
Elizabeth penteava seus longos cabelos castanhos e olhava sua imagem refletida no imenso espelho de cristal do toucador, seu rosto já não era o da jovem esposa que chegara a Pemberley com vinte e um anos. Este ano completava 30, mas não tinha nada a lamentar, era uma mulher afortunada, tinha um marido maravilhoso, 5 filhos lindos, sim, porque considerava Meg Wickham tão sua, como os demais, após Victoria, vieram os 3 meninos, William, o herdeiro de Pemberley, Jonathan e por fim Frank, uma nova geração de Darcys para perpetuar o legado da família.
Meg estava com quase 9 anos e era considerada pelas demais crianças como a irmã mais velha. Ficava cada dia mais linda e meiga, lembrando não só na aparência, mas principalmente na personalidade e caráter sua tia Jane, como eram estranhos os desígnios de Deus, que dera a um casal tão desestruturado como Wickham e Lydia, uma filha tão equilibrada e serena. Não se ouvia de sua boca uma palavra rude para com os primos, os criados e simplesmente adorava sua tia Lizzy e seu tio Fitzwilliam.
Lydia vinha, de tempos em tempos, visitar a única filha, pois tivera o bom senso de não ter mais filhos. Meg era carinhosa com a mãe, procurando agradá-la de todas as formas, mas quando esta a convidava a ir morar com ela, dizia que não poderia ir, pois tinha que ajudar tia Lizzy a cuidar das crianças menores. Embora entristecida pela resposta da filha, Lydia compreendia que não poderia oferecer à filha o conforto, a tranquilidade e o amor que esta tinha na casa dos Darcy, pois Wickham, além do vício do jogo que minava a pouca renda que tinham, ultimamente tinha se tornado um alcoólatra.
O Sr. Bennet falecera a três anos, deixando para o Sr. Collins a propriedade de Longbourn, como era do conhecimento de todos. Mas, a Sra. Bennet não ficou desamparada, recebeu de presente dos genros Darcy e Bingley uma bela casa em Meryton perto de sua irmã Sra. Phillips, costumava vir a Pemberley uma vez por ano para uma visita. Apesar dos esforços de Darcy para conviver bem com a sogra, os modos ou melhor a falta deles continuavam a irritá-lo sobremaneira.
Jane e Charles Bingley moravam agora numa propriedade no condado vizinho a Derbyshire, estavam a apenas 50 km. de distância de Pemberley, tinha três meninos, que quando vinham visitar Pemberley, se juntavam aos primos e faltavam por a casa a baixo, com suas travessuras, correrias, algazarras e gritarias, era preciso muito pulso de Jane e Lizzy para fazê-los se comportar.
Caroline Bingley nunca mais veio a Pemberley, ia visitar ocasionalmente o irmão e Jane, continuava solteira e sempre que podia não poupava críticas severas a Elizabeth, mas poucas pessoas davam crédito a ela, considerando tais críticas puro despeito.
Georgiana casara há uns anos atrás com um rapaz de excelente família, tinham dois filhos e moravam em Londres.
- Lizzy, meu amor, por que está demorando tanto para vir deitar?
- Já estou indo Fitzwilliam, estava pensando na vida... como o tempo passou...que vou fazer 30 anos...
- Venha cá... - Lizzy deitou-se na cama e foi envolvida pelos braços do marido. Ela adorava este momento da noite quando ficava aconchegada nos braços de Darcy, sentido seu corpo forte junto ao dela, seu perfume, seu calor. Mesmo quando não faziam amor, era tão bom compartilhar esta intimidade tão prosaica.
- Lizzy, esqueci de lhe contar, recebi hoje uma carta de minha tia Lady Catherine, ela virá a Pemberley na semana que vem para nos fazer uma visita.
- Dai-me paciência, Senhor! Todas às vezes que ela vem fico parecendo minha mãe, sofrendo dos meus pobres nervos. Ela tem que dar palpite em tudo, na administração da casa, na educação das crianças, nos criados, da outra vez que ela esteve aqui teve a petulância de dizer que era muito impróprio um casal de nosso nível ocupar apenas um quarto.
- E como ela ficou sabendo disto?
- Não sei, certamente andou perguntando às criadas.
Darcy caiu na gargalhada e falou entre risos:
- Nesta altura dos acontecimentos você deveria estar acostumada com minha tia. Faça como eu, finja que ouve os conselhos dela e não dê a mínima consideração a eles, deixe para que o Sr. Collins os siga a risca.
Querendo por fim àquela conversa, Darcy procurou os lábios de Lizzy beijando-os com paixão, sendo correspondido com o mesmo ardor.
A noite de Pemberley foi mais uma vez testemunha da cavalgada daqueles amantes rumo ao êxtase que sempre encontravam nos braços um do outro.
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