Capítulo VIII
*
*
Entre sabores e descobertas...
*
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Darcy...
Este jantar para os filhos do Roger que viriam da França caiu como uma luva. Bem, ao menos era uma boa desculpa para bater na porta dela no dia seguinte.
- Will? – ela falou ao abrir a porta, eu vi surpresa em seu olhar, mas acho que também vi felicidade e isso me deixou muito feliz.
- Oi! Desculpa ter passado sem avisar, mas queria te fazer um convite. Posso entrar? – Droga! Eu estava mesmo me oferecendo para entrar?
- Ai meu Deus! Desculpe, claro que pode. – visivelmente constrangida, ela abriu mais a porta me dando passagem.
- Nossa! – exclamei ao entrar na sala. – Lembro exatamente de cada lugar deste apartamento.
- Não mudou muito desde que você veio aqui pela ultima vez. Quando meus pais se mudaram para Bath, eles o alugaram com toda a mobília e as pessoas que moraram aqui, não mudaram nada.
- Então... – comecei constrangido, após alguns segundos em silêncio. – Conseguiu o emprego?
- Só vou ficar sabendo à tarde. Mas você disse que queria me fazer um convite.
- Ah é! – assenti envergonhado.
- Se incomoda de conversarmos na cozinha? – ela sugeriu então percebi que ela usava um avental e estava toda suja - É que estou preparando o almoço. Há dias não como uma refeição caseira e não agüento mais comer sanduíche.
- Tudo bem.
A segui até a cozinha e lá também era como se nada tivesse mudado, como se o tempo não tivesse passado. Fiquei observando ela se atrapalhar toda enquanto mexia nas panelas.
- Droga! – ela murmurou quando algo salpicou em seu braço.
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Entre sabores e descobertas...
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Darcy...
Este jantar para os filhos do Roger que viriam da França caiu como uma luva. Bem, ao menos era uma boa desculpa para bater na porta dela no dia seguinte.
- Will? – ela falou ao abrir a porta, eu vi surpresa em seu olhar, mas acho que também vi felicidade e isso me deixou muito feliz.
- Oi! Desculpa ter passado sem avisar, mas queria te fazer um convite. Posso entrar? – Droga! Eu estava mesmo me oferecendo para entrar?
- Ai meu Deus! Desculpe, claro que pode. – visivelmente constrangida, ela abriu mais a porta me dando passagem.
- Nossa! – exclamei ao entrar na sala. – Lembro exatamente de cada lugar deste apartamento.
- Não mudou muito desde que você veio aqui pela ultima vez. Quando meus pais se mudaram para Bath, eles o alugaram com toda a mobília e as pessoas que moraram aqui, não mudaram nada.
- Então... – comecei constrangido, após alguns segundos em silêncio. – Conseguiu o emprego?
- Só vou ficar sabendo à tarde. Mas você disse que queria me fazer um convite.
- Ah é! – assenti envergonhado.
- Se incomoda de conversarmos na cozinha? – ela sugeriu então percebi que ela usava um avental e estava toda suja - É que estou preparando o almoço. Há dias não como uma refeição caseira e não agüento mais comer sanduíche.
- Tudo bem.
A segui até a cozinha e lá também era como se nada tivesse mudado, como se o tempo não tivesse passado. Fiquei observando ela se atrapalhar toda enquanto mexia nas panelas.
- Droga! – ela murmurou quando algo salpicou em seu braço.
- Ei! cuidado. – caminhei até ela e baixei o fogo, retirando a colher de madeira da sua mão. – O que você está tentando fazer aqui? – perguntei ao ver uma coisa rosada dentro da panela.
- Ei! Isso é um molho. Por quê? Não parece?
- Ao menos que seja um molho de chiclete. – respondi não segurando mais o riso.
- A quem estou querendo enganar? Não sei cozinhar mesmo.
- Nunca aprendeu?
- Nunca precisei. – ela respondeu enquanto passava uma pomada no antebraço queimado. – Estudava muito e sempre tivemos cozinheira.
- Posso tentar dar um jeito, se quiser. – me ofereci para tentar salvar seu almoço.
- Vá em frente. – ela assentiu enquanto sentava em um dos bancos do balcão. – Desde quando você sabe cozinhar?
- Desde que me vi sozinho em Nova York. Sobrevivi por um tempo à base de sanduíches e comida instantânea, mas depois, tive que me virar.
- Sou só eu, ou o seu corpo também dói depois da aula de ontem?
- Quase não consegui levantar da cama. – sorri em meio a uma careta. – Você tem salsa aí? – não resisti em usar o trocadilho como piada.
- Tenho. Vou pegar. – ela respondeu rindo, então foi até o armário, voltando com a salsa – Tem certeza do que está fazendo aí?
- Senta lá. – apontei para o banco e ela voltou fazendo bico.
- O convite foi só uma desculpa para vir até aqui? – perguntou irônica enquanto jogava feijões nas minhas costas, igual ela fazia quando éramos crianças.
- Claro que não e para de fazer isso. – a repreendi sorrindo – Os filhos do Roger que moram na França, virão amanhã para o casamento e minha mãe está oferecendo um jantar para eles. Então, queria saber se você quer vir. Vai ser algo para poucas pessoas, e minha mãe adoraria que você fosse.
- Sua mãe é?
- É sim, e eu também.
- Me deixa ver meus compromissos. – ela levou a mão até o queixo como se estivesse pensando. – É, eu vou. Posso desmarcar com o Leonardo de Caprio e o pote de sorvete que me esperava amanhã à noite.
- Ei! Isso é um molho. Por quê? Não parece?
- Ao menos que seja um molho de chiclete. – respondi não segurando mais o riso.
- A quem estou querendo enganar? Não sei cozinhar mesmo.
- Nunca aprendeu?
- Nunca precisei. – ela respondeu enquanto passava uma pomada no antebraço queimado. – Estudava muito e sempre tivemos cozinheira.
- Posso tentar dar um jeito, se quiser. – me ofereci para tentar salvar seu almoço.
- Vá em frente. – ela assentiu enquanto sentava em um dos bancos do balcão. – Desde quando você sabe cozinhar?
- Desde que me vi sozinho em Nova York. Sobrevivi por um tempo à base de sanduíches e comida instantânea, mas depois, tive que me virar.
- Sou só eu, ou o seu corpo também dói depois da aula de ontem?
- Quase não consegui levantar da cama. – sorri em meio a uma careta. – Você tem salsa aí? – não resisti em usar o trocadilho como piada.
- Tenho. Vou pegar. – ela respondeu rindo, então foi até o armário, voltando com a salsa – Tem certeza do que está fazendo aí?
- Senta lá. – apontei para o banco e ela voltou fazendo bico.
- O convite foi só uma desculpa para vir até aqui? – perguntou irônica enquanto jogava feijões nas minhas costas, igual ela fazia quando éramos crianças.
- Claro que não e para de fazer isso. – a repreendi sorrindo – Os filhos do Roger que moram na França, virão amanhã para o casamento e minha mãe está oferecendo um jantar para eles. Então, queria saber se você quer vir. Vai ser algo para poucas pessoas, e minha mãe adoraria que você fosse.
- Sua mãe é?
- É sim, e eu também.
- Me deixa ver meus compromissos. – ela levou a mão até o queixo como se estivesse pensando. – É, eu vou. Posso desmarcar com o Leonardo de Caprio e o pote de sorvete que me esperava amanhã à noite.
- Ótimo. Pronto. Quer provar que é um molho de verdade? – a desafiei.
- Convencido. Duvido que isso esteja bom.
- Pague pra ver. Ou melhor, prove para falar.
Divertida, ela veio em minha direção e provou um pouco do molho, fazendo um grande mistério.
- Então, está bom? – perguntei com expectativa.
- Está ótimo! Finalmente vou poder comer uma macarronada com um molho decente. Obrigada.
- Não por isso. Agora tenho que ir.
- Não pode ficar para almoçar comigo? Quer dizer, se quiser. – ela sugeriu quando caminhávamos até a sala.
- Eu adoraria, mas não posso. Meu sócio Charles está me esperando para realizarmos uma reunião por conferência, e inclusive estou atrasado.
- Ah! Tudo bem.
- Mas se você quiser, posso vir jantar. – Mais uma vez me oferecendo. Onde estava minha auto-estima?
- Eu combinei de jantar com a Jane aqui em casa mesmo. – ela pareceu desconfortável.
- Não. Tudo bem. – realmente eu estava me sentindo um idiota.
- Tive uma idéia! – ela pareceu feliz pelo que estava pensando. – Não é novidade nenhuma que sou uma péssima cozinheira e que a pobre Jane faz um grande sacrifício em vir comer algo que eu faça. Bem, como você parece ser um expert em cozinha, o que acha de vir preparar o jantar e ficar conosco?
- Acho ótimo. – respondi quando alcançamos a porta.
- Ótimo. Então estamos combinados? Ah! E pode trazer seu amigo, assim finalmente eu conheço o cara da camisa florida.
- Ele vai adorar. Então nos vemos a noite. Bom almoço.
- Obrigada.
- Convencido. Duvido que isso esteja bom.
- Pague pra ver. Ou melhor, prove para falar.
Divertida, ela veio em minha direção e provou um pouco do molho, fazendo um grande mistério.
- Então, está bom? – perguntei com expectativa.
- Está ótimo! Finalmente vou poder comer uma macarronada com um molho decente. Obrigada.
- Não por isso. Agora tenho que ir.
- Não pode ficar para almoçar comigo? Quer dizer, se quiser. – ela sugeriu quando caminhávamos até a sala.
- Eu adoraria, mas não posso. Meu sócio Charles está me esperando para realizarmos uma reunião por conferência, e inclusive estou atrasado.
- Ah! Tudo bem.
- Mas se você quiser, posso vir jantar. – Mais uma vez me oferecendo. Onde estava minha auto-estima?
- Eu combinei de jantar com a Jane aqui em casa mesmo. – ela pareceu desconfortável.
- Não. Tudo bem. – realmente eu estava me sentindo um idiota.
- Tive uma idéia! – ela pareceu feliz pelo que estava pensando. – Não é novidade nenhuma que sou uma péssima cozinheira e que a pobre Jane faz um grande sacrifício em vir comer algo que eu faça. Bem, como você parece ser um expert em cozinha, o que acha de vir preparar o jantar e ficar conosco?
- Acho ótimo. – respondi quando alcançamos a porta.
- Ótimo. Então estamos combinados? Ah! E pode trazer seu amigo, assim finalmente eu conheço o cara da camisa florida.
- Ele vai adorar. Então nos vemos a noite. Bom almoço.
- Obrigada.
Quando cheguei em casa, Charles me esperava aborrecido no escritório.
- Desculpe o atraso. – pedi quando sentei perto dele.
- Cara o que está havendo com você? Se alguém me dissesse que um dia você seria tão irresponsável com o trabalho, eu duvidaria.
- Acho que estamos invertendo os papeis, pois está fala é minha. – brinquei.
- Ao menos me diga que deu um beijo nela.
- Cala a boca, Charles. Mas tenho boas notícias.
- Jura? Estou começando a ficar preocupado; suas boas notícias nunca envolvem beijos, mas sim, coisas estranhas. – ele ironizou.
- Temos um jantar hoje à noite na casa dela.
- Tudo o que sempre desejei; segurar vela para vocês dois. Muito obrigado, mas não.
- Tem certeza? A irmã solteira dela estará presente.
- Aí a coisa começa a ficar interessante. – ele sorriu cinicamente. – Ela é bonita?
- Sim, mas vai com calma.
- Quem é esse anjo?
- Esquece, Charles, ela não é pra você.
- Não tente me ensinar a me dar bem com as mulheres, caro amigo. Você ainda é novo nisso.
- Ok. Só estou avisando. Agora vamos trabalhar.
************************************
Lizzy...
- Jane, é só um jantar, prometo. – falei pela milésima vez ao telefone.
- Mas por que é tão importante que eu vá?
- Porque o amigo dele também vem e, além disso, faz oito anos que vocês nãos e vêem. Anda, vai ser divertido.
- Tudo bem, mas tenho que estar em casa as dez, pois amanhã tenho uma audiência muito importante. E o emprego? Conseguiu?
- Eles acabaram de ligar.
- E aí?
- A vaga é minha! – gritei exultante sendo acompanhada por ela.
- Eu sabia. Sabia que ia conseguir. Finalmente parece que as coisas estão começando a darem certo para.
- É, acho que sim. Nos vemos a noite, então?
- Claro. Estarei aí as oito, ta bom?
- Está sim.
- Lizzy?
- Oi.
- Fico feliz em te ver assim, tão feliz.
- Eu também. Sinto que aos poucos volto a ser a mesma Lizzy.
- Desculpe o atraso. – pedi quando sentei perto dele.
- Cara o que está havendo com você? Se alguém me dissesse que um dia você seria tão irresponsável com o trabalho, eu duvidaria.
- Acho que estamos invertendo os papeis, pois está fala é minha. – brinquei.
- Ao menos me diga que deu um beijo nela.
- Cala a boca, Charles. Mas tenho boas notícias.
- Jura? Estou começando a ficar preocupado; suas boas notícias nunca envolvem beijos, mas sim, coisas estranhas. – ele ironizou.
- Temos um jantar hoje à noite na casa dela.
- Tudo o que sempre desejei; segurar vela para vocês dois. Muito obrigado, mas não.
- Tem certeza? A irmã solteira dela estará presente.
- Aí a coisa começa a ficar interessante. – ele sorriu cinicamente. – Ela é bonita?
- Sim, mas vai com calma.
- Quem é esse anjo?
- Esquece, Charles, ela não é pra você.
- Não tente me ensinar a me dar bem com as mulheres, caro amigo. Você ainda é novo nisso.
- Ok. Só estou avisando. Agora vamos trabalhar.
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Lizzy...
- Jane, é só um jantar, prometo. – falei pela milésima vez ao telefone.
- Mas por que é tão importante que eu vá?
- Porque o amigo dele também vem e, além disso, faz oito anos que vocês nãos e vêem. Anda, vai ser divertido.
- Tudo bem, mas tenho que estar em casa as dez, pois amanhã tenho uma audiência muito importante. E o emprego? Conseguiu?
- Eles acabaram de ligar.
- E aí?
- A vaga é minha! – gritei exultante sendo acompanhada por ela.
- Eu sabia. Sabia que ia conseguir. Finalmente parece que as coisas estão começando a darem certo para.
- É, acho que sim. Nos vemos a noite, então?
- Claro. Estarei aí as oito, ta bom?
- Está sim.
- Lizzy?
- Oi.
- Fico feliz em te ver assim, tão feliz.
- Eu também. Sinto que aos poucos volto a ser a mesma Lizzy.
Após desligar o telefone, resolvi procurar algo para vestir. Queria algo leve, bem diferente do que costumava vestir quando estava casada com o George; sempre sóbria e séria, pois ele sempre tinha jantares e eventos sociais para irmos ou amigos para recebermos em casa.
Como por um milagre da natureza, meu corpo não mudou muito desde os meus dezessete anos, a não ser a lei da gravidade que fez algumas coisas caírem um pouco, mas nada que uma boa lingerie não deixasse no lugar.
Olhei no relógio e já eram quase cinco horas da tarde. Quando me olhei no espelho, gostei muito do que vi; o vestido mais solto e sensual caiu muito bem em mim. Lembro de ter comprado ele há quatro anos e nunca ter encontrado a ocasião certa para usar, mas agora era perfeito. Ouvi o som da companhia e corri para a porta.
- Hey! Está se mudando pra cá? – perguntei quando o vi cheio de sacolas.
- São os ingredientes que preciso para preparar o jantar. – ele respondeu calmamente quando retirei um pacote da sua mão.
- Vem algum exercito jantar aqui e eu não sei?
- É que gosto de ter todos os ingredientes por perto e como ainda não decidi o que fazer, trouxe tudo. Tudo bem?
- Claro. Vem, vamos para a cozinha. Consegui o emprego.
- Sério? – assenti então ele continuou. – Isso é maravilhoso, eu sabia que iria conseguir.
- Não é o meu consultório como sempre sonhei, mas já é uma conquista.
- Claro! E tenho certeza de que ainda serei seu paciente, quando montar seu consultório.
- Sou psicóloga, não psiquiatra. Sinto muito. – brinquei.
- Engraçadinha.
Como por um milagre da natureza, meu corpo não mudou muito desde os meus dezessete anos, a não ser a lei da gravidade que fez algumas coisas caírem um pouco, mas nada que uma boa lingerie não deixasse no lugar.
Olhei no relógio e já eram quase cinco horas da tarde. Quando me olhei no espelho, gostei muito do que vi; o vestido mais solto e sensual caiu muito bem em mim. Lembro de ter comprado ele há quatro anos e nunca ter encontrado a ocasião certa para usar, mas agora era perfeito. Ouvi o som da companhia e corri para a porta.
- Hey! Está se mudando pra cá? – perguntei quando o vi cheio de sacolas.
- São os ingredientes que preciso para preparar o jantar. – ele respondeu calmamente quando retirei um pacote da sua mão.
- Vem algum exercito jantar aqui e eu não sei?
- É que gosto de ter todos os ingredientes por perto e como ainda não decidi o que fazer, trouxe tudo. Tudo bem?
- Claro. Vem, vamos para a cozinha. Consegui o emprego.
- Sério? – assenti então ele continuou. – Isso é maravilhoso, eu sabia que iria conseguir.
- Não é o meu consultório como sempre sonhei, mas já é uma conquista.
- Claro! E tenho certeza de que ainda serei seu paciente, quando montar seu consultório.
- Sou psicóloga, não psiquiatra. Sinto muito. – brinquei.
- Engraçadinha.
O ajudei a colocar tudo no balcão e fiquei apenas observando ele arregaçar as mangas da belíssima camisa e começar a tirar as coisas dos pacotes.
- Qual será o cardápio? – perguntei ao me sentar no balcão.
- Ainda não sei direito, mas pensei em uma salada verde de início e uma boa massa depois, o que acha?
- Acho que isso não vai dar certo. – sorri marota. – Mas se funcionar, vou adorar. Quer ajuda?
- Claro. Na verdade, quero te ensinar a cozinhar.
- O que? Está falando sério?
- Hunrum. Você sempre quis aprender, então, hora de começar.
- Tudo bem. Espero que você saiba muito bem o que está fazendo.
Coloquei o avental que ele me entregou e passei primeiro a observar, depois de alguns minutos, já estava literalmente com a mão na massa. Com a mesma paciência e disciplina que lhe era característico, ele me ensinou vários truques e segredos.
- Uau! Nem acredito que fiz mesmo isso. – exclamei ao ver o saboroso sorvete de creme nas taças no congelador. – E o melhor é que estão realmente deliciosos. – comentei enquanto lambia a panela como se fosse uma criança.
- Viu? Não é assim tão difícil.
- Essa lasanha parece deliciosa. – observei quando ele a colocou no forno. – Não sabia que era tão bom assim na cozinha.
- Tem mais coisas sobre mim que você ainda vai descobrir.
- Jane ficará orgulhosa quando souber que cozinhei algo que não tem gosto de lixo.
- Não só ela, eu também estou orgulhoso.
Estranhamente, me senti desconfortável. Sei que a nossa relação já não era mais a mesma, mas eu nunca havia sentido aquilo em toda a minha vida.
- Tem... – ele começou a falar timidamente. – Tem... tem algo aqui. – ele elevou sua mão até o meu rosto, mas a deixou cair.
- O que? – perguntei nervosa.
- Acho que é creme.
- Own! – consegui falar, mas sem me mover.
- Qual será o cardápio? – perguntei ao me sentar no balcão.
- Ainda não sei direito, mas pensei em uma salada verde de início e uma boa massa depois, o que acha?
- Acho que isso não vai dar certo. – sorri marota. – Mas se funcionar, vou adorar. Quer ajuda?
- Claro. Na verdade, quero te ensinar a cozinhar.
- O que? Está falando sério?
- Hunrum. Você sempre quis aprender, então, hora de começar.
- Tudo bem. Espero que você saiba muito bem o que está fazendo.
Coloquei o avental que ele me entregou e passei primeiro a observar, depois de alguns minutos, já estava literalmente com a mão na massa. Com a mesma paciência e disciplina que lhe era característico, ele me ensinou vários truques e segredos.
- Uau! Nem acredito que fiz mesmo isso. – exclamei ao ver o saboroso sorvete de creme nas taças no congelador. – E o melhor é que estão realmente deliciosos. – comentei enquanto lambia a panela como se fosse uma criança.
- Viu? Não é assim tão difícil.
- Essa lasanha parece deliciosa. – observei quando ele a colocou no forno. – Não sabia que era tão bom assim na cozinha.
- Tem mais coisas sobre mim que você ainda vai descobrir.
- Jane ficará orgulhosa quando souber que cozinhei algo que não tem gosto de lixo.
- Não só ela, eu também estou orgulhoso.
Estranhamente, me senti desconfortável. Sei que a nossa relação já não era mais a mesma, mas eu nunca havia sentido aquilo em toda a minha vida.
- Tem... – ele começou a falar timidamente. – Tem... tem algo aqui. – ele elevou sua mão até o meu rosto, mas a deixou cair.
- O que? – perguntei nervosa.
- Acho que é creme.
- Own! – consegui falar, mas sem me mover.
A companhia. Graças aos céus! Pedi licença e fui abrir a porta; um belo homem ruivo e de sorriso cativante apareceu na porta, provavelmente o sócio e amigo do Will.
- Elizabeth? – ele perguntou sorridente.
- Sim. E você deve ser...
- Charles Bingley. – ele se apresentou antes de eu terminar. – Prazer em conhecê-la.
- O prazer é meu. Mas vamos entrar.
Não demorou muito para que Jane também chegasse. O jantar foi ótimo; Charles era realmente muito agradável e suas piadas sem graça nos fizeram rir e conversar a noite toda.
- A quem devemos agradecer este jantar delicioso? – Jane quis saber quando tínhamos terminado a sobremesa.
- Em partes ao Will e acredite, a mim também.
- Verdade? – ela se surpreendeu.
- Verdade, pode perguntar ao Will, se quiser.
- Estou ensinando a ela, Jane. – ele respondeu irônico – mas a maior parte do trabalho foi minha.
- Will?! – o repreendi em maio a boas risadas.
- William? – Jane chamou sua atenção – Lembra quando a Lizzy resolveu que faria o jantar de aniversário de casamento dos nossos pais?
- Ah não, Jane! Não lembra isso, pelo amor de Deus. – tentei pará-la, mas ela e Will estavam juntos nessa.
- Na verdade eu ainda tenho pesadelos quando lembro daquela noite. – Will contribuiu para a minha vergonha.
- Agora quero saber o que aconteceu. – Charles se juntou a eles.
- Aquelas lagostas ainda estavam vivas. – Jane comentou em meio a uma gargalhada.
- E lembra quando seu pai disse: Hum! querida, esta papa está deliciosa. E a Lizzy completamente desolada respondeu: Isto é arroz, papai.
Mais uma onda de gargalhadas e eu já queria me afundar na cadeira.
- Mas o bolo estava bom, vai. – tentei me salvar.
- Claro. – Jane concordou – Mas foi a primeira e única vez que comi um bolo salgado. – todos voltaram a rir novamente. – Só o Will comeu daquele bolo. Como você conseguiu?
- Elizabeth? – ele perguntou sorridente.
- Sim. E você deve ser...
- Charles Bingley. – ele se apresentou antes de eu terminar. – Prazer em conhecê-la.
- O prazer é meu. Mas vamos entrar.
Não demorou muito para que Jane também chegasse. O jantar foi ótimo; Charles era realmente muito agradável e suas piadas sem graça nos fizeram rir e conversar a noite toda.
- A quem devemos agradecer este jantar delicioso? – Jane quis saber quando tínhamos terminado a sobremesa.
- Em partes ao Will e acredite, a mim também.
- Verdade? – ela se surpreendeu.
- Verdade, pode perguntar ao Will, se quiser.
- Estou ensinando a ela, Jane. – ele respondeu irônico – mas a maior parte do trabalho foi minha.
- Will?! – o repreendi em maio a boas risadas.
- William? – Jane chamou sua atenção – Lembra quando a Lizzy resolveu que faria o jantar de aniversário de casamento dos nossos pais?
- Ah não, Jane! Não lembra isso, pelo amor de Deus. – tentei pará-la, mas ela e Will estavam juntos nessa.
- Na verdade eu ainda tenho pesadelos quando lembro daquela noite. – Will contribuiu para a minha vergonha.
- Agora quero saber o que aconteceu. – Charles se juntou a eles.
- Aquelas lagostas ainda estavam vivas. – Jane comentou em meio a uma gargalhada.
- E lembra quando seu pai disse: Hum! querida, esta papa está deliciosa. E a Lizzy completamente desolada respondeu: Isto é arroz, papai.
Mais uma onda de gargalhadas e eu já queria me afundar na cadeira.
- Mas o bolo estava bom, vai. – tentei me salvar.
- Claro. – Jane concordou – Mas foi a primeira e única vez que comi um bolo salgado. – todos voltaram a rir novamente. – Só o Will comeu daquele bolo. Como você conseguiu?
- Eu vi que a Lizzy estava triste pelo fiasco do jantar. – ele falou em um tom sério e até tímido. – Eu só queria que ela se sentisse bem, feliz. Eu faria tudo para vê-la feliz.
De repente um grande silêncio se instalou na sala, diferente da algazarra de minutos atrás. Eu estava perplexa ao lembrar de quantas vezes o Will se esforçou apenas para me ver feliz.
- Bem, o jantar estava delicioso, mas preciso ir embora, acordo cedo amanhã para uma audiência. – Jane falou na tentativa de quebrar o clima constrangedor.
- Eu acho que também vou indo. – Charles se juntou a ela. – Você vem, Darcy?
- Vou depois. Vou ajudar a Lizzy com a louça. Tudo bem? – ele se virou para mim.
- Claro. – respondi tentando voltar à normalidade.
- Jane? Será que pode me dar uma carona, se não for te atrapalhar é claro. – A expressão de Charles ia além de uma simples carona.
- Tudo bem. – Jane respondeu desconfiada; logo percebi que era melhor para o Charles não bancar o engraçadinho pra cima dela.
Nos despedimos dos dois e voltamos para a sala, cada um imerso em seus pensamentos.
- Eu... – ele começou – Vou lavar a louça.
- Will?
- Sim?
- Sabe, naquela noite lá na caixa d’água. Naquela noite em que nos despedimos. Bem, você disse que eu era egoísta na nossa relação.
- Deus! Lizzy esquece aquilo, eu estava chateado...
- Não, tudo bem. Você tinha razão. Eu realmente vi que fui extremamente egoísta. Você sempre esteve do meu lado, sempre e eu estava tão cega, tão burra que não vi o quanto cobrava de você e da nossa amizade.
- Lizzy...
- Realmente está tudo bem, Will, de verdade. Eu só quero me desculpar. Dizer que sinto muito, mesmo.
- Tudo bem.
- Obrigada.
- Lizzy? Preciso te contar algo... – ele pareceu angustiado, como se estivesse prestes a contar um grande segredo.
- Só um minuto. – pedi quando o som do telefone invadiu a sala insistentemente.
De repente um grande silêncio se instalou na sala, diferente da algazarra de minutos atrás. Eu estava perplexa ao lembrar de quantas vezes o Will se esforçou apenas para me ver feliz.
- Bem, o jantar estava delicioso, mas preciso ir embora, acordo cedo amanhã para uma audiência. – Jane falou na tentativa de quebrar o clima constrangedor.
- Eu acho que também vou indo. – Charles se juntou a ela. – Você vem, Darcy?
- Vou depois. Vou ajudar a Lizzy com a louça. Tudo bem? – ele se virou para mim.
- Claro. – respondi tentando voltar à normalidade.
- Jane? Será que pode me dar uma carona, se não for te atrapalhar é claro. – A expressão de Charles ia além de uma simples carona.
- Tudo bem. – Jane respondeu desconfiada; logo percebi que era melhor para o Charles não bancar o engraçadinho pra cima dela.
Nos despedimos dos dois e voltamos para a sala, cada um imerso em seus pensamentos.
- Eu... – ele começou – Vou lavar a louça.
- Will?
- Sim?
- Sabe, naquela noite lá na caixa d’água. Naquela noite em que nos despedimos. Bem, você disse que eu era egoísta na nossa relação.
- Deus! Lizzy esquece aquilo, eu estava chateado...
- Não, tudo bem. Você tinha razão. Eu realmente vi que fui extremamente egoísta. Você sempre esteve do meu lado, sempre e eu estava tão cega, tão burra que não vi o quanto cobrava de você e da nossa amizade.
- Lizzy...
- Realmente está tudo bem, Will, de verdade. Eu só quero me desculpar. Dizer que sinto muito, mesmo.
- Tudo bem.
- Obrigada.
- Lizzy? Preciso te contar algo... – ele pareceu angustiado, como se estivesse prestes a contar um grande segredo.
- Só um minuto. – pedi quando o som do telefone invadiu a sala insistentemente.
A voz do outro lado da linha me fez estremecer. Há quase dois meses eu não ouvia a voz dele nem atendia seus telefonemas; sempre o evitava quando identificava seu número, mas agora devido ao momento, tinha atendido ao telefone sem nem ao menos olhar quem era.
- Não desliga Lizzy, por favor. Só quero conversar.
- Essa não é uma boa hora, George. – falei ainda encarando o Will, que mudou sua expressão ao ouvir o nome do George. Ele fez um sinal de que iria me deixar sozinha e foi para a cozinha.
- E quando será uma boa hora, Lizzy? Você nunca me atende.
- O que você quer? – perguntei vencida.
- Quero saber como ficamos. Eu quero que volte pra casa.
- Eu não vou voltar, e sabe disso?
- Tem certeza disso?
- Absoluta. – tentei passar a força e coragem que não sentia.
- Se é assim, acho que temos que agilizar o processo de divórcio.
- O que?! – quase engasguei tamanha minha surpresa.
- Por que a surpresa? Você não me quer mais, não quer o nosso casamento, então para que continuarmos com isso?
- Eu... Eu só... – Droga! Por que aquilo estava me afetando tanto?
- Amanhã mesmo vou procurar um advogado. Adeus, Lizzy. E se ainda quiser voltar para casa, estarei aqui te esperando.
O barulho do telefone sendo desligado do outro lado foi assustador. É claro que eu não voltaria; que eu não o queria mais. Mas ver a forma fria com que ele tratava tudo me deixou desnorteada, afinal foram quase oito anos de casamento.
Esperei alguns minutos para me recuperar, só então fui para a cozinha. Encontrei o Will terminando de lavar a louça.
- Oi. – ele falou carinhosamente.
- Oi. – respondi triste enquanto pegava um pano para secar a louça, tentando desesperadamente voltar à normalidade.
- Tudo bem? Quer um café?
- Não, obrigada. Estou bem. Era o George. – forcei a naturalidade na voz.
- Percebi. – ele sorriu fracamente, então se voltou para a pia. – O que ele queria?
- Não desliga Lizzy, por favor. Só quero conversar.
- Essa não é uma boa hora, George. – falei ainda encarando o Will, que mudou sua expressão ao ouvir o nome do George. Ele fez um sinal de que iria me deixar sozinha e foi para a cozinha.
- E quando será uma boa hora, Lizzy? Você nunca me atende.
- O que você quer? – perguntei vencida.
- Quero saber como ficamos. Eu quero que volte pra casa.
- Eu não vou voltar, e sabe disso?
- Tem certeza disso?
- Absoluta. – tentei passar a força e coragem que não sentia.
- Se é assim, acho que temos que agilizar o processo de divórcio.
- O que?! – quase engasguei tamanha minha surpresa.
- Por que a surpresa? Você não me quer mais, não quer o nosso casamento, então para que continuarmos com isso?
- Eu... Eu só... – Droga! Por que aquilo estava me afetando tanto?
- Amanhã mesmo vou procurar um advogado. Adeus, Lizzy. E se ainda quiser voltar para casa, estarei aqui te esperando.
O barulho do telefone sendo desligado do outro lado foi assustador. É claro que eu não voltaria; que eu não o queria mais. Mas ver a forma fria com que ele tratava tudo me deixou desnorteada, afinal foram quase oito anos de casamento.
Esperei alguns minutos para me recuperar, só então fui para a cozinha. Encontrei o Will terminando de lavar a louça.
- Oi. – ele falou carinhosamente.
- Oi. – respondi triste enquanto pegava um pano para secar a louça, tentando desesperadamente voltar à normalidade.
- Tudo bem? Quer um café?
- Não, obrigada. Estou bem. Era o George. – forcei a naturalidade na voz.
- Percebi. – ele sorriu fracamente, então se voltou para a pia. – O que ele queria?
- Ele quer o divórcio. – desabafei já sentindo o peso das lágrimas inundando meus olhos.
- Ei? – senti os braços fortes do Will me envolvendo em um abraço enquanto me deixava ser consolada.
- É exatamente isso que eu quero – comecei a falar em meio as lagrimas. – Mas é que é tudo tão... tão assustador.
- Shiii! Eu entendo. Mas eu estou aqui agora, vou estar sempre aqui. – ele falou enquanto acariciava meus cabelos.
- Não pode me prometer que sempre ficará aqui. Já fez isso uma vez e não cumpriu. – desabafei me arrependendo em seguida. – Desculpe, desculpe, Will.
- Não. Tudo bem. Lembro ter prometido que ficaria até quando você precisasse de mim e estou disposto a cumprir desta vez.
- Preciso tanto de você, Will. Não posso ficar sozinha agora.
- Não vou a lugar nenhum.
O abracei com mais força sentindo que minha vida e meus sentimentos estavam mudando rápidos demais e que talvez, eu ainda não estivesse pronta para tudo isso...
- Ei? – senti os braços fortes do Will me envolvendo em um abraço enquanto me deixava ser consolada.
- É exatamente isso que eu quero – comecei a falar em meio as lagrimas. – Mas é que é tudo tão... tão assustador.
- Shiii! Eu entendo. Mas eu estou aqui agora, vou estar sempre aqui. – ele falou enquanto acariciava meus cabelos.
- Não pode me prometer que sempre ficará aqui. Já fez isso uma vez e não cumpriu. – desabafei me arrependendo em seguida. – Desculpe, desculpe, Will.
- Não. Tudo bem. Lembro ter prometido que ficaria até quando você precisasse de mim e estou disposto a cumprir desta vez.
- Preciso tanto de você, Will. Não posso ficar sozinha agora.
- Não vou a lugar nenhum.
O abracei com mais força sentindo que minha vida e meus sentimentos estavam mudando rápidos demais e que talvez, eu ainda não estivesse pronta para tudo isso...
Cenas do próximo capítulo...
*
*
...Ter você aqui me faz bem...
... Estar aqui me faz bem, também...
... Agora não pode dizer que depois de passar a noite com ela, nada aconteceu...
... Olá! Sou Karen...
... Ela está me dando nos nervos...
... Por que está tão irritada? Está com ciúmes dela?...
... Então, qual é o próximo passo da lista dos desejos?...
... Está lá fora...
... Definitivamente, quero o antigo Darcy de volta. Você está ficando maluco, cara!...
... Will?! Isso é...
... Somos livres agora, Lizzy...
... Eu sou livre!...














