômodo se instalou na sala até que Lord Richard disse meio desajeitadamente.
- Voltando ao assunto de nosso casamento, confesso que me simpatizo com a senhorita e acho que poderemos manter um relacionamento cordial como marido e mulher, baseado numa amizade sincera.
Simpatia, relacionamento cordial, amizade sincera, não era o que Meg queria ouvir no pedido de casamento de seu futuro esposo. Ela sempre sonhara amar e ser amada apaixonadamente, sonhara viver um grande amor. Imaginava seu futuro esposo dizendo palavras de amor ao lhe propor casamento. Mas, ante a fatalidade que lhe acontecera ela teria que renunciar a todos os seus sonhos, deveria se contentar com as palavras polidas e destituídas de paixão de Lord Richard.
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A notícia do noivado entre Lord Richard Rutherford e a Srta. Margareth Wickham tomou a sociedade londrina de surpresa e se espalhou rapidamente como um rastilho de pólvora. Embora a temporada estivesse praticamente encerrada, muitas famílias ainda se encontravam na cidade e os comentários fervilhavam. Mas, em lugar algum a notícia caiu como uma bomba, como na residência dos Condes de Lindsey. Quando Lord Richard foi conversar com seu pai, encontrou-o andando em seu escritório como um leão enjaulado.
- Richard, diga-me que estes boatos que tenho ouvido são todos infundados.
- Não, meu pai. Não são boatos, nem tampouco infundados. Vou me casar com a Srta. Margareth Wickham.
- Quando lhe disse que queria vê-lo casado ainda este ano, esperava que você tivesse o bom senso de escolher uma noiva a sua altura. Você enlouqueceu, Richard, propor casamento a esta moça sem linhagem alguma, que foi criada pelos Darcys porque os pais a abandonaram em uma hospedaria. Já parou para pensar que casando se com você, um dia ela será a Condessa de Lindsey!
- Meu pai, não sei como os fatos chegaram aos seus ouvidos, mas quero lhe adiantar que eu comprometi a moça, fomos encontrando nos beijando no parque da casa de Lady Westbury por um grupo de pessoas, não me restou outra alternativa a não ser pedir a mão dela ao Sr. Darcy, é o comportamento que se espera de um cavalheiro.
- Esta moça deve ter armado uma cilada para comprometê-lo desta forma, com os antecedentes que tem não se poderia esperar outra coisa.
- Meu pai, peço que respeite minha noiva e não levante falsas acusações contra ela. Fui eu que me impus a ela, reconheço que foi um momento de fraqueza de minha parte. Não posso desfazer o acontecido. Gostaria que o senhor e minha mãe convidassem a ela e os tios, Sr. e Sra. Darcy, para um jantar formal aqui na sua casa, oficializando nosso noivado, inclusive já mandei também publicar uma nota sobre o noivado no Times.
Desde que atingira a adolescência Richard Rutherford tornou-se o alvo da admiração das mulheres, além do corpo atlético, e das feições perfeitas, ele tinha um magnetismo pessoal que o tornava irresistível para as mulheres. Ele sempre se aproveitara deste sucesso, mas sempre tivera o cuidado de se envolver com mulheres livres, como atrizes, cantoras, viúvas, evitando as moças casadouras, que estavam loucas para levá-lo ao altar. Portanto, o que acontecera com ele e Meg Wickham estava completamente fora de seu comportamento usual.
Ele considerava Meg Wickham uma moça bonita, atraente, muito educada, mas tímida demais para seu gosto, todas as vezes que lhe dirigia a palavra ela parecia uma corça assustada, olhando-o com aqueles olhos azuis e sempre tentando fugir dele. Sentia certa compaixão por ela, pois ouvira inúmeras vezes o que falavam sobre as origens dela, achava tudo isto ridículo, pois a pobre moça não tinha culpa dos pais que tinha. Quando comparecia a um baile sempre dançava com ela uma música, pois gostava muito dos Darcys e achava que dançar com a sobrinha deles seria uma deferência especial a eles.
O beijo, que acontecera no parque, era algo que ele não conseguia entender, ele não poderia nem mesmo culpar a bebida, pois não tinha por hábito se embebedar em bailes familiares. Só tinha certeza que pela primeira vez em sua vida se deixara levar por um beijo, e as conseqüências foram desastrosas.
A inocência e inexperiência de Meg Wickham o haviam excitado de uma forma que nem a mais experiente das mulheres o havia excitado, toda vez que se lembrava do beijo no parque, lembrava da suavidade e a doçura dos lábios dela e sentia desejo de voltar a beijá-la.
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