Jonathan Darcy era o mais belo dos Darcys.
A beleza física de Jonathan era uma mistura perfeita da beleza máscula do pai e das feições suaves da mãe. Os cabelos castanhos escuros faziam um contraste com uns olhos azuis profundos, um nariz reto, dentes perfeitos em uma boca sensual faziam seu sorriso devastador.
Aliado a este aspecto físico privilegiado ele era uma criatura carismática. Era um homem encantador, tratando a todos com gentileza, sempre tinha uma palavra amável, sabia se fazer querido tanto por homens como por mulheres. Entretanto, era o grande favorito das mulheres, jovens, velhas, mulheres de todas as classes sociais se rendiam ao seu charme e beleza. Não havia quem não se encantasse com ele.
Desde muito cedo começara sua carreira de conquistas femininas em Pemberley. Primeiramente sua mãe, Elizabeth, as irmãs Meg e Tory, a governanta Sra. Reynolds e todas as criadas da mansão se renderam ao seu encanto.
Uma prova irrefutável de seu charme era que ele conseguira ganhar a simpatia de Lady Catherine de Bourgh quando era menino. Esta nunca escondeu a preferência que tinha pelo sobrinho-neto Jonathan Darcy, quando ia a Pemberley em sua visita anual.
A velha senhora havia falecido há alguns anos, mas como prova de seu afeto por Jonathan deixou-lhe a quantia nada desprezível de 30 mil libras em seu testamento.
O Sr. Darcy o amava como amava a todos os seus demais filhos. Mas, tinha reservas quanto à fama de conquistador e libertino que Jonathan adquirira ao longo dos anos, fama esta que ele conseguira sem muito esforço, pois as mulheres se jogavam sobre ele na ânsia de conquistá-lo.
- Este Jonathan está me fazendo pagar meus pecados, Lizzy. Estou pagando por ter falado e criticado o Richard. – reclamava o Sr. Darcy a sua mulher cada vez que o assunto sobre o filho vinha à baila.
- Ele é jovem demais. Deixe que ele aproveite a vida de moço solteiro, quando encontrar a jovem certa irá se assentar. – ponderava Lizzy mais complacente com as estripulias do filho.
Como era costume na época, o segundo filho homem das famílias aristocráticas, normalmente estava destinado à carreira militar, mas Jonathan rejeitara esta idéia de princípio, dizendo ao pai que não tinha vocação para a farda.
A outra opção seria a carreira diplomática. Foi nela que ele encontrou sua realização profissional. Nunca uma profissão parecera talhada para uma pessoa do que a diplomacia para Jonathan Darcy. Sua simpatia, seus modos cavalheirescos, seu charme, sua facilidade para conversar e convencer as pessoas fazia dele um diplomata nato, tornara-se uma figura popular e querida em todos os postos diplomáticos onde trabalhou.
Ele havia servido em embaixadas no exterior como adido, durante alguns anos. Mas, atualmente, trabalhava na Chancelaria em Londres, a pedido de seus superiores que vislumbravam nele a possibilidade de uma carreira brilhante.
Assim que Jonathan retornou do exterior e assumiu seu posto na Chancelaria em Londres, alugou uma casa e foi morar sozinho. Continuar a morar na Darcy House, juntamente com seu irmão mais velho William, agora que este estava casado, estava fora de questão. Afinal ele queria ter sua privacidade de moço solteiro preservada.
Na última visita que fizera aos pais em Pemberley, ele foi chamado pelo pai em seu escritório ouvindo dele o seguinte ultimatum.
- Jonathan, você já está com 29 anos completos. Está na hora de parar com esta vida desregrada e se casar.
- Meu pai, quem o ouve falar há de pensar que sou um irresponsável. Acho que ainda sou muito jovem para assumir uma responsabilidade tão grande como o casamento.
- Seu irmão William na sua idade já estava casado e já era pai de Florence. Esta sua vida de libertino em Londres nunca me agradou, as estórias de seus envolvimentos com mulheres de reputação duvidosa têm chegado aos meus ouvidos com mais freqüência do que eu gostaria de ouvir.
- Meu pai, o senhor sabe como as pessoas gostam de espalhar boatos e aumentá-los.
- Boataria ou não, quero vê-lo casado logo com uma boa moça, construindo uma família sua e deixando para trás esta vida de libertino. Como você vive em Londres tem toda oportunidade para escolher uma jovem de boa família, inclusive isto o ajudará em seu futuro profissional. Os excelentes casamentos que Meg, Tory e William fizeram, abriram as portas para que você escolha uma jovem entre as melhores famílias da aristocracia, inclusive vou pedir para que Meg e Patricia apresentem a você algumas jovens do círculo que elas freqüentam.
- Por favor, meu pai, peço que não faça isto. Deixe que eu mesmo escolha uma esposa do meu gosto.
- Tudo bem, mas veja lá o que vai arrumar! Que seja uma moça de boa família, prendada, que irá ajudá-lo a ascender em sua carreira profissional.
A última coisa que Jonathan Darcy desejava era se casar. Sabia que num dia, num futuro muito remoto na sua visão, teria que procurar uma esposa, uma mulher como sua mãe Elizabeth, casaria e teria seus filhos. Mas, por enquanto, a vida de solteiro rico e bem sucedido estava muito boa para ele querer mudar seu estado civil.
O fato de morar em Londres facilitaria driblar o pai que, atualmente, não vinha com freqüência à capital, permanecendo a maior parte do tempo em Pemberley, pois William é que administrava os interesses da família na cidade.
O casamento não representava uma prioridade na vida de Jonathan.
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O duque de Wycliff andava de um lado a outro no seu escritório na sua suntuosa residência Wycliff House em Londres. Ele era um homem orgulhoso, consciente da riqueza e do poder que tinha, ninguém em sã consciência ousava desafiar a vontade deste homem cuja palavra era lei. Era ainda um belo homem, que aparentava ter por volta dos sessenta anos, alto, os cabelos grisalhos acrescentando encanto a suas feições aristocráticas.
O Marquês de Hallthorn, Andrew Davenport, o filho único do duque, sentado em uma poltrona observava a caminhada do pai, fisicamente pai e filho eram muito parecidos, ambos eram belos e atraentes guardadas as diferenças de idade.
O sermão que Andrew aguardava não tardou a acontecer, pois ele sabia perfeitamente o que significava ser chamado ao escritório do pai àquela hora da manhã. O duque de Wycliff era um homem incisivo, não fazia rodeios e costumava ir direto ao assunto que queria tratar.
- Já fez mais de dois anos que Jane faleceu. Pensei que terminado o período de luto você saísse à procura de uma nova esposa. Está esperando o quê? Está com 35 anos, o tempo está passando. Você não está esperando que eu, aos 62 anos, volte a me casar para gerar o seu herdeiro.
- Meu pai, não sinto a menor vontade de voltar a me casar. Meu casamento com Jane não foi uma experiência muito feliz para ambos.
- A questão é que você ainda não cumpriu o seu principal dever nesta vida que é dar um herdeiro para o ducado. Ou você pretende deixá-lo para um daqueles nossos primos beberrões e jogadores, que irão desonrar nosso nome e dilapidar nossa fortuna?
- Sei muito bem qual o meu dever, desde que me conheço por gente que o senhor tem me lembrado constantemente dele.
- Escolha uma jovem, de preferência bem nova, pois mulheres novas estão no auge da fertilidade. Não preciso acrescentar que seja de boa família, que tenha berço, pois ela será no futuro a duquesa de Wycliff. Andrew não há de faltar candidatas, você terá uma gama enorme de mulheres, todas ávidas para serem escolhidas por você, não é possível que dentre elas não haja uma que seja de seu agrado... A não ser que queira que eu faça a escolha para você.
- Não, obrigado, meu pai. Desta vez eu mesmo vou escolher minha esposa.
O casamento de Andrew Davenport e Jane Lennox, filha do visconde de Standford fora arranjado por ambas as famílias como era costume comum na aristocracia.
Andrew jamais tivera idéias românticas a respeito do casamento, como aristocrata sabia desde menino que um dia teria que se casar com uma jovem de sua classe social e produzir o herdeiro do título e da fortuna de sua família. Aceitou com boa vontade o arranjo que seu pai e o pai da noiva fizeram, achava Jane uma jovem bonita, agradável e prendada, que se encaixava perfeitamente no perfil de uma futura duquesa.
O casamento com Jane durara cerca de um ano e terminou com a morte prematura dela num parto difícil em que faleceram tanto ela como o bebê que esperava. Uma menina natimorta.
Não foi, entretanto, uma união feliz.
Jane sempre mostrara aversão ao cumprimento de seus deveres de esposa. Por mais que Andrew se esforçasse em ser carinhoso e gentil com ela, ela não conseguia esconder o asco que sentia pelas intimidades praticadas no leito conjugal.
Nascida na aristocracia ela havia sido treinada para ser uma boa esposa, sabia perfeitamente quais eram seus deveres conjugais e jamais se negara ao marido. Mas, Andrew ao ver a esposa tensa, estática, de olhos fechados, as mãos crispadas ao lado do corpo e esforçando-se para não contorcer o rosto cada vez que ele a procurava no leito conjugal se sentia um homem desprezível por copular com uma mulher que demonstrava claramente não sentir prazer algum na união carnal a que ele a sujeitava.
Quando conseguiu engravidá-la, deu graças a Deus e nunca mais a procurou.
Casar-se novamente certamente seria a repetição deste mesmo drama, pois Andrew tinha a impressão de que as jovens da aristocracia, criadas em redomas de vidro por seus pais, eram todas em maior ou menor escala avessas aos prazeres sexuais. E, ele tinha a libido normal de um homem jovem e saudável.
Andrew Davenport não demonstrava nenhuma vontade de cumprir a missão que tinha pela frente. O ano estava terminando, depois viria os meses de inverno, ele teria ainda alguns meses de liberdade até o início da próxima temporada quando, então, teria que iniciar a procura da mulher que iria lhe gerar um herdeiro. Enquanto isto iria gozar a liberdade e os prazeres nos braços de sua amante, uma bela e fogosa ruiva.
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Numa manhã fria do início de novembro, Lady Victoria Dorsey acompanhada de sua filha Marjorie, a preceptora desta e Sarah chegaram a Londres.
Sarah estava atônita com o tamanho e grandiosidade da cidade, nunca imaginara que pudesse existir uma cidade tão suntuosa e elegante. O bairro de Mayfair onde Victoria tinha sua residência era cercado de edifícios luxuosos e quando a carruagem em que viajavam parou em frente à residência ficou espantada, pois o edifício era elegante e não parecia em absoluto pequeno como sua prima lhe dissera.
No dia seguinte à chegada a Londres, Victoria acompanhada de Sarah foi visitar sua prima Meg.
- Meg, esta é nossa prima Sarah Moore de quem já comentei em nossas cartas. Ela tem me ajudado muito a superar a solidão, tornou-se uma amiga.
- Prazer em conhecê-la Sarah. Tory tem falado de você em termos muito elogiosos.
- O prazer é meu, senhora condessa. Obrigada, é generosidade de Victoria. – Sarah disse fazendo uma reverência.
- Por favor, pode me chamar de Meg, não há razão para formalidades, afinal somos primas, não é verdade?
Sarah estava encantada com a condessa de Lindsey, nunca imaginara que uma nobre pudesse ser tão simples e encantadora.
As três mulheres sentaram-se na suntuosa sala de visitas da Lindsey House para tomarem chá e conversarem.
- Meg, conte-nos as novidades. Estou ávida para saber quais são as últimas novidades aqui de Londres?
- Creio que em breve teremos dois casamentos.
- Dois casamentos? De quem?
- O duque de Wycliff intimou o filho a procurar uma nova esposa, o duque está preocupado porque fez dois anos que o filho enviuvou e até agora não voltou a se casar. Ele quer um neto que garanta a sucessão do título. Não se fala de outra coisa nas salas de visitas de Londres. As jovens da sociedade estão todas em polvorosa, todas querendo se tornar a futura duquesa de Wycliff.
- Aquela que conseguir fisgá-lo terá muita sorte, pois além de um excelente partido, o Marquês de Hallthorn é um homem muito bonito. E o outro casamento?
- Quero que você adivinhe? É alguém de nossa família.
- Não acredito que Jonathan por fim resolveu se casar. Quem é a felizarda?
- Não existe ninguém por enquanto. Tio Fitzwilliam intimou-o a procurar uma noiva.
- Não consigo imaginar aquele farrista do meu irmão casado.
- Mas o tio tem razão, Jonah já está na hora de se assentar. Estou pensando em apresentar algumas jovens a ele.
- Meg, não se esqueça de que suas tentativas de arrumar casamento para William não deram certo.
William era o filho homem mais velho dos Darcys que se casara com Lady Patricia Davenport, filha do Duque de Wycliff. (*)
- Mas, pode ser que com Jonah dê certo.
- Por falar nele, você o tem visto? Como ele está?
- Jonah veio jantar conosco há dois dias. Ele está bem, muito satisfeito com o posto que está ocupando na Chancelaria.
- O que ele diz dos planos de papai sobre o casamento.
- Sabe como ele é, disse que não pensa em se casar nos próximos 5, 10 anos e habilmente desconversou.
- Quero só ver como ele vai fazer para enganar o papai este tempo todo.
- Com o seu charme, Jonah consegue dobrar qualquer um.
- Com papai duvido que o seu charme funcione. Você sabe como meu pai é determinado quando tem em mente algo.
Enquanto as primas conversavam animadamente, Sarah prestava atenção na conversa e ficava imaginando como seria este Jonathan Darcy, Victoria já havia dito que ele era um homem charmoso e bonito, ele devia ser o típico conquistador, aquele tipo de homem que as mulheres deveriam fugir como o diabo da cruz, pois era certeza de acabar com o coração partido.
- William e Patricia estão em Londres?
- Não. Foram para Pemberley há uns dez dias, só voltarão a Londres em janeiro, após as festas do final de ano.
- Por falar em festas onde iremos celebrar o Natal e o final de ano? Em Pemberley ou em Lindsey Hall?
- Este ano será em Pemberley, com os gêmeos de William tão pequenos, tia Lizzy acha melhor que comemoremos lá para não obrigá-los a viajar no rigor do inverno para Lindsey Hall.
(*) A estória de William e Lady Patricia foi contada na fic Atração dos opostos.
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