Capítulo VII
*
*
Vamos dançar?
*
Lizzy...
- Pensei em chamar alguém para derrubar a porta. – Jane falou preocupada enquanto entrava pelo apartamento.
- Desculpe Jane, mas acabei de acordar. – respondi bocejando enquanto me jogava no sofá.
- As 10:45 da manhã? – ouvi somente sua voz, pois ela já adentrava a cozinha.
- Fui dormir muito tarde, aliás, acho que nem dormi.
- O que andou fazendo pra dormir tarde ou nem dormir?
- Will veio aqui. – comentei com um sorriso bobo no rosto.
- O que? Quem? – Sabia que ela estava surpresa, pois o barulho das panelas cessou. – Will o seu Will?
- Sim e não. – tentei controlar minha felicidade.
- Agora você vai ter que me contar tudo. – fiquei esperando ela sentar ao meu lado. – Então vocês fizeram as pazes?
- Acho que sim.
- Fizeram sim. Olha só a sua cara de felicidade.
- Ah Jane, estou me sentindo como se tivesse tirado um enorme peso das minhas costas.
- E aí, o que ele disse sobre ter ido embora? Ele se explicou?
- Não. Ele disse que teríamos tempo para isso.
- Quanto tempo?
- Um mês. Ele está na cidade para o casamento da mãe.
- Ah claro! É claro que ele viria para o casamento da mãe. Ele te faz bem, sabia?
- Por que esta dizendo isso?
- Faz muito tempo que não te vejo desse jeito. Estava sentindo falta deste sorriso, minha irmã.
- É... Ter ele por perto é como se eu voltasse a ser aquela garota de oito anos atrás, entende?
- É claro que entendo. E fico muito feliz por isso. Agora trate de se arrumar. Que horas será a entrevista?
- Às 14 horas. Ainda tenho tempo.
- Então vamos já escolher o que vestir.
Quando estava levantando do sofá o som do telefone me fez parar. Como Jane estava mais perto do aparelho, pedi que ela atendesse.
- Pra você. – ela estendeu o telefone com um sorriso cínico nos lábios. – O seu Will.
- Oi. – atendi completamente nervosa.
- Oi. Desculpe ligar tão cedo. Te acordei?
- Não. Eu mal dormi na verdade.
*
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Vamos dançar?
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Lizzy...
- Pensei em chamar alguém para derrubar a porta. – Jane falou preocupada enquanto entrava pelo apartamento.
- Desculpe Jane, mas acabei de acordar. – respondi bocejando enquanto me jogava no sofá.
- As 10:45 da manhã? – ouvi somente sua voz, pois ela já adentrava a cozinha.
- Fui dormir muito tarde, aliás, acho que nem dormi.
- O que andou fazendo pra dormir tarde ou nem dormir?
- Will veio aqui. – comentei com um sorriso bobo no rosto.
- O que? Quem? – Sabia que ela estava surpresa, pois o barulho das panelas cessou. – Will o seu Will?
- Sim e não. – tentei controlar minha felicidade.
- Agora você vai ter que me contar tudo. – fiquei esperando ela sentar ao meu lado. – Então vocês fizeram as pazes?
- Acho que sim.
- Fizeram sim. Olha só a sua cara de felicidade.
- Ah Jane, estou me sentindo como se tivesse tirado um enorme peso das minhas costas.
- E aí, o que ele disse sobre ter ido embora? Ele se explicou?
- Não. Ele disse que teríamos tempo para isso.
- Quanto tempo?
- Um mês. Ele está na cidade para o casamento da mãe.
- Ah claro! É claro que ele viria para o casamento da mãe. Ele te faz bem, sabia?
- Por que esta dizendo isso?
- Faz muito tempo que não te vejo desse jeito. Estava sentindo falta deste sorriso, minha irmã.
- É... Ter ele por perto é como se eu voltasse a ser aquela garota de oito anos atrás, entende?
- É claro que entendo. E fico muito feliz por isso. Agora trate de se arrumar. Que horas será a entrevista?
- Às 14 horas. Ainda tenho tempo.
- Então vamos já escolher o que vestir.
Quando estava levantando do sofá o som do telefone me fez parar. Como Jane estava mais perto do aparelho, pedi que ela atendesse.
- Pra você. – ela estendeu o telefone com um sorriso cínico nos lábios. – O seu Will.
- Oi. – atendi completamente nervosa.
- Oi. Desculpe ligar tão cedo. Te acordei?
- Não. Eu mal dormi na verdade.
- Eu também. – alguns segundos de silêncio, então ele voltou a falar – Tem planos para o almoço?
- Não. – respondi rápido demais. – Bem, na verdade tenho uma entrevista de emprego às 14 horas.
- Então, podemos almoçar e depois eu te levo para a entrevista?
- Não precisa se incomodar, Will.
- Não é incomodo algum. Combinado, então?
- Ok.
- Ótimo; passo na sua casa às treze horas, tudo bem?
- Ok. Te vejo mais tarde.
****************************
Darcy...
- Se eu soubesse que iria ser abandonado aqui sozinho, não teria vindo. – Charles murmurou enquanto adentrava a biblioteca.
- Estava ouvindo minha conversa?
- Bom dia e só a parte em que você combinava de buscá-la às treze horas.
- Charles! – o repreendi, mas ele era desencanado demais para ligar.
- Então, vão almoçar? As coisas estão realmente indo bem.
- Parece que sim. Espero que sim.
- Bem, vamos analisar a situação.
- Cala a boca, Charles.
- Primeiro você chegou quase quatro horas da manhã. Agora um almoço... É, as coisas realmente vão bem.
Ele me lançou um olhar direto e conhecido, mas fingi ignorar e voltei minha atenção para meus e-mails no computador.
- Ok. Estou muito curioso pra saber o que aconteceu noite passada, então para de me torturar e conta logo.
- Não tem nada pra contar.
- Não. – respondi rápido demais. – Bem, na verdade tenho uma entrevista de emprego às 14 horas.
- Então, podemos almoçar e depois eu te levo para a entrevista?
- Não precisa se incomodar, Will.
- Não é incomodo algum. Combinado, então?
- Ok.
- Ótimo; passo na sua casa às treze horas, tudo bem?
- Ok. Te vejo mais tarde.
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Darcy...
- Se eu soubesse que iria ser abandonado aqui sozinho, não teria vindo. – Charles murmurou enquanto adentrava a biblioteca.
- Estava ouvindo minha conversa?
- Bom dia e só a parte em que você combinava de buscá-la às treze horas.
- Charles! – o repreendi, mas ele era desencanado demais para ligar.
- Então, vão almoçar? As coisas estão realmente indo bem.
- Parece que sim. Espero que sim.
- Bem, vamos analisar a situação.
- Cala a boca, Charles.
- Primeiro você chegou quase quatro horas da manhã. Agora um almoço... É, as coisas realmente vão bem.
Ele me lançou um olhar direto e conhecido, mas fingi ignorar e voltei minha atenção para meus e-mails no computador.
- Ok. Estou muito curioso pra saber o que aconteceu noite passada, então para de me torturar e conta logo.
- Não tem nada pra contar.
- Um cara passa quase cinco horas com uma mulher e tem a capacidade de dizer que não tem o que contar! Darcy?
- Você não vai mesmo desistir não é?
- Não.
- Tudo bem. – assenti divertido. – Nós conversamos e resolvemos tentar ser amigos novamente. Fim. Posso voltar a trabalhar agora já que meu sócio acha que está de férias na Inglaterra?
- Só um minuto. – ele se inquietou na cadeira. – Está me dizendo que não rolou nada?
- Sim.
- Amigos? Que papo é esse de amigos? Definitivamente você está doido. A não ser que... Ah! É isso! Você está indo com calma, dando um de amigo para depois dar o bote. Acertei?
- Acaso me chamo Charles Bingley?
- Ei! Não pode negar que minha tática sempre funciona.
- Mas para sua informação não é nada disso. Realmente quero ser amigo dela novamente.
- Tudo bem. E qual é o grande plano?
- Quero que ela sinta que é a mesma Lizzy de antes. Que eu sou o mesmo e que ela é mais esperta, inteligente e capaz do que imagina.
- E para isso vai realizar todos os itens da tal lista dela?
- Exatamente. Na verdade alguns.
- Fantástico! Juro que em seis anos de amizade nunca te imaginei tão passional. Espero que isso não seja contagioso.
- Um dia ainda vou te ver apaixonado.
- É. E junto comigo vai ver também o monstro do lago Nessi e o papai Noel.
- Vou precisar da sua ajuda. – falei sério.
- Tenho escolha? Tá, o que eu tenho que fazer? Adoro bancar o cupido.
- Começa trabalhando que isso aqui não são férias. – sorri vendo ele abrir o notebook emburrado.
************************************
- Você não vai mesmo desistir não é?
- Não.
- Tudo bem. – assenti divertido. – Nós conversamos e resolvemos tentar ser amigos novamente. Fim. Posso voltar a trabalhar agora já que meu sócio acha que está de férias na Inglaterra?
- Só um minuto. – ele se inquietou na cadeira. – Está me dizendo que não rolou nada?
- Sim.
- Amigos? Que papo é esse de amigos? Definitivamente você está doido. A não ser que... Ah! É isso! Você está indo com calma, dando um de amigo para depois dar o bote. Acertei?
- Acaso me chamo Charles Bingley?
- Ei! Não pode negar que minha tática sempre funciona.
- Mas para sua informação não é nada disso. Realmente quero ser amigo dela novamente.
- Tudo bem. E qual é o grande plano?
- Quero que ela sinta que é a mesma Lizzy de antes. Que eu sou o mesmo e que ela é mais esperta, inteligente e capaz do que imagina.
- E para isso vai realizar todos os itens da tal lista dela?
- Exatamente. Na verdade alguns.
- Fantástico! Juro que em seis anos de amizade nunca te imaginei tão passional. Espero que isso não seja contagioso.
- Um dia ainda vou te ver apaixonado.
- É. E junto comigo vai ver também o monstro do lago Nessi e o papai Noel.
- Vou precisar da sua ajuda. – falei sério.
- Tenho escolha? Tá, o que eu tenho que fazer? Adoro bancar o cupido.
- Começa trabalhando que isso aqui não são férias. – sorri vendo ele abrir o notebook emburrado.
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Lizzy....
Não acredito que estava nervosa e ansiosa esperando por ele na porta da minha casa. Agora finalmente percebi que sempre ficava nervosa quando esperava ele vir me pegar em sua velha moto para irmos à escola. Estava sentindo a mesma sensação; só que desta vez ao invés do som barulhento do motor cansado um quase inaudível motor importado parou na minha porta, exatamente as 12:45.
- Oi. – ele me cumprimentou assim que se aproximou de mim na calçada.
- Oi. Belo carro.
- Obrigado, mas não é meu. Alugado.
- Mas imagino que o seu lá em Los Angeles deve seguir a mesma linha.
- Mais ou menos. Mas às vezes sinto falta da velha moto.
- Sério?
- É.
- Eu também. O que foi feito dela?
- Tive que vender para custear minha viagem. Vamos?
- Claro.
- Aonde vamos? – perguntei enquanto entrava no carro.
- Pensei no The Fat Duck..
- Imaginei. – olhei para a janela tentando não sorrir.
- O que? O que foi? – ele riu também.
- Nada. – não segurei mais o riso.
- Agora você vai ter que falar.
- Nada, é só que... Acho que o velho Will não me levaria no The Fat Duck..
- É, acho que não. Lanchonete do Barrys?
- Pra mim está ótimo. – concordei enquanto sorria.
Quando nos acomodamos o velho Barry veio nos atender pessoalmente.
- Hey Lizzy! Vai virar minha cliente especial novamente?
- Oi Barry. É, acho que vai ter que me aturar por um longo tempo.
- E o seu acompanhante...
Não acredito que estava nervosa e ansiosa esperando por ele na porta da minha casa. Agora finalmente percebi que sempre ficava nervosa quando esperava ele vir me pegar em sua velha moto para irmos à escola. Estava sentindo a mesma sensação; só que desta vez ao invés do som barulhento do motor cansado um quase inaudível motor importado parou na minha porta, exatamente as 12:45.
- Oi. – ele me cumprimentou assim que se aproximou de mim na calçada.
- Oi. Belo carro.
- Obrigado, mas não é meu. Alugado.
- Mas imagino que o seu lá em Los Angeles deve seguir a mesma linha.
- Mais ou menos. Mas às vezes sinto falta da velha moto.
- Sério?
- É.
- Eu também. O que foi feito dela?
- Tive que vender para custear minha viagem. Vamos?
- Claro.
- Aonde vamos? – perguntei enquanto entrava no carro.
- Pensei no The Fat Duck..
- Imaginei. – olhei para a janela tentando não sorrir.
- O que? O que foi? – ele riu também.
- Nada. – não segurei mais o riso.
- Agora você vai ter que falar.
- Nada, é só que... Acho que o velho Will não me levaria no The Fat Duck..
- É, acho que não. Lanchonete do Barrys?
- Pra mim está ótimo. – concordei enquanto sorria.
Quando nos acomodamos o velho Barry veio nos atender pessoalmente.
- Hey Lizzy! Vai virar minha cliente especial novamente?
- Oi Barry. É, acho que vai ter que me aturar por um longo tempo.
- E o seu acompanhante...
Barry até gostaria de terminar a frase, mas seus olhos arregalados e o grande sorriso deixaram claro que ele o reconhecera.
- Não pode ser... Mais é o pequeno Will mesmo?
- Sou eu sim, Barry.
- Deus, há quanto tempo não te vejo? Sei lá, oito, nove anos?
- Oito. – Will respondeu meio constrangido.
- E o que te trouxe de volta a Londres?
- Vim para o casamento da minha mãe.
- Bom te ver de novo garoto. Vocês eram meus melhores clientes.
- Bom te ver também, Barry.
- Trago o de sempre? – eu e Will no olhamos meios confusos, mas antes de respondermos, Barry continuou. – Hambúrguer com fritas e milkshak de morango com calda de chocolate. Ainda lembro bem.
- Por mim tudo bem. – assenti – E você? – perguntei ao Will.
- Por mim também. – ele respondeu então o Barry se retirou.
- Então vai fazer uma entrevista de emprego?
- É, eu preciso pagar as contas. – sorri em meio a uma careta. – Na verdade estou bem nervosa; quando Char me indicou para o cargo fiquei muito feliz, pois sempre quis trabalhar nesta área.
- Ah é? E em qual área é?
- É uma clinica que trabalha com crianças com Dawn. Eles estão precisando de psicólogos.
- Nossa, mas isso é ótimo! Você sempre quis trabalhar com crianças. Nunca quis ter filhos?
- Muitos. Um time de futebol na verdade, mas George sempre dizia que não estava pronto. E você, nunca se casou?
- Sempre me foquei em meu trabalho. Queria muito que desse certo e por isso quase não tive vida fora do escritório.
- Aqui está, meninos. – O velho Barry apareceu todo sorridente com nosso almoço. – Fiz questão de preparar e podem deixar que será por conta da casa. Para relembrar os velhos tempos que vocês comiam aqui.
- Obrigada, Barry. – agradeci enquanto ele se retirava. – Parecem deliciosos.
- Nossa! Não lembro o dia que comi um Hambúrguer.
- Imagino que seu paladar só está acostumado com os mais finos e badalados restaurantes de Los Angeles.
- Nada que se compare ao sanduíche do Barry.
- Não pode ser... Mais é o pequeno Will mesmo?
- Sou eu sim, Barry.
- Deus, há quanto tempo não te vejo? Sei lá, oito, nove anos?
- Oito. – Will respondeu meio constrangido.
- E o que te trouxe de volta a Londres?
- Vim para o casamento da minha mãe.
- Bom te ver de novo garoto. Vocês eram meus melhores clientes.
- Bom te ver também, Barry.
- Trago o de sempre? – eu e Will no olhamos meios confusos, mas antes de respondermos, Barry continuou. – Hambúrguer com fritas e milkshak de morango com calda de chocolate. Ainda lembro bem.
- Por mim tudo bem. – assenti – E você? – perguntei ao Will.
- Por mim também. – ele respondeu então o Barry se retirou.
- Então vai fazer uma entrevista de emprego?
- É, eu preciso pagar as contas. – sorri em meio a uma careta. – Na verdade estou bem nervosa; quando Char me indicou para o cargo fiquei muito feliz, pois sempre quis trabalhar nesta área.
- Ah é? E em qual área é?
- É uma clinica que trabalha com crianças com Dawn. Eles estão precisando de psicólogos.
- Nossa, mas isso é ótimo! Você sempre quis trabalhar com crianças. Nunca quis ter filhos?
- Muitos. Um time de futebol na verdade, mas George sempre dizia que não estava pronto. E você, nunca se casou?
- Sempre me foquei em meu trabalho. Queria muito que desse certo e por isso quase não tive vida fora do escritório.
- Aqui está, meninos. – O velho Barry apareceu todo sorridente com nosso almoço. – Fiz questão de preparar e podem deixar que será por conta da casa. Para relembrar os velhos tempos que vocês comiam aqui.
- Obrigada, Barry. – agradeci enquanto ele se retirava. – Parecem deliciosos.
- Nossa! Não lembro o dia que comi um Hambúrguer.
- Imagino que seu paladar só está acostumado com os mais finos e badalados restaurantes de Los Angeles.
- Nada que se compare ao sanduíche do Barry.
Sorrimos e passamos a saborear nosso almoço com sabor de nostalgia.
Durante todo o trajeto até a clinica, conversamos sobre muitas coisas; passado e presente se misturavam. Quando finalmente estacionamos, comecei a me despedir antes que me atrasasse para a entrevista.
- Obrigada pelo almoço, me divertir muito. – falei enquanto retirava o cinto.
- Eu quem agradeço..
- Preciso ir agora. Céus! Estou tão nervosa.
- Vai dar tudo certo, tenho certeza.
- Obrigada. – agradeci e sai do carro.
- Lizzy?
- Sim?
- Eu estava pensando... Bem, você sabe que todo casamento tem a famosa dança e na verdade eu sou uma negação nisso... – ele estava envergonhado, pois suas bochechas estavam coradas.
- É eu sei... Meus pés lembram bem de quão desastroso você é dançando. – brinquei em meio a uma risada.
- Muito obrigada por me lembrar. – ele respondeu em meio a um sorriso. – Então, eu não quero fazer feio no casamento da minha mãe, me matriculei em uma aula de dança.
- Sério?
- Pior que é. A primeira aula é hoje à noite, e eu queria saber se você pode ir comigo.
- Hoje à noite? – perguntei me sentindo uma grande idiota.
- Tem algum compromisso? Se tiver tudo bem.
- Não. Não tenho nenhum compromisso, a não ser assistir Casa Blanca pela milésima vez.
- Competir com Casa Blanca não é muito justo. Posso ter esperança?
- Eu vou sim. Agora deixa eu ir senão vou ser desclassificada por chegar atrasada. Até a noite, então.
- Até a noite.
*********************
Durante todo o trajeto até a clinica, conversamos sobre muitas coisas; passado e presente se misturavam. Quando finalmente estacionamos, comecei a me despedir antes que me atrasasse para a entrevista.
- Obrigada pelo almoço, me divertir muito. – falei enquanto retirava o cinto.
- Eu quem agradeço..
- Preciso ir agora. Céus! Estou tão nervosa.
- Vai dar tudo certo, tenho certeza.
- Obrigada. – agradeci e sai do carro.
- Lizzy?
- Sim?
- Eu estava pensando... Bem, você sabe que todo casamento tem a famosa dança e na verdade eu sou uma negação nisso... – ele estava envergonhado, pois suas bochechas estavam coradas.
- É eu sei... Meus pés lembram bem de quão desastroso você é dançando. – brinquei em meio a uma risada.
- Muito obrigada por me lembrar. – ele respondeu em meio a um sorriso. – Então, eu não quero fazer feio no casamento da minha mãe, me matriculei em uma aula de dança.
- Sério?
- Pior que é. A primeira aula é hoje à noite, e eu queria saber se você pode ir comigo.
- Hoje à noite? – perguntei me sentindo uma grande idiota.
- Tem algum compromisso? Se tiver tudo bem.
- Não. Não tenho nenhum compromisso, a não ser assistir Casa Blanca pela milésima vez.
- Competir com Casa Blanca não é muito justo. Posso ter esperança?
- Eu vou sim. Agora deixa eu ir senão vou ser desclassificada por chegar atrasada. Até a noite, então.
- Até a noite.
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Darcy...
- Preciso da sua ajuda, agora. – falei já desesperado enquanto entrava no quarto do Charles.
- Espero que não seja pra assaltar um banco. O que houve?
- O que alguém veste para uma aula de dança latina?
- Quem vai fazer aula de dança latina?
- Eu. Eu vou fazer aula de dança latina. – respondi já irritado.
- Por que vai fazer aula de dança latina?
- Por que é um dos itens da lista da Lizzy.
- Está brincando comigo?
- Charles estou desesperado, então, por favor, pode me ajudar a escolher o que vestir?
- Ok. Quais as suas opções?
- Nada responde sua pergunta? Céus onde eu fui me meter?
- Sem desespero, ta legal? Vamos ver... Acho que sei exatamente o que você deve vestir. Depois dessa você tem que beijar meus pés.
Certo; eu não deveria ter pedido a ajuda do Charles. Quase tive um treco quando me olhei no espelho.
- Você não pode estar falando sério. Eu não posso sair com esta roupa por aí.
A calça branca e a camiseta preta até que dava pra aceitar, mas a camisa florida alaranjada estava demais.
- Onde você comprou essa camisa?
- Para sua informação esta camisa é de uma das marcas mais conceituadas do mundo.
- Estou parecendo um daqueles turistas só que de muito mau gosto.
- Quer impressionar ou não?
- Não acredito que estou fazendo isso? – tentei me convencer que todo o sacrifício valeria à pena.
- Não acredito que sou seu amigo e tenho que te dizer, você está ridículo.
- Me sinto muito melhor agora. Obrigado Charles.
- Preciso da sua ajuda, agora. – falei já desesperado enquanto entrava no quarto do Charles.
- Espero que não seja pra assaltar um banco. O que houve?
- O que alguém veste para uma aula de dança latina?
- Quem vai fazer aula de dança latina?
- Eu. Eu vou fazer aula de dança latina. – respondi já irritado.
- Por que vai fazer aula de dança latina?
- Por que é um dos itens da lista da Lizzy.
- Está brincando comigo?
- Charles estou desesperado, então, por favor, pode me ajudar a escolher o que vestir?
- Ok. Quais as suas opções?
- Nada responde sua pergunta? Céus onde eu fui me meter?
- Sem desespero, ta legal? Vamos ver... Acho que sei exatamente o que você deve vestir. Depois dessa você tem que beijar meus pés.
Certo; eu não deveria ter pedido a ajuda do Charles. Quase tive um treco quando me olhei no espelho.
- Você não pode estar falando sério. Eu não posso sair com esta roupa por aí.
A calça branca e a camiseta preta até que dava pra aceitar, mas a camisa florida alaranjada estava demais.
- Onde você comprou essa camisa?
- Para sua informação esta camisa é de uma das marcas mais conceituadas do mundo.
- Estou parecendo um daqueles turistas só que de muito mau gosto.
- Quer impressionar ou não?
- Não acredito que estou fazendo isso? – tentei me convencer que todo o sacrifício valeria à pena.
- Não acredito que sou seu amigo e tenho que te dizer, você está ridículo.
- Me sinto muito melhor agora. Obrigado Charles.
- Não por isso, amigo.
- Estou atrasado, droga! – comecei a sair do quarto, mas voltei para me olhar mais uma vez no espelho. – Tem certeza?
- Só faltam os mariachos. Ariba muchacho!
- Muito engraçado.
Completamente atrasado, peguei as chaves do carro e tentei sair antes que minha mãe e o Roger me vissem, mas a sorte definitivamente não estava do meu lado.
- Will? – minha mãe me chamou antes que eu alcançasse a porta. – Vai sair?
- Tenho um compromisso.
- Não vai jantar?
- Como alguma coisa na rua, mãe.
- Ei. – Roger que entrava na sala me cumprimentou. – Vai a alguma festa a fantasia?
- É, acho que sim. – respondi me sentindo um completo idiota. – Vejo vocês mais tarde.
Quando estacionei o carro em frente a casa dela, fiquei alguns minutos dentro do carro decidindo se descia ou não; eu estava ridículo! Nunca fui inseguro em relação a nada, mas quando se tratava da Lizzy, não tinha mais domínio de mim mesmo. Olhei no relógio e já estava cinco minutos atrasado, hora de sair do carro e enfrentar.
Toquei a companhia e a cada segundo me sentia mais e mais ridículo com aquela camisa ainda mais ridícula.
- Estou atrasado, droga! – comecei a sair do quarto, mas voltei para me olhar mais uma vez no espelho. – Tem certeza?
- Só faltam os mariachos. Ariba muchacho!
- Muito engraçado.
Completamente atrasado, peguei as chaves do carro e tentei sair antes que minha mãe e o Roger me vissem, mas a sorte definitivamente não estava do meu lado.
- Will? – minha mãe me chamou antes que eu alcançasse a porta. – Vai sair?
- Tenho um compromisso.
- Não vai jantar?
- Como alguma coisa na rua, mãe.
- Ei. – Roger que entrava na sala me cumprimentou. – Vai a alguma festa a fantasia?
- É, acho que sim. – respondi me sentindo um completo idiota. – Vejo vocês mais tarde.
Quando estacionei o carro em frente a casa dela, fiquei alguns minutos dentro do carro decidindo se descia ou não; eu estava ridículo! Nunca fui inseguro em relação a nada, mas quando se tratava da Lizzy, não tinha mais domínio de mim mesmo. Olhei no relógio e já estava cinco minutos atrasado, hora de sair do carro e enfrentar.
Toquei a companhia e a cada segundo me sentia mais e mais ridículo com aquela camisa ainda mais ridícula.
- Will?! – pelo tom surpreso do “Will” e a sonora gargalhada que ela deu ao me ver, definitivamente eu estava ridículo.
- Já me sinto ridículo o bastante, quer parar de rir.
- Desculpe, mas é que você está tão...
- Patético?
- Engraçado. – finalmente ela respondeu, isso depois de rir por longos minutos. – Aonde vamos? Terei que vestir algo florido e chamativo também?
- Ta legal, eu não sabia o que vestir e meu amigo que agora creio que não seja tão amigo assim, bem, Charles me ajudou.
- É, acho que ele não é tão seu amigo assim, ou então sofre de um incrível mau gosto. Agora é sério, aonde vamos?
- A uma academia que minha mãe indicou. Então, está pronta?
No caminho até a academia paramos e comemos alguma coisa. Apesar de ainda ter um pouco de constrangimento entre nós, estava sentindo que tudo estava dando certo, quer dizer, era como se o tempo não tivesse passado.
- O que exatamente vamos dançar? – ela perguntou enquanto entravamos na sala.
- Salsa.
- Salsa?
- É. Minha mãe disse que a banda tocará muitos ritmos latinos, então optei primeiro pela salsa, acho que deve ser tudo igual mesmo.
- Mas isso é muita coincidência.
- O que?
- Lembra que eu sempre quis aprender a dançar salsa?
- Não... – não podia me entregar agora. – Acho que lembro vagamente.
- Sr. Darcy? – um rapaz sorridente veio nos recepcionar. – Sou Javier e serei seu professor. Está é sua companheira de dança?
- Elizabeth Bennet. – Lizzy aceitou a mão estendida por ele.
- Podemos começar? – ele perguntou enquanto chamava uma bela mulher que estava no canto da sala.
- Claro. – respondi sentindo que a noite de micos estava apenas começando.
- Ótimo. – ele respondeu sem desfazer o sorriso. – Camisa interessante. – eu até poderia acreditar no elogio, mas a cara irônica dele não me convenceu.
- Obrigado. É uma das minhas prediletas; tenho várias dela se quiser uma.
- Já me sinto ridículo o bastante, quer parar de rir.
- Desculpe, mas é que você está tão...
- Patético?
- Engraçado. – finalmente ela respondeu, isso depois de rir por longos minutos. – Aonde vamos? Terei que vestir algo florido e chamativo também?
- Ta legal, eu não sabia o que vestir e meu amigo que agora creio que não seja tão amigo assim, bem, Charles me ajudou.
- É, acho que ele não é tão seu amigo assim, ou então sofre de um incrível mau gosto. Agora é sério, aonde vamos?
- A uma academia que minha mãe indicou. Então, está pronta?
No caminho até a academia paramos e comemos alguma coisa. Apesar de ainda ter um pouco de constrangimento entre nós, estava sentindo que tudo estava dando certo, quer dizer, era como se o tempo não tivesse passado.
- O que exatamente vamos dançar? – ela perguntou enquanto entravamos na sala.
- Salsa.
- Salsa?
- É. Minha mãe disse que a banda tocará muitos ritmos latinos, então optei primeiro pela salsa, acho que deve ser tudo igual mesmo.
- Mas isso é muita coincidência.
- O que?
- Lembra que eu sempre quis aprender a dançar salsa?
- Não... – não podia me entregar agora. – Acho que lembro vagamente.
- Sr. Darcy? – um rapaz sorridente veio nos recepcionar. – Sou Javier e serei seu professor. Está é sua companheira de dança?
- Elizabeth Bennet. – Lizzy aceitou a mão estendida por ele.
- Podemos começar? – ele perguntou enquanto chamava uma bela mulher que estava no canto da sala.
- Claro. – respondi sentindo que a noite de micos estava apenas começando.
- Ótimo. – ele respondeu sem desfazer o sorriso. – Camisa interessante. – eu até poderia acreditar no elogio, mas a cara irônica dele não me convenceu.
- Obrigado. É uma das minhas prediletas; tenho várias dela se quiser uma.
- Own! – Ele pareceu não gostar da brincadeira, mas Lizzy não conseguiu deixar uma risada escapar. – Vamos começar com algo bem simples e fácil. Fiquem observando, certamente não terão problemas em repetir.
Ficamos observando eles se posicionarem enquanto a alegre e contagiante musica ecoava pela sala. Não parecia que seria tão complicado assim, mas quando eles começaram a dançar minha confiança não durou muito. Mas o que eu estava fazendo?!
Ficamos observando eles se posicionarem enquanto a alegre e contagiante musica ecoava pela sala. Não parecia que seria tão complicado assim, mas quando eles começaram a dançar minha confiança não durou muito. Mas o que eu estava fazendo?!
- Viram? É muito fácil. – o professor gritou com seu sorriso estampado.
- Ajudaria muito se ele não ficasse o tempo todo dizendo que é fácil. – sussurrei para Lizzy enquanto fingia um sorriso para o professor. – Eu não consigo fazer isso.
- Nem eu. – ela respondeu sorrindo
- Para vocês verem que qualquer um consegue, vou colocar um aluno para dançar agora. Victor.
Um cabeludo apareceu do nada e começou a deslizar pelo salão. Em um momento da coreografia o cabeludo começou a remexer a cintura de uma forma que eu até achei que ele estava deslocando o quadril.
- Alguém pode fazer isso? – perguntei surpreso.
- Acho que nós deveríamos ter tomado óleo ou alguma coisa pra facilitar.
Sem conseguir mais segurar, começamos a gargalhar como dois loucos, fazendo com que o professor nos encarasse aparentemente irritado, mas o bendito sorriso não saia do rosto dele.
- Algum problema?
- Não. Desculpe. – tentei controlar o riso.
- Agora podem tentar.
- Ajudaria muito se ele não ficasse o tempo todo dizendo que é fácil. – sussurrei para Lizzy enquanto fingia um sorriso para o professor. – Eu não consigo fazer isso.
- Nem eu. – ela respondeu sorrindo
- Para vocês verem que qualquer um consegue, vou colocar um aluno para dançar agora. Victor.
Um cabeludo apareceu do nada e começou a deslizar pelo salão. Em um momento da coreografia o cabeludo começou a remexer a cintura de uma forma que eu até achei que ele estava deslocando o quadril.
- Alguém pode fazer isso? – perguntei surpreso.
- Acho que nós deveríamos ter tomado óleo ou alguma coisa pra facilitar.
Sem conseguir mais segurar, começamos a gargalhar como dois loucos, fazendo com que o professor nos encarasse aparentemente irritado, mas o bendito sorriso não saia do rosto dele.
- Algum problema?
- Não. Desculpe. – tentei controlar o riso.
- Agora podem tentar.
Eu e Lizzy nos olhamos surpresos e divertidos, então passamos a fazer algo com os pés e com o corpo que certamente pela expressão do professor só sorrisos, não era dança, muito menos, salsa.
- Será uma longa noite.
Ouvimos ele murmurar em meio a um suspiro então não agüentamos mais e recomeçamos a gargalhar no meio do salão...
- Você me deve uma por ter que aturar os olhares fuziladores do professor. – ela falou em meio a risadas quando estacionei o carro em frente a sua casa.
- Como alguém pode sorrir tanto? Será que ele não tem problemas? Imagine ele falando com cobradores com aquele sorriso enorme.
- Para Will. – ela tentava parar de rir socando meu ombro de leve.
- Não, é sério.
- Acho que ele não vai mais querer a gente lá.
- Duvido. Paguei uma semana adiantada, então teremos que ir lá ao menos mais seis dias.
- Faz tempo que não me divirto tanto assim.
- Eu também.
- Obrigada, Will. – ela falou enquanto me encarava com seus olhos negros cintilando. – Quer dizer, tem me ajudado muito a passar por tudo isso, sabe...
- Tudo bem... Isso é só o começo.
- Bom, então eu já vou indo. Boa noite.
- Boa noite - respondi vendo ela sair do carro e se virar para ir embora.
- Will? – ela chamou dos degraus.
- Sim?
- Um conselho de amiga: Não usa mais esta camisa. Sabe como é, não quero manchar minha reputação sendo vista com alguém que usa uma camisa assim.
- Nem eu. Te vejo amanhã?
- Claro.
Fiquei observando ela entrar e sentindo uma alegria que a muito tempo não sentia, segui para minha casa.
- Será uma longa noite.
Ouvimos ele murmurar em meio a um suspiro então não agüentamos mais e recomeçamos a gargalhar no meio do salão...
- Você me deve uma por ter que aturar os olhares fuziladores do professor. – ela falou em meio a risadas quando estacionei o carro em frente a sua casa.
- Como alguém pode sorrir tanto? Será que ele não tem problemas? Imagine ele falando com cobradores com aquele sorriso enorme.
- Para Will. – ela tentava parar de rir socando meu ombro de leve.
- Não, é sério.
- Acho que ele não vai mais querer a gente lá.
- Duvido. Paguei uma semana adiantada, então teremos que ir lá ao menos mais seis dias.
- Faz tempo que não me divirto tanto assim.
- Eu também.
- Obrigada, Will. – ela falou enquanto me encarava com seus olhos negros cintilando. – Quer dizer, tem me ajudado muito a passar por tudo isso, sabe...
- Tudo bem... Isso é só o começo.
- Bom, então eu já vou indo. Boa noite.
- Boa noite - respondi vendo ela sair do carro e se virar para ir embora.
- Will? – ela chamou dos degraus.
- Sim?
- Um conselho de amiga: Não usa mais esta camisa. Sabe como é, não quero manchar minha reputação sendo vista com alguém que usa uma camisa assim.
- Nem eu. Te vejo amanhã?
- Claro.
Fiquei observando ela entrar e sentindo uma alegria que a muito tempo não sentia, segui para minha casa.
Próximo capítulo...
*
*
... – Então, está bom?...
... – Está ótimo...
... – Quem é este anjo?...
... – Charles, esquece, ela não é pra você...
... – Não sabia que era tão bom assim na cozinha...
... – Tem mais coisas sobre mim que você vai descobrir...
... – O que ele queria?...
... – Ele quer o divorcio...
... – Não pode me prometer que sempre ficará aqui. Já fez isso uma vez e não cumpriu...
*
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... – Então, está bom?...
... – Está ótimo...
... – Quem é este anjo?...
... – Charles, esquece, ela não é pra você...
... – Não sabia que era tão bom assim na cozinha...
... – Tem mais coisas sobre mim que você vai descobrir...
... – O que ele queria?...
... – Ele quer o divorcio...
... – Não pode me prometer que sempre ficará aqui. Já fez isso uma vez e não cumpriu...














