Lizzy despertou muito cedo, na verdade ela mal dormiu vendo Darcy amanhecer a noite sentado naquela poltrona, ela acordou com um beijo dado por Darcy.
- Desculpe meu amor, acordei você?
- É muito bom ser acordada assim, aonde você vai tão cedo?
- Eu, Ian, Charlles, vamos comprar as terras para os Miller.
- O que você pretende fazer sobre o que conversamos ontem? Vai falar com Ian?
- Era o que eu pretendia fazer, mas antes preciso fazer algo primeiro. Não se preocupe querida, só quero lhe pedir um favor.
- Pode pedir meu amor.
- Não fale nada com Georgiana, não diga que você me contou.
- Eu não entendo o porquê, mas confio plenamente em você.
Darcy beijou a esposa novamente e foi até o quarto do filho e como de costume o contemplou por alguns minutos, em seguida o beijou e saiu. Todos já o esperavam na sala principal, montaram em seus cavalos e partiram em direção as terras a serem compradas. Durante todo o tempo Darcy não conseguiu ficar a sós com Ian, fecharam negocio, as terras compradas eram grandes e produtivas, ficava bem perto de Pemberley, apenas duas horas de viagem, a propriedade principal era grande e muito luxuosa, não se comparava a grandiosidade de Pemberley, mas era suficientemente confortável, Ian ficou muito satisfeito, após tudo resolvido, eles foram cuidar da papelada, antes de voltarem para casa.
Enquanto isso em Pemberley as mulheres conversavam animadamente sobre o sucesso da festa o dia anterior, os Bennet partiram antes do almoço, pois precisavam está em casa o mais rápido possível, para os preparativos do casamento de Mary que seria dentro de um mês, Anne e o Coronel também partiram ainda pela manhã.
Georgiana continuava com uma melancolia em seu olhar, ficou calada e cabisbaixa toda a manhã, como Lizzy havia prometido a Darcy que não falaria nada para Georgiana, ficou calada vendo a tristeza da cunhada.
Já se passava da hora do almoço e Darcy e os outros ainda não haviam chegado, Lizzy preferiu não mais esperar e mandou que o almoço fosse servido, após a refeição todas se recolheram para seus quartos, ainda cansadas da festa.
Os rapazes só chegaram quase na hora do jantar, como era a ultima noite dos Bingleys em Pemberley antes da partida, Lizzy fez questão de preparar um maravilhoso jantar, todos estavam felizes reunidos na mesa, os únicos tristes eram Ian e Georgiana, os mesmos tentavam disfarçar, mas para Lizzy e Darcy que conheciam toda a historia, ficava fácil perceber. Jane era a mais triste com a partida.
- É uma pena que não ficaremos mais tempo aqui com vocês, adoraria acompanhar o crescimento de Edward.
.
- Eu também acho uma pena Jane, por que vocês não ficam mais um tempo?
- Não podemos Lizzy, Charlles já se ausentou muito tempo dos seus negócios, e como já esta tudo bem com você e o bebê, posso ir tranqüila, apesar do coração triste pela distancia.
- Eu entendo, mas espero que vocês não demorem muito a voltar, não consigo ficar muito tempo longe da princesinha que é a Julie.
- Não se preocupe cara cunhada, não a deixarei muito tempo sem sua irmã e sua sobrinha.
- Assim espero caro cunhado. Mas vocês realmente precisam partir amanhã tão cedo?
- Sim, não queremos nos demorar na estrada, Julie ainda é muito pequena para tais viagens. Então Ian está decidido a vir conosco?
- Sim Charlles, agradeço o convite.
- Você já vai embora amanhã? – Indagou Lizzy surpresa.
- Sim, resolvi antecipar minha partida, já que Charlles vai para Londres, resolvi ir com eles.
- Mas achei que ficaria mais uns dias conosco Ian.
- Sei que falei que ficaria mais alguns dias Darcy, mas como já resolvi o que vim fazer aqui, preciso ir. Mais uma vez agradeço a hospitalidade.
- Você é sempre bem vindo em Pemberley.
- Obrigado Darcy.
- Darcy amigo, após o jantar preciso acertar alguns detalhes sobre aquele negocio que você me propôs.
- Claro Charlles, após o jantar iremos ao meu escritório.
Georgiana sentiu o ar lhe faltar, estava tudo perdido, ela quis fugir dali no mesmo instante, mas precisava ficar não podia demonstrar toda a sua dor para todos, principalmente para Ian, que ao que parecia não tinha mais nenhum interesse nela.
Darcy apenas observava a tristeza nos olhos azuis de Georgiana, aquilo lhe feria profundamente, ele precisava fazer alguma coisa. Após o jantar Georgiana, Lizzy e Jane se recolheram, alegando ter que levantar cedo no dia seguinte, Darcy, Ian e Charlles foram para o escritório. Por mais que tentasse, Darcy não conseguia se concentrar no que tratava com Charlles. Depois de algumas horas Charlles e Darcy subiram, Ian resolveu terminar o livro que desde sua chegada a Pemberley iniciara, e com sua partida ele resolveu terminar o ultimo capítulo do livro.
Darcy parou na porta do quarto de Georgiana, pensou em não entrar, mas ele se sentia na obrigação de ajudar sua irmã, afinal a relação deles o dava esta liberdade, bateu na porta, Ela se assustou ao ouvir a voz do irmão, mas o deixou entrar enxugou as lágrimas o mais rápido possível.
- Darcy! Aconteceu algo? Já é muito tarde.
- Eu é quem lhe pergunto, está acontecendo algo minha irmã?
- Não.. claro que não está.
- Georgiana, eu a conheço muito bem, cuidei de você todos estes anos, sempre fomos você e eu, deixe-me ajuda-la minha irmã. Você não confia mais em mim?
- Claro que confio Darcy.
Georgiana correu em direção ao irmão, o abraçou e não mais segurou as lagrima, chorou tudo o que estava preso em seu peito, Darcy apenas acariciava os seus cabelos loiros, ficaram assim por um longo tempo, até que ele falou:
- Querida eu sei de tudo.
- Como assim? Quem...
- Ninguém me contou, sou um bom observador, e percebi tudo, Lizzy só me confirmou.
- Darcy eu...
- Deixe-me falar. Desde minha estadia em Londres que percebi o interesse de Ian em você. Por isso o convidei, pois achava que ele era um bom partido para você, e pelo que vi no dia do meu casamento, sinceramente achei que você compartilhava do mesmo sentimento, mas quando ele chegou aqui, a vi distante, fria, grosseira, uma outra Georgiana que eu não conheço.
- Eu fui uma tola Darcy, mas eu tive medo, a possibilidade de amar novamente me aterrorizava, eu estou me odiando por isso.
- Não se odeie, é completamente compreensível seu temor, mas se eu não tivesse a certeza das boas intenções, e do amor verdadeiro de Ian por você não estaria aqui.
- Eu percebi isso muito tarde.
- Nunca é tarde para o amor, Georgiana.
- Mas ele partirá amanhã e eu não sei quando o verei novamente, e pela frieza com que ele tem me tratado acho ate que já não tem mais tanto interesse assim.
- Frieza, por que você diz isso?
- Desde o nascimento de Edward que mal nos falamos. Ele mal me dirige a palavra ultimamente, vai ver se cansou de minha criancice.
- Você é muito madura, e Ian certamente a compreendeu, mas você já pensou que ele também pode está esperando você falar com ele sobre este assunto? Georgiana, nenhum homem gosta de ser tratado da forma que você o tratou ultimamente, principalmente se há amor sincero envolvido e lembre-se ele não sabe os seus motivos.
- Você acha Darcy, será que é isto mesmo?
- Tenho certeza.
- Amanhã falarei com ele, antes dele partir.
- Por que deixar para amanhã? Vá falar com ele agora.
- Mas já é tarde e...
- Quando eu subi, ele ficou lá no escritório.
- Você disse a ele que viria falar comigo?
- Não, acho que este assunto tem que ser resolvido entre você e ele.
- Posso ir Darcy?
- Vá, antes que eu me arrependa de entregar minha irmã para ele.
- Eu te amo muito meu irmão, obrigada por tudo.
- Eu também a amo muito, e foi isso que me fez tomar esta atitude, eu jamais me perdoaria se deixasse você sem experimentar a felicidade, você mais que ninguém merece isso. Ande vá, e juízo!
Georgiana ainda não havia se trocado para dormir, então apenas passou uma água em seu rosto e se arrumou, ela estava extremamente nervosa, seu coração parecia que iria saltar de seu peito ela tremia inteira, desceu as escadas com muito custo, chegou em frente a porta do escritório e ficou parada pensando no que falar e como começar, quando foi surpreendida por Ian que abria a porta para sair, a surpresa dele foi ainda maior.
- Senhorita Georgiana, posso ajudá-la?
- Eu...é, eu vim falar com você, podemos conversar um instante?
- Mas já é tarde, e se nos descobrirem podem nos interpretar mal e não quero comprometê-la.
- Não se preocupe meu irmão sabe que estamos aqui. Acho melhor entrarmos.
- Claro vamos, por favor, entre.
Eles entraram. Georgiana sentou numa poltrona, Ian estava nervoso demais para sentar, preferiu ficar de pé, um silêncio profundo se instalou no escritório, ele não agüentando mais de curiosidade perguntou:
- Então, o que a Senhorita quer falar comigo?
- Bem, eu estou muito nervosa, então não me apresse e não me interrompa, deixe-me falar, apenas me ouça com atenção.
- Está bem.
- Sei que desde sua chegada a Pemberley não o tenho tratado bem, e muito menos correspondido seu interesse por mim, lhe garanto que tenho meus motivos para ter agido de tal forma...
- Não precisa contar se não quiser...
- Por favor, eu preciso.
- Há algum tempo atrás me apaixonei perdidamente por homem, e entreguei meu coração, ele me fez acreditar que também me amava, estava disposta a enfrentar tudo por ele, e como era alguém próximo de nossa família, achei que Darcy apoiaria. Mas eu estava completamente enganada, ele estava apenas interessado no meu dinheiro, eu descobri isso da pior forma possível, eu era uma menina, imagine o tamanho da minha decepção e do meu sofrimento.
- Sinto muito Georgiana. Eu não imaginava.
- Eu também senti muito durante muito tempo. Fechei-me completamente para o amor, mas...
- Mas?
- Mas agora quero me dar uma chance se ser feliz e confiar no amor novamente. Desculpe-me pela forma áspera que eu lhe tratei, mas eu tinha medo, um medo súbito de sofrer novamente, e quando me vi completamente apaixonada por você, meu primeiro impulso foi afastá-lo de mim.
- Apaixonada por mim? Então quer dizer...
- Sim, estou falando que o amo, como nunca amei em toda a minha vida, tenho certeza de que você me ama e quero viver este sentimento com toda a sua intensidade, claro se você ainda quiser.
- Se eu quero? Meu amor essa é a melhor noticia que eu recebi em toda a minha vida, você não sabe o quanto eu sofri com seu desprezo, a duvida se você realmente sentia algo por mim ou não.
- Então você me perdoa por todas as bobagens que eu fiz?
- Eu nem tenho o que perdoar, eu a amo muito e a entendo completamente, entendo seu receio, mas eu jamais lhe magoaria, esse crápula não merecia seu amor.
Ian parou em frente à Georgiana se ajoelhou, pegou sua mão tremula. Georgiana ao perceber o que ele estava prestes a fazer tremeu mais ainda.
- Senhorita Georgiana Darcy, aceita se casar comigo?
- Ian eu...
- Por favor, diga que sim, não suporto mais viver longe de você, por mim casaria agora mesmo, então qual a sua resposta?
- Sim, sim, sim, o que mais desejo hoje é me tornar a Senhora Miller.
- Posso beijá-la futura Senhora Miller?
- Deixe-me ver...deve!
Georgiana levantou e abraçou Ian, era um abraço de felicidade, Ian tirou os cabelos loiros dela que encobriam seu lindo rosto, acariciou sua face, olhou fixamente em seus belos olhos azuis, e em seguida a beijou longamente, foi um beijo terno como o momento pedia, eles ficaram por mais um tempo conversando, depois saíram, e ao abrirem a porta do escritório deram de cara com Darcy e Lizzy sentados na sala.
- Desculpem-nos, mas Darcy, bem...
- Não precisa se desculpar Lizzy, imaginei que meu irmão estaria me esperando aqui.
- Darcy, gostaria de lhe pedir a mão de sua irmã em casamento. Amo-a verdadeiramente e posso lhe garantir que nada lhe faltará quando se tornar minha esposa, peço desculpas pela falta do anel, mas como foi tudo muito inusitado, não o tenho aqui comigo para um pedido formal.
- Sei disso, mas o que mais importa para mim, é que nunca lhe falte amor, e isso eu sei que você cumprirá.
- Lhe dou minha palavra de honra.
- Então nada me dar mais prazer do que entregar minha irmã que tanto amo, a um homem honrado e que tenho certeza que a fará muito feliz. Seja bem vindo a família Sr. Ian Miller.
Os dois se abraçaram num cumprimento feliz, pois ambos estavam muito felizes, Ian por se casar com a mulher amada, e Darcy por ver sua irmã feliz e com um casamento feliz assim como o seu. Eles ainda ficaram conversando sobre o casamento por algumas horas, e ficou combinado que eles se casariam dentro de dois meses, e que eles morariam na propriedade que Ian havia comprado, o que deixou Lizzy e Darcy muito felizes, pois estariam perto deles. Depois de muito conversarem eles resolveram dormir devido ao cansaço.
Georgiana e Ian mal dormiram tamanha a felicidade. No dia seguinte anunciaram a boa noticia aos Bingleys. Ian partiu naquele mesmo dia para comunicar a noticia aos seus pais, providenciar o anel e os papeis do casamento.
Os dias se seguiram cheios de muita alegria e expectativa, durante este tempo Ian veio a Pemberley por três vezes para visitar Georgiana. Finalmente chegou o grande dia do casamento, toda a alta sociedade da região estava na cerimônia, Darcy fez questão de realizar uma grande festa, luxuosa como Georgiana merecia, todos festejavam a felicidade dos noivos. Lizzy não pode deixar de comentar.
- Meu amor, estou muito orgulhosa de você, a forma como você agiu com os dois foi digna de seu caráter, por isso eu o amo mais a cada dia.
- Tudo o que desejo no mundo é a felicidade de todos que eu amo, e tudo o que fiz foi pela felicidade de minha irmã, e hoje a vendo desse jeito, tenho a certeza que fiz a coisa certa.
- Concordo com você, eles realmente serão muito felizes, tenho certeza disso.
- Espero que sejam tão felizes como nós somos. Eu já disse hoje como a amo Sra. Darcy?
- Acho que já, mas não me canso de ouvir.
A festa chegou ao fim, todos foram embora, Georgiana e Ian resolveram passar o restante da noite em Pemberley antes de partirem para a lua de mel em Paris. Lizzy havia mandado preparar um quarto e hospedes para o casal. Eles entraram no quarto, Georgiana estava tensa, o que foi percebido por Ian.
- Está feliz meu amor?
- Sim, muito.
- Você está tensa?
- Não... Na verdade eu estou sim.
- Meu amor, não é necessário...
- Sou sua esposa, e agora quero ser sua mulher.
- Georgiana, eu também a desejo, tanto quanto a amo, prometo que serei cuidadoso.
- Eu confio em você, no seu amor.
Pemberley foi testemunha da primeira noite de amor de Georgiana, para Ian era como se fosse à primeira vez, pois era a primeira vez com amor.
FIM
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