
Era uma preguiçosa manhã de domingo.
Lizzy estava aconchegada no calor dos braços de William, ainda meio sonolenta, às vezes cochilando, após terem se amado ardorosamente. Com seu rosto encostado no peito do marido era ouvia as batidas surdas do coração dele e pensava que não havia outro lugar no mundo onde gostaria de estar naquele momento.
William parecia estar acordado, pois acariciava lentamente com uma das mãos as costas nuas de Lizzy e de vez em quando depositava beijos no topo de sua cabeça.
- Lizzy, meu amor, eu gostaria que você pedisse demissão de seu emprego no ateliê.
- William, eu fui bastante clara quando nos casamos que gostaria de continuar trabalhando. O meu salário pode te parecer uma ninharia, mas para mim é importante ter meu próprio dinheiro, ganho com meu trabalho.
- Por favor, me ouça antes de começar a ficar zangada.
- Fico zangada porque você está sempre querendo me impor sua vontade. William me aborrece o fato de você ser tão autoritário, querer que tudo seja feito a tua vontade. Tenho pena de seus empregados que são obrigados a te obedecer sem poder questionar suas ordens.
William riu e contra-argumentou:
- Não é bem assim, Lizzy, meus executivos discutem muito comigo quando acham que estão certos e muitas vezes eu acabo cedendo quando reconheço que eles estão com a razão. Mas vamos voltar ao assunto de seu trabalho. Não me oponho a que você continue trabalhando, concordei com isto quando nos casamos. O que quero te propor é que você comece a trabalhar por sua conta, produzindo sua própria cerâmica. Sei que é muito talentosa. Você poderia montar sua oficina aqui em casa, temos tantos quartos desocupados, use-os como seu ateliê. Depois mais tarde, você pode pensar em ter sua própria loja como o Sr. Collins, sei que é uma questão de tempo para você se tornar uma artista reconhecida.
- Mas isto leva anos, William, eu teria que participar de exposições e concursos, ganhar prêmios com meus trabalhos até ter meu nome reconhecido neste mundo tão concorrido.
- Mas, se não começar nunca será reconhecida. Você está desperdiçando o seu talento com o Collins enquanto ele leva todos os louros. Uma vez Jane me disse que muitas das peças que ele vende como sendo dele foi você quem fez. Não quero ver você sendo explorada desta forma.
- E quem iria me pagar o salário que o Sr. Collins me paga atualmente? Não me diga que é você porque não faz o menor sentido.
- Se eu como seu marido não puder ajudá-la, quem mais poderia? Você produziria tuas obras e as colocaria em exposição e venda nas galerias de arte em consignação, aposto que vai conseguir vendê-las, neste ínterim, participe de concursos. Tenho certeza de que em pouco tempo será uma artista renomada. Você teria a vantagem de não precisar cumprir horários rígidos, seria dona de seu próprio nariz e poderia até acompanhar este seu solitário marido em algumas viagens de negócios que ainda sou obrigado a fazer. Você deve ter reparado que diminui muito as viagens, pois quando posso tenho as deixado a cargo de meus executivos.
- Sabe que estou reparando que ultimamente acabo sempre fazendo suas vontades.
- Porque você reconhece que elas são todas sensatas.
- Eu mesma estou dando corda para que meu marido se torne cada vez mais mandão.
- Então você concordou comigo? Vai pedir demissão do Collins?
- Vou pensar, Sr. Darcy.
- Adoro a maneira como me chama de Sr. Darcy, sinto o carinho e o amor que você tem por mim.
- Além de mandão, o senhor é presunçoso Sr. Darcy!
William ergueu-se ligeiramente na cama e pressionou com seu corpo ao de Lizzy, enquanto com seus lábios quentes e ávidos distribuía beijos pelo rosto seguindo uma trilha de fogo em direção ao pescoço.
Lizzy começou a rir
- Por que está rindo Sra. Darcy?
- Sua barba está espetando, me fazendo cócegas e vai deixar marcas.
- Quer que eu pare?
- Claro que não!
William, então, capturou os lábios de Lizzy e mergulhou a língua nos recessos de sua boca numa demonstração clara das suas intenções.
O desejo sempre latente entre ambos havia renascido com toda sua força.
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O Natal estava se aproximando e tradicionalmente ele era passado em Pemberley pelos Darcy. Neste ano, a magnífica mansão estaria cheia de convidados prometendo um Natal alegre e animado.
William e Lizzy haviam convidado Georgiana e Peter, juntamente com os pais dele e o filho de Peter, que viria da América para conhecer a madrasta. Jane e Charles Bingley, suas duas irmãs e o cunhado. E os pais de Lizzy, apenas com Mary, pois Lydia e Kitty iriam passar com a família de seus namorados, as duas irmãs estavam namorando dois gêmeos idênticos, o que se tornou motivo de piada para todos, pois os dois rapazes eram tão parecidos que era quase impossível distinguir um do outro. Os Gardiner, tios de Elizabeth, que tradicionalmente passavam o Natal em Longbourn também foram convidados.
Caroline Bingley, embora desgostosa com o casamento de Darcy, achou preferível sufocar seu sentimento de antagonismo contra Elizabeth para ter o direito de conviver com os Darcy e freqüentar Pemberley. Ela engoliu seu orgulho e tratou Lizzy com sorrisos e simpatia. E Lizzy, por sua vez, provou a grandeza de seu coração recebendo-a com cortesia e educação, como convinha a uma boa anfitriã.
Caroline continuou a considerar William Darcy o homem mais perfeito que conhecia, mas naquele Natal fez uma solene promessa a si mesma, começaria sua procura por um marido focando sua atenção principalmente num homem que tivesse fortuna, se fosse bem velho melhor, na esperança de ter que aturá-lo por pouco tempo.
Tony teve a companhia do filho de Peter Ward, Robert Ward, que era dois anos mais velho que ele. Os meninos se tornaram amigos e inseparáveis, brincavam o dia inteiro juntos, muitas vezes era preciso chamar a atenção deles pelas gritarias que faziam pelos corredores da mansão, impossibilitados de brincarem ao ar livre devido ao mau tempo.
- Mamãe, eu gostei muito do Bob. Eu estive pensando que você poderia me arrumar um irmãozinho, assim vou poder brincar com ele.
- Então, você gostaria de ter um irmãozinho ou uma irmãzinha?
- Não, mamãe, eu quero um menino, as meninas são muito chatas só sabem falar de vestidos e de bonecas.
- Tony, a mamãe pode encomendar um bebê, mas não posso garantir que seja um menino. Será o que Deus quiser. E outro detalhe, ele nascerá pequenino, um bebê, até ele crescer você não poderá brincar com ele, como brincou com o Bob. Entendeu?
- Sim, mas vou querer assim mesmo. Eu espero o bebê crescer para brincar com ele.
- Vou falar com seu pai e vamos providenciar seu irmão ou irmã.
William e Lizzy já haviam conversado sobre a questão de terem mais filhos. Ambos concordavam que seria bom terem pelo menos mais dois filhos e assim pararam o método anticoncepcional que estavam adotando. Não demorou a Lizzy engravidar.
William ficou tão eufórico com a notícia que parecia que ia ter seu primeiro filho.
- Eu tenho que estar feliz, pois vou poder acompanhar toda a gestação, o nascimento e crescimento deste filho.
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Alguns meses depois, Tony se aproximou de Lizzy e disse muito sério:
- Mamãe, eu não quero mais o irmãozinho que pedi.
- Por que Tony?
- Porque meu amigo da escola disse que ele ganhou um irmão e depois que o bebê chegou a mãe e o pai dele não ligam mais para ele, só para o bebê.
- Mas isto não irá acontecer aqui em casa. Eu e seu pai iremos continuar amando e dando atenção a você como sempre fizemos até agora.
- Será? Mas, mesmo assim, eu não quero mais o meu irmãozinho.
- E agora que eu o encomendei e ele está aqui crescendo dentro da barriga da mamãe. O que eu faço com ele quando nascer?
- Você dá ele para a tia Jane. Ela adora bebês.
- Então, vou perguntar para a tia Jane, se ela aceitar nós vamos dar o bebê para ela.
- Está certo, mamãe. Eu não quero mais saber de irmãozinhos, prefiro ser seu único filho.
As crises de ciúmes de Tony iam e vinham. Muitas vezes Tony pedia para colocar a mão na barriga de Lizzy para sentir os movimentos do bebê e ficava feliz quando ele se mexia. Ele costumava também beijar a barriga intumescida de Lizzy dizendo que estava beijando o irmão.
Logo que o exame de ultra-som revelou o sexo da criança, uma menina. Lizzy começou a pensar no nome que daria à filha.
- Tony, o exame que a mamãe foi fazer hoje mostrou que você vai ter uma irmãzinha.
- Não faz mal que seja uma menina, pois ela vai ficar com a tia Jane. Ela vai poder brincar com a filhinha de tia Georgiana, não é verdade?
Georgiana que estava no final de sua gravidez também esperava uma menina.
- Tony, nós precisamos pensar no nome de sua irmãzinha, embora ela não vá ficar conosco precisamos colocar um nome nela. Você tem idéia de um nome bonito para ela?
- Eu quero que ela se chame Patricia, não é um nome bonito?
- É um lindo nome, Tony. Se o papai concordar vamos chamá-la Patricia.
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Era início de tarde e Lizzy estava trabalhando em seu ateliê recentemente instalado em dois amplos quartos da casa quando Stevens, o mordomo lhe trouxe a correspondência, entre algumas cartas comerciais havia um envelope pardo mais volumoso.
Curiosa, Lizzy o abriu e dentro encontrava-se um tablóide e um bilhete:
“Veja na página 6 uma foto de seu marido com Samantha Clifford. Lembra-se dela? Foi namorada dele! Mantenha-se alerta! Um amigo.”
Lizzy sentiu suas pernas fraquejarem e sua vista escurecer por alguns segundos devido ao choque que o bilhete lhe causara.
Na página 6 do tablóide havia uma foto de William e Samantha juntos no evento social que acontecera alguns dias atrás em que Lizzy não comparecera porque estava indisposta.
Ela leu a reportagem que falava da inauguração da exposição de artistas plásticos alemães contemporâneos no Tate Modern, que contara com o patrocínio da Darcy Co. Inúmeras fotos ilustravam a notícia dentre elas a de William ao lado de Samantha. A foto nada tinha de comprometedora, apenas um casal sorridente posando para a foto. Mas o fato de William não ter comentado com Lizzy que havia encontrado a ex-namorada na festa perturbou a tranqüilidade dela.
Lizzy releu o bilhete maldoso e sentiu que a semente da dúvida estava plantada em sua cabeça.
O relógio marcava 3 horas da tarde, normalmente William só voltava para casa por volta das 7 horas, portanto faltavam 4 horas para ela poder confrontá-lo. Ela decidiu que não iria esperar 4 horas de angústia para esclarecer o que estava acontecendo, certamente faria mal ao bebê ficar neste estado por tanto tempo.
Lizzy não teve dúvidas, largou a peça de cerâmica em que estava trabalhando, tomou um banho rápido para retirar a argila dos braços, se vestiu, tomou um táxi e se dirigiu aos escritórios da Darcy Co. na City londrina.
Ela estivera uma única vez nos escritórios de William, quando ele próprio a levara, logo depois do casamento, para mostrar a ela seu local de trabalho e apresentá-la a seus auxiliares diretos.
Logo que chegou ao escritório, Lizzy foi conduzida pessoalmente pela secretária à sala de Darcy. Ele lia uns documentos, ao erguer os olhos e ver Lizzy entrando, William abriu um largo sorriso, levantou-se e caminhou ligeiro em direção à esposa.
- Meu amor, que surpresa maravilhosa, receber sua visita inesperada!
- Não me beije e nem me chame de meu amor. Vim aqui porque quero que você me explique o que está havendo entre você e esta Samantha Clifford!
- Eu e a Samantha Clifford? Não há nada entre nós, Lizzy.
- Então o que significa esta foto e este bilhete?
Lizzy retirou do envelope o tablóide aberto na página que continha a foto e o bilhete e entregou para William que olhou a foto, leu a breve reportagem e o bilhete rapidamente.
- Lizzy, pelo amor de Deus, acredite em mim, não há nada entre mim e a Samantha, foi pura coincidência nos encontrarmos. Ela estava na inauguração da exposição e veio me cumprimentar, trocamos meia dúzia de palavras, foi quando o fotógrafo bateu esta foto.
- William, eu já te disse uma vez e estou repetindo pela última. Não vou tolerar que você tenha casos, amantes, seja lá o que for. Eu não vou ficar casada com você fingindo que nada sei de suas aventuras apenas para não perder os privilégios de uma vida confortável, como costumam fazer muitas mulheres da alta sociedade. Vou me embora com meus filhos, não tenho medo de enfrentar o trabalho e a solidão.
- Lizzy, por favor, calma. Não é bom você ficar nervosa no seu estado, vai prejudicar você e o bebê.
- Foi por isto mesmo que vim até aqui, porque não quis esperar até você chegar em casa para termos esta conversa.
- Fez muito bem. Venha aqui quantas vezes quiser. Vou adorar recebê-la.
- Não vim fazer uma visita social. Estou esperando uma explicação William.
- Lizzy, eu estava conversando com o Bingley. A Sam se aproximou para me cumprimentar, você sabe que nossas famílias são amigas de longa data, conversamos alguns minutos. Aí o fotógrafo bateu esta foto. Lizzy, pelo amor de Deus, acredite em mim não tenho nada com ela, nem com qualquer outra mulher, desde que nos casamos a única mulher para quem tenho olhos é você.
- Olhos para esta barriga enorme! Devo estar parecendo um saco de batatas aos seus olhos.
Os olhos de Lizzy se encheram de lágrimas embora ela lutasse para não chorar. A gravidez a deixara extremamente sensível. Ela chorava por qualquer motivo, incapaz de conter a emoção que borbulhava em seu interior.
- Lizzy, eu nunca te achei tão linda como agora! O que posso fazer para provar a você que não tenho nada com a Sam? Já sei! Como não pensei antes. Bingley! Pergunte ao Charles, nós passamos o tempo inteiro juntos. Aliás, ele não parou de falar na Jane, de uns meses para cá o único assunto dele é sua irmã.
Poucas vezes Lizzy vira William tão transtornado. Ela não sabia se o nervosismo dele era decorrente de culpa ou se ele estava desesperado porque queria provar sua inocência. Antes que Lizzy pudesse detê-lo, William ligou pelo seu celular para Bingley.
- Bingley, preciso falar pessoalmente com você. Dá para você passar aqui em meu escritório agora, é um assunto urgente.
- William, por que chamou o Charles? – Lizzy perguntou depois que o marido desligou o telefone.
- Quero que ele esclareça a você que não houve nada entre mim e Samantha naquela festa. Não quero que paire nenhuma dúvida em sua cabeça. Faço questão que ele venha aqui e agora para que você não pense que combinei com ele, o que ele irá te contar. Nós já sofremos muito com mal entendidos, precisamos ser transparentes no nosso relacionamento.
- Por que você não me contou que encontrou com a Samantha nesta festa?
- Simplesmente porque não dei a menor importância ao fato. Eu me esqueci.
Bingley não demorou a chegar ao escritório de Darcy, certo que algo muito grave deveria estar acontecendo para o amigo chamá-lo no meio do expediente. Demonstrou surpresa ao encontrar Lizzy no escritório do amigo. Ouviu atentamente a explicação de Darcy que lhe mostrou a foto do jornal e o bilhete e disse num tom conciliador para Lizzy:
- Fique tranqüila, Lizzy. Fiquei ao lado de Darcy praticamente durante o tempo todo. Esta foto foi tirada quando a Samantha Clifford veio cumprimentá-lo, eu me afastei um pouco para não sair na foto, se soubesse que iria dar margem a este mal entendido eu não teria me afastado.
Lizzy estava tão envergonhada que mal conseguia olhar Charles nos olhos. Após confirmar a inocência do amigo. Bingley disse que precisava voltar correndo ao seu escritório porque um cliente o aguardava e saiu imediatamente.
- Lizzy, por que você está chorando agora?
- O que Charles deve estar pensando de mim! Que sou uma mulherzinha ciumenta e insegura. Que papel ridículo que fiz!
- Deixe o Charles pensar o que quiser. Ele sabe que você está grávida e que as mulheres grávidas tendem a ficar mais sensíveis. Vamos enxugar estas lágrimas. Espero que o Bingley tenha convencido você que não houve nada entre mim e a Sam. Tudo não passou de uma intriga deste tablóide sensacionalista e deste canalha, desgraçado que mandou esta correspondência maldosa.
- Quando vamos estar livres desta gente maldosa que quer nos separar?
- A nossa felicidade deve incomodar certas pessoas invejosas que não podem assistir a felicidade dos outros. A única forma de convivermos com isto será confiarmos um no outro e quando surgiu qualquer dúvida esclarecê-la imediatamente, como você fez hoje. Mas, sabe que adorei esta sua cena de ciúmes, é uma prova de que me ama e se importa comigo.
- Claro que me importo com você William, sempre me importei.
Lizzy não segurou mais as lágrimas que rolavam banhando seu rosto. William a tomou em seus braços, consolando-a, depositando beijos no seu rosto. Não demorou muito estarem se beijando apaixonadamente na boca.
- William, vamos parar a sua secretária pode entrar a qualquer momento e o que ela irá pensar de nós.
- Não estou preocupado com o que minha secretária possa pensar de nós, Sra. Darcy.
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Patricia Elizabeth Bennet Darcy nasceu numa madrugada de outubro após uma noite de trabalho de parto de sua mãe e espera angustiante de seu pai que faltou subir pelas paredes da sala de espera do hospital.
A menina herdou de sua mãe os traços delicados, os cabelos castanhos e de seu pai os olhos azuis, prometeu desde pequena que seria uma verdadeira beldade.
William se apaixonou pela filha, mas advertido por Lizzy procurava dividir sua atenção igualmente com Tony que ainda apresentava crises de ciúmes quando percebia que a atenção dos pais se voltava para a irmã.
Cada vez que Jane vinha visitar Lizzy. Tony não saía de perto, temeroso de que a tia pudesse levar embora a irmã.
- Tia Jane, você veio buscar a Tricia?
- Ainda não, ela é muito pequena, ela precisa mamar no peito de sua mãe para crescer forte e sadia. Só vou levá-la quando ela parar de mamar. Mas não precisa ficar preocupado, só vou levá-la quando você me der sua autorização. Está certo?
Quando Patricia completou seis meses e deixou de mamar no peito de Lizzy, Jane disse ao sobrinho:
- Tony, sua mãe me contou que a Patricia agora está comendo papinhas, sopinhas, então chegou a hora de eu levá-la para minha casa. O tio Charles está ansioso pela chegada dela.
- Tia , eu não quero mais que você leve minha irmãzinha. Prefiro que ela fique aqui em casa. Ela é muito pequena e precisa que a mamãe continue a cuidar dela até ela ficar bem grande. Depois eu estive pensando, você trabalha o dia inteiro, vai deixar minha irmã com a babá, não quero que uma estranha fique cuidando de minha irmã.
- Então você não quer que eu a leve? Agora fiquei chateada, pois estava certa de que iria levar a Patricia comigo hoje. – disse Jane com um sorriso, piscando para Lizzy.
- Tia Jane, por que você não arrumava um bebê para você da sua barriga como a mamãe fez. Peça para o tio Charles. Só que arrume um menino para eu poder brincar com ele.
- Está certo, Tony. Vou providenciar um bebê meu, só não posso garantir que seja um menino.
Tony não admitia a ninguém, mas havia se apaixonado pela irmãzinha.
Lizzy observara que Tony ao voltar da escola, corria para o quarto da irmã e quando ele achava que ninguém estava olhando beijava a irmã e ficava conversando com ela.
- Tricia, eu sou o seu irmãozinho Tony. Diga To...ny…To...ny! Como sou bobo, você é ainda muito pequena para falar. A mamãe disse que você ainda vai demorar um tempão para começar a falar. Eu quero que a primeira palavra que você falar seja meu nome. Você é a irmã mais linda do mundo e eu amo você. Não precisa ficar com medo. Eu não vou deixar ninguém levar você. Eu disse que ia dar você para a tia Jane, mas não vou não. Agora que vi que a mamãe e o papai não me deixaram de lado por sua causa, você pode ficar viu.
Patricia ria mostrando na boquinha seu primeiro e único dente. Ela parecia entender perfeitamente o falatório do irmão.
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