Citações

Não quero que as pessoas sejam muito gentis; pois tal poupa-me o trabalho de gostar muito delas.(Jane Austen)

Um herdeiro para Pemberley - Capítulo 1

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Pemberley


A diligência seguia sacolejando pelas estradas poeirentas e a cada hora a viagem se tornava mais penosa e cansativa. Elizabeth sentada ao lado de sua criada Emily, tentava descansar de olhos fechados, mas a tensão do dia deixara o seu corpo dolorido e ela sabia que não conseguiria sequer cochilar, quanto mais dormir. 

Os demais passageiros no carro de aluguel era um casal de meia idade e dois senhores que pareciam ser homens negócios, todos pareciam cansados e para alívio de Elizabeth permaneciam calados, ora cochilando, ora olhando a paisagem que se descortinava pelas janelas do veículo.  
 

Chegaria a Londres ao anoitecer. Elizabeth procurava não pensar em nada, porque não queria cair em pratos na frente da criada e daquelas quatro pessoas estranhas. Ainda não resolvera se iria para a casa de seus tios Gardiner ou se ficaria numa hospedaria, se fosse para a casa dos tios teria que explicar porque estava viajando sozinha, apenas na companhia de uma criada e ela não estava em condições de expor os seus problemas a ninguém. Mas, ficar numa hospedaria parecia uma perspectiva pouco agradável, depois de muito pensar resolveu que passaria a noite na casa dos tios em Gracechurch Street, embora soubesse que seria o primeiro lugar onde Darcy a procuraria em Londres.  
 

"Meu Deus, o que devo fazer? O que será de minha vida daqui para frente? Não posso me desesperar, tenho que pensar racionalmente. Chegando a Londres, vou para a casa de meus tios, lá terei abrigo e o conforto de pessoas que me amam. Vou dizer a eles que estou viajando para visitar Jane e não contarei nada do que aconteceu. Eles já têm os seus problemas e não precisam dos meus para se preocuparem. Amanhã mesmo irei embora  para Netherfield e ficarei com Jane, tenho certeza que apesar da amizade de Charles por Darcy, ele não me negará abrigo, afinal ele é meu cunhado e sempre mostrou afeição por mim... Poderei ajudar Jane a cuidar do seu bebê, o pequeno Joshua e seremos todos felizes. Quem sabe se Darcy nem vai se dar ao trabalho de vir atrás de mim, depois de tudo que aconteceu." Traçando mentalmente estes planos, Elizabeth sentiu-se um pouco mais calma.   

A diligência chegou a seu destino dentro do horário previsto. Elizabeth e a criada tomaram um coche de aluguel e rumaram para a casa dos tios. A surpresa deles foi sem tamanho, não esperavam de forma alguma a sobrinha aparecer no início da noite sozinha, acompanhada apenas de uma criada. Mais estranho ainda, porque Darcy tinha uma bela residência em Londres, onde morava sua irmã e o lógico seria que Elizabeth se hospedasse lá, ao invés de buscar abrigo na casa dos tios.   
 

- O que aconteceu Lizzy? Onde está seu marido? Como ele deixou você viajar praticamente sozinha? - perguntou o tio Gardiner muito espantado. 
 

- Não aconteceu nada, vou visitar Jane, quero ficar uns tempos com ela e o pequeno Joshua e como Fitzwilliam está ocupado com problemas da administração de Pemberley, resolvi vir sozinha. 
 

Elizabeth sentiu pelo olhar de sua tia que ela não acreditara em uma palavra do que ela lhe dissera, mas por outro lado o tio parecia ter aceito a explicação que ela lhe dera.
 

A tia providenciou primeiro o banho de Elizabeth, e depois o jantar. Enquanto a sobrinha comia fez-lhe companhia,  a conversa da tia  girou em torno de assuntos  triviais, contou como estavam seus filhos, as notícias que tivera de Longbourn, a última moda de vestidos e chapéus em Londres. Elizabeth sentiu-se grata pela discrição da tia, mas tão logo ela terminou o jantar. Esta a segurou pelo braço e disse com firmeza: 
 

- Lizzy, sinto que você está muito nervosa. O que aconteceu, menina? Por que está viajando sozinha?  
 

- Desculpe, minha tia... não é falta de confiança na senhora, é que  eu estou tão  perturbada que prefiro não falar no assunto. 
 

- Diga-me, Darcy tem conhecimento desta sua viagem? 
 

- Não, eu me aproveitei da ausência dele para viajar, ele está no condado vizinho a negócios. Amanhã ele deve estar voltando a Pemberley, é quando saberá que parti.  
 

- Lizzy, respeito o seu silêncio, mas quero te lembrar que em nossa sociedade não há lugar para mulheres separadas de seus maridos. Pense bem nisso, mulheres separadas são consideradas párias, mulheres perdidas, não importa se a causa e o culpado da separação foi o marido, a mulher sempre carregará o ônus da culpa. 
 

- Tia... agradeço a sua acolhida, sua compreensão e prometo à senhora que vou pensar seriamente nas suas palavras. Desculpe, mais uma vez por não te contar o que está acontecendo agora, preciso de tempo para refletir sobre os acontecimentos e conseguir pensar em tudo com clareza. 
 

A Sra. Gardiner respeitou o desejo da sobrinha e não a forçou a fazer confidências. E na manhã seguinte, agradecendo a hospitalidade dos tios, Elizabeth partiu para Netherfield Park na companhia da criada.  

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