Citações

Marienne Dashwood havia nascido para um extraordinário destino. Nascera para descobrir a falsidade de suas opiniões e para contrariar, pela sua conduta, suas máximas favoritas.(Jane Austen)

Um herdeiro para Pemberley - Capítulo 11

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Elizabeth voltou de seu passeio e foi direto ao seu quarto, precisava ficar sozinha para colocar seus pensamentos tumultuados em ordem. Depois daquela confissão emocionada de Rebecca não havia como não acreditar na sinceridade dela. Os abusos que aquela jovem havia sofrido nas mãos daquele marido, deixaram Elizabeth horrorizada e penalizada. 
 

Agora que tinha certeza que a carta de Caroline Bingley era uma calúnia, Elizabeth decidiu que precisava conversar com o marido com urgência, queria fazer as pazes com ele, não suportava mais viver brigada com ele, sentia falta do relacionamento afetuoso que tinham, sentia falta dele fisica e emocionalmente . Mas o fato da casa estar cheia de hóspedes dificultava que eles tivessem um tempo só para eles poderem conversar calmamente, sem interrupções. E ela também tinha medo que ele não quisesse escutá-la, como da última vez que tentara conversar com ele.  Ela resolveu que escreveria uma carta explicando tudo o que acontecera, ele teria que lê-la.

 

"Meu amado esposo:

 Tenho vivido em nestes últimos tempos a pior fase de minha vida, nem mesmo quando Lydia fugiu com o Sr. Wickham, minha angústia e tristeza foi maior. Aprendi nos primeiros meses de nosso casamento o que é uma união feliz e não aceito viver nas condições que estamos vivendo, esta farsa de casamento não combina conosco.

 Vou ser totalmente sincera, pois foi a falta desta sinceridade que nos levou a situação que estamos vivendo agora.

 Recebi há uns dois meses atrás uma carta de Caroline Bingley, a qual junto a esta para que você mesma a leia.

 Esta carta levantou em mim a suspeita de que suas viagens tão prolongadas a Londres tinham outra finalidade, além de cuidar de seus negócios e de Georgiana.

 Os ciúmes me levaram a procurar evidências de sua traição, este sentimento ao mesmo tempo que cega a pessoa, faz com que ela veja até o que não existe. Acabei por encontrar uma carta escrita por Rebecca Morgan em seus pertences, os termos carinhosos usados na carta, vieram apenas confirmar minhas suspeitas.  Aqui peço desculpas por haver invadido sua privacidade de uma forma vil. Ouvi também o Coronel Fitzwilliam dizendo a você que Rebecca estava encantada com a companhia de vocês. Todas estas evidências, numa mente perturbada pelo ciúme, me fizeram ter certeza de que você estava me traindo. O desespero me fez partir de Pemberley e procurar abrigo na casa dos Bingley.

 Reconheço que errei e peço desculpas do fundo de meu coração por todas as minhas ações que agora vejo foram  desvairadas e desastradas.

 O amor deve se basear em confiança mútua e eu não confiei em você. Agora tenho certeza que se eu tivesse mostrado a carta de Caroline a você, logo que a recebi, todo este sofrimento teria sido evitado.

Você me acusou de ser volúvel, mas creia-me meus sentimentos por você nunca foram volúveis, sempre o amei, em momento algum deixei de amá-lo e posso dizer com certeza que sempre o amarei.

 Peço a você uma nova oportunidade, um relacionamento baseado não só no amor, mas na confiança mútua. Por último quero lhe dizer que se você decidir que seja tarde para me perdoar, que você perdeu a boa opinião que tinha de mim e que ela está perdida para sempre, se para você prevalece sua opinião de que nosso casamento foi um erro, vamos continuar a viver juntos nessa casa para manter as aparências, como você mesmo propôs, cumprirei todas as obrigações que me cabem como a senhora de Pemberley e você não terá nenhum motivo de queixas quanto ao meu comportamento.

Sua sempre.

 
Elizabeth

  

Elizabeth deixou a carta sobre a cômoda do quarto do marido e fez uma pequena prece para que Darcy lesse a carta e aceitasse seu pedido de desculpas. Ele havia saído cedo com o grupo de convidados homens para visitarem uma propriedade distante, só voltariam no final da tarde para o jantar.

 
Coube a Elizabeth entreter as convidadas durante o dia, mas ela não teve problema algum, pois todas pareciam apreciar a companhia uma das outras e mostravam claramente simpatizar com ela, mas o dia foi longo para Lizzy que aguardava ansiosa a volta de Darcy e a reação dele à carta. Mas sabia que só teria uma resposta dele,  tarde da noite, depois que todos os convidados tivessem se recolhido,  isto na melhor das hipóteses, pois ele poderia só procurá-la para conversar no dia seguinte.

 

Elizabeth estava se preparando para o jantar auxiliada pela sua criada de quarto, Emily, que arrumava o seu cabelo, quando ouviu uma batida firme na porta de ligação de seu quarto com o do marido, seu coração disparou, só poderia ser ele.

 

- Entre.

 

- Preciso conversar com você agora. - com um gesto Elizabeth dispensou a criada que fazendo uma breve reverência deixou o quarto.

 

- Por que você não me mostrou esta carta infame de Caroline Bingley assim que a recebeu?

 

- Eu... andava muito aborrecida porque você havia passado 20 dias daquele mês em Londres, deixando-me sozinha aqui em Pemberley, eu estava me sentindo negligenciada por você, estava insegura... Tinha ouvido duas hóspedes nossas dizendo que todos os homens ricos e de projeção social mantinham amantes em Londres, que isto era normal e socialmente aceito.

 

- E você preferiu acreditar em Caroline e nestas matronas linguarudas do que vir a mim e me questionar diretamente o que estava acontecendo. Fiquei 20 dias em Londres naquela ocasião porque estava com sérios problemas em meus negócios, que necessitavam de minha assistência constante, pensei até em pedir que você viesse a Londres para ficar comigo, mas parecia que tudo se resolveria logo, o que não aconteceu e minha permanência foi se estendendo mais que o esperado. Nunca tive nada com Rebecca Morgan, é uma amiga querida, conhecemo-nos desde crianças, se eu a amasse teria me casado com ela antes de conhecer você, jamais a teria como amante. Ela é uma mulher que merece todo meu respeito e consideração.

 

- Rebecca conversou comigo esta manhã, me contou a triste estória de seu casamento e foi esta estória que abriu meus olhos para a loucura que eu estava cometendo, nosso casamento era tão feliz e eu fui estragar tudo, com meus ciúmes, minhas inseguranças, minha falta de confiança em você. Por favor, Fitzwilliam dê-me uma outra oportunidade...prometo que você não se arrependerá.

 

Elizabeth lutava para não chorar, não queria as lágrimas fosse uma forma de chantagem para que o marido a perdoasse e ficasse com ela.

 

- Você sabe perfeitamente que não sei negar nada a você, Lizzy. Oportunidade concedida, mas com uma condição, qualquer dúvida que haja daqui para frente em nosso relacionamento vamos esclarecer imediatamente.

 

Lizzy atirou-se nos braços de Fitzwilliam deixando as lágrimas, que agora eram de pura alegria, rolarem por seu rosto.

 

- Oh! Meu amor, obrigada...Estou tão feliz...

 

Ela procurou os lábios de Darcy, a princípio num beijo meio tímido e desajeitado, mas imediatamente ele aprofundou o beijo, numa carícia quente e envolvente, suas línguas iniciaram um duelo lento a princípio, mas que logo se tornou frenético. As mãos de Darcy percorriam o corpo de Lizzy numa carícia ousada e sensual. A boca dele foi desenhando uma trilha de fogo pelo pescoço de Lizzy até o colo, até  ele abaixar a alça de seu vestido, desnudando-lhe os seios, a boca quente de Darcy começou a sugar os mamilos rosados de Lizzy, que gemia em êxtase.

 

- O jantar... nossos convidados... - ela conseguiu balbuciar perdida nas sensações deliciosas que lhe provocavam as carícias de Darcy. Mas, ele parecia não ter ouvido as palavras da mulher, carregou-a para a cama, onde ambos caíram envolvidos nos braços um do outro. Imediatamente ele levantou-lhe o vestido e a anágua, livrando-a rapidamente de sua roupa íntima. Logo sentiu o membro rijo do marido penetrando-a com uma urgência mesclada de desespero, a princípio sentiu um certo desconforto, mas logo seu corpo acomodou-se a esta invasão bem-vinda e um prazer intenso tomou conta dela, tinha a sensação de haver voltado para casa.

 

- Desculpe, meu amor se fui meio brusco... - Ela calou Darcy procurando os lábios dele enquanto iniciavam aquele ritmo que sacudia seus corpos unidos em perfeita harmonia. Ambos estavam tão carentes um do outro que o alívio veio quase que de imediato.

 

Após alguns minutos em que ambos se refaziam do esforço exercido, Lizzy exclamou ofegante:

 

- Fitzwilliam, estamos atrasados, nossos convidados devem estar esperando por nós. Meu Deus, o que eles vão pensar de nós? Que vergonha!

 

- Lizzy, acalme-se. Nós somos os anfitriões, meia hora de atraso não irá matar ninguém de fome.

 

- Lady Catherine cansou de me dizer que a pontualidade no horário das refeições é regra básica de uma boa anfitriã.

 

- Ora, desde quando você começou a dar ouvidos aos conselhos de minha tia? Hoje a anfitriã teve um compromisso inadiável com o anfitrião e ponto final. Eu vou na frente para acalmar seus pobres nervos, pois você está me lembrando minha cara sogra. Digo a eles que houve um imprevisto e que você se atrasou. Todos serão discretos e não perguntarão que imprevisto é este.
 

Elizabeth se arrumou sozinha, sem coragem de chamar a criada de quarto de volta para auxiliá-la, pois embora Emily fosse a discrição em pessoa, ela saberia o que passara no quarto da patroa naquele tempo em que o Sr. Darcy estivera lá.

 

Todos os convidados conversavam animadamente, quando Elizabeth chegou na sala de visitas, não pareciam preocupados com o atraso do jantar, agiram como se nada houvesse acontecido. Apenas estranharam, sem nada comentar, o bom humor do anfitrião que era todo sorrisos, após ter estado o dia todo calado e sombrio.

 

Elizabeth se sentia desconfortável, tinha a impressão de que os convidados desconfiavam das atividades do casal anfitrião antes do jantar, evitava olhar para o marido e quando acontecia do olhar deles se encontrar, corava violentamente, pois havia sempre um brilho malicioso no olhar de Darcy.

 

 

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