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A imaginação de uma dama é muito rápida, salta da admiração ao amor, e do amor ao matrimônio, num momento. (Jane Austen)

Um herdeiro para Pemberley - Capítulo 15

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Meg conquistou aos poucos o coração de todos que conviviam com ela.
 
 
Era uma criança meiga, calma e risonha, estava com 10 meses de idade e já começava a engatinhar pelo chão. Graças aos cuidados que estava recebendo da tia e da babá, a experiente Sra. Perkins, Meg melhorava a olhos vistos, ganhara peso, já não tinha mais assaduras e se tornara um bebê saudável, risonho e feliz.
 
 
Lizzy estava adorando cuidar da sobrinha, pelas manhãs passeava com ela pelo parque, conversava com ela sobre todos os assuntos, e a menina parecia entender o que a tia lhe falava, pois prestava muita atenção ao que era dito e ria, mostrando alguns dentinhos no rosto feliz.
 
 
Darcy observava com cautela o envolvimento de Lizzy com a menina, a melancolia no olhar dela havia desaparecido e ele teve certeza de que sua mulher precisava urgentemente ter um filho dela, não uma sobrinha que estava temporariamente com eles e que poderia a qualquer momento ser levada embora pelos pais.
 
 
Darcy nunca tivera muito jeito com crianças, mesmo sua amada irmã Georgiana quando menina causara-lhe certo desconforto quando em sua companhia. Ele procurava evitar qualquer envolvimento emocional com a pequena Margareth Wickham, tinha certeza de que a criança ainda seria uma fonte de problemas para ele. Nunca a pegava no colo ou brincava com ela e Lizzy percebendo o mal estar de Darcy evitava trazê-la na presença dele. Mas ironicamente a menina parecia não ter medo do rosto sisudo do tio, toda vez que o via abria o sorriso mais luminoso para ele e estendia os bracinhos para que ele a carregasse. Lizzy que sempre estava presente nestes encontros, logo se antecipava e pegava a sobrinha, jamais pedindo a ele que pegasse a menina no colo, pois entendia e respeitava a reserva dele em relação à criança.
 
 
Lydia, às vezes, escrevia para Lizzy perguntando da filha, mas não parecia muito preocupada com esta, pois após uns poucos protestos de como amava a filha e estava saudosa dela, logo a carta passava a estender-se sobre a grandiosidade e o brilho dos bailes e festas em que comparecera, descrevendo detalhadamente os vestidos e chapéus das damas mais elegantes, contando sobre o grande círculo de amizades que fizera em Bath.
 
 
Havia se passado 3 meses que Meg estava em Pemberley quando Lizzy descobriu-se grávida, primeiro a menstruação que estava atrasada, em seguida os enjôos matinais e logo o Dr. Foster confirmou a suspeita.
 
 
- Parabéns, Sra. Darcy! Confirmando o que lhe disse há meses atrás, a senhora é perfeitamente saudável para gerar quantos Darcys quiser. Considero que a presença de sua sobrinha deve ter contribuído para a senhora esquecer a ansiedade que a estava impedindo de engravidar.
 
 
Lizzy concordava com a teoria do médico, depois que Meg viera, ela esquecera completamente sua ansiedade e este relaxamento certamente contribuíra para que ela engravidasse.
 
 
- Meu amor, você não poderia que dar uma notícia melhor. Estou muito feliz! Quero que siga a risca as orientações do Dr. Foster, acho que você deve evitar carregar Meg no colo, ela já está bastante pesada e pode lhe fazer mal. Outra coisa que me preocupa são estas caminhadas longas que você gosta tanto, pode lhe fazer mal no seu estado.
 
 
- Fitzwilliam, eu estou grávida e não inválida, sou uma mulher saudável e os exercícios só me farão bem.
 
 
************************
 
 
A gravidez de Lizzy transcorreu normalmente, às vezes, o excesso de cuidados com que Darcy a acumulava, chegava até a irritá-la, pois ela se sentia muito bem permanecendo ativa, enquanto ele queria que ela ficasse mais tranqüila, o que ia contra sua natureza.
 
 
Darcy passou a ficar mais tempo com a mulher e conseqüentemente a conviver mais com Meg. Ele começou a carregar Meg no colo, a fim de evitar que Lizzy a carregasse achando que poderia fazer mal a ela carregar tanto peso. A princípio ele se sentia desajeitado, mas aos poucos começou a ficar à vontade segurando a menina, que adorava estar no colo do tio. E apesar de sua luta em se manter indiferente à sobrinha, ela o cativou de tal forma que em pouco tempo teve certeza de que a amava profundamente, no que era correspondido plenamente.
 
 
Quando se aproximou a época do parto os pais de Elizabeth chegaram a Pemberley, Darcy, embora contrariado, recebeu-os cordialmente, sabia que a Sra. Bennet, com seus pobres nervos, seria de pouca ajuda na hora do parto da filha. Mas, agüentou estoicamente a sogra que suportava apenas em consideração à esposa.
 
 
O parto ocorreu numa madrugada chuvosa, em que a parteira e o Dr. Foster foram arrancados de suas respectivas camas pelos criados do Sr. Darcy. Apesar de tudo ter corrido dentro da normalidade, Darcy pensou que enlouqueceria enquanto dava voltas na sala passando toda hora a mão na cabeleira desgrenhada.
 
 
- Calma, meu rapaz, Lizzie está em boas mãos, é uma menina saudável e não terá problemas no parto. – dizia o Sr. Bennet tentando acalmar o genro.
 
 
Por fim, após algumas horas de agonia, o próprio Dr. Foster anunciou:
 
 
- Uma linda menina, Sr. Darcy. Meus parabéns! A Sra. Darcy está bem e deseja vê-lo.
 
 
Darcy correu ao encontro de Lizzy, encontrou-a cansada e sonolenta. Ela o recebeu com um sorriso.
 
 
- Fitzwilliam, venha ver a nossa garota, como ela é linda!
 
 
Ele se debruçou sobre o pequeno embrulho nos braços da esposa, o bebê dormia tranquilo, tinha cabelos escuros e os traços eram totalmente indefinidos, mas para ele era a criatura mais linda sobre a face da terra, fruto de seu amor por Lizzy.
 
 
- Meu amor, estou tão feliz. Muito obrigada pelo presente que me deu. - disse ele beijando-lhe a testa comovido.
 
- Como vamos chamá-la?
 
 
- Quero que você escolha o nome, afinal o trabalho maior para trazê-la ao mundofoi seu, Lizzy?
 
 
- Gostaria de chamá-la Victoria.
 
 
- Então será Victoria. Ela é tão pequena para um nome tão comprido, vou chamá-la de Torie.
 
 
- Fitzwilliam, você não está decepcionado porque não é um menino?
 
 
- Claro que não, adoro meninas. E depois poderemos ter outros filhos.
 
 
- E se acontecer conosco o que aconteceu com meus pais, cinco meninas e nenhum menino. Nenhum herdeiro de Pemberley.
 
 
- A convivência com sua mãe não está lhe fazendo bem, anda preocupada com algo que não aconteceu. Se tivermos cinco meninas, amarei cada uma delas e como já lhe disse teremos o recurso do filho de Georgiana ser o herdeiro. Não se preocupe com isso, agora descanse você está precisando dormir.
 
 
****************
 
 
O tempo foi passando e as cartas de Lydia comunicavam a cada mês que ainda não poderia vir buscar a filha, fazia 10 meses que Meg estava em Pemberley quando finalmente Lydia apareceu para buscar a filha.
 
 
Meg que estava com 1 ano e 8 meses, já andava e falava, olhou para a mãe com um sorriso tímido quando esta a abraçou e beijou.
 
- É a mamãe, Meg. Vim te buscar para você ir morar conosco.
 
 
A menina assustada aceitou o carinho da mãe, mas logo correu para perto de sua tia Lizzy.
 
- Ela está estranhando você, Lydia. Infelizmente, era muito pequena e não se lembra de você. Vai demorar um pouco até que se acostume novamente com você. Seria melhor que você ficasse um tempo aqui em Pemberley com ela antes de levá-la embora.
 
 
- Lizzy, não posso me demorar aqui. Wickham precisou sair de Bath, sabe aqueles velhos problemas de dívidas de jogo e estamos voltando para Newcastle, ele está me esperando na hospedaria em Lambton. Vamos embora amanhã pela manhã.
 
 
- Mas, você não pode fazer isto com sua própria filha. Deixe Wickham ir embora amanhã e fique aqui conosco pelo menos algumas semanas, até que Meg se acostume a você novamente. Acho que será melhor para ela.
 
 
- Você só pensa em Meg, e o que é melhor para mim? Você não sabe que saímos de Newcastle porque Wickham se envolveu com uma mulher e agora se o deixo partir sem mim, tenho certeza de que quando eu voltar lá, ele estará envolvido novamente com aquela sirigaita. Meg terá que se acostumar conosco, que somos seus pais, quer queira, quer não.
 
 
A sra. Bennet que estava presente tentou acalmar a filha.
 
 
- Lydia, minha querida, porque não faz como Lizzy disse, fique pelo menos uma semana. Meg é uma menina tão meiga que logo aceitará ir embora com você de bom grado.
 
- Mamãe, ela é minha filha, irá comigo agora. Lizzy, mande preparar as coisas dela já.
 
Lizzy jamais esqueceria a tristeza que foi a partida de Meg de Pemberley, ela procurou não chorar embora o seu coração estivesse partido para não assustar ainda mais a pobre menina que acompanhou a mãe na carruagem aos prantos, tentando até o último minuto se agarrar às pernas da tia.
 
Quando Darcy voltou para casa, Lizzy se atirou em seus braços aos pratos.
 
- Eu sabia que ela um dia teria que partir, mas não da forma que foi levada, ela saiu arrastada por Lydia... chorando muito... Como a pobrezinha deve estar sofrendo, tão acostumada que estava conosco. E não podemos fazer nada...
 
 
- Lizzy, meu amor, estou pensando se eu oferecer dinheiro àquele maldito, com certeza, ele abrirá mão da filha.
 
 
- Mas, você mesmo disse quando ela chegou aqui que não a queria porque sabia que ela se tornaria uma moeda de barganha para Wickham e suas previsões se concretizaram.
 
 
- Neste tempo que Meg ficou conosco, aprendi a amá-la e não quero que ela sofra na mão de pais tão irresponsáveis e levianos. Tenho uma dívida de gratidão para com ela, pois além de alegrar nossa casa, foi graças a ela que tivemos a nossa Torie. Quero criá-la junto com os filhos que tivermos e lhe dar uma família digna, conforto e amor que ela merece. Vou falar com Wickham.
 
 
Neste instante a Sra. Bennet que permanecera calada ouvindo o genro, virou-se para ele e disse indignada.
 
 
- Não, Sr. Darcy, eu irei falar com minha filha e meu genro! Peço que providencie uma carruagem para eu ir até Lambton. Vou trazer minha neta de volta.
 
 
Darcy jamais vira a Sra. Bennet tão decidida, ofereceu-se para acompanhá-la, mas ela foi categórica.
 
 
- Não, o senhor fique fazendo companhia a Lizzy que está precisando de seu apoio. Vou com o Sr. Bennet.
 
 
O Sr. e a Sra. Bennet retornaram a Pemberley umas três horas depois de terem partido, traziam a pequena Meg e sua bagagem de volta. A menina se atirou nos braços de Lizzy e depois nos de Darcy numa alegria que transbordava em seu semblante.
 
 
- Meu Deus, que bom que você voltou, Meg querida. Mamãe como você conseguiu trazê-la de volta. Conte-nos tudo que aconteceu.
 
 
- Não foi uma tarefa muito difícil, Lizzy. Meg não havia parado de chorar desde que deixou Pemberley e Lydia e Wickham não sabiam mais o que fazer, estavam desesperados com o choro da menina. Houve até reclamação dos demais hóspedes da hospedaria. Aí usei minha autoridade de avó e disse que deixassem Meg ficar com vocês, que ela estava sendo muito bem cuidada, e que o Sr. Darcy iria prover o futuro dela, para que levá-la com eles para fazê-la passar necessidades e uma vida de ciganos indo de uma cidade para outra. Então, o Sr. Wickham teve o desplante de sugerir que o Sr. Darcy poderia ajudá-lo na carreira. Eu disse-lhe que não ousasse usar a própria filha para barganhar favores. Por fim, convenci Lydia que seria melhor deixar Meg com vocês e aqui estamos. Agora que tudo passou, sinto meus pobres nervos, parece que vou desmaiar!
 
 
- Pode desmaiar à vontade, Sra. Bennet, tem minha permissão. Pela primeira vez nestes 25 que estamos casados a senhora fez algo sensato. - comentou jocosamente o Sr. Bennet.
 
 
Darcy ouviu a explicação da Sra. Bennet pasmo, nunca esperara que a sogra fosse capaz de tomar uma decisão como aquela. Sentiu que a antipatia que sempre sentira por ela até aquela data, diminuíra muito. Já estava começando a achá-la tolerável, apesar do ataque dos pobres nervos que se faziam presentes, neste momento.
 

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