Nota da autora: Este conto foi escrito em homenagem ao aniversário do Matthew Mac Fayden. Coloquei nomes fictícios nas meninas membros da comunidade porque eu teria que escolher apenas 6 nomes e achei que poderia magoar aquelas que não foram escolhidas, sintam-se todas representadas e homenageadas nas personagens que criei.
Há alguns anos fazíamos parte da comunidade do Orkut, Orgulho e Preconceito – fanfics, nos tornamos amigas, embora a maioria só se conhecesse apenas virtualmente, através de troca de mensagens, emails e conversas pelo MSN.
A ideia de uma viagem para a Inglaterra sempre foi o grande sonho de todas nós, mas tudo não passava de um sonho. As dificuldades para a concretização dele eram inúmeras: problemas familiares e profissionais para deixar o Brasil por uma semana, a falta de tempo, conciliar a época certa para que o grupo pudesse viajar junto e principalmente a questão do dinheiro, pois era uma viagem cara e nem todas tinham condições de arcar com estas despesas.
Um belo dia, entretanto, ajudadas pelas poderosas mãos do destino, da nossa obstinação e da sorte, a viagem dos sonhos se concretizou para seis das meninas da comunidade.
Heloisa, que trabalhava numa agência de viagens do Rio, conseguiu descontos nas passagens de avião e num hotel em Londres, desde que o grupo fosse superior a cinco pessoas.
Após intensas tratativas, algumas desistências chorosas, seis meninas confirmaram a viagem: Telma de Fortaleza, Luísa do Recife, Helô do Rio, Ana de São Paulo, Célia de Belo Horizonte e Marisa de Porto Alegre.
Numa noite de setembro, as meninas se encontraram pessoalmente pela primeira vez dentro do avião da TAM, que as levaria até Londres para realizarem a viagem dos sonhos.
Helô, a agente de turismo, esperta e cheia de expediente, havia reservado acentos na classe econômica do avião próximas uma das outras e aos pares, a fim de que o entrosamento do grupo começasse no próprio vôo.
Foi um momento de imensa alegria o encontro do grupo que se conhecia apenas pelas fotos do Orkut, fizeram alguma algazarra despertando os olhares condescendentes dos passageiros ao redor.
A viagem de avião foi tranqüila, no início em clima de confraternização, mas após o jantar servido a bordo, todas dormiram cansadas pela excitação e ansiedade decorrentes dos preparativos da viagem.
Quando chegaram a Londres na tarde do dia seguinte, Helô que havia organizado a viagem e já havia visitado duas vezes a cidade, se tornou a guia natural delas.
Passariam, segundo a programação, 3 dias em Londres conhecendo seus principais pontos turísticos, depois iriam para o Hampshire, a 80 km. ao sul de Londres, em Chawton, conhecer a casa que foi a última morada de Jane Austen, agora transformada em museu. Ali ela escreveu “Mansfield Park”, “Emma” e “Persuasão” e revisou os manuscritos de “Razão de Sensibilidade”, “Orgulho e Preconceito” e “Northanger Abbey”.
Na última etapa da viagem iriam até o Derbyshire, visitar Chatsworth, a magnífica mansão pertencente aos Duques de Devonshire, que serviu de cenário para Pemberley.

Embora Derbyshire ficasse distante de Londres, o grupo havia decidido ainda no Brasil que o sacrifício valeria a pena, pois a viagem ficaria incompleta se não conhecessem este lugar que diziam a própria Jane conhecera e na qual ambientara a residência de campo do Sr. Darcy.Tanto no filme de 2005, como na série da BBC de 1995, Chatsworth havia sido usada como cenário de Pemberley.
As meninas passaram o dia ali, passeando por seus maravilhosos salões e jardins e cada uma fez questão de tirar fotos ao lado do busto em mármore do ator Matthew MacFayden caracterizado de Mr. Darcy exposto em destaque na galeria de esculturas da mansão.
Ao final do dia retornaram a Londres de trem para economizar a estadia do hotel e ganhar tempo. Ninguém reclamou do incômodo da viagem, embaladas pelo encanto que havia sido o passeio a Pemberley.
Chegara, finalmente, o último dia da viagem.
Na noite daquele dia voltariam para o Brasil levando na bagagem souvenirs de viagem, pequenos presentes para amigos e parentes e as lembranças inesquecíveis dos lugares que conheceram e principalmente das amizades que estreitaram durante a viagem.
Havia sido uma viagem onde reinara a amizade e a harmonia, apesar das diferenças individuais, de idade e personalidade. Quando surgiam pequenos desentendimentos próprios de um convívio íntimo, elas mesmas procuravam acalmar os ânimos e a paz voltava a reinar no grupo.
O grupo já havia entregado os dois quartos que ocupavam no hotel e colocado a bagagem no guarda-malas do hotel até a hora que iriam embora para o aeroporto.
- Meninas, ainda temos algum tempo até a hora de irmos para o aeroporto. O que sugerem para aproveitarmos nossas últimas horas em Londres?
- Eu sugiro um bom almoço, pois estou morta de fome. – disse Telma e as demais concordaram com ela.
- Que tal irmos num restaurante melhor para fechar com chave de ouro nosso último dia aqui. – disse Helô.
- Desde que não seja um restaurante muito... muito caro. Eu concordo, pois já gastei quase todo o meu dinheiro e estourei meu cartão de crédito.
As demais concordaram.
- Pois conheço um restaurante bem ajeitado, simpático, com ótima comida, que apenas os ingleses costumam freqüentar perto daqui. É um pouco mais caro que os locais onde comemos, mas acho que vale a pena para comemorarmos nossa despedida.
- Tudo bem, Helô. Vamos lá. Só Deus sabe quando vamos poder nos reunir novamente. Vamos comemorar.
O restaurante era tudo aquilo que Helô havia dito, as paredes revestidas de lambris de madeira dava ao ambiente pequeno um ar acolhedor.
- Meninas, olhem naquela mesa à direita aqueles dois homens conversando. Aquele ali não é o MM.
- Pelo amor de Deus, Telma, nesta viagem este é o décimo cara que você acha que é o MM. – retrucou Célia.
- Quero ser um mico de circo se não é ele. Gente, ele olhou para cá. É ele! – disse Telma levantando-se da mesa abruptamente e indo em direção à mesa ocupada pelos dois homens antes que alguma das outras meninas tivesse tempo de detê-la.
- Esta Telma é louca. Meu Deus, que vexame!
- Gente, não é que o cara parece mesmo o MM.
- O que será que a Telma está falando com ele? Ela que mal fala algumas palavras em inglês.
- Sei lá! Caramba, ele levantou e vem vindo para cá com a Telma. – disse Marisa.
- Gente, vou me enfiar em baixo da mesa de vergonha. – disse Ana a mais tímida de todas.
- Meninas, eu não disse que era ele. Eis o MM ao vivo e a cores. – exclamou Telma orgulhosa tendo ao lado dela um Matthew sorridente.
Helô, que falava inglês fluentemente, cumprimentou Matthew se apresentando e apresentando cada uma das meninas do grupo. Ela explicou a ele que eram fãs de Orgulho & Preconceito e que nesta viagem haviam visitado o Museu de Jane Austen em Chawton no Hampshire e haviam ido a Chatsworth, no Derbyshire.
Matthew muito simpático disse que ficava satisfeito de saber que tinha um grupo tão grande de fãs no Brasil. Ele tirou várias fotos com as meninas, em grupo e com cada uma individualmente e deu autógrafos mostrando uma simpatia e delicadeza que encantou a todas, deixando cada uma delas um pouco mais apaixonada por ele.
Depois que saíram do restaurante felizes e realizadas, pois a viagem dos sonhos se tornara completa após o encontro com o MM. Luísa perguntou a Telma como ela que não falava inglês havia se feito entender por ele.
- Cheguei perto dele e disse: Me Telma, you Mr. Darcy. I’m your fan. My friends your fans. We are brazilians.
- Meu Deus, que vexame! – exclamou Ana.
Estavam todas atônitas com a coragem de Telma, a mais atirada do grupo.
- Vexame nenhum Ana. Ele me entendeu perfeitamente tanto que veio conversar com a gente. Graças a minha cara de pau. Vocês estão me devendo esta. Agora vão voltar para o Brasil com fotos e autógrafos, vão contar vantagem e devem isto a mim.
O grupo caiu na gargalhada, todas falavam ao mesmo tempo fazendo a maior algazarra naquela tranqüila rua londrina.
Fim
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