| Um herdeiro para Pemberley - Capítulo 10 |
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| Escrito por Helena Mitico Sanada Fonseca |
| Sáb, 14 de Fevereiro de 2009 13:15 |
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Os convidados chegaram em pequenos grupos, os primeiros foram o Coronel Fitzwilliam e Georgiana acompanhados por Darcy. Logo em seguida chegou um casal de meia idade, Lord e Lady Effingham. Os últimos foram Lord e Lady Marson, com os filhos Anthony e Rebecca Morgan. Darcy e Elizabeth receberam os convidados na porta principal de Pemberley, todos foram muito polidos e formais ao saudarem Elizabeth. A primeira impressão que ela teve de Rebecca Morgan foi de absoluta surpresa, nunca em sua vida, vira uma mulher tão linda, nem mesmo sua irmã Jane que era considerada a beldade de Hertfordshire, poderia se comparar a ela em beleza e elegância. Um rosto de feições delicadas e pele perfeita, loira de olhos azuis intensos, mesmo acabando de chegar de uma viagem em que estivera sentada na carruagem durante horas, estava impecável e linda. Lizzy sentiu um abatimento muito grande.
- Estava ansiosa em conhecê-la, Sra. Darcy, Fitzwilliam falou-me tanto da senhora que parece que já a conheço. - Foi a saudação em tom amistoso de Rebecca Morgan.
- É um prazer recebê-la em Pemberley, Sra. Morgan.
Intrigada com as palavras de Rebecca Morgan, Lizzy ficou imaginando o que o marido teria falado dela. Ela observou atentamente o comportamento de Darcy em relação à Rebecca, ele foi cortes e afetuoso na saudação à amiga de infância, mas não notou nada nas atitudes dele que pudessem levantar suspeitas.
Naquela noite em Pemberley, o jantar foi servido na imensa sala de jantar, iluminada por dezena de velas, os criados em uniforme de gala, os cristais, as porcelanas e baixelas de prata completando o cenário de fausto e riqueza. A atmosfera foi de absoluta cordialidade entre os convidados, tanto que Elizabeth sentiu-se quase à vontade, não fosse os olhos frios de Darcy quando pousavam nela e a presença intrigante de Rebecca Morgan.
Como era costume nos jantares da aristocracia findo o jantar os homens permaneceram na sala de jantar para tomarem o vinho do Porto, fumarem seus charutos e conversarem sobre política. As mulheres iam para a sala de visitas para tomarem chá e se entreterem com assuntos femininos.
A maneira amigável e sem nenhuma afetação de Rebecca Morgan surpreenderam Elizabeth, ela tinha um olhar direto e seu sorriso era franco e amável pareciam sinceros.
- Fitzwilliam me contou que a senhora caminha todas as manhãs. Gostaria de acompanhá-la em seus passeios, se não se importar, pois também adoro caminhar.
- Claro, terei prazer em sua companhia, Sra. Morgan.
- Gostaria que deixássemos a formalidade de lado e me chamasse de Rebecca. Posso chamá-la de Elizabeth?
- Sim, com certeza.
Lizzy estava muito perturbada, sem saber que atitude tomar em relação à Rebecca, pois não confiava na sinceridade da jovem, mas como anfitriã tinha que tratá-la com toda a cordialidade. Logo em seguida, os homens se juntaram ao grupo de mulheres e a noite prosseguiu com Georgiana tocando piano, mas todos se retiraram cedo para seus aposentados alegando cansaço da viagem.
Na manhã seguinte, conforme haviam combinado Lizzy teve a companhia de Rebecca em seu passeio matinal pelo parque de Pemberley.
- Em nenhuma das propriedades que já visitei, existe um parque tão maravilhoso como o de Pemberley, a natureza e os jardineiros fizerem um trabalho magnifíco aqui. Fitzwilliam deve ter contado a você que eu e minha família vinhamos todos os anos passar uma temporada aqui, durante o verão. Minha mãe e a falecida Sra. Darcy eram muito amigas e é por isso que venho para cá desde quando era um bebê.
Não resistindo mais a curiosidade, Elizabeth arriscou uma pergunta que sabia ser imprópria e indiscreta.
- ... você e o Fitzwilliam tiveram algum compromisso no passado?
- Compromisso? Você quer dizer de casamento? Oh! Não, nunca, sempre fomos apenas amigos, ele é como um irmão para mim. Lady Catherine dizia que ela e a irmã queriam que Fitzwilliam e Anne um dia se casassem, mas nunca notei a menor inclinação dele por Anne. Acho que não seria um casamento feliz... e isto é a pior coisa que pode acontecer a alguém, ser infeliz no casamento.
Caminharam em silêncio, ouvindo apenas o cantar dos passarinhos e o zunido das abelhas, Rebecca parecia ter mergulhado num silêncio melancólico.
- Eu também não tive um casamento feliz e sei que este é um fardo muito difícil para qualquer pessoa carregar... Fiquei casada por 2 anos, Stephen, meu marido era muito ciumento, tornando nossa vida um verdadeiro inferno. Ele me confinou em nossa propriedade no campo e eu só podia sair com ele, me fez romper contato com todos os meus amigos, não tinha nenhuma vida social, ele me proibiu até de visitar meus pais. Só podia visitá-los no Natal, assim mesmo não podia ter um momento de privacidade com eles, Stephen estava sempre por perto vigiando para que eu não revelasse a eles como era minha vida.
Os belos olhos azuis de Rebecca ficaram marejados de lágrimas, ela os enxugou delicadamente com um lenço e continuou:
- Sei que deve estar achando estranho confidenciar a você detalhes tão íntimos de meu casamento quando acabamos de nos conhecer, mas acredite Elizabeth simpatizei com você antes mesmo de conhecê-la, por tudo que Fitzwilliam me contou sobre você, como se conheceram e como ele se apaixonou por você. Ele é uma pessoa muito especial, atrás daquela aparência reservada existe um grande homem e você é uma mulher afortunada por ter conquistado seu coração.
Elizabeth procurou ocultar a emoção que sentiu diante das palavras de Rebecca, agora estava certa que cometera o maior engano de sua vida e teria que consertar seu erro de qualquer maneira, só não sabia como fazê-lo.
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