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Não é uma incivilidade generalizada a verdadeira essência do amor? (Jane Austen)

Frank Darcy - Capítulo 1

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alt         Capítulo 1

 

Nada havia preparado Frank Darcy para os acontecimentos daquele dia inusitado em Pemberley.

 

Como era seu hábito, Frank levantou-se de manhã bem cedo. O dia mal começava a clarear, seus pais ainda dormiam e apenas os criados já começavam o trabalho do dia. Dirigiu-se ao estábulo, onde ele mesmo selou seu cavalo e saiu para sua cavalgada pelas terras de sua família.

 

Frank adquirira este hábito na adolescência, desde quando lhe fora permitido cavalgar sozinho. Só voltava para tomar o café da manhã quando o dia havia clareado. Esta cavalgada matinal tinha o poder de encher seu corpo de energia para os trabalhos do dia.

 

Aquela manhã ele tinha um objetivo no seu passeio, iria até a cabana de caça que ficava além dos limites do parque, já na floresta que também fazia parte da propriedade para verificar em que estado ela se encontrava.

 

Esta cabana de caça era uma construção feita de pedra com telhado de colmo, muito antiga, talvez do tempo de seu bisavô e servira de residência para o guarda da floresta, função atualmente extinta. A sólida construção de pedra se conservou através do tempo e o telhado era trocado periodicamente. Ela agora servia de base para os caçadores na temporada de caça e de abrigo se alguém eventualmente fosse pego nas proximidades durante uma chuva ou tempestade de neve.

 

Logo começaria a temporada de caça e como hábito todos os anos, alguns amigos de seu pai viriam para caçar e desfrutar das belezas de Pemberley no outono. O pai pedira a Frank que fizesse uma inspeção na cabana para ver se havia lenha cortada para a lareira, fósforos e cobertores. O Sr. Darcy e seus amigos gostavam de fazer a pausa do almoço durante as caçadas ali, comendo os lanches que a cozinheira preparara abrigados do frio, desfrutando o calor da lareira e conversando animadamente.

 

Ao se aproximar da cabana, Frank percebeu que estranhamente a porta estava entreaberta. Ela normalmente permanecia fechada para evitar a entrada de animais silvestres como lobos e raposas que poderiam usar a cabana como abrigo. Mas ela não era trancada para permitir acesso caso alguém precisasse de abrigo.

 

Frank não estava armado, achou melhor arrumar um longo galho de árvore que serviria de proteção no caso de um eventual ataque do animal que iria se sentir acuado e defenderia com unhas e dentes o que considerava seu território. Porém, ao descer do cavalo e enquanto o amarrava ao tronco de árvore que servia de coluna do alpendre da cabana, ouviu sons vindos do interior da cabana.

 

Pareciam gemidos humanos.

 

Gemidos de dor de uma mulher.

 

Frank aproximou-se cautelosamente da porta entreaberta e espiou o interior da pequena cabana, percebeu que havia alguém deitado no estreito catre existente. Ele ficou parado na soleira da porta esperando que a vista se acostumasse à penumbra do aposento.

 

Sim, havia uma mulher deitada no catre no canto oposto à porta. Este catre havia sido colocado para a eventualidade de algum caçador poder dormir ali caso necessitasse passar a noite na cabana.

 

A mulher contorcia seu corpo de dor enquanto seus gemidos não cessavam. Frank entrou na cabana, deixando a porta bem aberta de forma a permitir a entrada da luz e se aproximou com passos largos em direção a mulher.

 

Era uma jovem que ao vê-lo, olhou-o aterrorizada, soltou um grito desta vez de medo e procurou num gesto de medo recuar de encontro à parede onde o catre estava encostado.

 

- Não se assuste, moça, não vou te fazer nenhum mal. O que...

 

Mas antes de terminar de falar Frank viu a barriga intumescida da mulher e a larga mancha úmida na saia do vestido e que espalhava na velha colcha estendida sobre o catre.

 

- Meu filho... o bebê está nascendo...

 

A mulher se encontrava em trabalho de parto!

 

A primeira reação de Frank foi a de sair correndo em busca de ajuda, mas ao primeiro sinal de que iria se afastar, a mulher gritou:

 

- Por favor, estou precisando de ajuda. Me ajude pelo amor de Deus. Não vá embora! Não me abandone! Meu filho está nascendo, ele e eu iremos morrer se o senhor não nos ajudar.

 

- Senhora, eu não sei o que fazer, nunca fiz um parto. Não vou abandoná-la. Vou buscar ajuda. Eu volto logo.

 

- Não haverá tempo senhor. Ele já está nascendo. O senhor nunca viu o nascimento de um potro ou de um bezerro, é a mesma coisa. Eu já ajudei várias vezes a parteira no nascimento de meus irmãozinhos. Eu sei o que fazer. Eu vou dizendo ao senhor o que deverá fazer. Me ajude pelo amor de Deus!

 

Frank Darcy nunca tinha se encontrado numa situação tão delicada e constrangedora. Ter que fazer o parto de uma mulher! Apesar do que a jovem dizia deveria haver diferenças entre o parto de uma égua ou de uma vaca e o nascimento de um ser humano. Habituado às lidas do campo, Frank assistira a inúmeros nascimentos de bezerros, potros e outros animais domésticos, inclusive inúmeras vezes ajudara em partos difíceis.

 

- Senhora pode haver complicações e eu não saberei o que fazer. E nesta cabana não há os recursos necessários para se fazer um parto com higiene. Prometo que voltarei rapidamente com a ajuda necessária. Fique calma, não vou abandoná-la.

 

A pobre mulher começou a gritar de dor e para horror e desespero de Frank disse:

 

- Está nascendo... não há tempo do senhor buscar ajuda... Ai, meu filho está nascendo agora...

 

A jovem, no desespero da dor, havia aberto as pernas dobradas para facilitar seu esforço de expulsar a criança de seu corpo. Frank se aproximou hesitante e receoso, e viu a cabeça da criança despontando no orifício vaginal distendido da mulher.

 

Frank nunca soube como conseguiu passar por aqueles momentos em que teve que ajudar aquele pequeno ser vir ao mundo. Cortou o cordão umbilical com o único instrumento cortante disponível que tinha, uma faca de bolso, a cerca de 2 cm acima do umbigo do recém-nascido, limpou com seu próprio lenço o muco nas narinas do bebê para fazê-lo respirar. Tudo instruído pela jovem mãe que em meio a agonia que sentia, ia dando as instruções para um alarmado Frank.

 

Depois que o pequeno ser emitiu um choro fraco que mais parecia um gemido. A jovem sorrindo fracamente disse para Frank estendendo seus braços:

 

- É um menino. Dê meu filho aqui. – Ao receber o filho em seus braços, a jovem o deitou na altura de seu peito e pediu: - Por favor, naquela sacola tem uma toalha, pode-me pegar?

 

A jovem embrulhou o recém-nascido na toalha com cuidado e sorriu o sorriso mais triste que Frank já presenciara na vida, enquanto examinava o filho pela primeira vez, murmurando em seguida:

 

- Obrigada, senhor. Eu e meu filho seremos eternamente gratos ao senhor.

 

- Desculpe o meu mau jeito, é que não tenho experiência alguma em lidar com partos.

 

- Não precisa se desculpar. O senhor foi um anjo enviado por Deus para me ajudar quando eu mais precisava.

 

O coração generoso de Frank se condoia com o estado da jovem e do recém-nascido nas condições precárias em que se realizou o parto, mas não era hora para lamentações. Ele precisava agir rápido. Acendeu o fogo na pequena lareira com a madeira seca estocada num canto, pois a manhã de outono já estava fria e o ar da cabana era gelado devido ao fato dela se encontrar em meio à mata.

 

- Este fogo logo irá aquecer o ambiente e deixar você e o bebê mais confortáveis. Agora vou correndo buscar ajuda em Pemberley e estarei de volta rapidamente. Fique aí deitada descansando. Eu não demoro.

 

Frank voltou para casa galopando o mais rápido que pôde, ao chegar ao estábulo foi logo ordenando ao cavalariço que aprontasse uma carroça e correu para casa.

 

Seu pai, Fitzwilliam Darcy, tomava o café da manhã calmamente quando Frank entrou esbaforido na pequena sala onde a família costumava fazer as refeições matinais.

 

- Papai, uma mulher deu à luz a um bebê na cabana de caça. Eu fui obrigado a fazer o parto e ela está lá precisando de auxílio. Venha preciso de sua ajuda.

 

- Que mulher é esta, Frank? Como ela foi parar lá naquele lugar deserto para dar a luz? – indagou Darcy de cenho franzino tentando entender o que havia acontecido.

 

- Não sei, meu pai. Não perguntei o nome dela e nem como foi parar lá. Só sei que ela está precisando de nossa ajuda.

 

Fitzwilliam levantou-se da mesa engolindo rapidamente o último gole de café.

 

- Não nos faltava mais nada. Vamos lá ver do que se trata.

 

 - Eu já mandei aprontar a carroça, pois a jovem só poderá ser transportada deitada.

 

Darcy e o filho seguiram em direção à cabana a cavalo, enquanto ordenaram a um dos cavalariços que os seguissem com a carroça.

 

A jovem estava sentada no catre, seu vestido aberto na frente, ela tentava dar de mamar ao filho quando ela viu Darcy e Frank entrarem cobriu como pôde sua nudez.

 

- Jovem, sou o Sr. Darcy de Pemberley. Quem é você?

 

- Sim, senhor, eu o conheço. Eu sou Mary, filha mais velha do Sr. Conrad Webber, seu arrendatário.

 

- Como você veio parar aqui, Mary?

 

- Meu pai me expulsou de casa, senhor, depois que soube que eu estava grávida. Eu vivi com a velha Sra. Morris durante um tempo, ela me acolheu, mas ontem seu filho voltou de Liverpool, onde estava trabalhando e não quis que eu ficasse lá. Eu andei sem rumo e acabei descobrindo este lugar onde me abriguei porque escureceu, aí comecei a sentir as dores do parto.

 

- Mary, nós vamos levar vocês para Pemberley para podermos cuidar direito de você e de seu filho. Nós vamos transportá-la numa carroça. Você acha que terá condições de fazer a viagem?

 

- Creio que sim, senhor.

 

O próprio Frank carregou no colo a jovem e o seu bebê até a carroça, embrulhando-os em velhos cobertores encontrados na cabana. O Sr. Darcy partiu à frente, enquanto Frank seguiu acompanhando a carroça para acudir no caso de alguma necessidade.

 

Lizzy já havia sido informada pelos criados do acontecido e aguardava ansiosa a chegada de todos.

 

- Fitzwilliam, o que houve? Quem é esta mulher que Frank encontrou e que deu à luz na cabana?

 

- É a filha mais velha de Conrad Webber, nosso arrendatário. Ele a expulsou de casa quando soube que a filha estava grávida. Ela viveu um tempo na casa da velha senhora Morris, mas o filho dela voltou de Liverpool e expulsou-a também.

 

- Meus Deus, que tragédia! E como estão mãe e filho?

 

- Ela me pareceu bastante enfraquecida por causa do parto e o bebezinho é minúsculo. Vou mandar chamar o Dr.Stevenson para que os examine. Esta jovem e seu filho requerem cuidados especiais, fiquei penalizado ao ver o estado deles.

 

Algum tempo depois, a carroça chegou a Pemberley, novamente Frank carregou Mary e o bebê para o pequeno quarto que foi destinado a ela.

 

Um frenesi de atividade tomou conta da mansão. Lizzy mandou as criadas prepararem o banho do bebê. Um aquecedor de ferro foi trazido para aquecer o pequeno quarto, bem como foi providenciada a limpeza e a troca do vestido de Mary.

 

A jovem enfraquecida e cansada pelo trabalho de parto se deixou cuidar sem protestar, entorpecida pelo cansaço que tomava conta de seu corpo.

 

O médico de Lambton, Dr. Stevenson não tardou a chegar. Examinou a jovem, fez os curativos e os cuidados médicos necessários e conversou com os Darcys.

 

- A moça ficará bem, embora esteja bastante debilitada, com os cuidados, o repouso e a alimentação adequada ela logo recuperará o vigor.

 

- E o bebê, doutor? Nunca vi uma criança tão fraquinha. – disse Lizzy.

 

- A senhora tem razão, este bebê é muito franzino. Vou ser bem franco com os senhores, esta criança dificilmente sobreviverá. Este menino nasceu com o seu peso muito abaixo do normal e os traumas e os maus tratos que esta mãe sofreu durante a gestação devem ter impedido seu desenvolvimento normal. Se, entretanto, conseguir sobreviver será uma criança com graves problemas de saúde.

 

Lizzy não teve coragem de transmitir à jovem mãe a pessimista previsão do médico. Procurou dispensar a ela e ao bebê todo o conforto e cuidado ao seu alcance. Ordenou que se preparassem refeições reforçadas para Mary e contratou até os serviços de uma ama de leite em Lambton para o pequeno, pois a mãe tinha pouco leite para alimentar o filho.

 

A estória da jovem havia tocado fundo no seu coração de mãe e avó amorosa.

 

O recém-nascido e a jovem Mary lhe trazia a lembrança de seus netos, filhas e noras, que ao contrário da jovem, haviam recebido todos os cuidados e assistência na hora difícil e dolorosa do parto. Mary e seu filho não tinham ninguém e dependiam da caridade e da boa vontade de terceiros.

 

- Quantos anos você tem Mary?

 

- Dezessete Sra. Darcy. Muito obrigada por tudo que está fazendo por mim Sra. Darcy. Quanto trabalho eu estou dando à senhora e a todos. Eu não sei como um dia poderei retribuir à senhora e ao Sr. Darcy os cuidados que estão tendo comigo e meu filho, quando não têm obrigação alguma comigo, me ajudando neste momento que até minha família virou as costas para mim.

 

- Não pense nestas tristezas, Mary. Pense apenas em se recuperar para poder cuidar de seu filho. Por falar nisso você já pensou no nome que irá dar a ele? Tem preferência por algum nome?

 

- Quando era adolescente pensava que se um dia tivesse um filho gostaria de chamá-lo de David. O que a senhora acha?

 

- É um lindo nome.

 

- Então vamos chamá-lo de David, Sra. Darcy. Eu não acredito que ele irá sobreviver. Ele nasceu tão fraquinho, é tão pequeno, até o seu primeiro choro parecia um gemido. Eu assisti o nascimento de meus irmãos mais novos e sei como são os recém-nascidos que nascem saudáveis. Eu vou ficar muito triste se ele morrer, mas não vou lamentar a morte dele. Um bastardo... Que futuro poderei oferecer a ele? Apenas uma vida de sofrimento e miséria.

 

Lizzy sentiu seus olhos marejarem diante o desconsolo das palavras desta jovem que cedo conhecera o lado mais sombrio da vida.

 

- Vamos deixar a vida de seu filho nas mãos de Deus, Mary. Se Ele achar por bem que o menino deve viver, ele viverá com certeza. Eu pensei que seria bom batizar o bebê logo, pois muitas vezes a criança fraquinha se fortalece milagrosamente após o batismo. Se você concordar o Sr. Darcy manda buscar o pároco de Lambton para batizar seu filho aqui na capela de Pemberley.

 

- Claro que sim, eu gostaria muito. Se não for pedir muito gostaria que a senhora e o Sr. Darcy fossem os padrinhos dele.

 

- De minha parte eu aceito com prazer e vou falar com o Sr. Darcy, mas tenho certeza de que ele irá aceitar também.

 

- Muito obrigada, Sra. Darcy.

 

- Quando você e David estiverem fortes e saudáveis, o Sr. Darcy irá conversar com seu pai. Ele precisa recebê-la de volta, em sua casa você terá o carinho de sua mãe e de seus irmãos.

 

- Eu não quero voltar para minha casa Sra. Darcy. Meu pai jamais irá perdoar o erro que cometi. Ele é um homem muito severo. Ele ficou furioso quando soube que eu estava grávida, me bateu muito... pensei até que fosse perder meu filho de tanto que ele me bateu. Ele me expulsou de casa dizendo que não queria me ver nunca mais. Ele disse que não me considerava mais sua filha e nem meu filho seu neto... que eu havia morrido para ele e para minha família. – grossas lágrimas corriam pelo rosto de Mary enquanto relembrava sua triste trajetória.

 

- O Sr. Darcy irá conversar com seu pai e você só voltará para a casa de sua família e tivermos a garantia de que será bem recebida. Caso contrário, se seu pai insistir que não irá perdoá-la, você poderá ficar aqui em Pemberley, se quiser. Nós a acolheremos e eu arranjarei uma ocupação para você e você poderá viver aqui pelo tempo que quiser com seu filho.

 

- Obrigada, Sra. Darcy. Todos comentam a sua bondade e a de seu marido e eu estou tendo uma prova dela. Tenho certeza absoluta que meu pai não irá me perdoar, não importa o que o Sr. Darcy diga para ele. Vou aceitar sua oferta para ficar aqui, isto é, se o Sr. Darcy também concordar. Desde pequena ajudei minha mãe a criar meus 8 irmãos, sei fazer de tudo numa casa, posso limpar, lavar, ajudar na cozinha, o que a senhora mandar. O trabalho pesado não me assusta.

 

- Diga-me, o pai de seu filho não se ofereceu para casar com você, Mary?

 

- Não senhora. Ele é meu primo... Ele teve problemas onde vivia no Lincolnshire, parece que se envolveu em brigas e estava ameaçado de morte. Meu pai mandou buscá-lo para ele ajudar nos trabalhos da fazenda e afastá-lo dos inimigos que havia feito. Ele me... tomou a força... foi no celeiro... como fazia todas as manhãs, fui lá pegar a ração dos animais... ele me pegou completamente desprevenida, eu lutei com ele mas ele era um homem forte e eu não consegui resistir por muito tempo. Por favor, Sra. Darcy, acredite em mim, eu fui forçada a ceder, eu não tive culpa no que aconteceu, foi a pior experiência que tive na vida...

 

- Acredito Mary, deve ser algo terrível para qualquer mulher se sujeitar a um homem contra sua vontade. Por que você não contou o que aconteceu a seu pai?

 

- Porque meu primo ameaçou me matar. Depois que tudo... depois daquelas coisas horríveis que ele fez comigo... ele colocou um punhal que sempre carregava consigo no meu rosto para mostrar que não estava brincando e disse ainda que contaria a meu pai que eu havia me insinuado a ele. Meu pai nunca acreditou nos filhos, ele prefere acreditar nos estranhos. Foi horrível Sra. Darcy, a partir daí, ele vivia me perseguindo, mas ele não conseguiu me pegar novamente, graças a Deus, pois eu evitava ficar sozinha. Aí descobri que estava grávida, escondi o quanto pude de todos lá em casa... mas os enjôos matinais me delataram e quando meu primo viu a fúria de meu pai ao saber que eu estava grávida, ele simplesmente fugiu. Não gostaria de ter me casado com ele, nem que meu pai me obrigasse, teria sido um verdadeiro inferno a minha vida com ele. Prefiro criar sozinha o meu filho. Aliás, nunca mais quero estar com homem algum, não existe coisa pior do que uma mulher ter que se sujeitar a um homem.

 

Lizzy se condoeu com a triste estória de Mary Webber. Era tão jovem e já havia conhecido tanta dor e sofrimento.

 

Apesar de todos os esforços de Lizzy, o triste diagnóstico do experiente Dr. Stevenson logo se cumpriu. O pequeno David veio a falecer uma semana após seu nascimento. O pobrezinho morreu como um passarinho sem emitir um único ruído. Foi a própria Mary que o encontrou morto no berço quando foi verificar porque o filho estava tão quieto.

 

Frank providenciou para que o bebê fosse enterrado no cemitério da família ao lado da pequena capela de Pemberley, onde jaziam inúmeros membros da família Darcy e os velhos empregados que serviram a família a vida inteira e acabaram falecendo na propriedade.

 

Apesar dos protestos de Lizzy, que queria poupá-la do sofrimento, Mary fez questão de acompanhar o enterro do filho. Ela não derramou uma única lágrima assistindo calada com os olhos fixos o pequeno caixão pintado de branco descer à terra. Terminada a rápida cerimônia, voltou à mansão de cabeça baixa.

 

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