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Felicidade no casamento e meramente questão de sorte. (Jane Austen)

Notting Hill - uma fanfic - Capítulo 5

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Após alguns instantes de estranho silêncio em que ficamos olhando um ao outro sem nada dizer. Eu sem entender o porquê daquela aparição inusitada e ele certamente procurando se acalmar e tentar encontrar a melhor forma de explicar o quê o trouxera de volta a minha casa.

 

- Aquela moça que você viu no meu quarto foi minha namorada. Ficamos juntos durante uns dois meses mais ou menos, não foi nada sério, nem sei explicar porque fiquei com ela, pois não havia nada em comum entre nós, talvez apenas atração física. Nós já havíamos terminado o relacionamento quando vim para Londres.

 

- Olhe William, você não me deve explicação alguma de sua vida pessoal.

 

- Devo sim, quero que você entenda o que está acontecendo. Pois bem, ela fez aquilo que nunca imaginei que uma mulher decente tivesse coragem de fazer... gravou sem que eu soubesse cenas de nossa intimidade. Ela veio a Londres para me chantagear. Ameaçou tornar a gravação pública se eu não voltasse para ela. Eu não aceitei, jamais ficaria com alguém coagido por uma chantagem desta natureza. Ela, então, entrou em contato com um tablóide e vendeu o filme. Caroline é muito esperta e percebeu que o dano a minha imagem seria maior aqui na Inglaterra por ser minha terra natal e porque a imprensa aqui está sempre ávida para saber este tipo de fofoca sobre mim.

 

- Eu nem sei o que dizer...

 

- O escândalo estourou. Está em todas as revistas e jornais. Eu não sabia para onde ir. O hotel está cercado. Pensei em buscar refúgio na casa de meus pais, mas minha mãe me avisou que lá também já havia um batalhão de fotógrafos. Meu pai tem problemas sérios de saúde e sei que se fosse para lá, eu poderia agravá-los, pois ele detesta escândalos envolvendo nossa família. O único lugar que me ocorreu foi vir para cá.

 

- Você fez bem de vir. Ninguém irá procurá-lo aqui.

 

- Obrigado. Sinto muito pelo que aconteceu no hotel. Caroline chegou de surpresa. Eu nunca imaginei que ela viria atrás de mim aqui na Inglaterra, como já te disse nós havíamos terminado nosso relacionamento há algum tempo.

 

- Nem todos têm a sorte de retirar pratos sujos de um astro de Hollywood. Posso afirmar que foi algo... diferente. – ironizei.

 

- Não queira amenizar a situação. Senti-me muito mal ao vê-la ir embora daquele jeito. Não me perdôo por tê-la feito passar por aquilo.

 

- Tudo bem, afinal não foi tua culpa. Estas situações inesperadas podem acontecer.

 

- Mas não precisava ter acontecido justo naquela noite... Tenho pensado muito em você, este teu jeito franco e direto me encantou... mas, sempre que tentei ter uma relação normal com alguém, o normal resultou em desastre. Confesso que tenho medo de me envolver seriamente com alguém.

 

Meu pobre coração fragilizado batia furioso dentro do peito. Eu não estava preparada para a presença de William Darcy novamente em minha casa e muito menos para ouvir uma declaração destas. O que ele estaria querendo dizer com ela?

 

- E você e o amor?

 

- Bem, esta é uma pergunta sem uma resposta interessante. – respondi laconicamente procurando encerrar o assunto da conversa que estava tomando rumos perigosos. Depois do que havia acontecido, eu não via possibilidade alguma de engrenarmos qualquer relacionamento entre nós e por isso não valia a pena contar a ele os meus fracassos amorosos.

 

- Bem, venha me fazer companhia na cozinha enquanto preparo o café da manhã. Eu ainda não tomei e você?

 

- Não, ainda não tomei. Você mora sozinha aqui?

 

- Não, moro com uma amiga, Charlotte, que você conheceu no jantar na casa de meus pais. Lembra-se dela? A namorada do Collins? Dividimos o aluguel e as despesas. Ela não está, costuma passar os fins de semana com o namorado.

 

- Você abre a livraria aos domingos?

 

- Não, não abro. É o nosso único dia de folga, meu e de Mary.

 

- Não quero atrapalhar o seu domingo se já tiver algo programado. Posso ficar sozinho aqui, se você não se incomodar. Eu trouxe o roteiro de meu próximo filme e estou precisando decorar minhas falas. Começo a filmar na próxima quarta em L.A.

 

- Não, não irá me atrapalhar, não tinha nada programado para hoje, apenas descansar. - Se quiser posso passar o texto com você?

 

- Você faria isto comigo? Seria ótimo.

 

Ficamos uma boa parte da manhã passando as falas de William no roteiro. Era incrível como qualquer tarefa parecia agradável na companhia dele, simplesmente estar em sua companhia era agradável.

 

- O que acha do roteiro do filme?

 

- Bem, não é Jane Austen, nem Henry James, mas é bom.

 

- Tenho muita vontade de voltar a fazer um filme de época baseado em algum grande autor inglês e é óbvio teria que ser filmado aqui onde os cenários e a ambientação são perfeitos para isto.

 

Estávamos na sala quando uma gravura com a reprodução do quadro “A noiva”, do pintor russo Marc Chagall, pendurado na parede chamou a atenção de William.

 

- Não acredito que você tenha a gravura deste quadro. Chagall é um dos meus pintores favoritos. Você gosta dele também?

 

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- Gosto.

 

- É como o amor deveria ser, flutuando num céu azul com um bode tocando violino. – comentou William perdido na contemplação de minha gravura.

 

- Sim! Felicidade é inconcebível sem um bode violonista. – ironizei.

 

O domingo passou voando, só me dei conta de que já anoitecia quando Charlotte voltou da casa de Collins.

 

- Bem, Lizzy, já que você está muito bem acompanhada vou voltar ao apartamento de Collins, não quero atrapalhar o romance de vocês.

 

- Não seja tola Charlotte, você não está atrapalhando romance algum.

 

- Não nasci ontem e sei muito bem quando vou atrapalhar. E se existe alguém no mundo que torce para que você seja feliz no amor, sou eu. Vá em frente, amiga.

 

Charlotte pegou as roupas com que iria trabalhar no dia seguinte e quando se despediu de mim ainda me deu um último conselho:

 

- Lizzy não seja boba, eu sei que você está apaixonada por ele. Aproveite a oportunidade, não é todo dia que um homem como William Darcy vem bater à nossa porta. - disse Charlotte piscando um olho com um sorriso malicioso no rosto ao ir embora.

 

Se William estranhou o fato de Charlotte chegar e sair em seguida nada comentou. À noite pedimos pizza para o jantar e continuamos nossas conversas que pareciam não ter fim.

 

- Há muito tempo que eu não tinha um dia assim, calmo e agradável. O que diante das circunstâncias foi inesperado.

 

- Eu também gostei que você tivesse vindo. Foi um domingo muito agradável. Bem, é hora de ir para a cama. Eu troquei os lençóis de minha cama, você pode dormir no meu quarto que é mais espaçoso e eu durmo no de Charlotte. Boa noite, então.

 

– Boa noite. William se aproximou de mim e me deu um beijo no rosto e quando pensei que ele iria se afastar me segurou pelos braços com firmeza e disse: -- Quer mesmo dormir no quarto de Charlotte? Não quer dividir tua cama comigo? Eu gostaria muito.

 

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Santo Deus! O que responder a uma pergunta tão direta senão dar também uma resposta direta.

 

- Sim.

 

Minha resposta afirmativa foi o aval para que carícias e beijos começassem e se sucedessem cada vez mais sensuais no calor da paixão que nos incendiava.

 

Foi uma noite mágica. A perfeita sincronia de nossos corpos na ancestral dança do amor entre homem e mulher.

 

Quando abri meus olhos pela manhã a primeira visão que tive foi a dos olhos azuis de William me fitando. Poderia haver uma visão mais divina?

 

- Parece surreal ter você aqui ao meu lado pela manhã. – William disse com uma voz rouca de quem acabava de acordar.

 

- Surreal como tudo que houve entre nós. – tive que concordar.

 

William me puxou para seus braços e nos amamos novamente com a mesma paixão da noite anterior. Haverá algo mais sublime do que fazer amor com a pessoa que amamos?

 

- Posso ficar mais um pouco? – William me perguntou muito tempo depois, enquanto eu vestia meu roupão para ir preparar nosso café da manhã.

 

- Pode ficar para sempre se quiser. – respondi saindo do quarto.

 

Liguei para Mary avisando que eu iria me atrasar. Afinal eu não iria deixar de viver estes momentos únicos de minha vida se ela podia perfeitamente cuidar da livraria numa manhã de segunda-feira que costumava ser sempre de movimento fraco.

 

Eu já estava com o café quase pronto quando William desceu usando apenas uma cueca tipo boxer. Ele parecia que ficava ainda mais belo em traje tão sumário. Foi neste instante que a campainha da porta soou.

 

- Quer que eu atenda a porta? – disse William vendo-me atarefada preparando o café.

 

- Pode deixar. Só pode ser Charlotte que deve ter vindo buscar alguma coisa que esqueceu, ela também deve ter esquecido a chave para tocar a campainha. – e me apressei em ir atender à porta.

 

Qual não foi minha surpresa ao abrir a porta e me deparar com um batalhão de fotógrafos na calçada. As luzes de dezenas de flashes me cegaram por instantes enquanto eu ouvia a gritaria dos repórteres fazendo perguntas. Fiquei sem ação diante da situação totalmente inesperada e desconhecida para mim. Que diabos estava acontecendo?

 

- William, não era Charlotte. Eu não sei o que está acontecendo!

 

- O que está acontecendo?

 

E antes que eu pudesse explicar ou mesmo impedir que William abrisse a porta, ele a abriu e foi fotografado vestido apenas com sua cueca boxer de seda.

 

Após fechar a porta rapidamente, ele gritou sem esconder seu nervosismo:

 

- Meu Deus, isto não pode estar acontecendo! Como eles souberam que estou aqui?

 

- Não sei, não faço a menor ideia.

 

- Eu sei. Sua amiga Charlotte quis faturar algum dinheiro e informou os jornais.

 

- Não é verdade. Charlotte jamais faria uma coisa destas.

 

- Você há de convir que alguém bateu com a língua nos dentes. A imprensa não iria adivinhar que eu estou na casa de porta azul em Notting Hill.

 

- Sinto muito. Não sei como isto foi acontecer.

 

- Que confusão inacreditável! Vim para cá procurando proteção contra o escândalo que Caroline armou para mim e agora tudo ficou pior. Amanhã nossas fotos estarão nos jornais daqui e do resto do mundo.

 

- William, vamos nos acalmar.

 

- É a situação perfeita para você, não? Publicidade de graça. Quem sabe este escândalo não irá melhorar os teus negócios? Quem sabe as pessoas corram para comprar livros da namorada de William Darcy?

 

- Pare William! Por favor, pare! Você está me ofendendo com suas afirmações infundadas e maldosas. Tente ficar calmo para podermos conversar como duas pessoas razoáveis.

 

- Não tenho como ficar calmo numa situação destas. Quem foi que avisou os jornais?

 

- Não faço a menor idéia de quem avisou os jornais.

 

- Só duas pessoas sabiam da minha presença aqui: você e tua amiga Charlotte. Sei que não foi você, só pode ter sido tua amiga.

 

- Não admito que você duvide de Charlotte. Eu a conheço desde que éramos meninas e ponho minha mão no fogo por ela. Ela é uma pessoa íntegra e jamais faria uma coisa destas.

 

- Se não foi nem você nem ela. Quem foi então? Os repórteres não têm bola de cristal para adivinhar que eu estou aqui. Alguém avisou os jornais.

 

- Não faço a menor ideia de quem foi, mas afirmo que não fui eu,  nem Charlotte.

 

- Pois eu ainda acho que foi tua amiga. Saiba que ela deve ter ganhado um bom dinheiro com esta informação, a imprensa paga muito bem por estes “furos” jornalísticos. Ela te deve um jantar num restaurante sofisticado ou até mesmo umas boas férias, se ela soube barganhar bem ao dar a informação.

 

- Continuo afirmando que não foi Charlotte. E quer saber acho que você está fazendo uma tempestade em copo d’água. Vamos nos acalmar e pensar racionalmente no que está acontecendo. Com tanta desgraça acontecendo no mundo, isto que aconteceu aqui agora é uma bobagem. Só peço que você veja tudo isto sob uma perspectiva normal.

 

- Eu lido com esse lixo há 10 anos. Você só há 10 minutos. Nossas perspectivas são diferentes. Você não faz ideia como fico fora de mim quando vejo meu nome ligado a escândalos pessoais e não ao meu trabalho como ator.

 

- É louvável que você leve tua profissão de ator tão a sério, mas pense, William, é só hoje, amanhã os jornais de hoje estarão forrando lixeiras. Todos terão esquecido e os jornais estarão à cata de outras notícias sensacionalistas.

 

- Você não entendeu o que irá acontecer. A história ficará arquivada. Toda vez que escreverem algo sobre mim vão desencavar estas fotos. Elas são eternas. Os jornais duram para sempre. Vou lamentar ter vindo aqui para sempre. Quero ir embora.

 

Senti um baque no coração diante destas palavras, mas consegui me controlar e manter a serenidade em um momento tão difícil.

 

- Certo. Sinto que você pense desta forma porque eu vou sentir justamente o oposto que você. Sempre ficarei feliz por você ter vindo, terei sempre as bonitas lembranças do que vivemos. Mas você tem razão. É melhor você ir embora desta vez para sempre.

 

William Darcy ligou para seu agente explicando a situação e pedindo que ele viesse buscá-lo. Não demorou muito e eu o vi sair de minha casa driblando um batalhão de fotógrafos acompanhado por seu agente e rodeado de vários seguranças que vieram protegê-lo.

 

Novamente ele foi embora da minha vida da mesma forma que chegara de repente. Eu tinha a impressão de que tudo que havia acontecido entre nós não passara de um sonho. Surreal, mas encantador, apesar dos pesares.

 

Todo aquele episódio me fez refletir sobre a fragilidade das relações humanas. Ele revelou que os sentimentos de William por mim eram fracos, apesar dos momentos maravilhosos que havíamos vivido juntos, não haviam resistido a uma pequena prova de confiança. Tudo desmoronara facilmente como um castelo feito de cartas.

 

Alguns dias depois conversando com Charlotte, eu contei a ela sobre a desconfiança de Darcy, de que fora ela quem contara aos jornais sobre o paradeiro dele em nossa casa.

 

- Lizzy, eu jamais faria uma coisa destas. Mas quando voltei para a casa de Collins no domingo, fomos comer alguma coisa num pub. Lá encontramos alguns conhecidos e surgiu o assunto do escândalo envolvendo Darcy, Collins comentou que ele era seu namorado e que estava escondido aqui em nossa casa. Só pode ter sido uma destas pessoas que informou os jornais. Você sabe que Collins tem a língua solta, não costuma pensar antes de falar, mas ele jamais faria uma coisa destas de vender a informação aos jornais.

 

Estava esclarecido o mistério. Eu nem conhecia quem havia lucrado com a informação, portanto não teria como cobrar o jantar caro ou mesmo umas férias como William sugerira ironicamente. Mas nada disto tinha mais importância. Agora só me restava esquecer, apagar de minha memória que um dia eu tive um romance com William Darcy.

 

******************

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Seis meses se passaram.

 

A dor devastadora que senti no início foi passando, mas as lembranças do curto período em que convivi com William se recusavam a se apagar de minha memória, elas vinham me atormentar a qualquer hora, os beijos trocados, trechos de nossas conversas, a camaradagem daquele dia de domingo, nossos momentos de amor.

 

Jane e Charles não desistiram de sua campanha de me arrumar um substituto para William Darcy. Eles continuaram empenhados em me apresentar todos os possíveis candidatos a meu futuro namorado, eu me submeti passivamente a inúmeros jantares na casa deles, nenhum dos candidatos me agradou, mas confesso que me comovia o empenho deles para que eu tirasse de minha cabeça e do meu coração alguém tão impossível como um astro de Hollywood.

 

Charlotte e Collins ficaram se sentindo culpados com o fim de meu romance e num final de tarde, quando eu não esperava, eles vieram a minha livraria me entregar algo que no entender deles seria uma forma de consertar a situação.

 

- Aqui neste pequeno papel está o pedido de perdão de Collins pela falta que cometeu revelando o paradeiro de Darcy quando ele estava lá em casa.

 

- O que é isto Charlotte?

 

- O telefone do agente de William Darcy em Londres e em Nova York. Sei que você pensa nele o tempo todo, pois agora poderá ligar para ele. E quem sabe poderão se reconciliar. Collins teve muito trabalho em conseguir estes números.

 

Agradeci aquele gesto que me comoveu, mas depois que eles saíram joguei o papel com os números dos telefones no lixo. Não havia sentido algum em procurar Darcy, afinal tudo entre nós estava terminado.

 

*********************

 

Minha família estava comemorando o aniversário de Mary num ruidoso almoço de domingo em casa de meus pais. Já estávamos na sobremesa quando a aniversariante começou a falar:

 

- Gostaria de agradecer a presença de todos vocês e fazer um comunicado, trata-se de uma excelente notícia pelo menos para mim: uma editora aceitou publicar o meu primeiro romance. Estou prestes a me tornar uma escritora com livro publicado.

 

Todos nós aplaudimos, ficamos felizes por Mary e levantamos um brinde em sua homenagem.

 

- Mary, que este seja o primeiro de muitos best sellers que virão!

 

- Nós também gostaríamos de fazer um anúncio. – disse Jane. - Charles e eu vamos ter nosso segundo filho, esperamos que desta vez seja uma linda menina, mas se for outro menino será amado da mesma forma que nosso Kevin.

 

- Que minha filhinha seja o retrato de sua linda mamãe! – disse Charles que nunca perdia oportunidade de ser galante com Jane, de quem era um eterno apaixonado.

 

Levantamos outro brinde. Quando Charlotte pediu a palavra:

 

- Já que a tarde é de anúncios felizes quero comunicar a todos que Collins finalmente criou coragem e me pediu em casamento, estamos noivos. Fizemos um acordo para terminarmos para sempre com nossas brigas e tornarmos o casal mais feliz do mundo. Nosso casamento será no final do ano.

 

- Vou encerrar os comunicados felizes de hoje, pedindo desculpas a todos pelo meu mau comportamento nos últimos meses. Tenho andado, como todos sabem, meio deprimida. – eu disse.

 

- Que modesta! Há mortos em melhor forma. – ironizou Lydia.

 

- Quero esclarecer que superei a crise e que pretendo ser incrivelmente feliz daqui para frente. Coloquei uma pedra bem grande no passado e só olharei para meu presente e para meu futuro que espero seja luminoso.

 

Mais tarde, quando eu e Jane estávamos na cozinha, lavando e enxugando as louças para não deixar a tarefa para nossa mãe, ela me perguntou:

 

- Então você enterrou o fantasma.

 

- Sim. Acho que sim.

 

- Não liga mais a mínima para William Darcy?

 

- Creio que não.

 

- Então não vai ligar em saber que ele está em Londres com o Oscar que recebeu este ano. Ele está rodando um filme de época em Hampstead Heath(*).

 

(*)Hampstead Heath –  conhecido pelos londrinos como “The heath” é um imenso parque público no ponto mais alto de Londres.

 

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- Meu Deus, não! – Meu pobre coração deu um salto e começou a bater furioso dentro do peito.

 

- Você não o esqueceu. – concluiu Jane não escondendo seu arrependimento por ter me dado a informação

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