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Seus olhos erravam por aqui, por lá, por toda a parte, maravilhados. Ela viera para ser feliz, e já se sentia feliz.(Jane Austen)

Um herdeiro para Pemberley - Capítulo 3

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Jane e Charles Bingley receberam Elizabeth com muita alegria, tentando não demonstrar o espanto e a apreensão diante desta visita tão inesperada, pois logo pressentiram que havia algo errado.
  

Os Darcy haviam ido a Netherfield após o nascimento do primeiro filho dos Bingley para conhecer e batizar o sobrinho, na despedida Darcy deixara claro que só voltariam a se ver dali a uns 6 meses, pois não poderia se ausentar de Pemberley. 


Elizabeth estava feliz de rever a irmã que parecia ainda mais linda do que antes. A maternidade parecia ter-lhe aumentado a beleza e o sobrinho Joshua era a criança mais linda que ela já vira, loiro como a mãe, os olhos azuis do pai, era uma criança calma e risonha que parecia ter herdado o bom gênio de ambos. 
 

- Como ele cresceu e como está lindo! Jane, como estou feliz em voltar a Netherfield, estar junto de você, de Joshua e de Charles. Espero não estar causando nenhum transtorno a vocês com esta visita inesperada.  
 

- Você sabe perfeitamente que sempre será bem vinda nesta casa, Lizzy. E Darcy como está? 
 

- Ele está bem... Elizabeth carregava o sobrinho no colo, acariciava a cabecinha do bebê, sentindo que seus olhos se enchiam de lágrimas. Jane percebendo a emoção da irmã, tomou-lhe o filho dos braços, tocou a sineta, pediu a criada que chamasse a babá da criança para que ela fosse levada para seu quarto. 
 

- Lizzy, o que houve? Por que você veio para cá de repente, sem nos avisar e sem Darcy? - Jane, eu não sei o que faço de minha vida, não consigo mais viver com ele... Soube que ele arrumou outra mulher em Londres... 
 

- Lizzy, você deve estar enganada... de onde tirou esta idéia, minha irmã? 
 

-  Ele tem viajado muito a Londres, todos os meses e no mês passado passou mais de 15 dias lá. Então, recebi esta carta de sua cunhada Caroline que reforçou minha suspeita, tome... leia você mesma. 
 

"Cara Elizabeth Darcy: 

Você há de estranhar esta missiva, pois não temos por hábito nos correspondermos. Mas, tendo em vista os laços de família que agora nos unem através de meu irmão Charles e diante da gravidade dos fatos que tomei conhecimento, sinto-me na obrigação de lhe contar o que está acontecendo, tenho certeza que você se sentirá agradecida por esta minha iniciativa. 

Como é de seu conhecimento, eu e minha irmã Louise frequentamos a alta sociedade londrina,  naturalmente,  sabemos de tudo o que passa neste círculo restrito. Últimamente, temos notado com frequência a presença de nosso amigo Darcy, em teatros e festas acompanhados de membros da família Marson que são velhos amigos dos Darcys, dentre eles está sempre presente a bela Rebecca Morgan, que em solteira era Rebecca Marson. 

Esta senhora foi casada com Stephen Morgan, e enviuvou a cerca de 1 ano e meio, passado o seu período de luto voltou a frequentar a sociedade e tem sido vista em constante companhia de seu esposo, que demonstra ter um prazer muito grande em estar em sua companhia em vários eventos sociais. Lamento dizer que este fato anda causando certo constrangimento e falatório geral, tendo em vista que a referida senhora é viúva e o Sr. Darcy um homem casado. 

Gostaria de alertá-la que esta senhora já nutriu no passado esperanças de se tornar a senhora Darcy, mas que acabou se casando com o Sr. Morgan, haja vista que o Sr. Darcy parecia, na época, relutante em propor-lhe matrimônio. Não sendo minha intenção inquietá-la, mas simplesmente alertá-la do que anda ocorrendo. 

Sua sincera amiga. 

Caroline Bingley
 

- Lizzy, minha querida, você sabe que não gosto de pensar mal das pessoas, acho que Caroline está equivocada. Não deve haver nada entre Darcy e a Sra. Rebecca Morgan, são amigos de família, freqüentam o mesmo círculo social, então é natural que cultivem esta amizade, fiquem juntos em festas e teatros. 
 

Jane dobrou com cuidado a carta e a devolveu para Elizabeth. Após alguns minutos de silêncio, Jane falou cautelosamente.
 

- Encontrei também uma carta desta mulher dirigida a Fitzwilliam ... sei que não deveria ter feito isto, por favor não me condene ..., mas acabei por lê-la. Ela se referia a Fitzwilliam com tanta intimidade, em termos tão afetuosos, dizendo o quanto estava feliz por poder reatar relações com ele, que ele não imaginava o prazer que ela sentia em poder desfrutar novamente da companhia dele. Não é estranho uma mulher se dirigir a um amigo de família desta forma, Jane? 
 

- Sim... é estranho, devo concordar com você, mas você devia mostrar a carta de Caroline a Darcy e  questioná-lo sobre esta mulher, já que não vai poder dizer que leu uma carta dirigida a ele. Neste ponto, não pode negar que Caroline te fez um favor.
 

- Depois, ele tem viajado a Londres todos os meses, alegando que tem negócios a tratar lá e que também precisa estar perto de Georgiana, que está numa idade difícil ... E há uns 10 dias atrás o Coronel Fitzwilliam esteve em Pemberley, numa conversa com Darcy, sem perceber que eu estava entrando na sala, comentou sobre uma noite em que estiveram no teatro, que Rebecca estava linda, que a viuvez acrescentara um encanto especial a ela e que ela parecia encantada por ter novamente a companhia deles, aí o coronel percebeu que eu havia entrado na sala, parou abruptamente a conversa, percebi até que corou e ficou desconcertado. São estes fatos somados que me levaram a ter certeza que deve haver muita verdade nas afirmações de Caroline. Jane... sinto que Fitzwilliam não é  mais o mesmo de quando nos casamos há um ano atrás. Ele voltou a ser aquele aristocrata altivo, frio e orgulhoso... Há uns quinze dias atrás, tivemos um desentendimento e agora só conversamos o necessário, a situação entre nós está insustentável, por isso resolvi partir...
 

- Minha irmã, antes de tomar uma medida tão drástica, como fugir, você chegou a conversar com ele?  - Não, pois tenho certeza que se eu confrontá-lo, ele irá negar tudo. A carta de Caroline, os fatos todos parecem um quebra-cabeças cujas peças vão se encaixando, uma a uma. Não suportaria vê-lo negar tudo com aquele cinismo próprio dos maridos traidores.  Jane balançava a cabeça em negação, não sabendo mais o que falar à irmã para convencê-la a mudar de atitude. - Mas tudo pode não passar de um mal entendido. Tenho certeza de que se trata de um mal entendido. Darcy adora você Lizzy, ele seria incapaz de traí-la, ele e Charles são homens de palavra e nos votos de nosso casamento eles prometeram nos amar, respeitar e honrar. 
 

- Se todos os homens cumprissem a risca os votos de seus casamentos, não haveria tantos casamentos infelizes no mundo... Estou tão confusa e tão desesperada, Jane. 
 

- Mas quem sabe Darcy tenha uma explicação para tudo isso e você está se preocupando à toa, Lizzy. Venha mandei preparar um quarto para você, quero que descanse, você está esgotada da viagem e das preocupações que a afligem.  Amanhã, após uma boa noite de sono estará se sentindo melhor e poderá avaliar com maior serenidade seus problemas.  

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