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Não é uma incivilidade generalizada a verdadeira essência do amor? (Jane Austen)

10 coisas que preciso fazer antes de ter você... - Capítulo VI

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Capítulo VI
*

Velhas lembranças...
*

Lizzy...


Por mais que meus olhos vissem, eu não conseguia acreditar. Após tantos anos eu poderia até não reconhecê-lo, mas jamais poderia esquecer aqueles olhos apesar da roupa elegante, dos óculos de grau, o corpo mais musculoso e principalmente o cabelo impecavelmente penteado, diferente de outra época onde vivia desalinhado.

- Oi! – ele falou novamente, talvez na tentativa de me tirar do transe que me encontrava.

- Oi. – respondi em um sussurro.

Um grande silêncio nos tomou, sendo quebrado apenas pelo som dos passos das pessoas que passavam pela rua quase deserta. Sinceramente eu não sabia o que dizer, foram anos de distância e na verdade, nem conhecia a pessoa que estava em minha frente agora.

- Eu... – ele começou ainda mais sem jeito. – Eu estava passando e... Estava passando e pensei que poderia te dar um oi. Então... Oi.

- Oi. – respondi tentando não rir daquela situação. – Então... Quando você chegou?

- Hoje. Há menos de quatro horas.

- Hum...

Novamente o silêncio, mas desta vez eu recomecei a conversa.

- Veio para o casamento da sua mãe?

- Sim... Sim.

- Ótimo... – mais uma pausa constrangedora. - Eu estava de saída agora, então...

- Ah claro. Desculpe-me; vejo você depois?

- Claro. – respondi tentando controlar meu nervosismo, mas aquele pequeno diálogo foi muito estranho.
Fiquei observando ele caminhar até o carro enquanto tentava fazer com que minhas pernas me obedecessem e seguissem seu caminho. Mas quando estava prestes a chegar na calçada, ouvi a voz dele novamente.

- Lizzy?

- Oi?

- Quer uma carona? Quer dizer... Posso te levar.

- Oh! Na verdade eu prefiro caminhar um pouco. Gosto de...

- Gosta de caminhar. – ele completou minha frase, sorrindo. – É eu sei... Lembro bem disso.

Sorri de volta enquanto por um impulso fiz algo que talvez viesse a me arrepender, mas era o que meu coração queria naquele momento.

- Vou só até a lanchonete do Barrys comer alguma coisa. – com as mãos no bolso do casaco, fitei primeiro os meus pés, depois consegui criar coragem para convidá-lo. – Pode ir comigo se quiser.

- Claro. – ele aceitou, ainda mais constrangido que eu.

Esperei ele se aproximar e juntos seguimos pela calçada repleta de gelo.

- Já havia esquecido de como é andar na neve. – ele falou quando quase caiu.

- Em Los Angeles neve só fabricada, não é?

- Sim. – ele respondeu sorrindo. – Neve é algo que Hollywood faz muito bem.

- Então... Quanto tempo vai ficar?

- Só até o casamento, um mês mais precisamente.

- E os seus negócios? – ele me olhou surpreso. – Andei lendo algumas revistar econômicas. – esclareci – Vi sua foto e do seu sócio na capa da Forbes recentemente. Os queridinhos das estrelas!

- Eles exageraram um pouco, mas estamos indo bem.

- Eles exageraram também sobre Angelina Jolie e outras atrizes? – me arrependi imediatamente por ter feito aquela pergunta, afinal eu não tinha nada a ver com a vida dele. Eu era mesmo uma idiota. – Desculpe, eu não deveria ter te perguntado isso.
- Tudo bem. – ele sorriu, porem não respondeu minha pergunta.

- Nunca te imaginei envolvido neste mundo hollywoodiano.

- Cuido apenas dos investimentos deles, meu mundo não tem o mesmo glamour, continuo no frio e sóbrio mundo dos negócios, apesar da ligação. E você?

- Acabei de concluir meu doutorado em psicologia.

- Então conseguiu?! Meus parabéns.

- Obrigada.

De repente nossos olhos se depararam com o velho prédio, agora já abandonado; elevamos nossos olhos ao mesmo tempo para a velha e imponente caixa d’água. Não sei o que ele sentiu, mas meu coração acelerou descompassadamente.

- Oh meu Deus! Não venho aqui há tantos anos. – sussurrei com os olhos fixos no topo do prédio. – Desde aquela noite que você se foi. – engoli seco devido as tristes lembranças.

- Tenho boas recordações deste lugar. – ele falou enquanto me olhava fixamente.

- Realmente fomos muito felizes lá... Vamos subir?! – falei empolgada.

- Não acho que seja uma boa idéia. - ele pareceu relutante.

- Por favor; prometo que não vamos demorar. – insisti. – pelos velhos tempos.

Ele ainda relutou, mas resolveu me seguir. Apressei meus passos no mesmo tempo que a emoção me dominava; voltar aquele lugar era um misto de adrenalina e medo. Ao chegarmos lá em cima, precisei buscar o ar, pois a nostalgia fazia as lágrimas brotarem dos meus olhos; fui até o parapeito do prédio e em silêncio fiquei observando a rua deserta. Vi quando Will se aproximou de mim e juntos e em silêncio, ficamos observando o vai e vem dos carros na avenida ao longe.

- É estranho estar aqui novamente. É estranho te ver novamente. – finalmente falei, mas sem olhá-lo.

- É sim... – ele respondeu enquanto se aquecia do frio cortante.
- Oito anos... – ponderei pensativa. – Obrigada, Will. – finalmente olhei pra ele.

- Pelo que?

- Por não ter comentado sobre a minha separação e por não ter dito que sempre teve razão sobre o George. – engoli seco, sentindo o peso das palavras, suprimindo o choro.

- Tudo bem. – recebi o olhar sincero dele seguido de um abraço e então me deixei levar pelas lágrimas.

Fiquei alguns minutos me deixando confortar naqueles braços tão carinhosos e que por tantas noites desejei estar.

- Senti tanto a sua falta, Will. – desabafei completamente comovida. – Desejei tanto que você estivesse aqui.

- Eu estou aqui agora... – ele sussurrou emocionado. – Eu quis muito estar aqui com você...

- E por que não voltou? – perguntei ainda abraçada a ele; na verdade eu nunca mais queria me separar dele novamente.

- Lizzy... É complicado.

- Oh! Entendo. – falei enquanto me afastava enxugando as lágrimas.

- Você esta bem?

- Estou, obrigada. – sorri sem graça. – É este lugar; as emoções ficaram a flor da pele. – mudei de assunto enquanto explorava cada canto do nosso esquecido lugar. – É incrível como consigo lembrar de cada detalhe apesar de tanto tempo.

- Está exatamente como eu lembrava. – ouvi a voz dele ao longe, já que havia me afastado e me aproximado cada vez mais da caixa d’água.

- O tempo parou por aqui. – refleti – Pena que não parou para mim...
- Lizzy? Você está legal mesmo?

- Estou ótima, ao menos acho que vou ficar. – tentei mostrar um sorriso mais convincente desta vez. – Quantos planos e sonhos nossos este lugar guarda.

- Sonhos adolescentes. – ele respondeu se aproximando.

- Nem tão adolescentes. Lembro que muitos eram o que eu queria para o meu futuro. – ponderei enquanto meus olhos vagavam por todo o lugar. Foi então que fixei meu olhar em um velho cano e uma nítida imagem do passado voltou em minha mente. – Ah meu Deus, Will!

- O que foi? – ele pareceu se assustar.

- As listas.

- Listas? Mas do que você está falando?

- Das nossas listas. – respondi enquanto me aproximava rapidamente do esconderijo. – Escrevemos nossas listas com as dez coisas que queríamos fazer antes de crescer. Lembra?

- Vagamente. O que você está procurando? – ele perguntou vendo que eu tentava abrir o cano.

- O que você acha? Temos que ver aquelas listas. Anda vem me ajudar.

- Lizzy... Não acho uma boa idéia. Isso é bobagem.

- Você continua o mesmo chato. Anda, está emperrado e realmente preciso da sua ajuda.

Resmungando, ele veio me ajudar. Após algumas tentativas frustradas, finalmente ele conseguiu recuperar as listas. Peguei a dele apressadamente, um grande sentimento de ansiedade e medo me dominava enquanto lia em voz alta os primeiros desejos dele.

- Isso é besteira, Lizzy. – ele falou aparentemente nervoso enquanto tomava o papel das minhas mãos antes que eu terminasse.

- Ta legal. – resolvi ignorar a típica mudança de humor dele e passei a ler a minha lista.

Realmente foi uma péssima idéia ter começado a ler aquela bendita lista. A cada linha lida, uma forte angustia invadia meu peito trazendo junto consigo as lágrimas. Precisei sentar com o auxílio do William, pois minhas pernas já não me obedeciam.

- Você está bem? – a voz dele era angustiada.

- O que eu fiz da minha vida? Deus! – abalada, levei as mãos até o rosto cobrindo-o pela vergonha que sentia.

- Lizzy? Fala comigo; o que está havendo?
- O que está havendo?! – me exaltei sentindo o vazio dilacerar meu peito. – Eu sou um completo vazio; uma estúpida que não fez nada na vida.

- Não! Você não é.

- Deus, Will! Você conseguiu realizar tudo o que colocou nesta bendita lista. É um homem bem sucedido e com as mulheres mais desejadas do mundo aos seus pés. E eu?! Uma divorciada que tudo o que fez foi viver a vida de outra pessoa e esquecer dos seus sonhos. – as lágrimas já banhavam meu rosto.

- É só uma lista, Lizzy.

- Não é só uma lista, você não entende? É a minha vida, Will; o que eu deixei de fazer... Os sonhos que abandonei e o que me tornei hoje, o que tenho hoje... Nada.

- Lizzy... – ele parecia querer me consolar, mas não sabia como.

- Eu tenho que ir pra casa. – falei já me levantando e indo em direção as escadas.

- Eu te levo. – ele se ofereceu já me seguindo.

- Não! Eu preciso ficar sozinha.

- Lizzy... Me deixa ficar perto...

- Quer saber, Will?! Foi um erro você ter vindo.

Sem saber ao certo o porquê de ter dito aquela frase, sai correndo escada a baixo na tentativa desesperada de fugir...
******************
Darcy...

Atônito, não sei quanto tempo fiquei olhando para aquelas listas jogadas no chão. Aquela situação tinha sido surreal; eu tinha passado de mocinho à vilão em segundos e nem sabia o motivo. Resolvi ir embora, mas antes de ir, peguei as duas listas.

Quando cheguei no meu carro que estava estacionado em frente a casa dela, fiquei um tempo olhando para a fraca luz que vinha do antigo quarto dela; senti uma grande vontade de ir até lá e tentar entender, mas sabia que seria mais um erro...

Entrei em casa e apreciei a penumbra; caminhei até o bar e me servi de um uísque enquanto exausto me jogava no sofá.

- Noite difícil? – ouvi Charles perguntar enquanto se aproximava de mim.

- Oi. – respondi sem muito ânimo. – Vamos dizer que eu cometi uma sucessão de erros nos últimos dias e nesta noite o pior deles.

- Tipo? – ele sentou ao meu lado.

- Eu fui vê-la.

- Ah! E este encontro não foi como você planejou?

- Eu não planeei nada, na verdade eu nem sei por que fui até lá. Eu sou um grande idiota mesmo.

- Você é um pequeno idiota, não seja tão severo consigo. – ele tentou brincar, mas meu humor não era dos melhores. – Quer conversar?

- Acho que sim. Vou ficar maluco.

- Tudo bem. Só me conte o que houve.

- Eu não sei o que aconteceu... Estávamos lá conversando, estávamos felizes pelo reencontro, mas de repente ela foi embora.

- Assim de repente?

- É. Na verdade, foi quando ela viu as listas.

- Listas?

- Longa história...

- Não estou com sono, amigo...

Cansado, sorri e passei a contar toda a história das listas e o que tinha acontecido naquela noite.

- Eu não consigo entender. – falei enquanto aceitava outro copo de uísque oferecido por ele, que agora se servia de um também. – Talvez ela tenha razão e ter vindo aqui tenha sido realmente um grande erro.

- Sabe, depois de tudo o que você me contou, posso te dar duas explicações. Quer ouvir?

- Vá em frente, depois de hoje até suas teorias malucas podem me ajudar.
- Primeira: Ela é uma completa maluca e é melhor você cair fora logo.

- Acho que não quero nem ouvir a segunda.

- Segunda: ela só está perdida e confusa. Pelo que entendi, ela viu que você conseguiu realizar todos os seus sonhos enquanto ela não.

- Faz sentido. – refleti enquanto prestava mais atenção à conversa.

- As estatísticas mostram que os divórcios sempre afetam mais as mulheres.

- Desde quando você entende de divórcios?

- Desde que tenho casos com mulheres casadas prestes a se divorciarem.

- Você é um idiota. – sorri acompanhado por ele.

- O fato é: ela não está te culpando por nada, apenas culpando a ela mesma e as escolhas erradas que fez. Não são especificamente os desejos que estão na lista dela, mas o fato dela ter parado no meio do caminho, entende?

- É. Você tem razão. Eu tenho que ajuda-la a se encontrar, só não sei como.

- Contratando um gênio da lâmpada para realizar os dez desejos dela. – ele sugeriu em meio a uma gargalhada.

- É isso!

- Ei cara, eu estava brincando. Você não vai fazer isso, vai?

- Claro! Realizar estas coisas era importante pra ela e eu só preciso seguir estes dez itens, fazer com que ela viva todos eles.

- Sabe que isso é loucura!

- Charles, você é um gênio! – levantei do sofá empolgado enquanto o abraçava.

- Pelos céus! Onde está o Darcy frio e objetivo de Los Angeles?

- Não sei, mas o antigo está de volta.

***********************

Lizzy...

- Ainda não acredito que falei aquilo pra ele. – falei pela milésima vez.

- Esqueci isso, Lizzy. – Charlotte respondeu pela milésima vez também.

- Não, Char, eu fui uma estúpida.

- Qual é? Você estava confusa e droga, o cara some por oito anos e você está passando por um momento difícil.

- Eu sei, mas quando vi aquelas listas e o quanto minha vida foi um buraco negro, sinceramente, não sei o que meu deu. Eu... Eu só me senti, envergonhada. Me senti tão pequena diante dele.
- Lizzy, você precisa sair dessa amiga.

- Não é fácil, Char. Principalmente quando vejo que minha vida é uma droga.

- Pra começar, para de sentir pena de si mesma. E depois, o William não tem o direito de se sentir ofendido já que ele foi quem decidiu sair da sua vida.

- Fiquei esperando ele jogar na minha cara que sempre teve razão, mas ele não fez isso. Sabe, acho que este foi um dos motivos que me fez pirar ontem à noite; saber que ele estava certo e de como eu fui uma grande idiota.

- Não pode se culpar por ter seguido seu coração, amiga. E que saber, já passou. – ela levantou e começou a vestir o casaco. – Tem certeza de que não quer mesmo sair comigo e com o Collins?

- Tenho. Ópera realmente não é algo que vá animar meu espírito.

- Tudo bem, então eu já vou indo para não nos atrasar. E a entrevista de emprego de amanhã, tudo certo?

- Tudo. Nossa, estou tão ansiosa.

- Vai dar tudo certo e sei que vai conseguir.

- Obrigada, Char. E obrigada também pelo jantar. – falei apontando para a refeição que ela havia trazido.

- Eu não poderia deixar minha amiga morrer por overdose de biscoitos.

- Eu te amo, Char.

- Eu também te amo e qualquer coisa me liga. – a abracei enquanto nos despedíamos.


Quando me vi sozinha pensei em ligar para a casa da Sra. Darcy e me desculpar com o Will, mas logo desisti; não sei o que estava sentindo, mas ainda não estava preparada para aquilo.

Após comer o jantar que Charlotte trouxe, resolvi ver alguns filmes que aluguei pela manhã, quase todos eram romances, o único que não era do gênero, era um drama que envolvia romance. Bom, vi quase uns quatro seguidos e nem vi as horas passarem, só quando levantei para ir ao banheiro vi que já era quase meia noite; foi aí que um barulho de algo batendo na minha janela me assustou.
Fiquei esperando mais algum movimento e mais uma vez o barulho se repetiu. Uma idéia maluca passou por minha cabeça, mas com certeza não tinha a menor possibilidade de ser o que eu estava pensando. Mas o barulho se repetiu mais duas vezes e não mais me contendo fui até a janela e foi aí que o vi...

- Oi.

- Oi. – sussurrei, surpresa.

Não sei como consegui responder. Diferente da noite anterior, Will estava vestido de maneira informal, apenas com um grande casaco e o gorro que eu dei a ele quando completou quinze anos. Aquela imagem era exatamente igual ao que eu lembrava; Will jogando pedrinhas na minha janela pra não acordar meus pais, tipo nosso código secreto, enquanto me esperava no quintal próximo ao balanço.

- Podemos conversar um pouco? – ele perguntou com o mesmo sorriso aberto e carinhoso que sempre esteve em minha mente.

- Will... Está tarde e...

- Prometo que não vou demorar.

- Não sei...

- Só uma conversa eu prometo.

- Ok. Desço em um minuto.

- Ok.

Aquilo era loucura! Não me sentia assim desde que... desde que tinha dezessete anos. Olhei minha imagem refletida no espelho e tudo o que vi foi a mesma felicidade estampada no meu rosto, a mesma que eu via quando Will jogava pedrinhas na minha janela. Vesti o casaco e completamente nervosa, fui até o quintal encontrá-lo.

- Por um momento fiquei esperando você aparecer com aquele moletom horrível. – ele falou enquanto me oferecia o outro balanço.

- Ele não era tão horrível assim e se quer saber, ainda uso ele, às vezes.

- Sério? – ele parou o balanço para me encarar, visivelmente prendendo uma gargalhada.

- Sério. – respondi não mais segurando o riso.

- Desculpe ter vindo há esta hora e sem avisar. Achei que se ligasse você não iria me receber.

- Tudo bem... Acho que eu é quem te devo desculpas por ontem. Fui uma idiota, mas é que foi estranho... sabe, toda essa coisa do reencontro, do passado misturado com o presente... Desculpe.
- Esta tudo bem. – ele sorriu carinhoso enquanto parava seu balanço. – Está tendo dificuldades aí. – perguntou vendo que eu mal conseguia me mover.

- Acho que perdi a prática nisso. – sorri.

- Posso? – ele levantou enquanto se oferecia para empurrar meu balanço.

- Pode. – concordei nervosa.

Fiquei imóvel enquanto assistia ele se mover devagar e começar timidamente a impulsionar meu balanço. Ficamos alguns minutos em silêncio até que não consegui mais resisti e fiz a pergunta que me perseguia há oito anos.

- Por que foi embora?

Ele pareceu se surpreender, pois suas mãos soltaram as correntes, então parei o balanço e o encarei.

- É complicado. – ele respondeu enquanto colocava as mãos nos bolsos.

- Acho que posso entender. Pode ao menos tentar?

- Eu... Acho que não é o momento.

- Este momento vai chegar um dia?

- Eu prometo. Pode esperar?

- Estou esperando há oito anos.

Ficamos em silêncio novamente até que ele voltou a impulsionar o balanço.

- Quer saber por que vim aqui?

- Bom, não recebo este tipo de visita há muitos anos e pelo que me lembro, sempre que você fazia isso era por que tinha algo importante para falar. Então, acho que quero sim.

- Vou ficar aqui até o casamento, um mês mais precisamente. Acho que te falei isso.

- É; falou sim.

- Então... Droga, isso está meio difícil de sair. – ele falou em meio a uma careta acompanhada de um sorriso sem jeito. Eu não falei nada, então ele continuou. – Eu... Eu só queria te ver durante este tempo... sei lá, sermos amigos novamente.

- Oh! – murmurei surpresa. – Eu não sei... Quer dizer, foram muitos anos.

- Eu sei... Eu sei que foram muitos anos, mas eu estou aqui agora. Sou o mesmo, Will, Lizzy.

- Não sou a mesma Lizzy. – tentei conter as lágrimas, não iria desabar novamente.
- Sei que é. Sei que a minha Lizzy ainda está aí. – ele parou o balanço e me encarou. – Podemos ao menos tentar. Então, amigos novamente?

Fiquei olhando a mão estendida, estava receosa pelo que aquilo poderia acarretar, mas não podia perdê-lo mais uma vez.

- Amigos. – assenti enquanto selava aquele momento com um aperto de mão.

- Ótimo. – ele sorriu de volta e ainda ficou alguns minutos me encarando até voltar para o seu balanço. – Então, já que somos amigos novamente tenho que te dizer.

- O que? – perguntei divertida já esperando o que viria.

- Aquele moletom é realmente horrível.

- Cala a boca, Will.

Depois de muitos anos, voltei a sentir aquela sensação maravilhosa... Ter o Will no meu quintal novamente era como voltar pra casa...

Cenas do próximo capítulo...
*
... E qual é o grande plano?...

... Não acredito que estou fazendo isso...

... Não acredito que sou seu amigo e tenho que te dizer, você está ridículo...

... Will?!...

... Já me sinto ridículo o bastante, quer parar de rir...

... Obrigada, Will...

... Isso é só o começo...
 


 

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