A mansão suntuosa era rodeada por um imenso parque, cujos caminhos de seixos haviam sido iluminados por tochas, e nas margens do rio lanternas japonesas refletiam suas luzes nas águas, acrescentando uma beleza mágica ao ambiente. Como este baile marcava o encerramento da temporada, todos faziam questão de comparecer e o brilho da festa aumentava com os vestidos luxuosos das mulheres, a elegância dos trajes de gala masculinos, era uma noite especial para todos, principalmente para aqueles casais que durante a temporada firmaram seus compromissos.
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- Minha mãe e meu pai espero que não estejam decepcionados comigo porque não consegui arrumar um noivo nesta temporada. - comentou Victoria na carruagem que os levava ao baile de Lady Westbury.
- Claro que não minha filha, queremos que acima de tudo você seja feliz, você ainda é muito nova e poderá escolher com calma. - comentou Lizzy.
- Nós a apresentamos à sociedade porque é o que se costuma fazer no nosso meio, mas não queremos que você se sinta obrigada a casar por conta disso. - arrematou Darcy.
A preocupação de Lizzy não era com sua filha, mas com Meg, durante toda a temporada ela ficara retraída, nos bailes sempre procurava a companhia do grupo de senhoras casadas, como que fugindo dos poucos rapazes que a convidavam para dançar. E Lizzy percebera que a paixão que Meg sentia por Lord Richard continuava mais viva que nunca, os olhos ávidos dela seguiam o rapaz pelo salão e quando ele a tirava para dançar, ela, embora procurasse disfarçar, parecia entrar em transe. Lizzy não achava que isto fosse um bom sinal.
Meg estava num conflito de emoções, pois ao mesmo tempo que estava feliz com o final da temporada e a volta a Pemberley, sabia que não veria mais Lord Richard, a não ser que ele fosse para lá no outono, para a temporada de caça.
O baile transcorria muito animado, Lord Richard dançava com a jovem Lady Mary, filha de um duque, que juntamente com Victoria, eram as debutantes de maior sucesso nesta temporada.
- O jovem Lord Rutherford parece que não decidiu escolher sua noiva nesta temporada. Ouvi dizer que ele recebeu um ultimato do pai, ele queria ver o filho casado ainda este ano. Muitos comentavam que ele escolheria Lady Mary, que tem a seu favor fortuna, linhagem e o poder de sua família, seria uma escolha acertada, que muito alegraria o conde Lindsey.
- Não sei não, ele não me parece que seja do tipo que obedece o pai cegamente. Mas está, sem dúvida, na idade de se casar. Que belo partido! Se minhas filhas ainda fosse solteiras, eu o queria para genro.
Meg ouviu a conversa das matronas sentadas numa mesa ao lado da dela, estava cansada de ouvir este tipo de comentários de mulheres que nada tinham a fazer nestes bailes, a não ser acompanhar filhas, sobrinhas e procuravam uma maneira de passarem o tempo, especulando sobre a vida alheia. Não via a hora que aquele baile terminasse, seria o fim da tortura de três meses.
A atmosfera abafada do salão de baile começou a incomodar Meg que resolveu sair, queria ficar sozinha. Saiu para o terraço, mas este estava lotado de grupos que conversavam animadamente. Vendo o belo parque iluminado a sua frente, Meg saiu para caminhar por ele, embora soubesse que era impróprio que uma moça andasse desacompanhada, mas ela não viu mal algum, pois ninguém estava preocupado com ela. A princípio ela andou pelas alamedas iluminadas, mas vendo que havia muitas pessoas nelas, aproveitando a temperatura amena do final de junho, resolveu adentrar ao parque, por trilhas secundárias que ficavam na penumbra, ali a música chegava bem fraca e no meio das árvores, o frescor da noite se fazia sentir apesar de ser verão. Ela encontrou um caramanchão num canto afastado do parque e sentou-se no banco, estava aliviada por ter encontrado um canto onde poderia ficar sozinha sem ser perturbada, numa nesga de céu por meio das árvores ela viu muitas estrelas cintilando e um sentimento de nostalgia encheu seu peito.
"Será que aquelas matronas estavam certas? Será que Lord Richard iria propor casamento à Lady Mary? Meu Deus, o que farei se isto for verdade? Vou ter que tirá-lo dos meus pensamentos, não posso continuar pensando num homem casado, é muito impróprio. Por que dentre todos os homens deste mundo fui me apaixonar por alguém, como ele, tão fora de meu alcance."
Meg estava tão absorvida em seus pensamentos atormentados que não percebeu que alguém se aproximava daquele lugar recluso onde se encontrava, só quando a figura alta de Lord Richard estava em frente a ela, notou sua presença e se assustou.
- Desculpe se a assustei Srta. Margareth... Pensei que não houvesse ninguém nesta parte do parque. A senhorita está bem? Parece tão perturbada, o que houve?
- Nada, não. Eu já estava voltando ao salão. Com sua licença.
Meg se levantou rápido, e tentou se afastar da presença, para ela, sempre perturbadora de Lord Richard, mas as mãos firmes dele a seguraram pelos braços, impedindo-a de sair do lugar.
- Acho que até sei o que houve, deve ter ouvido algum dos comentários maldosos que circulam por aí, a respeito de seus pais. Sei que a senhorita foi vítima destes comentários nesta temporada. Não deveria estar tocando num assunto tão delicado, mas me revolta ver a forma como tem sido tratada.
- Lord Richard, agradeço a sua solidariedade, mas, por favor, deixe-me entrar, eu não deveria ter saído desacompanhada, é muito impróprio estarmos aqui sozinhos neste recanto isolado do parque, alguém pode nos ver e tirar conclusões erradas.
Meg levantou seus olhos azuis, que na penumbra do parque pareciam negros, para o belo rosto de Lord Richard, com uma expressão de súplica, ele, entretanto, ao invés de soltá-la, olhava como que fascinado para aquele rosto bonito, com olhos tão expressivos e sem pensar no que fazia, baixou o rosto e capturou os lábios trêmulos da jovem segurando nas mãos a cabeça da jovem.
O beijo foi a princípio um suave roçar de lábios, mas ao sentir o corpo macio e suavemente perfumado da jovem de encontro ao seu, Lord Richard abraçou-a, trazendo-a mais para junto do seu aquele corpo esbelto e feminino que se moldava perfeitamente ao seu.
Os lábios quentes, firmes e experientes de Lord Richard aprofundaram o beijo, excitado com a inocência e a inexperiência de Meg. Aos poucos, o corpo de Meg se transformou numa massa tremula e ofegante, ela se sentia como se estivesse rodopiando no espaço, nunca imaginara que um beijo pudesse conter uma carga tão grande de emoção.
Mas, quando no calor do beijo Lord Richard mergulhou a língua no recesso da boca de Meg, ela ficou chocada com a intimidade da carícia, pensou em protestar, mas, vencida pela paixão e envolvida nas deliciosas sensações que aquele contato íntimo lhe provocava, ela, tímida e instintivamente, começou a corresponder à carícia, o duelo de suas línguas transformou seu sangue em um rio de lava, um prazer nunca antes experimentado percorria todo o seu corpo.
As mãos de Lord Richard passeavam atrevidamente por seu corpo, ombros, costas, nádegas e por fim os seios, mas ela foi incapaz de esboçar qualquer protesto, a paixão a dominava de tal forma que ela se entregava a ele sem nenhum pudor.
Ambos estavam tão absorvidos um no outro, que não se deram conta quando um casal acompanhado de duas matronas se aproximou e assistiram a cena profundamente chocados, após alguns segundos uma das matronas exclamou indignada:
- Meu Deus... que vergonha!
- Não se poderia esperar outro comportamento de pessoas do nível da Srta. Wickham. - exclamou a outra matrona com desprezo na voz.
O casal se separou rapidamente. Ainda atordoada pela emoção do beijo, Meg olhou o grupo assustada, dando-se, então, conta do que acontecera. Lord Richard se recompôs e disse num tom altivo.
- Lady Olwen, peço que a senhora não levante falsas acusações contra a Srta. Wickham, se há alguém a ser acusado de conduta desonrosa, este alguém sou eu. Fui eu quem me impus a ela, mas a senhora pode ter certeza o dano feito a sua reputação será reparado por mim.
Meg, ainda em estado de choque, saiu em disparada em direção à mansão, onde o baile prosseguia animadamente.
Ela entrou no salão de baile a procura de sua tia Lizzy. Esta vendo o semblante transtornado da sobrinha, percebeu que algo grave ocorrera, levantando-se ela segurou Meg pela mão e conduziu-a para fora do salão de baile, indo à procura de um recanto tranqüilo, onde pudessem conversar sem serem perturbadas. Após, alguma procura, encontrou um salão com poltronas e sofás destinado para o descanso dos convidados, que felizmente se encontrava deserto.
- Meg, o que houve, minha querida? Por que você está tão transtornada?
Meg abraçou a tia e com o rosto colado em seu ombro, deu vazão ao choro. Lizzy deixou que Meg chorasse por alguns minutos, pois aquelas lágrimas a acalmariam.
- Umas pessoas... lá no parque... viram eu e Lord Richard... nós estávamos nos beijando... Uma das senhoras disse que não se poderia esperar outra coisa de pessoas do meu nível...
- Meu Deus, viram você e Lord Richard se beijando? Meg, como isto foi acontecer?
- Eu resolvi dar um passeio no parque, estava sentada perto de um caramanchão, quando Lord Richard apareceu de repente, eu levantei e já ia indo embora, pois a senhora sempre diz que é impróprio ficar desacompanhada na companhia de um homem. Mas, antes que eu pudesse ir embora, ele me beijou e nós estávamos nos beijando quando aquelas pessoas apareceram e viram tudo.
- Santo Deus, Meg, você não pode imaginar as conseqüências disso. Foi muito grave o que aconteceu, sua reputação foi comprometida... os rumores desse escândalo já devem estar circulando neste baile.
- Me perdoe, minha tia. Nunca me passou pela cabeça causar um escândalo desses, sempre procurei agir com a máxima discrição. - grossas lágrimas voltaram a cair pelo rosto pálido de Meg.
Elizabeth tinha certeza que a culpa deste acontecimento só poderia ser de Lord Richard, pois Meg, apesar de apaixonada por ele jamais iria se insinuar ou provocar o rapaz. Era tímida e ingênua demais para isso. Ele, sim, como um homem mundano e experiente, jamais deveria ter se aproveitado para atrair a jovem numa situação tão comprometedora.
- Meg, o que aconteceu foi muito grave. Estou tão atônita que nem sei o que lhe falar e o que fazer. Vou ter que contar ao seu tio e vamos ver o que ele irá resolver.
- Contar para meu tio? Eu vou morrer de vergonha! Meu Deus, eu nunca pensei que fosse passar por uma humilhação tão grande.
Lizzy abraçou a sobrinha e pensou que Meg não merecia estar sofrendo mais esta provação nesta temporada, que para ela trouxera tão poucas alegrias.
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