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Temos em nós mesmos um guia melhor do que qualquer outra pessoa poderia ser, se ouvimos nosso próprio coração. (Jane Austen)

As irmãs Bennet - Capítulo 22

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William examinou a foto e leu o curto artigo rapidamente. Por fim levantou os olhos para Lizzy e disse:

 

- Não acredite em nada do que estes miseráveis estão dizendo aí. É tudo invenção desta imprensa sensacionalista que quer vender jornal a qualquer custo. Vanessa foi minha namorada, nunca foi minha noiva e há muito tempo terminei com ela. Ela veio me cumprimentar e estava me beijando quando a foto foi tirada. É costume dela beijar os homens nos lábios. Seria muito grosseiro de minha parte virar o rosto e impedir o beijo, iria deixá-la constrangida na frente de todos os presentes. Acredite em mim. Juro pelo que há de mais sagrado que há muito tempo não tenho mais nada com ela.

 

- Você gostaria de me ver beijando um amigo desta forma?

 

- Claro que não, de jeito nenhum! Mas Vanessa é coquete e tem tendência a se exibir.

 

- Sei. E porque ela é coquete e gosta de se exibir, eu tenho que agüentar ver meu namorado aos beijos com ela nas páginas de um tablóide? Estou vendo que nossa vida será um inferno se a todo o momento formos bombardeados com fotos e notícias deste gênero.

 

- Infelizmente, não tenho como evitar ser notícia para estes tablóides. Mas, quando estivermos casados vou deixar de ser um solteiro cobiçado e esta imprensa sensacionalista irá sossegar, pois não poderão inventar uma noiva diferente para mim toda semana.

 

- Quem me garante que o senhor não irá arrumar então uma amante quando se cansar de mim ou quando nosso casamento virar uma rotina? E aí será pior ainda porque vou ver notícias de seus “casos”. Não vou tolerar este tipo de situação. Estou achando melhor terminarmos tudo por aqui.

 

- Lizzy me ouça com calma. Se nosso casamento não for baseado na confiança mútua realmente nós não seremos felizes. Encontrei em você, meu amor, tudo que desejo e estava procurando em uma mulher, amor, inteligência, espirituosidade, beleza. Sei muito bem o vazio e a insatisfação que é ficar trocando de companhia a toda hora. Você nunca terá que me dividir com ninguém, pode ficar tranquila.

 

- É o que vocês homens costumam falar quando estão noivos e apaixonados, mas poucos cumprem o que dizem.

 

- Que mulher cética que arrumei, não acredita em minhas palavras e nem se preocupa em esconder de mim este fato.

 

- Sou sincera. E tenho muito medo que você acabe por me fazer sofrer por ser um mulherengo.

 

William se aproximou e segurou com suas mãos a cabeça de Lizzy e olhando-a fundo nos olhos disse num tom de súplica:

 

- Já cansei de te dizer que não sou um mulherengo. Por favor, deposite um voto de confiança em mim Lizzy. Não quero nunca ser causa de sofrimento para você, apenas de alegria e felicidade.

 

- Confesso que estou muito confusa e peço a você um tempo para pensar sobre nós dois.

 

- Tempo?

 

- Alguns dias apenas. Quero analisar meus reais sentimentos por você. Quero ter certeza deles. Analisar se o que sinto por você é apenas uma paixonite que irá acabar com o tempo ou se é amor de verdade que me fará lutar ao seu lado pelo resto de nossas vidas. 

 

- Lizzy, pelo amor de Deus, estávamos tão bem. Estas dúvidas só podem ter aparecido agora por causa desta maldita foto. Não se deixe influenciar pela fofoca de jornal e estragar tudo que há de lindo entre nós.

 

- William, estou muito confusa e preciso deste tempo para pensar com calma. Prometo que não o farei esperar por muito tempo, darei uma resposta o mais rápido que puder. Vou embora, já é tarde e amanhã vou levantar cedo.

 

- Vou levá-la para casa.

 

- Não há necessidade. Vou chamar um táxi.

 

- Já disse que vou levá-la para casa. – insistiu William.

 

O curto trajeto da casa de Darcy até o apartamento de Lizzy foi feito no mais absoluto silêncio. Quando ele estacionou em frente ao prédio e fez menção de descer para cavalheirescamente acompanhá-la até o apartamento como costumava fazer, Lizzy o deteve.

 

- Não precisa me acompanhar William.

 

- Tudo bem Lizzy. Sinto que está magoada comigo. Tudo isto está acontecendo porque você não confia em mim. Eu acho que confiança é a base de um relacionamento, se não confiarmos um no outro, nosso casamento estará fadado ao fracasso. Posso te dar um beijo de boa noite?

 

- Melhor não.

 

- Está bem, por favor, pense com bastante carinho e não demore a me dar a resposta, pois vou viver dias angustiantes.

 

Logo no dia seguinte, Lizzy recebeu um maravilhoso buquê de rosas vermelhas e um cartão dizendo: “Eu te amo. Não se esqueça nunca disto. Sempre teu William.”

 

Aquelas rosas e principalmente o cartão tiveram o poder de abalar o coração magoado de Lizzy. Ela estava tão abalada com tudo que precisava de tempo para a poeira assentar e conseguir pensar com serenidade na decisão que tomaria.

 

As rosas continuaram a chegar todas as manhãs durante os quatro dias seguintes.

 

- Lizzy, este apartamento está parecendo uma floricultura. Acho melhor você dar logo uma resposta a William, senão vai chegar uma hora que teremos que sair daqui para dar lugar para as flores.

 

- Eu vou decidir... Jane, confesso a você que este incidente me mostrou o tamanho do medo que tenho de que William não deixe nunca de ser um homem mulherengo e conquistador. Ele é um homem muito bonito além de ser rico e poderoso, são três poderosos chamarizes para as mulheres correrem atrás dele. E você sabe que a carne é fraca quando a tentação é grande. Será que ele conseguirá resistir?

 

- Lizzy, mas William já cansou de dizer a você que não é este mulherengo que apregoam. É bastante comum os homens terem esta fase em que parecem correr atrás de todas as mulheres, mas acho que ele já ultrapassou esta fase. O importante é que ele te ama de verdade e você precisa acreditar na força do amor para modificar as pessoas.

 

- Jane, eu não suportaria saber que William está tendo alguma aventura ou um caso e fazer de conta que não sei de nada como muitas mulheres fazem, principalmente as ricas que ignoram os casos dos maridos para não perderem os privilégios que têm.

 

- Lizzy, você está sofrendo por antecipação. E me perdoe dizer você seria uma grande tola se deixasse escapar um homem como William Darcy apenas por um hipotético medo de sofrer. Todos nós sabemos que enfrentaremos problemas de toda ordem no futuro, mas nem por isto vamos dar cabo de nossas vidas para não sofrermos, seria bastante insensato. E os momentos de amor, de alegria, de realização, de pura felicidade que desfrutamos em meio aos problemas? Acho que eles compensam tudo o mais.

 

- Você está certa Jane. Já decidi vou conversar com William hoje mesmo.

 

Era sexta-feira e quando Lizzy ligou à tarde para o escritório de William teve a decepção de ouvir a secretária dizer:

 

- O Sr. Darcy não se encontra Srta. Bennet, ele viajou logo após o almoço para Pemberley.

 

Lizzy foi para casa desolada. Por que demorara tanto para dar a resposta a William. Ele certamente só retornaria a Londres na segunda-feira, como normalmente fazia quando ia ao Derbyshire.

 

Logo que chegou ao seu apartamento, ela ligou para o celular de William. Decidira que falaria com ele por telefone mesmo, não iria suportar a ansiedade de esperar até a segunda.

 

- Lizzy, aconteceu alguma coisa? – William foi perguntando assim que atendeu a chamada.

 

- Não aconteceu nada grave, apenas eu decidi que vou esquecer o episódio daquele seu beijo com aquela sirigaita. Avise–a que você não quer mais que ela o beije nos lábios, só no rosto, mais especificamente nas faces. Pode dizer claramente que sua atual namorada te ama profundamente e sente muitos ciúmes de você, por isto não gosta que ela tome este tipo de liberdade com você.

 

William deu uma sonora gargalhada do outro lado da linha.

 

- Digo a Vanessa o que você quiser meu amor desde que você volte para mim e fique comigo.

 

- Sou ficar sim, porque não sei mais viver sem você.

 

- Lizzy, por que você não vem passar o fim de semana comigo? Tome o trem para Chesterfield são cerca de 2 horas de viagem, e eu irei buscá-la na estação. Estou em Pemberley para resolver alguns problemas da propriedade com o administrador e vou ficar até domingo. Por favor, Lizzy venha para cá, vamos passar juntos o fim de semana.

 

Lizzy aceitou o convite imediatamente. Passava das 11 da noite quando ela chegou à estação de Chesterfield, William já a aguardava ansioso na plataforma da estação. Ela se atirou em seus braços recebendo um apertado abraço e um beijo ardente.

 

- Lizzy, não me torture nunca mais deste jeito. Passei quatro dias infernais pensando apenas em você e com medo de que você decidisse me abandonar.

 

- Para mim também estes dias não foram fáceis. Cheguei à conclusão de algo que eu já sabia, que não gosto de estar separada de você.

 

- Então não sejamos mais tolos, para que ficarmos brigando se podemos viver em paz.

 

- Para isto é necessário que você se comporte William Darcy, que você não me dê motivos para eu brigar com você.

 

- Não darei. Pode estar certa que não darei. Sempre detestei cenas de ciúmes, mas sabe que adorei saber que você sentiu ciúmes de mim.

 

- Pode até gostar Sr. Darcy, mas não abuse, pois não irá gostar das conseqüências que irá sofrer se eu ficar zangada.

 

- Não vou gostar com certeza, pois já tive uma pequena amostra. Já é tarde, vamos embora para Pemberbey. Vamos para casa.

 

A viagem de cerca de meia hora de Chesterfield a Pemberley foi feita numa atmosfera de alegre, terna e descontraída camaradagem.

 

Um sentimento de pura felicidade tomou conta de Lizzy  quando a visão da majestosa mansão de Pemberley, iluminada pelo luar, apareceu em seu foco de visão. Embora ela tivesse consciência que quando se casasse com William, eles teriam que viver em Londres, Pemberley seria sempre para ela um lugar mágico, a sua casa, o seu refúgio.

 

Quando William estacionou o carro na alameda de seixos em frente à porta principal, Lizzy desceu e correu para um dos terraços para ver o jardim, visão que sempre a encantava. William a seguiu e disse sorrindo.

 

- Lizzy, você ama este lugar tanto quanto eu, não é?

 

- É verdade, desde a primeira vez que vim aqui com seu pai, me apaixonei por este lugar. Adoro a mansão, os jardins, os lagos e os bosques. Se pudesse viveria aqui para sempre.

 

- Quem sabe um dia possamos vir morar aqui.

 

- Quando formos velhinhos e estivermos aposentados.

 

William soltou uma sonora gargalhada e disse:

 

- Estou adorando estes teus planos a tão longo prazo.

 

- E eu adoro quando você ri ou sorri. Parece tão jovem e fica tão lindo! É uma pena que seja tão sério e sisudo a maior parte do tempo.

 

- Obrigado pelo elogio, meu amor, mas a minha natureza é ser sério, talvez por isto você valorize tanto quando dou risadas.

 

Abraçados eles entraram na mansão. Ao chegarem ao pé da escadaria que os levaria para o quarto, William num gesto inesperado levantou Lizzy em seus braços e a carregou escada acima em direção ao quarto dele.

 

A noite foi de reconciliação e de reencontro. Uma união perfeita de corpos e de mentes. Eles tinham consciência de que teriam ainda muitas arestas a serem aparadas, mas a força do amor que os unia seria suficiente para fazê-los superar qualquer dificuldade que pudessem encontrar pela vida.

 

**********************

 

[b]Alguns meses depois...[/b]

 

O namoro de Charles Bingley e Jane Bennet ia de vento em popa, a cada dia descobriam afinidades e se sentiam cada vez mais apaixonados um ao outro. Mas, sempre haverá um “mas” quando tudo parece estar correndo em perfeita ordem.

 

As irmãs mais velhas de Charles, Louisa e Caroline, que a princípio pareciam aceitar bem o namoro do irmão com Jane, ao verem que o relacionamento de ambos estava se tornando cada vez mais sério e não se tratava de mais um namorico de rapaz solteiro e volúvel, começaram sua campanha contra Jane.

 

Eram indiretas lançadas diariamente nas ocasiões em que se encontravam, principalmente por parte de Caroline que vivia junto com o irmão.

 

- Charles, tudo bem que você namore Jane Bennet, ela é linda e até entendo a atração que você sente por ela, mas daí a querer levar este relacionamento avante para um compromisso mais sério, mas não acho conveniente.

 

- Gostaria que você se explicasse melhor, Louisa, por que não estou entendendo o que quer dizer. Por que não seria conveniente eu me casar com Jane?

 

- Meu irmão, Jane Bennet não é uma jovem de nosso meio social, não tem fortuna. O pai dela era um mero empregado do Sr. Darcy. E ninguém me tira da cabeça que tanto ela como a irmã são duas alpinistas sociais. Elisa agarrou Darcy e Jane está acertando a mira em você Charles.

 

- Basta! – vociferou Charles. - Não admito mais nenhuma palavra contra Jane e Lizzy. Elas são duas mulheres maravilhosas e tanto eu como William tivemos a sorte de sermos amados por elas. Se você e Louisa não concordam com meu casamento com Jane, sinto muito, pois pretendo me casar com ela com ou sem a aprovação de vocês. Vou continuar amando vocês e ajudando-as no que for preciso, mas em primeiro lugar virá sempre Jane.

 

No dia seguinte à discussão com as irmãs quando Charles levou Jane para casa como fazia habitualmente, ao estacionar o carro, sabendo que Lizzy havia saído com William, ele disse:

 

- Posso subir Jane? Pois tenho algo importante para falar com você.

 

- Claro Charles. Se quiser pode até jantar comigo? Lizzy deixou preparado um cozido e garanto a você que o cozido dela é delicioso, ela não é uma negação na cozinha como eu.

 

Assim que chegaram ao apartamento, Charles tomou Jane em seus braços e a beijou ardorosamente.

 

- Às vezes preciso me controlar para não ir a sua sala e te beijar lá no escritório na frente de todos para demonstrar o quanto eu te amo.

 

- Pelo amor de Deus, Charles. Não me faça uma loucura destas. Eu morreria de vergonha. Acho que iria embora e nunca mais poria os pés lá.

 

- Pode ficar tranqüila, não farei isto, não iria te expor a um constrangimento destes. Depois não gostaria de perder a excelente funcionária que tenho e não perder a oportunidade de admirá-la mesmo que seja de longe.

 

- Estou esperando... Você me disse que tinha algo importante para falar comigo.

 

- Bem... Eu... Jane Bennet aceita se casar comigo?

 

Os olhos de Jane eram puro espanto e quando conseguiu assimilar o significado das palavras de Charles, eles se encheram de lágrimas de emoção.

 

- Aceito Charles.

 

Muitos beijos apaixonados se seguiram para selar este compromisso tão desejado por ambos.

 

Mais tarde, após o jantar quando conversavam. Charles

 

- Vou ter que contar a você uma discussão que tive com minhas irmãs, embora saiba que você vai ficar magoada, mas quero que você esteja preparada. Elas são contra nosso casamento.

 

- Contra? Mas elas sempre me trataram tão bem?

 

- Elas pensavam que nosso namoro fosse apenas um passatempo para mim, quando perceberam a seriedade de minhas intenções disseram que não querem nosso casamento.

 

- Mas... não entendo... Por quê?

 

- Alegam que você não tem fortuna.

 

- Elas devem achar que estou atrás de seu dinheiro.

 

- Não se preocupe com isto. Tenho absoluta certeza de que você está comigo porque me ama. O fato de você não ter fortuna não faz a menor diferença para mim, não tem nenhuma importância.

 

- Fico muito chateada e triste delas pensarem isto de mim.

 

- Eu entendo porque em seu lugar também ficaria. Vou pedir a Caroline que se mude de meu apartamento porque quando nos casarmos não quero saber dela morando conosco. Já não queria quando eu achava que ela concordava com nosso casamento, agora é que não quero de jeito nenhum.

 

- Mas... ela sempre morou com você.

 

- Ora, ela já está bem crescidinha e pode morar sozinha como tantas mulheres moram hoje em dia. Não a quero morando conosco e dando palpites em nossa vida, pois ela é bastante palpiteira e vai querer continuar mandando. Quem irá mandar lá será você que será a dona da casa. Quero viver apenas com você e com os filhos que tivermos.

 

Jane sentiu um alivio muito grande diante destas afirmações de Charles. Eles nunca haviam conversado a respeito deste assunto, mas só a ideia de que ao se casar com ele teria que morar também com Caroline a incomodava, como toda mulher ela gostaria de começar sua vida de casada vivendo apenas com o marido sem ter uma cunhada junto ainda mais agora que sabia que esta era contrária ao seu casamento com o irmão.

 

- Só resta saber se você gosta do meu apartamento, senão vamos procurar outro do seu gosto.

 

- Eu acho teu apartamento maravilhoso, não tenho nada contra morarmos lá.

 

- Ótimo, assim teremos um problema a menos para resolver. Vou ajudar Caroline a procurar um apartamento para ela e assim que ela se mudar, você pode redecorá-lo ao teu gosto vou te dar carta branca porque não entendo nada de decoração, mas não demore muito porque vamos nos casar assim que o apartamento estiver em ordem, não há porque ficarmos adiando algo que nós dois queremos tanto.

 

 

**********************

 

Jane e Lizzy estavam planejando seus respectivos casamentos quando durante uma conversa surgiu a ideia de se casarem no mesmo dia e no mesmo local.

 

- Vamos fazer uma grande economia casando desta forma, na decoração da igreja, na recepção.

 

- Lizzy, até parece que William ou mesmo Charles precisam que a gente economize para eles. – ponderou Jane rindo.

 

Assim de comum acordo ficou combinado que as duas irmãs se casariam no mesmo dia numa cerimônia simples e bonita na pequena e antiga igreja da cidadezinha de Lambton. Após a cerimônia realizada no final da manhã seria servido um almoço aos convidados no imenso salão de banquetes de Pemberley.

 

O grande dia chegou.

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Dentre os convidados cabe destacar que as irmãs de Bingley estavam presentes e se comportaram de forma a não deixar transparecer a sua contrariedade pelo casamento do irmão. Afinal cortar relações com ele seria perder o privilégio de conviver com o círculo de William Darcy, o que significava status na sociedade em que viviam.

 

Tanto Jane como Lizzy estavam eufóricas com a presença de Lydia que viera especialmente da Califórnia para o casamento.

 

Após o término do almoço quando os convidados estavam reunidos se confraternizando na imensa sala de visitas onde era servido o café e os licores. As três irmãs conseguiram se reunir e conversar alguns minutos a sós. 

 

- Você já arrumou algum namorado Lydia? – perguntou Jane sorrindo.

 

- Não Jane. Estou sozinha e pretendo ficar assim por um bom tempo. Ainda sou muito nova e já sofri bastante, quero esperar para voltar a me envolver novamente com alguém, porque desta vez há de ser com alguém que valha realmente a pena.

 

- Fico feliz que você está pensando desta forma, é uma prova do quanto você amadureceu Lydia. Tenho certeza de que um dia você irá encontrar esta pessoa, alguém especial que te faça feliz. – comentou Lizzy.

 

- Obrigada Jane. Estou concluindo meu curso e já estou trabalhando como uma espécie de cabeleireira júnior. Tenho cortado os cabelos de minhas colegas de trabalho e de algumas vizinhas que não podem ir a um salão caro e todas adoram o estilo de meu corte. Dizem que tenho talento para isto.

 

- Se nós soubéssemos disto não teríamos gasto uma fortuna no salão de Londres, não é Lizzy? Teríamos pedido para você cuidar dos nossos cabelos.

 

- Não Jane, ainda não tenho gabarito para cuidar do cabelo de noivas, ainda mais noivas chiques como você e Lizzy. Mas, com a ajuda de Deus e com meu esforço vou ser uma profissional bem sucedida.

 

Neste instante Charlotte Lucas se aproximou das irmãs.

 

- Este casamento duplo foi a festa mais linda que assisti na vida. Duvido que vá assisti outro casamento tão lindo, nem mesmo o meu será assim.

 

- Não me diga que você e John já estão pensando em casamento? – perguntou Jane sorrindo.

 

- Meninas, acho que John se deixou levar pela emoção e beleza do casamento de vocês e pediu minha mão quando viemos da igreja para cá. – falou Charlotte entusiasmada.

 

- Charlotte, você não imagina como fico feliz em saber que você e o John se acertaram. Quero muito bem a ele e a você e desejo toda a felicidade a vocês. – disse Jane emocionada. As irmãs Bennet abraçaram e beijaram Charlotte cumprimentando-a.

 

- Nunca pensei que John viesse a me amar, nas primeiras vezes que saí com ele, ele falava o tempo todo só em você, Jane. O quanto você é linda, o quanto você é bondosa. Era só Jane para lá, Jane para cá. Chegou uma hora que até pensei até em desistir dele, mas aos poucos consegui fazer com que ele te esquecesse e me amasse.

 

- Deus me livre sair com um cara que fica falando de sua ex comigo. Você tem muita paciência Charlotte. Eu o largava falando sozinho nos primeiros cinco minutos do encontro. – comentou Lydia arrancando o riso de todas.

 

~~~~ FIM~~~~

 

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