Já havia se passado quase um mês desde o nascimento do pequeno Edward, ele estava cada vez mais parecido com Darcy, tinha apenas os belos olhos da mãe. Lizzy e Darcy estavam extremamente felizes, por dias Darcy se esquecera dos negócios e ficou em função de seu filho e sua esposa.
Pemberley estava cheia, todos foram ver a beleza do herdeiro da fortuna dos Darcys e para a festa de seu batizado, estavam lá os Bennet, Anne e seu esposo, o Coronel Fitzwilliam, menos Lady Catherine, pois essa apesar do convite formal de Darcy e Lizzy recusou com o mesmo orgulho que a caracteriza.
Durante todo o mês Ian se manteve afastado de Georgiana, pois ele decidiu que daria a ela todo tempo e espaço para pensar e colocar seus sentimentos em ordem, apesar de seu imenso desejo de tê-la em seus braços, viver seu amor intensamente, a conversa entre eles se resumia apenas em poucas trocas de cumprimentos e olhares, e por mais que a amasse muito não mais a importunaria com seus sentimentos, esperava que ela o procurasse, e quando sentisse que ela também o amava, confirmaria seu amor.
Georgiana estava angustiada com a distancia de Ian, ele não a procurava mais, mal se falavam, ela por diversas vezes pensou em procurá-lo para se declarar, pedir desculpas por seu comportamento, dizer a ele que ela também o amava intensamente e queria ficar ao lado dele para sempre, mas não teve a chance de fazer isso. Primeiro por que tinham muitas pessoas na casa o que a impossibilitava de ficar a sós com ele, e segundo pela distancia dele, será que ele tinha desistido dela? Por mais que ela se esforçasse para entendê-lo não conseguia, mas o que ela podia fazer tinha que esperar uma oportunidade para ficar a sós com ele, ou quando todos fossem embora.
Em fim chegou o grande dia do batizado de Edward, a festa foi apenas para a família e os amigos mais íntimos, a festa tinha sido organizada por Jane, que fez tudo com o maior capricho. Lizzy e Darcy eram só sorrisos, a festa seguia animada, a felicidade do casal era tão grande que contagiava a todos. Enquanto todos se divertiam, um pequeno grupo formado por Darcy, Lizzy, Charlles, Ian, o Sr. Bennet e o Coronel Fitzwilliam conversavam, Georgiana se aproximou do grupo no exato momento
- Mas por que tanta pressa
- Darcy, vim por um motivo especifico e não posso me ausentar por tanto tempo dos negócios da família.
- Não se preocupe amanhã mesmo iremos fechar negocio com as terras que você escolheu. Perdoe-me por ter deixado este assunto de lado.
- Imagine Darcy eu o entendo perfeitamente, em seu lugar agiria da mesma forma, seu filho é uma criança encantadora. Mas realmente preciso partir em no máximo três dias.
- Acho que Ian está sentindo falta da agitação da capital, de flertar com as moças, afinal aqui em Pemberley não tem tantas assim. – brincou o coronel Fitzwilliam.
- É verdade, Ian deve ter deixado muitas jovens apaixonadas em Londres e realmente precisa voltar. – falou Charlles.
- Não sei por que vocês homens pensam que tudo que outro homem faça ou pense, está relacionado à mulheres, francamente. – esbravejou Lizzy.
- Querida foi apenas uma brincadeira, todos sabemos que Ian é um homem serio, e como ele mesmo um dia me confidenciou, ainda acredita no amor verdadeiro. – ponderou Darcy.
- Certamente Darcy eu preso muito o verdadeiro amor, o casamento sem interesse, mas infelizmente acho que não tenho muita sorte nestes assuntos.
- Mas um dia terá, eu sei que sim, pois existem muitas moças que também sonham com um casamento por amor, assim como você, e quem sabe ela está bem mais próxima do que você imagina, é só ter paciência.- Falou Jane.
- Mas é uma pena que você não possa ficar mais alguns dias conosco, será que não dá para adiar sua partida só por mais um tempo? - Lizzy perguntou percebendo a tristeza nos olhos de Georgiana.
- Agradeço a hospitalidade Sra. Elisabeth, mas preciso partir.
- Mas quero que saiba que as portas de Pemberley estão sempre abertas para você.
- Obrigada Darcy, sempre que possível voltarei, jamais esquecerei os momentos agradáveis vividos aqui, e quero ressaltar que quando forem a Londres não deixem de nos fazer uma visita.
- Certamente faremos, será um imenso prazer.
Georgiana que todo o tempo permanecera calada ouvindo toda a conversa se retirou, sua cabeça estava dando voltas, Ian iria embora dali a três dias, ela estava prestes a perder o grande amor de sua vida, ela estava se sentindo tonta, se apoiou em uma cadeira e conseguiu sentar. Estava se sentindo uma tola, por um medo bobo estava deixando a sua felicidade escorrer por seus dedos, precisava sair dali o mais rápido possível para não chorar na frente das pessoas. Respirou fundo, levantou-se bem devagar, e saiu sem que ninguém percebesse, foi para seu quarto, lá se jogou na cama e começou a chorar copiosamente, precisava fazer isso para limpar a sua alma. Depois de algum tempo Darcy sentiu falta da irmã, procurou-a pelo salão, como não a encontrou perguntou a Lizzy:
- Meu amor onde está Georgiana que há algum tempo não a vejo?
- Georgiana... Ela se recolheu, não estava se sentindo muito bem, estava cansada, por isso ela me avisou que subiria para seu quarto, mas que não nos preocupássemos, pois é só uma indisposição. – Lizzy mentiu.
- Lizzy você acha mesmo que sou um tolo?
- Não Darcy, por que você falou isso?
- Sei que tem algo de errado acontecendo com Georgiana, não sou cego Lizzy, conheço bem minha irmã, e sei que ela está triste e sofrendo, só não sei do que se trata.
- Darcy...eu..
- Não se aflija, não a culpo por não querer me contar, mas você tem que convir que ela é minha irmã, me preocupo com ela, a amo demais para deixar passar desapercebido o sofrimento dela.
- Não é nada muito grave posso lhe garantir.
- Tenho uma leve suspeita do que se trata, mas não falaremos sobre isso agora, não é o momento mais propicio, mas assim que a festa acabar conversaremos sobre o assunto.
- Está bem Darcy, você tem toda razão, você precisa saber o que está acontecendo.
A festa finalmente acabou, todos os convidados já haviam se retirado, e todos os hospedes de Pemberley se recolhido, Lizzy havia terminado de amamentar o pequeno Edward e colocá-lo para dormir, olhou para o marido e o viu tão angustiado que teve a certeza de que tinha que contar tudo o que estava acontecendo. Darcy amava muito a irmã e mais do que ninguém tinha o direito de saber o motivo da tristeza de Georgiana. Ela caminhou até ele, o beijou ternamente nos lábios e em seguida o abraçou, passaram uns minutos assim, abraçados, depois sentaram-se na cama e ela pôs a contar toda a historia desde o inicio. Darcy ouviu tudo atentamente, sem interromper Lizzy, pôr fim ele falou:
- Eu já imaginava.
- Como assim, Ian lhe falou alguma coisa?
- Não, e nem precisava, só um cego não percebia o olhar entre eles. Mas achei que...
- Achou o que Darcy? Continue.
- Nada querida, obrigada por me contar, mas lhe peço que jamais me esconda tais assuntos.
- Desculpe-me querido, não foi minha intenção...Vamos nos deitar foi um longo dia.
- Vá você, preciso pensar um pouco, me deixe sozinho, por favor.
Lizzy viu nos olhos de Darcy que ele realmente queria ficar sozinho, não porque estava zangado com ela, pois ele deixou claro que não estava, mas porque ele estava preocupado com sua irmã. Ela foi deitar-se e ele ficou um bom tempo sentado em uma poltrona em frente a grande janela do seu quarto, pensativo.














