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O orgulho se relaciona mais com a opinião que temos de nós mesmos, e a vaidade, com o que desejaríamos que os outros pensassem de nós.(Jane Austen)

Um herdeiro para Pemberley - Capítulo 7

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Duas vezes ao dia, pela manha e à noite, Darcy vinha ao quarto da esposa para perguntar sobre seu restabelecimento. Eram visitas curtas e ele a tratava com a fria cortesia que vinha dispensando desde que voltaram da malograda fuga de Elizabeth. Ela procurava no fundo dos olhos do marido uma pequena réstia do afeto que ele um dia dispensara a ela, mas encontrava apenas aquele olhar impenetrável de indiferença e frieza.
 

- O Doutor disse que amanhã poderei começar a andar um pouco, sem forçar muito a perna que já desinchou. Ele disse que estou praticamente boa. 
 

- Fico feliz em saber que se recuperou em tão pouco tempo. Tenha uma boa noite, Elizabeth. 
 

E Darcy se retirava pela porta de comunicação dos dois quartos, deixando Lizzy desolada com tal tratamento. 
 

Elizabeth conseguira subir na pedra mais alta e admirava o vale abaixo, tudo parecia tão calmo, o sol brilhando e aquecendo seu corpo, a brisa suave em seu rosto. Hora de descer, cautelosamente, lembrando que já caíra uma vez, foi colocando um pé após o outro nos contornos das pedras, mas de repente sentiu o pé escorregar  pois pisara em falso,  estava suspensa no ar,  as mãos não conseguiam se segurar em nada,  com uma velocidade espantosa ela mergulhava num abismo sem fim, esperando apenas que seu corpo atingisse o chão, antecipando a dor  que sentiria, a sensação de queda livre a fez gritar a plenos pulmões, pois sabia que não iria sobreviver da altura em que caíra. 

- Elizabeth, acorde... acorde, Elizabeth... 
 

Darcy segurava o corpo trêmulo da mulher, sacudindo-o levemente, tentando acordá-la do pesadelo em que estava mergulhada. 
 

- Acorde, você está tendo um pesadelo. 
 

Lizzy abriu os olhos a princípio desorientada e demorou alguns segundos para compreender que estava em seu quarto, em sua cama e que o marido tentava despertá-la de um pesadelo. Ele a segurava pelos braços, sacudindo-a levemente, chorando ela passou os braços em volta do pescoço, abraçando Darcy e soluçando com a cabeça enterrada em seu ombro. A proximidade dele a acalmava. Passado alguns minutos, Darcy tentou se desvencilhar dela, mas protestando, ela não se soltou do pescoço dele. 
 

- Por favor, não vá embora... fique aqui comigo, Fitzwilliam. Estou tão assustada... fique aqui comigo... 
 

- Elizabeth, você só teve um sonho ruim, um pesadelo... Vou lhe dar um pouco de água e você vai se acalmar e voltar a dormir. 
 

- Por favor... fique comigo, eu não vou conseguir dormir novamente se ficar sozinha, vou ter a impressão que o pesadelo irá voltar.  
 

Darcy hesitou por alguns minutos e por fim disse: 
 

- Está bem, vou ficar até você pegar no sono novamente. Vamos, tire os braços em volta de meu pescoço para que eu possa pegar um copo de água para você. 
 

- Não, eu não quero água, quero você perto de mim... só isso. 
 

Darcy deitou ao lado da mulher que continuava a abraçá-lo firmemente, Elizabeth se aninhou nos braços do marido, sentindo os braços fortes dele em volta de seu corpo. A sensação de estar novamente nos braços do marido era tão boa que Elizabeth colou seu corpo macio ao de Darcy. 
 

- Fitzwilliam sonhei que estava caindo de uma pedra enorme, eu caía... caía... parecia que o chão não chegava nunca e eu sabia que iria morrer quando chegasse no chão. Foi horrível! 
 

- Elizabeth, agora acalme-se... foi apenas um pesadelo. Fique quietinha e tente dormir novamente... 
 

Darcy estava tão perturbado com aquela proximidade que não conseguia ter um pensamento coerente. O calor e as curvas do corpo da mulher, seu perfume suave, a falta que sentira dela nestes 15 dias que estavam de volta a Pemberley, tudo conspirava para que seu corpo reagisse violentamente a estes estímulos. Elizabeth sentiu a evidência do estado de excitação do marido junto a seu ventre e uma alegria incontida tomou conta dela, toda aquela indiferença e frieza eram apenas uma fachada, o marido ainda sentia desejo por ela.
 

 - Lizzy, por favor...volte a dormir. 
 

- Eu vou dormir... só não me deixe... não quero estar sozinha se voltar a ter aquele pesadelo. - disse com um sorriso malicioso que o marido não viu porque rosto de Lizzy estava colado ao peito dele. 
 

Por fim, Darcy desistiu de lutar contra o desejo que incendiava seu corpo, suas mãos começaram a acariciar os cabelos sedosos de Elizabeth, descendo pelas suas costas, abraçando-a com uma volúpia mesclada com desespero. Seus lábios traçavam uma trilha de fogo pelo rosto da mulher encontrando seus lábios, em beijos sedentos de desejo e paixão. Esquecidos de seus rancores, suas dúvidas e suas diferenças ambos procuraram através de beijos e carícias, saciar o desejo reprimido por tanto tempo. Quando seus corpos finalmente se uniram, seus sussuros e gemidos ecoaram pelos salões escuros e silenciosos na madrugada de Pemberley. 

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