Capítulo IV
*
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Escolhas e grandes mudanças...
*
*
Lizzy...
Eu estava vivendo um grande momento em minha vida; meu namoro com George já completava quase cinco meses e estávamos cada vez mais apaixonados. Passávamos quase todo nosso tempo juntos; quando não estava no colégio, estava com ele.
O final do ano letivo se aproximava e com ele a tão esperada formatura. Algumas universidades já tinham aceitado meu ingresso, enfim, estava quase tudo perfeito, eu disse quase...
A única coisa que faltava para que eu realmente estivesse feliz, era o Will voltar a ser meu amigo; desde o infeliz incidente do Valentine’s Day nossa amizade nunca mais foi à mesma. Tentei falar com ele por diversas vezes, liguei, fui até a casa dele, tentei abordá-lo no colégio, mas ele insistia em fugir de mim.
O que mais me doía era não entender por que ele estava agindo daquela forma; sei que errei com ele, mas isso não era motivo para que simplesmente fingisse que eu não existia.
Naquela tarde eu estava disposta a tudo, iria confrontá-lo e ele teria que me ouvir nem que pra isso eu tivesse que amarrá-lo a um poste. No final da aula, fiquei esperando-o no estacionamento encostada em sua velha moto; esperei pacientemente, pois acabaria com aquela situação de uma vez por todas.
Em menos de vinte minutos vi quando ele saia do ginásio junto com outros garotos; segurava sua mochila na mão esquerda e brincava com a chave da moto na direita. Quando me viu, o sorriso que ostentava se esvaiu por completo o que me deixou ainda mais triste, porém mais decidida.
Fiquei observando ele se despedir dos garotos e vir na minha direção, mas sem se dignar a me dirigir um olhar. Assisti boquiaberta ele passar por mim, levantar o assento e pegar o capacete, sem pronunciar uma só palavra.
- Isso é ridículo, sabia? Precisa parar de me ignorar, Will. – Falei pacientemente, mas com os nervos a flor da pele.
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Escolhas e grandes mudanças...
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Lizzy...
Eu estava vivendo um grande momento em minha vida; meu namoro com George já completava quase cinco meses e estávamos cada vez mais apaixonados. Passávamos quase todo nosso tempo juntos; quando não estava no colégio, estava com ele.
O final do ano letivo se aproximava e com ele a tão esperada formatura. Algumas universidades já tinham aceitado meu ingresso, enfim, estava quase tudo perfeito, eu disse quase...
A única coisa que faltava para que eu realmente estivesse feliz, era o Will voltar a ser meu amigo; desde o infeliz incidente do Valentine’s Day nossa amizade nunca mais foi à mesma. Tentei falar com ele por diversas vezes, liguei, fui até a casa dele, tentei abordá-lo no colégio, mas ele insistia em fugir de mim.
O que mais me doía era não entender por que ele estava agindo daquela forma; sei que errei com ele, mas isso não era motivo para que simplesmente fingisse que eu não existia.
Naquela tarde eu estava disposta a tudo, iria confrontá-lo e ele teria que me ouvir nem que pra isso eu tivesse que amarrá-lo a um poste. No final da aula, fiquei esperando-o no estacionamento encostada em sua velha moto; esperei pacientemente, pois acabaria com aquela situação de uma vez por todas.
Em menos de vinte minutos vi quando ele saia do ginásio junto com outros garotos; segurava sua mochila na mão esquerda e brincava com a chave da moto na direita. Quando me viu, o sorriso que ostentava se esvaiu por completo o que me deixou ainda mais triste, porém mais decidida.
Fiquei observando ele se despedir dos garotos e vir na minha direção, mas sem se dignar a me dirigir um olhar. Assisti boquiaberta ele passar por mim, levantar o assento e pegar o capacete, sem pronunciar uma só palavra.
- Isso é ridículo, sabia? Precisa parar de me ignorar, Will. – Falei pacientemente, mas com os nervos a flor da pele.
Ele fingiu me ignorar e colocou a chave na ignição. Sem pensar duas vezes, agi de forma rápida e peguei a chave forçando-o a me olhar.
- Não pode fugir de mim para sempre. Vai ter que falar comigo. – triunfei enquanto guardava a chave no bolso do meu casaco.
- Me da esta chave, Lizzy. – ele pediu aborrecido.
- Não até você parar de agir como criança e conversar comigo.
- O que você quer? Não tenho tempo para isso agora.
- Mas terá que arranjar, ou então pode ir pra casa andando.
Ele me encarou incrédulo e visivelmente pronto para me matar. Depois de um longo suspiro, enfiou as mãos nos bolsos do casaco enquanto caminhava até um dos bancos próximos, sentando em seguida, então eu o segui e sentei próxima a ele.
- Pode falar. – falou com desdém.
- Por que você está fazendo isso comigo? – fui direto ao assunto.
- Não sei do que você está falando.
- Não sabe? Faz quatro meses que eu tento falar com você, mas você não me recebe, não atende meus telefonemas e simplesmente finge que eu não existo. Por quê?
- Achei que você estava ocupada demais para perder tempo com tolices. – a resposta dele soou muito irônica.
- Nossa amizade não é tolice pra mim e você sabe disso. Inventa algo mais convincente, ou melhor, fala a verdade.
- Lizzy esta conversa não vai nos levar a lugar nenhum, então me devolve minhas chaves.
- Sinto sua falta, Will. – desabafei enquanto passava os braços pelos ombros dele. – Eu preciso de você.
- Não, não precisa. – ele se afastou bruscamente ficando de pé. – Já tem seu namorado e precisa se contentar com isso.
- Olha Will, sei por que tanta raiva assim do George.
- Sabe? – ele me encarou surpreso, como se eu tivesse descobrindo algum segredo.
- Sei sim. Você tem raiva dele pelo que ele fez comigo, mas ele mudou, Will. Estamos namorando há quase cinco meses e eu sei que ele mudou.
- Bom pra você. – a postura fria voltou novamente enquanto ele estendia a mão direita, pedindo a chave.
- Não pode fugir de mim para sempre. Vai ter que falar comigo. – triunfei enquanto guardava a chave no bolso do meu casaco.
- Me da esta chave, Lizzy. – ele pediu aborrecido.
- Não até você parar de agir como criança e conversar comigo.
- O que você quer? Não tenho tempo para isso agora.
- Mas terá que arranjar, ou então pode ir pra casa andando.
Ele me encarou incrédulo e visivelmente pronto para me matar. Depois de um longo suspiro, enfiou as mãos nos bolsos do casaco enquanto caminhava até um dos bancos próximos, sentando em seguida, então eu o segui e sentei próxima a ele.
- Pode falar. – falou com desdém.
- Por que você está fazendo isso comigo? – fui direto ao assunto.
- Não sei do que você está falando.
- Não sabe? Faz quatro meses que eu tento falar com você, mas você não me recebe, não atende meus telefonemas e simplesmente finge que eu não existo. Por quê?
- Achei que você estava ocupada demais para perder tempo com tolices. – a resposta dele soou muito irônica.
- Nossa amizade não é tolice pra mim e você sabe disso. Inventa algo mais convincente, ou melhor, fala a verdade.
- Lizzy esta conversa não vai nos levar a lugar nenhum, então me devolve minhas chaves.
- Sinto sua falta, Will. – desabafei enquanto passava os braços pelos ombros dele. – Eu preciso de você.
- Não, não precisa. – ele se afastou bruscamente ficando de pé. – Já tem seu namorado e precisa se contentar com isso.
- Olha Will, sei por que tanta raiva assim do George.
- Sabe? – ele me encarou surpreso, como se eu tivesse descobrindo algum segredo.
- Sei sim. Você tem raiva dele pelo que ele fez comigo, mas ele mudou, Will. Estamos namorando há quase cinco meses e eu sei que ele mudou.
- Bom pra você. – a postura fria voltou novamente enquanto ele estendia a mão direita, pedindo a chave.
- É assim que você prefere que a nossa amizade acabe? É isso, Will? É o fim? – as lágrimas já banhavam meu rosto, delatando toda a dor que eu sentia.
Vi angústia no rosto dele então o choro veio como uma explosão, marcado por muitas lágrimas e soluços. Senti os braços fortes dele me envolvendo em um abraço sofrido.
- Não quero te perder, Will. – pedi entre soluços enquanto me agarrava com força no casaco dele.
- Não posso lidar com tudo isso, Lizzy. Preciso de um tempo, por favor. – ele sussurrou enquanto afagava meus cabelos.
- Mas por quê? Eu não entendo... Sei que tenho o George, mas isso não impede de ter você por perto, de ter sua amizade.
- Lizzy. – Ele me afastou me fazendo encará-lo. – Estamos em momentos diferentes agora e eu realmente preciso desse tempo.
Aquelas palavras me feriram mais do que deveriam; o encarei com firmeza buscando qualquer vestígio de que ele pudesse voltar atrás no que disse, mas a verdade estava estampada em seus frios olhos azuis. Me afastei dele ainda mais e retirei a chave do bolso, entregando a ele.
- Se é assim que você quer, eu só posso te dizer que realmente sinto muito e que estou sofrendo. Quero que saiba que sempre estarei aqui e quando seu tempo acabar quero ter o meu Will, o meu amigo... O meu irmão de volta.
Ainda me encarando com os olhos úmidos e a expressão dolorida no rosto, ele pegou a chave e seguiu na direção da moto, partindo rapidamente sem ao menos olhar pra trás. Me deixei cair no banco novamente fechando meus olhos e buscando o ar com força. Perder a amizade do Will era o mesmo que perder metade de mim...
**********************
Darcy...
Faltava menos de quatro semanas para a formatura e eu continuei evitando-a. Evitava encontrá-la na escola e depois da conversa no estacionamento mais de um mês atrás, ela tinha parado de me procurar, de tentar falar comigo, estava me dando o tempo que eu havia pedido. Mas eu sabia que esse tempo talvez nunca chegasse, ainda doía demais.
Vi angústia no rosto dele então o choro veio como uma explosão, marcado por muitas lágrimas e soluços. Senti os braços fortes dele me envolvendo em um abraço sofrido.
- Não quero te perder, Will. – pedi entre soluços enquanto me agarrava com força no casaco dele.
- Não posso lidar com tudo isso, Lizzy. Preciso de um tempo, por favor. – ele sussurrou enquanto afagava meus cabelos.
- Mas por quê? Eu não entendo... Sei que tenho o George, mas isso não impede de ter você por perto, de ter sua amizade.
- Lizzy. – Ele me afastou me fazendo encará-lo. – Estamos em momentos diferentes agora e eu realmente preciso desse tempo.
Aquelas palavras me feriram mais do que deveriam; o encarei com firmeza buscando qualquer vestígio de que ele pudesse voltar atrás no que disse, mas a verdade estava estampada em seus frios olhos azuis. Me afastei dele ainda mais e retirei a chave do bolso, entregando a ele.
- Se é assim que você quer, eu só posso te dizer que realmente sinto muito e que estou sofrendo. Quero que saiba que sempre estarei aqui e quando seu tempo acabar quero ter o meu Will, o meu amigo... O meu irmão de volta.
Ainda me encarando com os olhos úmidos e a expressão dolorida no rosto, ele pegou a chave e seguiu na direção da moto, partindo rapidamente sem ao menos olhar pra trás. Me deixei cair no banco novamente fechando meus olhos e buscando o ar com força. Perder a amizade do Will era o mesmo que perder metade de mim...
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Darcy...
Faltava menos de quatro semanas para a formatura e eu continuei evitando-a. Evitava encontrá-la na escola e depois da conversa no estacionamento mais de um mês atrás, ela tinha parado de me procurar, de tentar falar comigo, estava me dando o tempo que eu havia pedido. Mas eu sabia que esse tempo talvez nunca chegasse, ainda doía demais.
Estava em meu quarto com os olhos presos em uma foto onde eu e Lizzy tínhamos quase doze anos e ela e minha mãe haviam preparado uma festa surpresa pra mim; na foto, estávamos abraçados com os rostos sujos de bolo, pois na hora dos parabéns ela afundou minha cabeça no bolo e uma guerra de comida se formou; tão felizes, sorridentes, sem nem ao menos saber que um dia tudo terminaria da pior forma. Estava envolto em minha tristeza quando batidas na porta seguidas da doce voz da minha mãe me tiraram de um profundo momento de reflexão.
- Pode entrar, mamãe.
- Querido, precisa sair, ver gente. Tem ficado muito neste quarto nos últimos meses. Está tudo bem?
- Estou bem, mãe. – forcei um sorriso, pois sabia que ela estava muito preocupada comigo.
- Tenho duas correspondências para você. Primeiro esta.
Sorridente, ela me entregou um envelope que reconheci imediatamente o destinatário. Ansioso, abri rapidamente o envelope passando a ler seu conteúdo.
- Então? – minha mãe me perguntou apreensiva.
- Eles me aceitaram. – sorri enquanto recebia um forte abraço.
- Eu sabia que iria conseguir, William. Estou muito feliz e tenho certeza que seu pai também ficaria orgulhoso.
- É, sei que ele ficaria. – a lembrança do meu pai me emocionou.
- Já escolheu para onde vai? Cambridge também é uma possibilidade.
- Mãe, acho que quero ir. – falei cautelosamente mostrando o envelope, pois não queria magoá-la. – Pode vir comigo; alugamos uma casa lá, assim não preciso ficar em alojamentos da universidade.
- Não vou a lugar algum, William. – ela sorriu carinhosa – E não se preocupe comigo, meu querido. Ficarei bem.
- Não quero deixá-la sozinha.
- Não ficarei sozinha, tenho meu trabalho, meus amigos, minha vida. E nada me deixaria mais triste do que ver você se desfazer dos seus sonhos por preocupações tolas.
- Tem certeza?
- Absoluta.
- Disse que tinha duas correspondências, do que se trata a outra?
- Pode entrar, mamãe.
- Querido, precisa sair, ver gente. Tem ficado muito neste quarto nos últimos meses. Está tudo bem?
- Estou bem, mãe. – forcei um sorriso, pois sabia que ela estava muito preocupada comigo.
- Tenho duas correspondências para você. Primeiro esta.
Sorridente, ela me entregou um envelope que reconheci imediatamente o destinatário. Ansioso, abri rapidamente o envelope passando a ler seu conteúdo.
- Então? – minha mãe me perguntou apreensiva.
- Eles me aceitaram. – sorri enquanto recebia um forte abraço.
- Eu sabia que iria conseguir, William. Estou muito feliz e tenho certeza que seu pai também ficaria orgulhoso.
- É, sei que ele ficaria. – a lembrança do meu pai me emocionou.
- Já escolheu para onde vai? Cambridge também é uma possibilidade.
- Mãe, acho que quero ir. – falei cautelosamente mostrando o envelope, pois não queria magoá-la. – Pode vir comigo; alugamos uma casa lá, assim não preciso ficar em alojamentos da universidade.
- Não vou a lugar algum, William. – ela sorriu carinhosa – E não se preocupe comigo, meu querido. Ficarei bem.
- Não quero deixá-la sozinha.
- Não ficarei sozinha, tenho meu trabalho, meus amigos, minha vida. E nada me deixaria mais triste do que ver você se desfazer dos seus sonhos por preocupações tolas.
- Tem certeza?
- Absoluta.
- Disse que tinha duas correspondências, do que se trata a outra?
Seu sorriso desapareceu me deixando preocupado. Relutantemente, ela me entregou outro envelope decorado que fez meu coração acelerar. Pensei em não abrir, mas certamente minha mãe desconfiaria; abri o envelope e com um esforço sob humano, segurei as lágrimas enquanto lia as curtas linhas.
- William... – percebi a pena na voz da minha mãe e isso cortou meu coração. – ela tentou ligar e te convidar pessoalmente, mas você não a atendeu. Ela veio aqui hoje entregar o convite pessoalmente, mas preferiu não te incomodar, mesmo eu insistindo para que entrasse.
Não consegui esboçar sequer uma sílaba, um grande nós se formava em minha garganta bloqueando o ar.
... Jantar de noivado de Elizabeth Bennet e George Wickhan...
A frase ecoava em minha mente.
- Oh querido, eu sinto muito.
- Não vou a este jantar. – tentei fingir desinteresse jogando o convite sobre a mesa e voltando minha atenção para um livro que estava sobre a cama.
- Quer conversar?
- Não tenho o que conversar, mãe.
- Por que vocês brigaram, querido?
- Não quero falar sobre isso.
- Sei que está sofrendo, William, então me deixe ajudá-lo.
Cobri meu rosto com as mãos enquanto as lágrimas finalmente fluíam. Ouvi os passos da minha mãe se aproximando enquanto ela me abraçava.
- Sinto muito, William. Sei que a ama, sempre soube. Oh querido, realmente sinto muito. – a ouvi falar e suas mãos acariciavam meus cabelos.
- Não posso agüentar... Não vou agüentar, mãe. – sussurrei em meio às lágrimas.
- Sinto muito.
Me deixei acalentar pelos braços reconfortantes da minha mãe; Eu estava destruído naquele momento, a notícia do noivado de Lizzy me pegara de surpresa e acabou com qualquer esperança que ainda restasse em meu peito. Minutos depois me acalmei.
- É por isso que quer ir, não é? – ela pegou o envelope em cima da mesinha.
- Sim. – assenti.
- William... – percebi a pena na voz da minha mãe e isso cortou meu coração. – ela tentou ligar e te convidar pessoalmente, mas você não a atendeu. Ela veio aqui hoje entregar o convite pessoalmente, mas preferiu não te incomodar, mesmo eu insistindo para que entrasse.
Não consegui esboçar sequer uma sílaba, um grande nós se formava em minha garganta bloqueando o ar.
... Jantar de noivado de Elizabeth Bennet e George Wickhan...
A frase ecoava em minha mente.
- Oh querido, eu sinto muito.
- Não vou a este jantar. – tentei fingir desinteresse jogando o convite sobre a mesa e voltando minha atenção para um livro que estava sobre a cama.
- Quer conversar?
- Não tenho o que conversar, mãe.
- Por que vocês brigaram, querido?
- Não quero falar sobre isso.
- Sei que está sofrendo, William, então me deixe ajudá-lo.
Cobri meu rosto com as mãos enquanto as lágrimas finalmente fluíam. Ouvi os passos da minha mãe se aproximando enquanto ela me abraçava.
- Sinto muito, William. Sei que a ama, sempre soube. Oh querido, realmente sinto muito. – a ouvi falar e suas mãos acariciavam meus cabelos.
- Não posso agüentar... Não vou agüentar, mãe. – sussurrei em meio às lágrimas.
- Sinto muito.
Me deixei acalentar pelos braços reconfortantes da minha mãe; Eu estava destruído naquele momento, a notícia do noivado de Lizzy me pegara de surpresa e acabou com qualquer esperança que ainda restasse em meu peito. Minutos depois me acalmei.
- É por isso que quer ir, não é? – ela pegou o envelope em cima da mesinha.
- Sim. – assenti.
- Fugir não vai ajudar, Will.
- Ficar aqui e ver tudo acontecer, vai me matar.
- Por que não fala com ela? Diga como se sente.
- Agora é tarde, mãe. Perdi minha chance quando tive e agora não posso mais.
- Nunca é tarde, meu filho.
- Pra mim é.
- Então já posso deduzir que irá aceitar a proposta da universidade nos Estados Unidos?
- Não sei... Não sei o que fazer. E agora?
- Precisa decidir, só você pode fazer isso. Mas, saiba que o que decidir, eu estarei ao seu lado.
- Obrigada, mãe.
- Tudo bem. – recebi um beijo carinhoso enquanto ela levantava. – Vou te deixar sozinho agora.
Vi minha mãe se afastar enquanto milhões de dúvidas me atormentavam...
******************
Lizzy...
- Está ansiosa demais para um simples jantar de noivado e pode ir se acalmando que ele já chegou. – Charlotte tentou me acalmar quando entrou no quarto e me viu olhando pela janela.
- Eu o vi chegar. – respondi sem tirar os olhos da rua.
- Lizzy, o que está havendo? – Jane se preocupou.
- Ele não vem, Jane. – tentei esconder minha tristeza.
- Não, não vem querida. A Sra. Darcy chegou faz mais de dez minutos e não deu certeza de que ele viria, mas não alimente esperanças.
- Não entendo o que levou a este rompimento de vocês. – Charlotte ponderou enquanto se aproximava de Jane. – Sempre tão amigos, grudados, isso é muito estranho.
- Talvez ele esteja com ciúmes por sua relação com George.
- Ele não tem motivos para isso, Jane. Ele deveria saber que eu jamais o abandonaria.
- Sabe que não poderia cumprir o que diz, Lizzy. Se está mesmo disposta a se casar com George como diz, sabe que não poderia manter a mesma relação com William.
No fundo eu sabia que Charlotte tinha razão, nossa relação não seria mais a mesma depois de tudo, mas eu não queria perdê-lo.
- Temos que descer, todos estão esperando. – Jane avisou.
- Ficar aqui e ver tudo acontecer, vai me matar.
- Por que não fala com ela? Diga como se sente.
- Agora é tarde, mãe. Perdi minha chance quando tive e agora não posso mais.
- Nunca é tarde, meu filho.
- Pra mim é.
- Então já posso deduzir que irá aceitar a proposta da universidade nos Estados Unidos?
- Não sei... Não sei o que fazer. E agora?
- Precisa decidir, só você pode fazer isso. Mas, saiba que o que decidir, eu estarei ao seu lado.
- Obrigada, mãe.
- Tudo bem. – recebi um beijo carinhoso enquanto ela levantava. – Vou te deixar sozinho agora.
Vi minha mãe se afastar enquanto milhões de dúvidas me atormentavam...
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Lizzy...
- Está ansiosa demais para um simples jantar de noivado e pode ir se acalmando que ele já chegou. – Charlotte tentou me acalmar quando entrou no quarto e me viu olhando pela janela.
- Eu o vi chegar. – respondi sem tirar os olhos da rua.
- Lizzy, o que está havendo? – Jane se preocupou.
- Ele não vem, Jane. – tentei esconder minha tristeza.
- Não, não vem querida. A Sra. Darcy chegou faz mais de dez minutos e não deu certeza de que ele viria, mas não alimente esperanças.
- Não entendo o que levou a este rompimento de vocês. – Charlotte ponderou enquanto se aproximava de Jane. – Sempre tão amigos, grudados, isso é muito estranho.
- Talvez ele esteja com ciúmes por sua relação com George.
- Ele não tem motivos para isso, Jane. Ele deveria saber que eu jamais o abandonaria.
- Sabe que não poderia cumprir o que diz, Lizzy. Se está mesmo disposta a se casar com George como diz, sabe que não poderia manter a mesma relação com William.
No fundo eu sabia que Charlotte tinha razão, nossa relação não seria mais a mesma depois de tudo, mas eu não queria perdê-lo.
- Temos que descer, todos estão esperando. – Jane avisou.
Olhei mais uma vez pela janela e nem sinal do som barulhento da velha moto; mesmo com o coração em pedaços pela ausência do meu grande amigo, resolvi viver o meu jantar de noivado.
Ao chegar na sala, recebi cumprimentos dos poucos convidados que estavam lá; alguns parentes mais próximos da minha família e o irmão do George e sua esposa. Após cumprimentar todos, caminhei sorridente até a Sra. Darcy.
- Parabéns minha querida. – ela falou em meio a um forte abraço.
- Obrigada, Sra. Darcy.
- Você está linda.
- Ele não vem, não é?
- Realmente não posso dizer, Lizzy. Quando saí de casa ele não estava lá, mas creio que não virá. Sinto muito.
- Eu só queria que ele estivesse comigo em momento tão importante quanto este. – falei com pesar.
- William está passando por alguns problemas, mas sei que ele também queria estar aqui. Agora vá cumprimentar seu noivo, acho que ele está te esperando.
Recebi um beijo carinhoso no rosto e fui até o encontro do George, que me abraçou carinhosamente me beijando em seguida.
- Nervosa? Por que eu estou muito nervoso. – falou sorridente.
- Vai dar tudo certo. – retribuí o sorriso.
- Espero sair vivo daqui, pois seu pai está me matando com o olhar. – ele apontou para o meu pai que nos encarava com cara de poucos amigos.
- Ele não queria me ver noiva tão jovem, mas ele deseja a minha felicidade e sabe que eu serei feliz ao seu lado.
- E eu vou me esforçar para isso, eu prometo.
- Sem promessas, George.
- Ok! Sem promessas. Agora vamos que o jantar será servido.
Aceitei o braço oferecido, mas antes de ir, ainda voltei meus olhos para a porta mantendo a esperança de que ele ainda viria, foi então que o barulho do motor cansado parou em frente a minha porta. Com o coração aos pulos, soltei o braço do George e praticamente corri até a porta.
- Will! – sorri ao vê-lo na entrada principal. – Obrigada por ter vindo, Will.
Ao chegar na sala, recebi cumprimentos dos poucos convidados que estavam lá; alguns parentes mais próximos da minha família e o irmão do George e sua esposa. Após cumprimentar todos, caminhei sorridente até a Sra. Darcy.
- Parabéns minha querida. – ela falou em meio a um forte abraço.
- Obrigada, Sra. Darcy.
- Você está linda.
- Ele não vem, não é?
- Realmente não posso dizer, Lizzy. Quando saí de casa ele não estava lá, mas creio que não virá. Sinto muito.
- Eu só queria que ele estivesse comigo em momento tão importante quanto este. – falei com pesar.
- William está passando por alguns problemas, mas sei que ele também queria estar aqui. Agora vá cumprimentar seu noivo, acho que ele está te esperando.
Recebi um beijo carinhoso no rosto e fui até o encontro do George, que me abraçou carinhosamente me beijando em seguida.
- Nervosa? Por que eu estou muito nervoso. – falou sorridente.
- Vai dar tudo certo. – retribuí o sorriso.
- Espero sair vivo daqui, pois seu pai está me matando com o olhar. – ele apontou para o meu pai que nos encarava com cara de poucos amigos.
- Ele não queria me ver noiva tão jovem, mas ele deseja a minha felicidade e sabe que eu serei feliz ao seu lado.
- E eu vou me esforçar para isso, eu prometo.
- Sem promessas, George.
- Ok! Sem promessas. Agora vamos que o jantar será servido.
Aceitei o braço oferecido, mas antes de ir, ainda voltei meus olhos para a porta mantendo a esperança de que ele ainda viria, foi então que o barulho do motor cansado parou em frente a minha porta. Com o coração aos pulos, soltei o braço do George e praticamente corri até a porta.
- Will! – sorri ao vê-lo na entrada principal. – Obrigada por ter vindo, Will.
- Desculpe o atraso. – ele parecia desconfortável, mas tentou sorrir.
- Tudo bem, eu só queria que você estivesse comigo.
- Oi, garoto. – George que havia me seguido, o cumprimentou.
- Oi. – Will respondeu com o semblante frio.
- Venham! Vamos para a sala de jantar.
Segurei no braço de cada um, e juntos caminhamos para a sala de jantar. Agora eu realmente estava feliz, minha família, amigos, o Will, todos reunidos para a minha noite especial, agora nada poderia estragar minha felicidade.
O jantar transcorreu animadamente, todos conversavam e sorriam, os únicos calados eram Will e meu pai. Quando os convidados estavam espalhados pela sala, um pequeno grupo se formou em um canto; estávamos eu, George, o irmão dele, meu pai, Jane e William que eu praticamente arrastei até lá.
- Quando será o casamento? – o irmão do George perguntou enquanto se servia de mais um drink.
- Dentro de dois meses. – George respondeu enquanto beijava minha mão.
- Realmente vocês estão apressados. – meu pai resmungou.
- Pai! Já falamos sobre isso. Estou indo para a universidade e George conseguiu trabalho na mesma cidade, por isso decidimos nos casar antes de irmos pra lá.
- Amo sua filha, Sr. Bennet e desejo tê-la como minha esposa.
- Terá que superar a partida da sua filha predileta, Sr. Bennet. – Jane brincou.
Meu pai nada respondeu, recebeu um beijo carinhoso de Jane e todos sorriram.
- Eu preciso ir. – Will falou de repente.
- Mas já? – perguntei surpresa.
- Preciso organizar umas coisas.
- Espere! – pedi ansiosa – Antes de ir, eu e George queremos te fazer um convite. – respirei fundo buscando forças para prosseguir. – Queremos que seja nosso padrinho de casamento.
Um silêncio enlouquecedor se formou; todos esperavam ansiosos pela resposta dele, porém o olhar desolado que ele me lançou já me preparou para a resposta que viria a seguir.
- Eu agradeço o convite. – eu o conhecia bem e sabia que ele estava nervoso. – Mas... Mas não posso aceitar.
- Tudo bem, eu só queria que você estivesse comigo.
- Oi, garoto. – George que havia me seguido, o cumprimentou.
- Oi. – Will respondeu com o semblante frio.
- Venham! Vamos para a sala de jantar.
Segurei no braço de cada um, e juntos caminhamos para a sala de jantar. Agora eu realmente estava feliz, minha família, amigos, o Will, todos reunidos para a minha noite especial, agora nada poderia estragar minha felicidade.
O jantar transcorreu animadamente, todos conversavam e sorriam, os únicos calados eram Will e meu pai. Quando os convidados estavam espalhados pela sala, um pequeno grupo se formou em um canto; estávamos eu, George, o irmão dele, meu pai, Jane e William que eu praticamente arrastei até lá.
- Quando será o casamento? – o irmão do George perguntou enquanto se servia de mais um drink.
- Dentro de dois meses. – George respondeu enquanto beijava minha mão.
- Realmente vocês estão apressados. – meu pai resmungou.
- Pai! Já falamos sobre isso. Estou indo para a universidade e George conseguiu trabalho na mesma cidade, por isso decidimos nos casar antes de irmos pra lá.
- Amo sua filha, Sr. Bennet e desejo tê-la como minha esposa.
- Terá que superar a partida da sua filha predileta, Sr. Bennet. – Jane brincou.
Meu pai nada respondeu, recebeu um beijo carinhoso de Jane e todos sorriram.
- Eu preciso ir. – Will falou de repente.
- Mas já? – perguntei surpresa.
- Preciso organizar umas coisas.
- Espere! – pedi ansiosa – Antes de ir, eu e George queremos te fazer um convite. – respirei fundo buscando forças para prosseguir. – Queremos que seja nosso padrinho de casamento.
Um silêncio enlouquecedor se formou; todos esperavam ansiosos pela resposta dele, porém o olhar desolado que ele me lançou já me preparou para a resposta que viria a seguir.
- Eu agradeço o convite. – eu o conhecia bem e sabia que ele estava nervoso. – Mas... Mas não posso aceitar.
Um grande constrangimento se apossou de todos nós.
- Por quê? – sussurrei atônita.
- É que... Eu... Estou de partida para os Estados Unidos. – ele falou por fim. – Não vou estar aqui no dia do seu casamento. Sinto muito. Eu preciso ir agora, adeus.
Ele se despediu de todos e saiu apressado. Eu ainda estava em choque, ele iria embora para outro país e me falava isso com tanta naturalidade assim! Nem ao menos tinha se dado ao trabalho de me contar; fui a ultima a saber! Como ele pôde?!
- Por quê? – perguntei em um tom mais elevado chamando a atenção dos convidados, pois ele já estava alcançando a porta.
- Lizzy... – George tentou me parar, mas eu já corria até a saída sendo seguida por ele.
Que se dane minha festa de noivado! Dane-se tudo! William iria me ouvir; ele não podia fazer isso comigo. Eu o odiava.
- Quando iria me contar? – perguntei me jogando na frente da moto impedindo ele de partir.
- Para com isso, Lizzy. – ele pediu nervoso.
- Iria embora para outro país e não iria me contar?! Seu cretino! Eu te odeio! – gritei sentindo a raiva me consumar.
- Amor; vamos entrar... – George segurou minha mão tentando me puxar, mas eu não iria a lugar algum.
- Responde seu desgraçado! – gritei ainda mais alto.
Sem descer da moto, ele retirou o capacete e me encarou furioso enquanto me dava à resposta que eu pedia.
- Não tenho que te dar satisfações da minha vida, Lizzy.
- O que? – eu não reconhecia aquela pessoa que estava na minha frente. Não era meu Will.
- Todos fazemos escolhas, Lizzy. Você fez a sua e eu fiz a minha.
- Do que você está falando?!
- Por favor, tire ela da frente da moto, pois eu preciso ir embora. – falou se virando para George.
- Lizzy, depois vocês conversam, vem.
Estava completamente tremula e sem reação alguma. Me deixei ser puxada por George enquanto via o ultimo resquício da amizade de outrora indo embora a toda velocidade, assim como a moto dele que rasgava a rua deserta...
******************
- Por quê? – sussurrei atônita.
- É que... Eu... Estou de partida para os Estados Unidos. – ele falou por fim. – Não vou estar aqui no dia do seu casamento. Sinto muito. Eu preciso ir agora, adeus.
Ele se despediu de todos e saiu apressado. Eu ainda estava em choque, ele iria embora para outro país e me falava isso com tanta naturalidade assim! Nem ao menos tinha se dado ao trabalho de me contar; fui a ultima a saber! Como ele pôde?!
- Por quê? – perguntei em um tom mais elevado chamando a atenção dos convidados, pois ele já estava alcançando a porta.
- Lizzy... – George tentou me parar, mas eu já corria até a saída sendo seguida por ele.
Que se dane minha festa de noivado! Dane-se tudo! William iria me ouvir; ele não podia fazer isso comigo. Eu o odiava.
- Quando iria me contar? – perguntei me jogando na frente da moto impedindo ele de partir.
- Para com isso, Lizzy. – ele pediu nervoso.
- Iria embora para outro país e não iria me contar?! Seu cretino! Eu te odeio! – gritei sentindo a raiva me consumar.
- Amor; vamos entrar... – George segurou minha mão tentando me puxar, mas eu não iria a lugar algum.
- Responde seu desgraçado! – gritei ainda mais alto.
Sem descer da moto, ele retirou o capacete e me encarou furioso enquanto me dava à resposta que eu pedia.
- Não tenho que te dar satisfações da minha vida, Lizzy.
- O que? – eu não reconhecia aquela pessoa que estava na minha frente. Não era meu Will.
- Todos fazemos escolhas, Lizzy. Você fez a sua e eu fiz a minha.
- Do que você está falando?!
- Por favor, tire ela da frente da moto, pois eu preciso ir embora. – falou se virando para George.
- Lizzy, depois vocês conversam, vem.
Estava completamente tremula e sem reação alguma. Me deixei ser puxada por George enquanto via o ultimo resquício da amizade de outrora indo embora a toda velocidade, assim como a moto dele que rasgava a rua deserta...
******************
Darcy...
- Mãe, não quero ir e deixá-la desta forma. – falei ao ver minha mãe aos prantos enquanto recebia o milésimo abraço em menos de dez minutos. – Eu vou voltar e sempre que quiser pode ir me visitar.
- Uma mãe nunca está preparada para a partida de um filho. Mas por que está indo tão cedo? Seu vôo só sai em três horas.
- Preciso ir a um lugar antes.
- Vai se despedir dela?
- De certa forma sim, mas não como a senhora está imaginando, Sra. Darcy. – coloquei minha mochila nas costas enquanto me dirigia até a porta sendo seguido por ela.
- O táxi ainda não chegou. – minha mãe observou quando alcançamos a rua.
- Eu disse que era para me pegar depois, no lugar que preciso ir antes de partir.
- Tudo bem, querido. Oh! Meu filho amado cuide-se e não esqueça de procurar seus tios lá; eles vão te ajudar a se adaptar.
- Pode deixar mãe. Quero que me prometa que não ficará sozinha, e quando estiver se sentindo triste, pegue um vôo e vá me ver.
- Eu sou a mãe aqui, mocinho. – ela brincou arrancando um aberto sorriso meu, apesar da dor da despedida. – Eu sei me cuidar.
- Adeus, mãe. Eu te amo. – tentei segurar as lágrimas.
- Eu também te amo, querido. – recebi outro abraço e muitos beijos pelo rosto. – Tem certeza de que não quer se despedir dela?
- Mãe!
- Tudo bem, você quem sabe. Só não quero que se arrependa depois.
- Adeus.
Segui meu caminho sem olhar para trás, pois sabia que talvez não tivesse forças suficientes para partir se a visse chorando. Com uma mochila nas costas e com uma pequena mala na mão, caminhei por alguns minutos até subir a velha escadaria que dava para a antiga caixa d’água.
Estar ali foi a forma que encontrei de me despedir da Lizzy; aquele lugar guardava lembranças vivas de momentos tristes e muito felizes e antes de partir, eu tinha que me despedir, tinha que dizer adeus. O sol começava a se por no horizonte então sentei para talvez pela ultima vez, assistir aquele espetáculo maravilhoso que tantas vezes contemplei.
- Mãe, não quero ir e deixá-la desta forma. – falei ao ver minha mãe aos prantos enquanto recebia o milésimo abraço em menos de dez minutos. – Eu vou voltar e sempre que quiser pode ir me visitar.
- Uma mãe nunca está preparada para a partida de um filho. Mas por que está indo tão cedo? Seu vôo só sai em três horas.
- Preciso ir a um lugar antes.
- Vai se despedir dela?
- De certa forma sim, mas não como a senhora está imaginando, Sra. Darcy. – coloquei minha mochila nas costas enquanto me dirigia até a porta sendo seguido por ela.
- O táxi ainda não chegou. – minha mãe observou quando alcançamos a rua.
- Eu disse que era para me pegar depois, no lugar que preciso ir antes de partir.
- Tudo bem, querido. Oh! Meu filho amado cuide-se e não esqueça de procurar seus tios lá; eles vão te ajudar a se adaptar.
- Pode deixar mãe. Quero que me prometa que não ficará sozinha, e quando estiver se sentindo triste, pegue um vôo e vá me ver.
- Eu sou a mãe aqui, mocinho. – ela brincou arrancando um aberto sorriso meu, apesar da dor da despedida. – Eu sei me cuidar.
- Adeus, mãe. Eu te amo. – tentei segurar as lágrimas.
- Eu também te amo, querido. – recebi outro abraço e muitos beijos pelo rosto. – Tem certeza de que não quer se despedir dela?
- Mãe!
- Tudo bem, você quem sabe. Só não quero que se arrependa depois.
- Adeus.
Segui meu caminho sem olhar para trás, pois sabia que talvez não tivesse forças suficientes para partir se a visse chorando. Com uma mochila nas costas e com uma pequena mala na mão, caminhei por alguns minutos até subir a velha escadaria que dava para a antiga caixa d’água.
Estar ali foi a forma que encontrei de me despedir da Lizzy; aquele lugar guardava lembranças vivas de momentos tristes e muito felizes e antes de partir, eu tinha que me despedir, tinha que dizer adeus. O sol começava a se por no horizonte então sentei para talvez pela ultima vez, assistir aquele espetáculo maravilhoso que tantas vezes contemplei.
O ultimo mês foi o mais difícil de todos desde que tudo começou; após o jantar de noivado não nos falamos mais, ela me odiava de verdade por eu ter escondido que iria embora. Talvez tenha sido melhor assim, doía menos.
A minha formatura não foi nada do que eu sempre planejei; fui apenas para a cerimônia da colação de grau, e apesar dos veementes protestos da minha mãe e dos meus amigos, não fui à festa, pois sabia que ela estaria lá e com ele.
Aspirei o ar com força enquanto o sol se escondia majestoso no horizonte dando lugar à noite que começava a cair. Ainda tinha vinte minutos antes de o táxi chegar. De repente passos atrás de mim fizeram meu coração acelerar prevendo o que viria a seguir.
- Posso sentar com você? – A voz tímida dela soou atrás de mim.
Sem me virar para vê-la, apenas assenti e ainda fitando o horizonte, a vi sentar-se próxima a mim e olhar na mesma direção que eu.
- Liguei pra sua casa e sua mãe me disse que você tinha ido se despedir de um lugar, então deduzi que seria aqui. – ela continuou visivelmente nervosa. – Fiz mal?
- Não, Lizzy. – foi tudo o que consegui dizer, lançando um sorriso cansado para ela.
Ficamos alguns minutos em silêncio, até que ela segurou minhas mãos enquanto falava:
- Tem certeza de que não pode ficar mais uns dias, até o casamento?
- Não.
- Ficaria muito feliz se aceitasse ser meu padrinho. Não posso fazer isso sem você ao meu lado, Will. – senti as mãos tremulas dela sobre a minha e isso fez um forte arrepio percorrer meu corpo.
- Sinto muito, mas não posso fazer isso.
- Por quê? Por que não me contou? Por que está indo embora, Will? O que aconteceu com a gente?
- Crescemos, Lizzy. – falei amargurado. - Nós crescemos, viramos adultos e não foi exatamente como planejamos.
- Mas você me prometeu, lembra? Disse que entraríamos para a mesma universidade e que ficaríamos juntos mesmo depois da morte. Não pode me deixar, Will. – as lágrimas já molhavam seu rosto.
A minha formatura não foi nada do que eu sempre planejei; fui apenas para a cerimônia da colação de grau, e apesar dos veementes protestos da minha mãe e dos meus amigos, não fui à festa, pois sabia que ela estaria lá e com ele.
Aspirei o ar com força enquanto o sol se escondia majestoso no horizonte dando lugar à noite que começava a cair. Ainda tinha vinte minutos antes de o táxi chegar. De repente passos atrás de mim fizeram meu coração acelerar prevendo o que viria a seguir.
- Posso sentar com você? – A voz tímida dela soou atrás de mim.
Sem me virar para vê-la, apenas assenti e ainda fitando o horizonte, a vi sentar-se próxima a mim e olhar na mesma direção que eu.
- Liguei pra sua casa e sua mãe me disse que você tinha ido se despedir de um lugar, então deduzi que seria aqui. – ela continuou visivelmente nervosa. – Fiz mal?
- Não, Lizzy. – foi tudo o que consegui dizer, lançando um sorriso cansado para ela.
Ficamos alguns minutos em silêncio, até que ela segurou minhas mãos enquanto falava:
- Tem certeza de que não pode ficar mais uns dias, até o casamento?
- Não.
- Ficaria muito feliz se aceitasse ser meu padrinho. Não posso fazer isso sem você ao meu lado, Will. – senti as mãos tremulas dela sobre a minha e isso fez um forte arrepio percorrer meu corpo.
- Sinto muito, mas não posso fazer isso.
- Por quê? Por que não me contou? Por que está indo embora, Will? O que aconteceu com a gente?
- Crescemos, Lizzy. – falei amargurado. - Nós crescemos, viramos adultos e não foi exatamente como planejamos.
- Mas você me prometeu, lembra? Disse que entraríamos para a mesma universidade e que ficaríamos juntos mesmo depois da morte. Não pode me deixar, Will. – as lágrimas já molhavam seu rosto.
- Isso foi antes de tudo. Acha mesmo que podemos manter nossas promessas de criança?
- Por que não?
- Porque tudo mudou, Lizzy. Será que não percebe isso?
- Will, me escuta. O fato de eu ter o George não muda nada.
- Muda tudo, Lizzy. Deus! Como você é egoísta. – desabafei enquanto lágrimas umedeciam meus olhos.
- Will. – ela estava chocada com meu desabafo.
- É isso mesmo que você é: uma egoísta. Sabe, você sempre me teve por perto, sempre estive lá quando você precisou, mas agora você está traçando sua vida e eu não faço mais parte disso. Agora é minha vez de traçar a minha, será que não entende?
- Eu não quero que se sinta assim... Nunca pensei que se sentisse desta forma. – a revolta e indignação estavam marcadas na expressão dela. – Achei que fosse feliz sendo meu amigo. O que mudou? O que mudou, Will? – ela perguntou me fazendo encará-la.
- Eu preciso ir. – falei levantando apressado.
- Você não vai antes de responder.
Rapidamente ela me alcançou e segurou meu braço com força.
- Me solta, Lizzy. Estou atrasado.
- Pode ir assim que me responder o que mudou para que a nossa amizade se resumisse a isso! – ela gritou agitada.
- Diabos, Lizzy! – esbravejei já perdendo o controle dos meus sentimentos. – O que você veio fazer aqui?!
- Vim tentar entender e também porque vim te pedir para ficar. Não pode ir... Não quero que vá.
O abraço desesperado que recebi me desarmou por completo. Enquanto o frágil corpo dela liberava pequenos tremores devido ao choro, me deixei senti-la pela ultima vez. A envolvi em meus braços enquanto o delicioso cheiro dela invadia meus sentidos, penetrando em meu corpo, dilacerando-o.
- Não vai, Will. Eu te amo. – ela falou entre soluços.
Aquela frase fez meu coração para de bater por um instante. Me separei dela ainda em choque enquanto a encarava sentindo a esperança me invadir.
- Por que não?
- Porque tudo mudou, Lizzy. Será que não percebe isso?
- Will, me escuta. O fato de eu ter o George não muda nada.
- Muda tudo, Lizzy. Deus! Como você é egoísta. – desabafei enquanto lágrimas umedeciam meus olhos.
- Will. – ela estava chocada com meu desabafo.
- É isso mesmo que você é: uma egoísta. Sabe, você sempre me teve por perto, sempre estive lá quando você precisou, mas agora você está traçando sua vida e eu não faço mais parte disso. Agora é minha vez de traçar a minha, será que não entende?
- Eu não quero que se sinta assim... Nunca pensei que se sentisse desta forma. – a revolta e indignação estavam marcadas na expressão dela. – Achei que fosse feliz sendo meu amigo. O que mudou? O que mudou, Will? – ela perguntou me fazendo encará-la.
- Eu preciso ir. – falei levantando apressado.
- Você não vai antes de responder.
Rapidamente ela me alcançou e segurou meu braço com força.
- Me solta, Lizzy. Estou atrasado.
- Pode ir assim que me responder o que mudou para que a nossa amizade se resumisse a isso! – ela gritou agitada.
- Diabos, Lizzy! – esbravejei já perdendo o controle dos meus sentimentos. – O que você veio fazer aqui?!
- Vim tentar entender e também porque vim te pedir para ficar. Não pode ir... Não quero que vá.
O abraço desesperado que recebi me desarmou por completo. Enquanto o frágil corpo dela liberava pequenos tremores devido ao choro, me deixei senti-la pela ultima vez. A envolvi em meus braços enquanto o delicioso cheiro dela invadia meus sentidos, penetrando em meu corpo, dilacerando-o.
- Não vai, Will. Eu te amo. – ela falou entre soluços.
Aquela frase fez meu coração para de bater por um instante. Me separei dela ainda em choque enquanto a encarava sentindo a esperança me invadir.
- O que disse?
- Eu disse que preciso de você e que te amo, seu idiota. – ela socou meu peito.
- Me ama mais que a um amigo? – perguntei sentindo a adrenalina do momento.
- Sim...
Estava explodindo de felicidade, aquilo foi o que eu mais desejei ouvir durante os últimos meses e antes que eu pudesse beijá-la, uma pequena frase destruiu todo o meu mundo.
- Você é meu irmão. – ela completou sorrindo.
Um momento de felicidade plena acabava de se reduzir a mais dolorosa das realidades. A encarei por mais alguns minutos enquanto ela me olhava sem entender nada.
- Eu também te amo, Lizzy. – Dei um beijo demorado na testa dela. – Seja feliz. Adeus.
- Will?
Ainda a ouvi chamar enquanto apressadamente descia as escadas e entrava no táxi. Agora definitivamente tudo estava acabado e a partir daquele momento, uma nova vida me esperava e tudo seria passado...
***************
Lizzy...
Olhei mais uma vez minha imagem no espelho e tentei esquecer o nervosismo, a dúvida que agora me invadia. Na grande residência dos pais do George na França, os muitos convidados que eu não conhecia, me aguardavam na pequena capela.
- Pronta? – Jane perguntou abrindo a porta.
- Sim. – respondi em meio a um longo suspiro.
- Você está linda. – Char falou enquanto arrumava o véu.
- Estou tão nervosa, Char.
- Vai dar tudo certo. – ela me confortou.
- Temos que ir. – Jane nos intimou.
- Esperem só um momento. – pedi me dirigindo apressadamente até minha bolsa.
Peguei uma pequena foto minha e do Will que tiramos naquelas máquinas de park e tentando conter as lágrimas, a beijei na tentativa de senti-lo ao meu lado, mesmo ele estando tão distante de mim. A sua ausência ainda doía muito, talvez esta dor nunca passasse, talvez eu não quisesse que ela passasse, pois não queria esquecê-lo, não podia esquecê-lo, mas eu teria que aprender a conviver com isso.
- Temos que ir, Lizzy. - Mamãe veio nos chamar nervosa.
- Eu disse que preciso de você e que te amo, seu idiota. – ela socou meu peito.
- Me ama mais que a um amigo? – perguntei sentindo a adrenalina do momento.
- Sim...
Estava explodindo de felicidade, aquilo foi o que eu mais desejei ouvir durante os últimos meses e antes que eu pudesse beijá-la, uma pequena frase destruiu todo o meu mundo.
- Você é meu irmão. – ela completou sorrindo.
Um momento de felicidade plena acabava de se reduzir a mais dolorosa das realidades. A encarei por mais alguns minutos enquanto ela me olhava sem entender nada.
- Eu também te amo, Lizzy. – Dei um beijo demorado na testa dela. – Seja feliz. Adeus.
- Will?
Ainda a ouvi chamar enquanto apressadamente descia as escadas e entrava no táxi. Agora definitivamente tudo estava acabado e a partir daquele momento, uma nova vida me esperava e tudo seria passado...
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Lizzy...
Olhei mais uma vez minha imagem no espelho e tentei esquecer o nervosismo, a dúvida que agora me invadia. Na grande residência dos pais do George na França, os muitos convidados que eu não conhecia, me aguardavam na pequena capela.
- Pronta? – Jane perguntou abrindo a porta.
- Sim. – respondi em meio a um longo suspiro.
- Você está linda. – Char falou enquanto arrumava o véu.
- Estou tão nervosa, Char.
- Vai dar tudo certo. – ela me confortou.
- Temos que ir. – Jane nos intimou.
- Esperem só um momento. – pedi me dirigindo apressadamente até minha bolsa.
Peguei uma pequena foto minha e do Will que tiramos naquelas máquinas de park e tentando conter as lágrimas, a beijei na tentativa de senti-lo ao meu lado, mesmo ele estando tão distante de mim. A sua ausência ainda doía muito, talvez esta dor nunca passasse, talvez eu não quisesse que ela passasse, pois não queria esquecê-lo, não podia esquecê-lo, mas eu teria que aprender a conviver com isso.
- Temos que ir, Lizzy. - Mamãe veio nos chamar nervosa.
Coloquei a foto novamente em minha bolsa e segui para a Capela. Quando entrei, meus pés não me obedeciam, eu estava muito nervosa apesar da extrema felicidade, mas ao encontrar o olhar carinhoso e o sorriso do George, criei forças para continuar. Eu não sabia se estava fazendo o que era certo, mas naquele momento era o certo a fazer, era o que me deixaria feliz...
Aceitei o braço do meu pai e caminhei rumo ao meu final feliz... Finalmente o meu tão sonhado: Felizes para sempre...
Cenas do próximo capítulo...
*
*
Sete anos depois...
... Tem certeza de que é isso que quer?...
... Não tente me culpar...
... Não sou o único culpado e sabe disso!...
... Más notícias?...
... Ainda não sei, mas vamos fazer uma viagem...
... Você está enlouquecendo...
... Oi...
... Você?!...
Aceitei o braço do meu pai e caminhei rumo ao meu final feliz... Finalmente o meu tão sonhado: Felizes para sempre...
Cenas do próximo capítulo...
*
*
Sete anos depois...
... Tem certeza de que é isso que quer?...
... Não tente me culpar...
... Não sou o único culpado e sabe disso!...
... Más notícias?...
... Ainda não sei, mas vamos fazer uma viagem...
... Você está enlouquecendo...
... Oi...
... Você?!...














