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Se eu a amasse menos, seria capaz de falar mais sobre o que eu sinto. (Jane Austen)

Os caminhos do amor - Capítulo 29

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Era 7:00 horas da manhã.

 

A Sra. Andrews estranhou o silêncio que reinava no apartamento enquanto preparava o café da manhã. Lembrou-se, então, que na noite anterior a patroa havia ido ao casamento de sua irmã. Ela deveria ter voltado tarde da festa e perdera a hora.

 

A empregada foi até o quarto de Tony e se apressou em acordar o sonolento menino.

 

- Vou acordar a mamãe, Sra. Andrews. – disse Tony correndo para o quarto de Lizzy  aonde entrou gritando:

 

- Mamãe... você esqueceu de me acordar... Vou perder a hora na escola. – de repente Tony surpreso percebeu a presença do pai. - Papai! Você dormiu aqui?

 

- Venha cá Tony. Olha, tenho uma notícia maravilhosa para você. Eu e a sua mãe fizemos as pazes.

 

- Por que vocês brigaram outra vez? Por que você está dormindo na cama com a mamãe?

 

- Eu e sua mãe vamos voltar a viver juntos. Vamos ser uma família de verdade, nós três.

 

- Tony, depois nós conversamos sobre tudo isto. Volte ao seu quarto e vá começando a tomar seu banho para não se atrasar mais ainda. Eu já vou lá te ajudar. – disse Lizzy que usara este expediente para encobrir sua nudez diante do filho. Assim que ele saiu, ela se levantou rapidamente, vestiu um penhoar e foi correndo aprontar o filho.

 

Tony precisou tomar o café da manhã às pressas, pois o chofer de Darcy chegou pontualmente na hora marcada para levá-lo à escola. Lizzy embrulhou correndo o restante do sanduíche que ele comia e mandou que ele terminasse de comer no carro a caminho para a escola.

 

Após, tomar o café da manhã com Lizzy, William fez questão de levá-la ao trabalho, antes de ir embora para sua casa.

 

- William, acho que você não entendeu minha proposta, ontem à noite. Eu não concordei em casar com você e nem de morar com você. Eu...

 

- Entendi perfeitamente. Você quer que a gente volte a namorar, nós vamos namorar e muito, mas eu não vou agüentar ficar vivendo longe de você, depois destes anos todos separados. O que nos impede de vivermos na mesma casa, dormirmos na mesma cama e namorarmos. E quando você quiser nós nos casamos novamente. O meu pedido de casamento fica em aberto, o dia que você resolver que mereço, que você voltou a confiar em mim, você me dá o sim e eu providencio imediatamente os papéis.

 

- Mas... não foi desta forma que pensei na nossa reconciliação. Acho melhor continuarmos em casas separadas até vermos se vai dar certo.

 

- Não tenho dúvida alguma que vai dar certo.  Eu gostaria que você e Tony mudassem hoje mesmo lá para casa.

 

- Não, William, eu não irei morar na sua casa por enquanto.  

 

- Está bem, então vou morar com você e Tony no apartamento. Só sei que não quero mais viver separado de você. Não vou deixá-la sozinha.

 

********************

 

A influência de Lizzy foi decisiva na aceitação do namoro entre Georgiana e Peter por William. Embora, este tenha imposto à irmã a condição de que ela aguardasse pelo menos uns seis meses, antes de firmar qualquer compromisso sério com o rapaz para que se conhecessem bem e ter certeza dos reais sentimentos de ambos.

 

Georgiana concordou com a condição de William. Mas não se havia passado um mês quando Lizzy recebeu um telefonema da ex-cunhada no ateliê.

 

- Lizzy, estou precisando me desabafar com você. Estou numa tremenda enrascada.

 

- O que houve Georgiana?

 

- Estou grávida!

 

- Grávida?!

 

- Eu e o Peter fomos descuidados e aconteceu.

 

- Você já contou para ele?

 

- Sim, ele está eufórico. Já me pediu em casamento e quer que nos casemos o mais rápido possível. O meu problema é o William. Lembra que ele concordou com meu namoro com Peter desde que namorássemos por um período de seis meses antes de assumir algum compromisso sério, pois ele achava que meus sentimentos pelo Peter eram superficiais e que logo eu me cansaria dele. Agora como vou dizer a ele que vou me casar às pressas porque estou grávida, não quero nem pensar na reação de William. Ele vai ficar furioso e achar que o Peter me engravidou para me obrigar a casar com ele.

 

- Georgiana, o William precisa entender que você não é mais uma criança e que tem condições de tomar suas próprias decisões sem a interferência dele. Você quer que eu fale com ele?

 

- Não, Lizzy, agradeço, mas como você mesma disse não sou mais uma criança e tenho que ser responsável por meus atos. Eu mesma vou enfrentar o leão, ainda bem que agora que vocês se reconciliaram ele parece um cordeiro, anda num bom humor que dá até gosto.

 

- Se você quiser, eu fico junto com você quando você for dar a notícia, assim qualquer problema, eu ajudo a acalmar William.

 

- Obrigada, Lizzy. Você é um amor, mas eu já combinei com o Peter e vamos dar a notícia juntos. O Peter vai aproveitar para pedir minha mão ao William, que afinal faz às vezes de meu pai. Reze por nós, Lizzy, para tudo dar certo.

 

- Vai dar tudo certo, Georgiana. E parabéns, estou muito feliz por você e Peter.

 

Naquela tarde, William ligou para Lizzy dizendo que Georgiana precisava conversar com ele, então ele iria primeiro para sua casa e chegaria mais tarde ao apartamento, onde ele praticamente passara a morar diante da recusa de Lizzy de ir viver na casa dele.

 

Lizzy, que sabia do teor da conversa que Georgiana teria com o irmão, aguardou ansiosa a chegada de William. Ele chegou com o cenho franzido o que a deixou ainda mais curiosa. Esperou que ele iniciasse o assunto, mas vendo-o calado e taciturno resolveu iniciar o assunto.

 

- Tudo bem com Georgiana?

 

- Ela está muito bem. Feliz da vida. Quem não está bem, sou eu?

 

- Por que William? O que houve?

 

- Você acredita que ela está grávida e vai se casar com Peter Ward. Não fez um mês que tive aquela conversa com ela sobre ela esperar um tempo para ter certeza dos sentimentos de Peter Ward por ela e eis o resultado... grávida! Nunca vi Georgiana agir tão irresponsavelmente.

 

- Eles estão apaixonados William e os apaixonados nem sempre são muito responsáveis. Uma criança é sempre uma benção.

 

- Benção quando é planejada. Não existe desculpa para esta gravidez, ainda mais ela sendo uma médica, deve saber perfeitamente os cuidados que deveria ter tomado.

 

- O Tony não foi planejado e, no entanto é uma benção, sempre foi e sempre será.

 

- Nós estávamos casados quando concebemos o Tony.

 

- Hoje em dia isto de estar casado ou não, não tem mais importância, William. Eles irão se casar, não é?

 

- Peter não seria louco de não querer casar com Georgiana nestas circunstâncias, eu iria arrastá-lo à igreja sob a mira de um revólver para ele cumprir sua obrigação. A culpa de Georgiana estar grávida é toda dele. Ele a engravidou propositalmente para forçá-la a se casar com ele. Aquele miserável não me engana.

 

- William, acho que você está sendo injusto com o Peter. Não coloque toda a culpa apenas nele. Eles fizerem este filho com mútuo consentimento, tanto ela como ele são responsáveis.

 

- Não gosto do jeito que você está sempre defendendo este Peter.

 

- Está com ciúmes Sr. Darcy?

 

- Sim, reconheço que tenho ciúmes deste cara em relação a você e a Georgiana. Primeiro ele tentou te conquistar quando viu que não conseguiu partiu para conquistar minha irmã. Se ele não fizer Georgiana feliz, ele irá se ver comigo.

 

- Tenho certeza de que Peter fará Georgiana muito feliz, ele é um homem muito bom. Quando você o conhecer melhor tenho certeza de que irá gostar dele, como eu gosto.

 

- Quem tem que gostar dele é a Georgiana e não você. Você tem que gostar de mim, amar só a mim, entendeu?

 

Lizzy sentou-se no colo de William passou seus braços em volta de seu pescoço e disse com um sorriso malicioso:

 

- Sr. Darcy, o senhor é um homem muito autoritário e possessivo. Mas, sabe que estou aprendendo não me incomodar e até a gostar deste seu jeito mandão e possessivo. Estou achando que isto é uma prova de seu amor por mim.

 

A iniciativa do beijo ardente que se seguiu foi de Lizzy. Ela aproximou sensualmente seus lábios entreabertos aos de William e mergulhou sua língua nos recessos da boca dele enquanto suas mãos acariciavam as faces ásperas da barba crescida de William. 

 

Toda a irritação que William sentia pela notícia dada por Georgiana desapareceu como por encanto. Sua irmã que fizesse o que bem entendesse de sua vida. Ele, William Darcy, tinha mais com que se preocupar do que ficar se importando com as estripulias de seus afoitos irmã e futuro cunhado.

 

******************************

 

Assim que Georgiana e Peter marcaram seu casamento para o início do mês de dezembro, William iniciou sua campanha junto a Lizzy para que eles voltassem a se casar imediatamente.

 

- Lizzy, eu gostaria que já estivéssemos legalmente casados por ocasião do casamento de Georgiana?

 

- Por que William? Não fez nem um mês que estamos juntos. Lembra que eu pedi um tempo? E que você concordou?

 

- Meu amor, no casamento de Georgiana eu gostaria de apresentá-la como minha esposa e gostaria também que você fosse a anfitriã da recepção.

 

- Posso ser a anfitriã sem necessariamente ser sua esposa. Hoje em dia ninguém mais liga para estas formalidades.

 

- Liga sim. Vamos ter entre os convidados pessoas mais idosas que não verão com bons olhos o fato de você ser a anfitriã da festa sem estarmos legalmente casados. Vai ficar estranho eu apresentá-la como minha namorada sendo que você é a mãe de meu filho.

 

- Diga apenas esta é a Srta. Elizabeth Bennet. Não tenho nada do que me envergonhar.

 

- Claro que não tem do que se envergonhar. Lizzy, por favor, vamos nos casar, aceitando meu pedido você fará a felicidade de duas pessoas, minha e a do Tony. Pensando melhor, de três pessoas.

 

- Três?

 

- Sim, esqueci da Sra. Bennet.

 

Lizzy não resistiu e caiu na gargalhada.

 

William se levantou do sofá onde estava sentado ao lado de Lizzy, se ajoelhou em frente a ela e disse solene:

 

- Elizabeth Bennet dê-me a honra de aceitar meu pedido de casamento? Prometo que desta vez não deixarei ninguém, nem nada atrapalhar a nossa felicidade.

 

- William, você é o exemplo típico da criatura mimada. Quer ver tudo resolvido segundo a sua vontade.

 

- Diga, meu amor que aceita o pedido de casamento deste homem mimado, cujo único desejo é tê-la novamente com sua esposa. Acho que este mês juntos, foi prova suficiente de que seremos muito felizes, para que vamos ficar perdendo tempo. Já desperdiçamos seis anos de nossas vidas, não vamos perder mais nenhum minuto.

 

- Está bem, William. Eu aceito.

 

William retirou do bolso de seu blazer uma caixinha de veludo negro com um belo anel de brilhante. Colocou-o no dedo de Lizzy, beijou-lhe a mão e disse-lhe solene:

 

- Prometo que você não irá se arrepender, meu amor, no que depender de mim farei de você uma mulher feliz.

 

Lizzy e William casaram-se pela segunda vez numa cinzenta e fria tarde de novembro em Londres, no registro civil mais próximo da residência de Darcy. À cerimônia estiveram presentes apenas Jane e Charles Bingley que serviram de testemunhas.

 

Os noivos não cabiam em si de felicidade, apesar da simplicidade da cerimônia. Após tantos desentendimentos e sofrimentos finalmente haviam conseguido acertar suas diferenças e vislumbravam um futuro de amor e harmonia.


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**********************

 

O casamento de Georgiana Darcy e Peter Ward se realizou numa manhã fria no início de dezembro em Lambton, a cidadezinha próxima a Pemberley. A singela e histórica igreja de pedra ficou totalmente lotada de convidados que vieram de Londres para assistir à cerimônia oficiada pelo pastor local.

 

A barriga de Georgiana já anunciava a gravidez, habilmente camuflada por um lindo vestido de veludo branco, estilo império, de cintura alta que escondia o ligeiro arredondado que anunciava o início de uma nova vida.

 

O sorriso de felicidade iluminava o rosto meigo e delicado de Georgiana. Ela era o exemplo da noiva feliz. Entrou na igreja distribuindo sorrisos pelo braço de seu elegante e belo irmão, este sim com ar compenetrado e sério.

 

No altar, o noivo a aguardava ansioso e emocionado.

 

Tony foi novamente encarregado de levar as alianças dos noivos, embora desta vez os protestos tenham sido mais veementes que da primeira. Foi Lizzy, após muita persuasão, que conseguiu fazê-lo aceitar esta missão tão pouco condizente com sua condição de menino.

 

- Tony, você terá que levar as alianças para sua tia Georgiana. Ela ficará muito chateada se você se negar, afinal no mês passado você levou as alianças para sua tia Jane. Ela vai achar que você não gosta dela tanto quanto gosta de Jane. Você não gosta das duas tias igualmente?

 

- Sim, gosto... Então, que esta seja a última vez que carrego alianças, quando minhas outras tias se casarem, elas que escolham outra criança de preferência uma menina, isto é coisa para meninas, mamãe. Vão pensar que sou um maricas.

 

- Quem te disse isto?

 

- Foi o papai.

 

Lizzy teve vontade de esganar William naquela hora. Era influenciado pelo pai que Tony estava com estas idéias machistas.

 

Apesar dos esforços tanto de Georgiana como de Lizzy, William continuava a não ver com bons olhos o futuro cunhado. William não fazia o menor esforço para ser simpático com Peter, tratava-o educadamente, mas de forma seca, não se preocupando em estabelecer uma relação cordial entre eles.

 

Lizzy percebeu que quanto mais ela defendia Peter, a antipatia de William por ele parecia aumentar. Decidiu, então que o melhor seria se calar e deixar que o tempo provasse a William que ele estava errado no mau juízo que fazia do futuro cunhado.

 

Após a cerimônia religiosa, um almoço foi oferecido para os convidados em Pemberley. Tudo havia sido preparado com bastante requinte e capricho pela Sra. Reynolds, a governanta e por Lizzy que viera uma semana antes da data do casamento para coordenar os preparativos.

 

O tempo frio não permitiu um almoço ao ar livre nos maravilhosos jardins de Pemberley, mas nos imensos e suntuosos salões da mansão os convidados puderam circular confortavelmente aquecidos pelo calor emanado pelo fogo das imensas lareiras.

 

Lizzy, no papel de anfitriã, à princípio estava muito nervosa e apreensiva, preocupada para que tudo corresse bem, mas ela teve durante o tempo todo a presença e o apoio de William, que a surpreendeu mostrando que quando queria sabia ser um anfitrião perfeito, atencioso e cortês.

 

Não houve nenhum senão no almoço, todos os convidados saíram encantados, elogiando muito a recepção e a acolhida simpática que tiveram em Pemberley pelo senhor e senhora Darcy.

 

Os noivos partiram felizes no meio da tarde a Londres, onde tomariam o avião que os levaria para a lua de mel em Chamonix nos Alpes franceses para uma curta estada, pois ambos tinham obrigações profissionais que não os permitia ficar muito tempo afastados.


 


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