A pequena Meg continuava a mostrar sinais de agitação dentro da carruagem, Lizzy procurava acalmá-la falando com ela de forma carinhosa.
- Meg, querida, logo vamos chegar em casa e você vai comer, tomar banho. Fique calminha, que a tia Lizzy vai cuidar de você.
Elizabeth ainda não estava conseguindo raciocinar coerentemente, nunca lhe ocorrera que Lydia pudesse ser tão irresponsável, tão inconseqüente. Ela já dera prova deste comportamento ao fugir com Wickham de Brighton, mas todos pensavam que ela havia amadurecido após o casamento, estava com quase 17 anos, era esposa e mãe, não podia continuar se comportando de forma tão leviana. De repente Elizabeth se lembrou de Darcy, certamente ele iria reprovar a atitude irresponsável de Lydia e Wickham e era quase certo que não aceitasse a permanência da filha de Wickham em Pemberley.
A fim de evitar encontrar com o marido, tão logo chegasse a casa, Lizzy pediu ao cocheiro que parasse a carruagem nos fundos da casa e desceu com a sobrinha nos braços, entrando pela cozinha. Pediu a uma criada que chamasse a Sra. Reynolds.
- Sra. Reynolds preciso que a senhora prepare um quarto para minha sobrinha e providencie para que uma das criadas que tenha boa qualificação para cuidar de criança, seja a babá dela. O Sr. Darcy já chegou?
- Ainda não, senhora. Vou providenciar o que a senhora me pediu.
A eficiente Sra. Reynolds providenciou sem demora um quarto para a pequena hóspede e escalou uma das criadas que tinha experiência em cuidar de crianças, para ser a babá da pequena Meg.
Em pouco tempo, a menina estava de banho tomado, mas quando Lizzy abriu o pequeno baú contendo os pertences da criança ficou penalizada ao ver a pequena quantidade de roupas de baixa qualidade e a maioria puída pelo excesso de uso. Os brinquedos consistiam de algumas bugigangas baratas, um pequeno chocalho, uma boneca de pano que a própria Lizzy havia presenteado há um tempo.
Lizzy ficou revoltada ao ver que a irmã havia negligenciado daquela forma a própria filha.
- Amanhã irei até Lambton e comprarei algumas roupas lindas e brinquedos para você, Meg.
- Sra. Darcy, o Sr. Darcy acaba de chegar, ele se encontra na biblioteca.
Lizzy havia pedido que a avisassem assim que o marido chegasse, queria ser ela a dar a notícia da chegada da sobrinha e contar a ele como tudo acontecera. Ela pressentia que não seria fácil convencer Darcy a aceitar a sobrinha e os atos irresponsáveis de Lydia e Wickham.
- Fitzwilliam, como foi o seu dia? Correu tudo bem?
- Sim, tudo foi bem. E você, meu amor, como passou o dia?
- Bem, mas tenho algo para lhe contar... que talvez você não goste...
- O que minha linda esposa pode ter para me contar que eu não goste? - disse ele sorrindo, abraçando-a e beijando-a com um sorriso apaixonado. Lizzy pensou que estava com sorte, pois Darcy estava de bom humor.
Ela contou em detalhes tudo o que acontecera e ao ver que o semblante do marido ia ficando sombrio, arrematou:
- Reconheço que Lydia e Wickham foram muito irresponsáveis, mas a pobrezinha da Meg não tem culpa dos pais que têm.
- Dizer que eles foram irresponsáveis, é muito pouco. Não há qualificação para o ato que praticaram, abandonando a própria filha. Lizzy, sinto muito, reconheço que a criança não tem culpa de nada, mas não vou aceitá-la aqui em Pemberley.
Era o que Lizzy mais temia.
- Mas Fitzwilliam, nós não podemos abandoná-la, afinal ela é minha legítima sobrinha...
- Não vamos abandoná-la, afinal somos pessoas responsáveis. Amanhã mesmo providenciarei para que ela seja levada em segurança para Bath e entregue para os pais.
- Não... por favor, isto não. - protestou Lizzy com veemência - Lydia não está cuidando bem dela, se você visse como ela está magrinha, cheia de assaduras e as roupinhas dela estão gastas e algumas tão pequenas que nem cabem nela. Não quero mandá-la de volta para Lydia.
- Então, vamos mandá-la para Longbourn para que sua mãe cuide dela. Lizzy, eu não quero esta criança aqui.
- Fitzwilliam, a menina não tem culpa de ser filha de Wickham, é por isso que você não a quer aqui, não é?
- Pode até ser que este seja um dos motivos, mas o motivo principal é que percebi o objetivo de Wickham ao largar a filha aqui, ele quer nos chantagear quando perceber que você se afeiçoou à criança.
- Não, ele não pode ser tão canalha assim. Eles abandonaram a menina conosco porque querem aproveitar a vida social de Bath, eles não estão de condições de contratar uma babá para cuidar da menina, portanto ela seria um empecilho para que Lydia acompanhasse Wickham aos bailes e festas.
- A razão de Lydia pode ter sido esta, porque é fútil e inconsequente, mas as razões de Wickham são bem outras posso lhe garantir. Ele acha que encontrou uma forma de me extorquir dinheiro, tem certeza que você irá se afeiçoar à menina nestes meses que ficar com ela e aí fará chantagem, ou eu pago o que ele pedir, ou ele leva a filha embora.
- Fitzwilliam como você pode pensar tão mal dele? Usar a própria filha para extorquir dinheiro?
- Não se esqueça que eu o conheço muito bem. Ele não tem afeição por ninguém, por dinheiro Wickham é capaz de qualquer coisa, veja o que ele ia fazer com Georgiana se eu não chegasse a tempo para impedir.
- É, tenho que reconhecer que você tem razão... só que também não queria mandá-la para Longbourn, mamãe, Mary e Kitty não são as pessoas mais qualificadas para cuidar de uma criança como Meg. Ela está precisando de cuidados especiais.
- Mando uma babá junto com a menina e pago todos os cuidados que ela necessitar.
- Fitzwilliam, por favor, deixe eu ficar com ela. Sei que será temporário, que dentro de 4 meses, conforme a carta de Lydia, ela e Wickham virão buscá-la e neste dia deixarei que eles a levem, pois afinal são seus verdadeiros pais.
- Lizzy faz algumas horas que você está com esta menina e você já está apegada a ela, imagine daqui a 4 meses você não irá deixá-la partir, sabendo que voltará a ser negligenciada pelos pais.
- Estou com muita pena dela, ela está precisando de uma boa alimentação, de cuidados com a higiene, de atenção e carinho. Por favor, Fitzwilliam, se você deixar ela ficar, juro que nunca mais pedirei nada a você.
- Lizzy... Lizzy... eu não quero vê-la sofrer na hora que ela for levada pelos pais.
Sentindo que Darcy estava cedendo aos seus apelos, Lizzy lançou mão de um artifício que sabia infalível. Atirou-se nos braços dele e o beijou-o apaixonadamente, colando o seu corpo ao do marido sem nenhum pudor.
- Sua feiticeira... você sabe como conseguir me dobrar à sua vontade.
- Obrigada, meu amor. Você é o melhor marido do mundo!
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