Tão logo Darcy chegou a Pemberley de volta de sua viagem de negócios, perguntou por sua esposa, a Sra. Reynolds muito constrangida e nervosa, informou que Elizabeth não se encontrava na casa.
- Como não se encontra, onde ela está Sra. Reynolds? Foi fazer compras em Lambton?
- Sr. Darcy, ela viajou... - Viajou... para onde?
- Nós não sabemos, ontem após o café da manhã, ela pediu a Barnes que aprontasse o coche, pois iria até Lambton. Partiu em companhia de sua criada de quarto Emily, levando uma pequena bagagem. Pediu a Barnes que a deixasse na parada da diligência e ele a viu tomando o carro das 11 horas que segue para Londres. Ela não falou de seus planos de viagem com ninguém aqui da casa, supomos que deve ter ido para Londres.
Darcy sentiu-se, imediatamente, muito irritado, não conseguia acreditar que Elizabeth pudesse agir tão irresponsavelmente, expondo-o ao ridículo diante da criadagem, pois todos sabiam que ela partira sem a ciência e o consentimento do marido.
Ele passara os dois dias em que viajara, pensando apenas em sua amada Lizzy, não entendia porque o relacionamento deles estava se deteriorando de uns meses para cá, sentia que Lizzy estava distante, calada e arredia. E a situação havia piorado a cerca de uns 12 dias atrás quando tiveram uma discussão séria.
Quando Darcy entrou no quarto de Elizabeth para dormir com ela na ampla cama de casal, como fazia todas as noites desde que se casaram. Ela estava escovando seus longos cabelos, sentada em frente ao espelho e através deste olhou para Darcy, dizendo secamente.
- Fitzwilliam, peço que você durma em seu próprio quarto esta noite, pois estou com muita dor de cabeça.
- Lizzy, se você está com dor de cabeça prometo não incomodá-la, mas quero ficar com você, segurá-la em meus braços, prometo ficar calado para não aumentar a sua dor de cabeça.
- Eu prefiro ficar sozinha, por favor, não insista.
- Lizzy, sei que talvez não seja o momento adequado para termos esta conversa, mas não vou conseguir dormir se não expor agora aquilo que está me atormentando a algum tempo. Tenho percebido que você está estranha, não é mais a minha Lizzy dos nossos primeiros meses de casados. Sinto que se entrega a mim por obrigação, não existe mais em você aquela paixão, aquele amor que havia no começo. Quero saber o que houve para você mudar tão radicalmente? Onde foi que eu errei, onde foi que falhei? Seja sincera e franca comigo, se errei quero consertar meu erro, pois só posso ser feliz tendo de volta a esposa carinhosa que tinha, sempre pronta a fazer um gesto amoroso ou dar uma palavra de carinho para mim. Não suporto viver desta forma, vendo-a tão fria e distante.
Lizzy sentia sua garganta se fechando e seus olhos marejarem de lágrimas, sabia que não seria capaz de conversar com o marido sob os efeitos da forte emoção que sentia, iria chorar e esta era última coisa que queria fazer em frente a ele.
- Já lhe disse que estou com uma forte dor de cabeça, por favor, Fitzwilliam deixe-me sozinha esta noite.
Profundamente irritado, Darcy saiu do quarto da esposa a passos largos batendo a porta num gesto de irritação.
No dia seguinte, Darcy e Elizabeth continuaram cada qual escondido atrás de uma muralha de orgulho, Darcy achava que a iniciativa de esclarecimento deveria partir da esposa, após a tentativa de aproximação dele na noite anterior e Elizabeth, por sua vez, estava tão certa da traição do marido que não queria ouvir negativas mentirosas.
Durante sua viagem de negócios Darcy decidira que voltando para casa teria uma conversa séria com Elizabeth e tudo seria esclarecido, não poderiam continuar vivendo desta maneira, falando o estritamente necessário um com o outro, dormindo em quartos separados e fingindo que tudo estava bem.
Agora Elizabeth partira e Darcy em seu desespero só tinha um pensamento, trazê-la de volta a Pemberley, trazê-la de volta para seus braços e restabelecer o relacionamento perfeito de outrora.
- Sra. Reynolds, diga ao Barnes que prepare o coche agora, estou indo imediatamente a Londres buscar minha mulher.
- Mas, saindo esta hora o senhor chegará a Londres tarde da noite. As estradas ficam perigosas à noite, a gente ouve tantas estórias de assaltantes de estradas.
- Sra. Reynolds, gostaria que algum deles ousasse me assaltar, eu o mataria com minhas mãos. Seria, sem dúvida, uma boa forma de descarregar minha fúria. Por favor, faça o que lhe pedi, avise o Barnes.
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