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Sentar-se à sombra em um belo dia e olhar para o campo é o descanso perfeito. (Jane Austen)

Manhã de um novo amor - Epílogo

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Epílogo

  

O pequeno William Anthony James Davenport nasceu numa fria tarde no início de dezembro.

 

Trouxe muita alegria ao seu avô, que declarou poder morrer em paz, pois a questão do herdeiro estava resolvida; e um imenso alívio ao seu pai que durante todo o trabalho de parto de sua mãe parecia que iria enlouquecer de ansiedade e apreensão.

 

O tão esperado e desejado herdeiro era como seu pai loiro de olhos muito azuis, tinha os mesmos traços belos de seu pai e parecia haver desde pequeno herdado o gênio autoritário e voluntarioso do avô. Quando algo o incomodava berrava a plenos pulmões, demonstrando sem a menor cerimônia a sua insatisfação e obrigando sua babá ou sua mãe a providenciarem o que ele queria imediatamente.

 

A festa de Natal daquele ano foi realizada na Wycliff House em Londres a convite do duque, pois tanto Victoria como o bebê não tinham condições de enfrentar uma longa viagem no rigoroso inverno para uma viagem até Pemberley. Todos os Darcy compareceram, a exceção de Jonathan e sua esposa que não puderam vir da Áustria; e de Frank.

 

- Darcy e o seu filho mais novo? Por que não veio?

 

- Frank ficou em Derbyshire, Wycliff. Resolveu passar o Natal na casa de meus cunhados, os Bingleys.

 

Quando Frank anunciou aos pais que não viajaria com eles para Londres para passarem o Natal com Tory e sua família, dizendo que preferia passá-lo na casa de seus tios Bingleys, em companhia dos primos James e Joanne. Os Darcys ficaram aborrecidos, principalmente Fitzwilliam, pois gostava de ver a família reunida no Natal, mas acabou concordando diante da argumentação da esposa.

 

- Deixe-o ir Fitzwilliam, ele e James são muito amigos têm mais ou menos a mesma idade e lá na casa de Tory só haverá casais casados e crianças, ele irá se sentir isolado e deslocado.

 

O Natal na Wycliff House foi uma comemoração de alegre e ruidosa, cheia de crianças da família que corriam e gritavam pelos salões suntuosos para desespero de suas mães e babás.

 

Indiferente a tudo, o pequeno William dormia placidamente nos ombros de seu orgulhoso pai.

 

- Andrew é melhor levar William para dormir no quarto, ele pode acordar com o barulho e aí ele não dará mais sossego a ninguém.

 

- Esta noite é especial. Quero que ele esteja presente e participe da alegria que reina nesta casa. Se ele acordar não faltarão pessoas para niná-lo.

 

 

***************************************

 

Jonathan e Sarah resolveram comemorar aquele primeiro Natal casados, em sua casa somente os dois, apesar dos inúmeros convites que receberam de amigos; já que não poderiam comemorar com a família na Inglaterra como gostariam.

 

Cearam e trocaram presentes no aconchego de sua casa, felizes por estarem juntos. Jonathan presenteou Sarah um lindo par de delicados brincos de esmeralda e ela deu a ele dois livros que sabia que ele estava querendo ler.

 

- Pois eu tenho outro presente para você Jonah.

 

- Outro presente? Mas o que será? Onde está ele?

 

- O presente está dentro de mim, Jonah. Aqui ... – ela tomou a mão direita do marido e a espalmou sobre seu ventre sorrindo, aquele sorriso que se vê nas Madonas pintadas pelos renascentistas. - Estou esperando nosso primeiro filho.

 

Jonah ficou tão emocionado que durante alguns segundos ficou olhando para a esposa sem conseguir articular uma única palavra, quando por fim conseguiu reagir, tomou sua mulher nos seus braços e a beijou, um beijo que era uma mescla de paixão e ternura.

 

- Obrigada, meu amor. Este é, sem dúvida, o melhor presente que já recebi na vida.

 

Jonathan e Sarah Darcy permaneceram três anos em Viena, voltavam à Inglaterra apenas no período de férias uma vez ao ano. Durante este período tiveram duas filhas, duas lindas garotas, a primeira Audrey era parecida com a mãe e a segunda Elizabeth que era mais parecida com o pai.

 

Sarah não cansava de admirar a transformação do marido, quem poderia imaginar que aquele marido devotado a ela e às filhas fora um dia um mulherengo e farrista.

 

O receio de Sarah de que sua falta de preparo pudesse envergonhar o marido nunca se concretizou. Jonah contratou uma professora de Francês e um professor de piano, logo que chegaram a Viena, mas estes conhecimentos se revelaram quase que desnecessários, pois nunca, Sarah sentiu que envergonhava o marido nos acontecimentos sociais que eles freqüentavam na aristocrática sociedade vienense.

 

***************************************

 

SETE ANOS DEPOIS...

 

A criada de quarto dava os últimos retoques no cabelo de Tory quando Andrew entrou no quarto. A criada terminou sua tarefa rapidamente e saiu do aposento, antes que Lord Hallthorn pedisse que o deixasse a sós com sua esposa.

 

- Se o seu vestido fosse branco, eu diria que era você a debutante desta noite.

 

- Andrew este seu elogio está um pouco exagerado. Como posso na minha idade, sendo mãe de quatro filhos parecer uma debutante?

 

- Para mim você parece jovem e continua linda como na primeira vez que a vi.

 

- Obrigada, então. Meg sempre me diz que não devemos desestimular os elogios dos maridos, pois é perigoso não os recebermos mais.

 

- Soube que o Dr. Wright esteve aqui à tarde. Por que o chamaram? Quem está doente?

 

- Ninguém está doente Andrew. Ele veio confirmar o que eu estava suspeitando, estou grávida novamente.

 

- Oh! Pelo amor de Deus, não é possível!

 

- Como não é possível? O senhor meu marido se esquece de nossas atividades neste mesmo quarto quase todas as noites? A conseqüência está aqui em meu ventre.

 

- Pensei que Charles seria nosso caçula. Você sabe como fico aflito na hora do parto, parece que envelheço anos enquanto você está em trabalho de parto. Fico apavorado pensando que algo ruim possa te acontecer.

 

- Você se preocupa à toa, nada irá me acontecer. Não se esqueça que já sou uma mãe veterana. Vamos torcer agora por uma menina Andrew. Não é maravilhoso Deus nos abençoar com uma família tão linda e tão numerosa?

 

Andrew tomou a esposa nos braços e a beijou apaixonadamente provando mais uma vez que o amor que sentia por ela continuava vivo e forte.

 

- Obrigado meu amor por mais este filho ou filha. Seria bom se desta vez fosse uma menina, o ambiente desta casa está ficando por demais masculino, mas o importante é que seja uma criança saudável e que você passe bem.

 

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A Wycliff House, no aristocrático bairro de Mayfair, estava feéricamente iluminada. Logo mais teria início o baile de apresentação à sociedade da Srta. Marjorie Dorsey, filha do falecido Visconde Howells e enteada do Marques de Hallthorn.

 

As carruagens trazendo os elegantes convidados não paravam de chegar um após o outro, numa fila interminável. No magnífico hall de entrada, o velho duque de Wycliff tendo ao seu lado o filho, sua nora e a jovem debutante recebiam os convidados.

 

Havia sido um dia inesquecível e excepcional feliz para Marjorie. Seguindo a tradição, na manhã daquele mesmo dia, ela havia sido apresentada à rainha e agora à noite teria o seu primeiro baile quando seria apresentada à sociedade.

 

Antes de virem receber os convidados, seu avô e seu pai a chamaram à biblioteca e deram-lhe de presente um lindo colar de brilhantes que agora brilhava em seu colo. Ambos não escondiam a emoção e o orgulho que sentiam dela.

 

O duque que havia sido, à princípio, um entrave para a união do filho com Victoria, revelou-se durante aqueles anos de convivência ser um homem gentil e amoroso por trás de sua imponência e seu orgulho. Aprendera a respeitar e amar a nora e a filha desta, ganhando-lhes a confiança e o afeto. Considerava a jovem como sua verdadeira neta e era tratado por ela, como avô.

 

- Marjorie, minha querida, você será sem dúvida a sensação desta Season não lhe faltarão pretendentes, quero que você seja bastante cautelosa e não se deixe encantar com o primeiro jovem que lhe disser meia dúzia de palavras doces. Não tenha pressa alguma de escolher o jovem que será seu marido. Escolha com calma alguém que a mereça.

 

- Obrigada, vovô Anthony, mamãe já me deu o mesmo conselho. Prometo que serei cautelosa.

 

Quando seu irmão mais velho, William nasceu, Marjorie pensou que na alegria de terem o herdeiro, ela seria esquecida tanto pela mãe, mas principalmente pelo padrasto, que agora teria seu verdadeiro filho para amar.

 

Entretanto, as previsões pessimistas de Marjorie não se concretizaram, seu padrasto continuou a tratá-la com o mesmo amor e carinho, dispensando-lhe a mesma atenção e cuidado de antes, e ela sentiu a segurança de saber que jamais seus pais a relegariam a um segundo plano.

 

Após o nascimento de seu irmão William, Marjorie passou a chamar seu padrasto de pai e o duque de avô na maior prova de que ambos haviam ganhado a sua confiança e seu amor. A nível subconsciente, ela talvez temesse que seu irmão ao aprender a falar iria levar alguma vantagem na estima deles ao chamá-los de papai e vovô. Ela quis, desta forma, garantir seu lugar no coração deles.

 

Dois anos depois nasceu John e por último há três anos, Charles.

 

Marjorie adorava os irmãos, gostava de carregá-los no colo enquanto bebês, brincar e passear com eles, mas os garotos cresceram e se tornaram verdadeiros moleques peraltas.

 

Os três meninos faltavam por a casa abaixo com suas brincadeiras abrutalhadas e sem graça. E quando Marjorie queria usar sua prerrogativa de irmã mais velha para mandar nos garotos, aí estava declarada a guerra dela com os três capetinhas.

 

Quando estavam em Longward Court, Marjorie cansou de encontrar sapos, e vários insetos, tais como cigarras e grilos em sua cama, gavetas de sua cômoda ou na cadeira da sala de jantar onde ela iria sentar. Eles sentiam um prazer mórbido em atazanar a vida da irmã mais velha, vê-la gritando assustada e furiosa com eles, esquecida da educação que recebera para se comportar como uma verdadeira dama.

 

Marjorie dançou, como era de praxe, a valsa de abertura do baile com o padrasto. Ela evoluía elegantemente nos braços dele sentindo-se a jovem mais feliz do mundo.

 

- Obrigada, meu pai por esta festa maravilhosa. Gostaria tanto que meu pai Alfred estivesse nos observando dançar. O senhor acha que isto é possível? Que o espírito dele esteja me vendo dançar com o senhor minha primeira valsa?

 

- Acredito que onde ele estiver, estará orgulhoso de você Marjorie, na linda moça que se tornou.

 

O lindo vestido branco de fina renda francesa bordado com pequeninas contas de cristal brilhavam sob a luz das centenas de velas que iluminavam o salão. Marjorie herdara os mesmos traços finos e delicados da mãe, era alta, esguia e elegante. Seus olhos castanhos eram vivos e inteligentes. Seu avô Fitzwilliam Darcy sempre dizia:

 

- Marjorie é uma Bennet. Ela me lembra minha Lizzy quando a vi pela primeira vez no salão de reuniões em Merryton.

 

Ao que Elizabeth comentava brincando.

 

- Cuidado, Marjorie, não se envaideça achando que é um elogio de seu avô, porque se bem me recordo ele não me achou muito bonita na ocasião, disse ao seu tio Charles que eu era apenas tolerável.

 

- Lizzy, você nunca irá esquecer esta minha observação infeliz.

 

- Vovó não é possível. O vovô vive dizendo que não existe no mundo mulher mais linda que você.

 

- Acho que são os olhos do amor que me deixaram tão linda assim para ele.

 

- Pois para mim a senhora é uma mulher linda e tenho muito orgulho de ser parecida com a senhora. E meu sonho é encontrar um homem como meu avô Darcy.

 

- Espero sinceramente que você o encontre, pois será uma mulher feliz a vida inteira como tenho sido. – arrematou a Sra. Darcy sem esconder um brilho de emoção nos seus olhos que um dia, muitos e muitos anos atrás haviam fascinado seu marido.

 

FIM

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