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Gostar de dançar é certamente a primeira etapa antes de se apaixonar. (Jane Austen)

10 coisas que preciso fazer antes de ter você... - Capítulo IX

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Capítulo IX
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Quando os sentimentos mudam...
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Darcy...
- Lizzy. – segurei suas mãos delicadamente - Quero que, por favor, me deixe falar; preciso dizer tudo o que está preso em minha garganta; há anos sinto que vou enlouquecer. Eu te amo, sempre te amei, mas não como um amigo, entende? Há oito anos atrás fui um grande covarde e preferi fugir a te seqüestrar para longe de tudo aquilo, para longe daquele idiota e sermos apenas nós dois, longe, em qualquer lugar... Eu só preciso de uma única resposta... Uma única palavra sua e me silenciarei para sempre...


Por que era tão fácil, as palavras fluírem no meu pensamento?! Quantas vezes ensaiei este discurso depois de voltar para casa? Agora aqui estou eu, deitado ao lado dela na cama contemplando o vai e vem da sua respiração enquanto tento desesperadamente controlar minhas mãos para não acariciá-la.

- Você ainda está aqui. – ela falou sonolenta enquanto se espreguiçava na cama.

- É, ainda estou aqui. – respondi sorrindo.

- Ter você aqui me faz bem. – ela sussurrou me lançando um olhar diferente, intenso.

- Estar aqui me faz bem, também.

- Não dormimos assim há quantos anos? Dez?

- Na cama, acho que sim.

- Sabe, Will. Senti falta disso, senti sua falta.

- Também senti sua falta, Lizzy.

- Obrigada por ter ficado aqui.

- Você está bem? Quer dizer, sobre ontem, tudo bem?

- Está. – ela falou em um longo suspiro – não sei o que foi aquilo ontem. Não quero que pense que não quero o divórcio, Deus! É tudo o que mais quero agora; só que, não é fácil aceitar que tudo está mudando, que eu estou mudando, meus sentimentos estão estranhos e acho que não sei lidar muito bem com isso tudo.

- Te entendo perfeitamente, já passei por isso uma vez e também não lidei muito bem com a situação.

- E o que você fez?

- Eu... – pensei no que responder, mas ainda não era o momento – Você vai encontrar um jeito, sei que vai.

- Obrigada, Will. – ela agradeceu enquanto o despertador tocava - Que horas são?
- Quase nove.

- Ops! – ela falou entre risadas quando seu estômago roncou alto.

- Seu apetite ainda continua o mesmo pela manhã? – perguntei me juntando a ela nas gargalhadas.

- Se ainda como igual a uma leoa pela manhã? A resposta é sim.

- Então o que acha de comprarmos nosso café da manhã e irmos até as margens do Tamis como nos velhos tempos?

- Céus! Acho perfeito! Como nos velhos tempos! – ela repetiu enquanto me lançava aquele sorriso aberto. – Will?

- Hum? – respondi enquanto levantava da cama.

- O que você queria me dizer ontem antes do George ligar?

- O... O que? – perguntei tomando um grande susto. Não esperava por aquela pergunta e agora não sabia o que responder. – Eu...

- Algum segredo cabeludo que ninguém pode saber? – ela brincou enquanto levantava da cama e entrava no banheiro.

Fiquei ali parado, pensando que talvez esse fosse o momento; talvez fosse agora ou nunca mais. Respirei fundo, repassei tudo o que tinha que dizer e me preparei para começar quando o meu celular começou a tocar. Pensei em ignorar, mas sabia que para minha mãe me ligar, algo tinha acontecido, era melhor atender.

- Mãe?

- Will?! Filho, onde você está? – a voz dela parecia aflita.

- Estou bem mãe. – tentei tranqüiliza-la – Estou na casa da Lizzy.

Pelo silêncio que se fez após a minha resposta, sei que minha mãe me deu espaço para falar mais, lhe contar o que estava havendo, mas diante do meu silêncio, ela me respeitou e continuou como se nada tivesse acontecido.

- Querido preciso que me faça um favor. Eu e Roger estaremos ocupados durante a manhã toda e queria saber se você pode ir buscar os filhos dele no aeroporto às onze horas.

- Claro, mãe.

- Obrigada, querido. – mas alguns segundos em silêncio, então ela continuou – Está tudo bem, Will?

- Está. – foi apenas o que consegui responder, não queria e nem poderia falar sobre o que estava acontecendo agora.

- Ok. Nos veremos no almoço.
- Eu te conto tudo depois, mãe. – falei na tentativa de acalmá-la, pois conhecia seu tom de voz e certamente ela estava preocupada.

- Só não quero que se machuque novamente, Will.

- Prometo que ficarei bem, não sou mais aquele garoto de oito anos atrás.

- Sempre será o meu garoto. Tome cuidado. Eu te amo.

- Eu também te amo. – respondi antes de desligar.

- Então? – Lizzy perguntou quando saiu do banheiro.

- Então o que?

- Vai me contar ou não?

- Vamos comer logo. – mudei de assunto – Teremos que ser rápidos, pois vou buscar os filhos do Roger no aeroporto dentro de uma hora e meia.

- Ah! – ela pareceu decepcionada – Não quero te atrapalhar. Podemos deixar nosso café da manhã no Tamis para outro dia.

- Não! Temos algum tempo e depois você pode ir comigo ao aeroporto.

- Está tudo bem, Will. Preciso mesmo organizar algumas coisas, pois começo no trabalho na segunda e ainda tenho que arranjar um advogado para cuidar do divórcio.

- Tem certeza?

- Claro.

- Nos vemos a noite, então? No jantar?

- Estarei lá.

- Posso vir te buscar, se quiser.

- Will, sua casa não fica nem a duas quadras daqui.

- É verdade. – respondi me sentindo um idiota – Então, nos vemos a noite.

Ela me acompanhou até a porta enquanto durante o pequeno percurso eu ficava me perguntando por que simplesmente não a pego em meus braços e ao invés de falar, lhe mostro tudo o que sinto? Por que sou um grande covarde; por que se ela me rejeitar e me expulsar de sua vida, não sei se vou agüentar novamente.

Dirigi calmamente pela cidade pensando em como estava indo o andamento do meu plano. Estava tentando realizar os itens da lista dela, mas e depois? O que eu farei quando tudo acabar? O mais correto é seguir o plano inicial; se ao final de tudo, perceber que ela está pronta para saber a verdade, me declaro e acabo com essa novela mexicana que minha vida virou; mas se nada mudar e ela continuar me vendo apenas como seu amigo, vou tirá-la da minha vida de uma vez por todas.
Resolvi passar em casa e convidar o Charles para ir comigo ao aeroporto. Sei que não tenho sido um bom amigo para ele desde que chegamos em Londres. Apesar de meio emburrado, ele aceitou prontamente.

- Agora não pode dizer que depois de passar a noite com ela, nada aconteceu. – ele falou quando entrou no carro.

- Nada aconteceu. – respondi sorrindo.

- Como assim?! Mas o que está havendo com você, cara?! É simples, vou te explicar: você a pega de jeito e leva ela pra cama. Viu? Simples.

- Primeiro: não sou você. Segundo: com ela é tudo diferente. Mas você não entende isso, não é?

- Não, não entendo.

- Está bem senhor garanhão e como foi ontem com a Jane? – o provoquei, pois pelo seu mau humor, a noite não foi nada agradável. – Quantos foras você levou? – perguntei diante do silêncio dele.

- Tecnicamente, três, já que no quarto ela arrancou com o carro e me deixou falando sozinho no meio da rua, o que não conta como um fora.

- Eu te avisei. – falei tentando segurar o riso.

- Qual o problema das mulheres Bennet’s? Elas são muito difíceis. Mas Jane Bennet não me conhece, não mesmo.

- Errado meu amigo, você não a conhece. Charles, tenha cuidado.

- Acha mesmo que vou desistir. Ela será minha até o final deste mês, aposto qualquer coisa.

- E eu aposto que você estará apaixonado por ela feito um cachorrinho antes do final do mês.

- O que?! Está brincando comigo? Até parece que não me conhece. Nenhuma mulher vai exercer este poder sobre mim, meu amigo. Eu disse nenhuma!

Preferi não mais estender o assunto, mas sabia que o Charles estava se metendo em um terreno perigoso e isso poderia ser muito ruim, ou bom para ele, já que há tempos ele precisa de alguém que o coloque nos eixos.

**********************************

Lizzy...

*
- Uau! Você está maravilhosa! – Jane exclamou quando abri a porta para ela.

- Não exagera, Jane. Você é que será o centro das atenções no jantar.

- Então, seremos as duas as mulheres mais bonitas do jantar.
- Falou com seu amigo advogado? – perguntei enquanto fechava a porta e entravamos no carro dela.

- Falei. Marquei uma reunião para segunda na hora do almoço. Ele disse que as chances de você conseguir a metade de tudo são grandes.

- Não quero nada do George. – falei com firmeza.

- Você só pode estar brincando! Tem direito a metade de tudo o que aquele idiota tem.

- Posso conquistar minhas coisas, Jane. Não preciso do dinheiro dele.

- Não se trata disso, Lizzy. Precisa deixar seu orgulho de lado e pensar com mais frieza. Esteve ao lado dele durante oito anos e ajudou ele a construir aquele patrimônio, então tem direito a sua parte sim. Pense bem, poderá montar seu consultório com o dinheiro, refazer sua vida.

- Não sei...

- Promete ao menos pensar no assunto?

- Prometo. Então, como foi ontem com o Charles? – mudei de assunto e recebi uma carranca dela.

- Ele é um idiota!

- Ai Jane! Que horror! Gostei muito dele, é inteligente, divertido, bonito...

- E se acha o irresistível. Não tenho mais paciência para este tipo de homem, minha irmã.

- Não sei não, mas não estou sentindo tanta segurança na sua voz ao dizer isso.

- Podemos não mais falar sobre ele? Já terei que agüentar muito de Charles Bingley por esta noite.

- Tudo bem. – concordei sorrindo, mas sabia que ele mexeu com ela de alguma forma, ou então ela não estaria com toda esta defesa.

- E você e o William, como estão?

- Como assim eu e o Will? – perguntei sem saber onde ela queria chegar.

- Vocês estão sempre juntos. O que está rolando ente vocês?

- Somos amigos. Está cansada de saber disso. – respondi me sentindo perturbada.

- Então porque o estresse? – Jane parecia se divertir com meu estado de nervos.

- Chegamos. – respondi aliviada quando estacionamos em frente à casa dos Darcy’s.
Fomos recebidos pela Sra. Darcy que irradiava felicidade por seu rosto; ela nos apresentou ao seu noivo que por sinal era muito simpático e transparecia ser completamente apaixonado por ela. Eles nos conduziram até a sala que ainda estava vazia; passei meus olhos em busca do Will, mas nenhum sinal dele.

- É bom recebe-la aqui novamente, minha querida. – A Sra. Darcy falou com carinho enquanto me abraçava.

- Eu fico feliz em estar aqui, Sra. Darcy. Obrigada.

De repente as risadas ecoaram pelo corredor da casa e à medida que se aproximavam da sala, pude perceber uma voz feminina misturada com várias vozes masculinas. Quando finalmente apareceram, Charles entrou acompanhado por um belo loiro, alto de traços finos e muito elegante; logo depois o Will apareceu de braços dados com uma loira linda e com um vestido maravilhoso. Foram as únicas coisas que observei.

- Aí estão vocês. – a Sra. Darcy falou enquanto caminhava até o grupinho feliz. – Nossas convidadas já chegaram. – só quando ela apontou para mim e Jane, eles notaram nossa presença.

- Oi! – Will acenou para nós enquanto se aproximava com a loira a tiracolo. – Que bom que vieram. Quero apresentar os filhos do Roger; Denner – o rapaz loiro nos cumprimentou polidamente. – E está é...

- Olá! Sou Karen. – a loira se adiantou e nos cumprimentou, mas não sem nos analisar por completo.

- Olá. – respondi meio impaciente, mas sem entender bem o motivo.

- Acho que já podemos jantar. – Roger falou e todos nos dirigimos até a sala de jantar.

O jantar transcorreu aparentemente normal, mas eu estava quase sufocando. O motivo para tal desconforto, não sei, mas me incomodou ver a forma tão intima como o Will e a tal de Karen se tratavam. Eles sentaram juntos e fiquei imaginando como uma pessoa poderia parecer ter mais de dois braços, pois ela sempre estava com a mão em cima dele.
Passei o jantar quase todo emburrada; respondi apenas o que me era perguntado e no mais, não conseguia tirar os olhos de cima dos dois. Após o jantar, fomos para a sala de estar, e para não variar a loira quase sentou no colo do Will de tão grudada.

- Então você é a famosa modelo francesa? Uma das Angel’s da Victoria Secret’s. – Charles falou abobalhado.

- Não tão famosa assim. – ela respondeu com uma falsa modéstia que me deixou ainda mais irritada. – Já você e o Will.

Will?! Ouvi bem? Ela o chamou de Will?! Ela apenas o conhece há algumas horas e já era Will?! Me inquietei na cadeira e Jane pareceu perceber meu desconforto.

- Will. – como doía no ouvido aquela voz fina se derretendo para ele. – Faz séculos que não saio pra dançar. Por que não me convida?

- Ah! Que idéia ótima, Karen. Acho que os jovens precisam de uma diversão melhor do que acompanhar dois velhos. – Roger comentou com seu bom humor.

- Eu topo. – Denner concordou rapidamente.

- Eu também. – Charles o seguiu – Jane?

- Por mim, tudo bem.

Droga! Jane concordou, o que significa que eu não tenho saída.

- Lizzy? – Will me perguntou com um sorriso animado nos lábios.

- Claro, por que não? – concordei vencida.

Jane, Charles e Denner foram no carro da Jane e infelizmente para mim, fui com o Will e a Karen. O trajeto até a boate foi um suplício; fiquei apenas ouvindo o quanto a vida da Karen era agitada e glamorosa, ou em quantas capas ela já saiu. Pela cara do Will ele também estava achando um saco, mas como sempre, sua educação o fazia apenas sorrir polidamente.

A boate estava lotada, cheia de gente bonita e boa música, mas por incrível que pareça, não me sentia no clima para festas; estava chateada, com raiva e nem mesmo sabia porque. Charles foi logo convidando Jane para dançar, que apesar de relutar no começo, acabou aceitando; Will foi praticamente arrastado para a pista de dança pela Karen enquanto eu e Denner procuramos uma mesa.
Ficamos sentados em um silêncio constrangedor; eu já era muito calada e ele também não facilitava muito. Mais alguns minutos e eu cortaria os pulsos.

- Vou pegar uma bebida no bar. – gritei devido à música alta – Quer alguma coisa?

- Não, obrigada. – ele gritou de volta.

Revirei os olhos e saí rumo ao bar. Pedi minha bebida favorita, marguerita. O barman era tão lindo e pareceu ir com a minha cara, pois a bebida foi por conta da casa. Pretendia apenas pegar a bebida e voltar para a mesa, mas alguns minutos e margueritas depois, já me sentia tonta.

- Ei! – ouvi o Will gritar no meu ouvido. – Estávamos te procurando.

- Estou aqui. – respondi descendo do banco, mas o teor de álcool no meu sangue me fez quase cair.

- Ow! Alguém está ficando bêbada. – ele observou me segurando.

- Claro que não estou bêbada. – me defendi veemente.

- Quantos drinques tomou?

- Três, quatro talvez, mas por que?

- Vamos voltar para a mesa.

- Não! Aquele Denner é um chato! Acredita que não ouvi nem sequer um gemido dele a noite toda? – as palavras já estavam saindo emboladas.

De repente o DJ anunciou meia hora de flashback e uma música que sempre embalou minhas festas e do Will começou a tocar.
- Uhhhhhhh! – gritei eufórica – Nossa música! Vamos para a pista de dança agora.

Apesar de assustado com meu comportamento, ele me seguiu. A música nos invadiu completamente, era como se tivéssemos dezessete anos novamente.

- Lembra da letra? – perguntei no ouvido dele.

- Acho que não. – mal consegui entendê-lo devido ao barulho.

- Vamos lá. – comecei a cantar enquanto dançávamos na pista como se o mundo fosse apenas nós dois.

She's into superstitions
Black cats and voodoo dolls
I feel a premonition
That girl's gonna make me fall
She's into new sensations
New kicks and candle light
She's got a new addiction
For every day and night
She'll make you take your clothes off
And go dancing in the rain
- Lembra que você dizia que essa era eu? – perguntei em meio a uma sonora gargalhada.

- E você é. – foi a vez dele começar a cantarolar enquanto a música pulsava em nossas veias.

Upside inside out
She's living la Vida Loca
She'll push and pull you down
Living la Vida Loca
Her lips are devil red
And her skins the color moca
She will wear you out
Living la Vida Loca
Living la Vida Loca
She's living la Vida Loca

Quando a música acabou nos abraçamos rindo e felizes feito dois malucos.

- Estou com sede e você? – perguntei arfante.

- Acho que não temos mais idade para isso. – ele brincou e nós voltamos a sorrir.

Quando sentamos na mesa, Jane e Charles não estavam e apenas o silêncio sepulcral do Denner e os olhos venenosos da Karen nos esperavam.

- Belo show. – pude sentir toda a ironia que aquelas duas palavras traziam daqueles lábios cheios de botox. Mentira, era natural.

- Obrigada. – respondi igualmente.

- Essa era nossa música na adolescência. – Will explicou.

- Ah! – ela disse impaciente. – Pelo que vejo vocês eram grandes amigos.

- Sim. – respondi sentindo minha raiva aumentar – Ainda somos.

- Claro. – respondeu sem vontade, em seguida virando-se para o Will, enlaçou o pescoço dele com seus braços finos e branquelos. – Will, “irmãozinho”, dança comigo mais uma vez?
- Cla... Claro. – senti que ele concordou perturbado demais.

Pronto. Mais uma vez estávamos eu e o mudo do Denner; não sabia se ele era tímido ou apenas insuportável e esnobe mesmo. Uma música romântica começou a tocar e para minha infelicidade, era a mesma música que embalava meu romance com o George, a mesma que tocava naquele bendito show onde nos conhecemos.
Uma grande tristeza e melancolia me invadiram; me senti sozinha, vazia. Olhei para a pista e vi o Will parecendo se divertir muito com a Karen e isso apenas aumentou minha dor. Levantei abruptamente antes que começasse a me debulhar em lágrimas; ainda procurei por Jane, mas não a encontrei. Saí praticamente correndo da boate parando somente na calçada.

Eu não tinha ninguém. A quem estava querendo enganar? Era bom ter o Will ao meu lado, mas em poucos dias ele iria embora novamente e eu teria que reaprender a viver sem ele. Me senti uma egoísta ao querer voltar lá dentro e arrancá-lo dos braços daquela mulher; ele era só meu amigo, mas por que estava doendo tanto? Deixei algumas lágrimas caírem enquanto chamava um táxi.

- Lizzy!

Ouvi ele gritando, mas fingi que não estava ouvindo e comecei a caminhar apressadamente, esquecendo o táxi.

- Ei! – a voz dele ficou mais próxima então senti suas mãos em meus braços. – Onde está indo?

- Estou indo para casa. – respondi enquanto enxugava o rosto.

- Mas por quê?

- Porque eu quero e pronto.

- Eu te levo.

- Não! – falei alto demais e ele percebeu – Não estrague sua noite por mim.

- Lizzy, o que está havendo?

- Já disse que estou bem. A sua “irmãzinha” está esperando.

- Karen? O que há de errado com ela? Tem sido grosseira com ela a noite toda.

- Ela está me dando nos nervos. – respondi sem pensar.

- Por quê? – ele parecia confuso.

- Olha Will, quer saber? Acho que não tenho direito de te cobrar nada; nem sei o que estou fazendo aqui com raiva dela só porque ela está com você.

- Por que está tão irritada? Está com ciúmes dela? – ele parecia estar se divertindo com tudo aquilo, pude ver um tímido sorriso no canto da sua boca.

- É claro que não! – respondi de imediato, completamente nervosa e confusa – Você pode ficar com ela ou com quem você quiser. – falei um tom muito acima do que o normal. – Vai embora daqui a alguns dias mesmo.

- O que está querendo dizer? – o sorriso de repente desapareceu.
- Will. – comecei já sentindo as lágrimas rolando – Quando te vi naquela noite, senti que minha vida estava renascendo novamente. Mas não quero sofrer de novo entende? Não quero que daqui a duas semanas quando você partir novamente eu tenha que lidar com tudo novamente.

- Seja mais objetiva, Lizzy? – o olhar dele estava duro da mesma forma de oito anos atrás. – Está querendo dizer que é melhor não nos vermos mais, é isso?

- É. – respondi me consumindo por dentro, mas parecia o certo a se fazer, ou não.

- Sempre faz isso não é? Sempre me expulsa quando não sabe lidar com seus sentimentos. – ele explodiu me assustando – Quando vai crescer, Lizzy? Quando vai perceber que...

Ele não conseguiu terminar a frase, pois a voz fina e insuportável da Karen nos alcançou. Ficamos nos olhando enraivecidos e confusos enquanto ela se aproximava.

- Will, querido. Vai ficar aqui fora a noite toda? Vamos dançar. – ela falou me ignorando completamente.

Revirei os olhos e recomecei a andar, queria sair dali o mais rápido possível.

- Ainda não terminamos, Lizzy. – ouvi ele gritar, mas não me dignei a olhar para trás. Segui enquanto meu coração era uma grande confusão, descobrindo sentimentos que me assustavam...

************************

Cenas do próximo capítulo....

... O casamento da mãe dele é daqui a dois dias e inevitavelmente vocês vão se ver.

... Está apaixonada por ele, acertei?

... E porque simplesmente não levanta dessa cama e vai lutar por ela?!

... Então, qual é o próximo passo da lista dos desejos?...

... Está lá fora...

... Definitivamente, quero o antigo Darcy de volta. Você está ficando maluco, cara!...

... Will?! Isso é...

... Somos livres agora, Lizzy...

... Eu sou livre!...
 
 

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