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Temos em nós mesmos um guia melhor do que qualquer outra pessoa poderia ser, se ouvimos nosso próprio coração. (Jane Austen)

Um herdeiro para Pemberley - Capítulo 13

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Desde seu casamento Elizabeth aguardava com um certo grau de ansiedade a gravidez. Embora fosse menos maternal que Jane, ela queria muito ter filhos. Seus filhos com Fitzwilliam! Imaginava com ternura como seriam lindos, todos parecidos com o pai, como seria carregar primeiro no ventre e depois em seus braços, o fruto do amor deles, como seria maravilhoso vê-los correndo pelos corredores e pelo parque e bosques de Pemberley. A cada mês quando seu fluxo menstrual chegava, a esperança de gravidez ficava adiada para o mês seguinte. Mas, ao receber uma carta de Jane, contando que estava grávida novamente, Lizzy começou a ficar preocupada, o que poderia haver de errado com ela?
 
 
- Fitzwilliam, por que será que não consigo ficar grávida? Será que sou estéril? Queria tanto te dar um filho, deve ser tão emocionante gerar no ventre uma nova vida, vê-lo crescer dia a dia...
 
 
Percebendo que Lizzy estava entristecendo, ele retrucou:
 
 
- Vou chamar o Dr. Foster para examiná-la, acho que não há nada errado com você, simplesmente ainda não chegou a sua vez. Enquanto isto meu amor, vamos seguir o conselho de minha dia Lady Catherine e praticar... pois, só praticando conseguirei engravidar minha mulher. - Lizzy aceitou, como sempre, com prazer a "pratica" de Darcy, às vezes não acreditava que aquele marido que zombava com bom humor de Lady Catherine era o mesmo homem sério, antipático e orgulhoso que conhecera naquele primeiro baile em Meryton.
 
 
O Dr. Foster examinou Elizabeth cuidadosamente, questionando detalhes de sua saúde e no final concluiu que ela perfeitamente saudável, que poderia gerar quantos pequenos Darcys quisesse. Mas apesar de praticarem exaustivamente todas as noites, Lizzy não engravidava.
 
 
Tudo parecia que estava bem em Pemberley, mas o olhar arguto de Darcy percebia uma melancolia no olhar de Lizzy, que não combinava com ela e que ela procurava disfarçar na presença dele. Ele procurava alegrá-la de todas as formas que podia, quando podia saía com ela para longos passeios pelos campos de Derbyshire, presenteava-a com pequenos mimos, procurava sempre estar de bom humor e fazer brincadeiras, mas ele percebia que no fundo sua Lizzy andava triste, até que um dia ela disse-lhe de supetão.
 
 
- Fitzwilliam e se apesar do que o Dr. Foster disse, eu não puder lhe dar filhos?
 
 
- Meu amor se nós não tivermos filhos. O filho de Georgiana será o herdeiro de Pemberley. E eu não quero que você pense mais nesse assunto. Se Deus nos abençoar com filhos será maravilhoso, mas se não, vamos continuar a nos amar e envelhecermos juntos. Não quero mais ver esta tristeza e esta ansiedade em seus olhos, Lizzy.
 
 
Numa tarde quente de agosto, Lizzy estava em sua sala preferida bordando quando um criado trouxe-lhe uma carta, ela abriu-a intrigada. Quem poderia ser?
 
 
"Querida Lizzy:
 
Sei que você vai estranhar esta carta. Estou aqui em Lambton, mas não quero ir até Pemberley porque Wickham está comigo e como você sabe ele não pode por os pés aí.
 
Minha irmã estou precisando de um favor especial de você, peço que venha sem demora até a hospedaria de Lambton. Não se trata apenas de mais um empréstimo de dinheiro, mas de outro grande favor.
 
Estou aguardando ansiosa.
 
Sua irmã que a ama.
 
Lydia."

 
Ela pediu ao criado que mandasse preparar um coche e avisou a Sra. Reynolds que quando Darcy voltasse de seus afazeres o avisasse que ela fora encontrar sua irmã Lydia em Lambton.
 
 
Logo que chegou a hospedaria, Lizzy foi recebida pelo dono da hospedaria e sua esposa, ambos muito agitados.
 
 
- Sra. Darcy, sua irmã e o marido partiram na diligência das 11horas e deixaram a filha.
 
 
- Deixaram a filha? Não estou entendendo?
 
 
- Quando a criada subiu para limpar o quarto encontrou a menina dormindo no berço e a carta que enviei para a senhora sobre a cômoda. Não sabemos de mais nada.
 
 
- Onde está a menina?

 
- No mesmo quarto onde foi encontrada, venha vou levá-la lá.
 
 
A agitação na hospedaria era grande com os proprietários, hóspedes e criados todos falando ao mesmo tempo. Lizzy encontrou sua sobrinha Meg, a filha de Lydia e Wickham acordada no berço em que dormira. A menina era linda, uma perfeita boneca, os cabelos loiros e olhos azuis profundos. Lizzy a tomou nos braços imediatamente e uma segunda carta caiu no chão em meio ao cobertor em que a criança estava enrolada. Lizzy depositou a sobrinha de volta no berço e leu a carta.
 
 
"Querida Lizzy:
 
Eu e Wickham queremos lhe pedir um favor especial, queríamos que você cuidasse de Meg por um período, alguns meses, pois Wickham recebeu um convite do capitão March para juntar-se ao regimento estacionado em Bath, naturalmente ele não poderia recusar um convite destes, pois o salário é muito bom. Ele queria partir sozinho, mas como ouvi dizer que a vida social em Bath é muito intensa, bailes e mais bailes, resolvi acompanhá-lo, pois tenho medo de perder meu marido se deixá-lo ir sozinho.
 
Acontece que não quero levar a Meg comigo, pois ela estranha muito viagens, mudança de cidade, a alimentação,  a pobrezinha sempre adoece. Aí, lembrei-me de você, que é tão afeiçoada a ela e se preocupa tanto com ela, você poderia ficar com ela durante o período em que estivermos lá, serão apenas uns 4 meses..
 
Sensata como é, sei que você se recusaria aceitar uma responsabilidade dessas se eu lhe pedisse pessoalmente, e certamente, meu estimado cunhado também jamais concordaria. Por isso, resolvemos que a melhor forma para que vocês aceitassem essa incumbência seria deixar Meg aqui na hospedaria e você vir buscá-la, quando já estivessemos a muitas milhas longe de Lambton.
 
Meg é a criança mais doce que existe, ela só chora quando está com fome ou muito suja. Deixei todas as roupas dela e seus brinquedos no pequeno baú ao lado do berço. Tenho certeza que você cuidará bem dela por isso deixo-a em suas mãos despreocupada.
 
Sua irmã que a ama.
 
Lydia"

 
Elizabeth estava tão atônita que precisou ler a carta duas vezes para entender o que Lydia e Wickham fizeram. Eram mais ou menos 4 horas da tarde, a esta altura a diligência estava a 5 horas de viagem, seria impossível alcançá-la. Lizzy voltou a tomar nos braços a menina que já apresentava sinais de agitação, ela devia estar faminta e molhada.
 
 
- Por favor, coloquem o baú dela em minha carruagem, vou levá-la para Pemberley.
 
 
Agradecendo aos donos da hospedaria, que mostravam claros sinais de alívio, Lizzy voltou para casa segurando a pequena sobrinha no colo.
 
 

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