Citações

Há casos em que um conselho pode ser tanto bom quanto mau - dependerá dos acontecimentos. (Jane Austen)

PROCURA-SE UM EX-NAMORADO DESESPERADAMENTE - CAPÍTULO XIII

  • PDF
  • Imprimir
  • E-mail
Capítulo XIII

Decisões importantes...


Enquanto caminhava pela areia fria tentava lembrar o que aconteceu depois que entrei naquele carro, mas passei anos tentando lembrar, isso não aconteceria agora. A casa começou a aparecer no meu campo de visão e ainda não sabia o que fazer, nem o que pensar, mas de uma coisa eu tinha certeza: queria respostas o quanto antes.

Quando me aproximei da varanda o encontrei sentado no alpendre enrolado em uma manta enquanto tomava algo fumegante. Com o olhar ansioso em minha direção ele não falou nada, apenas sorriu timidamente enquanto me convidou para sentar próxima a ele. Caminhei até ele em silêncio e puxei um pouco da manta me cobrindo um pouco e sentindo o calor do corpo dele.

- Estava ficando maluco. – ele quebrou o silêncio.

- Eu sei. Desculpe, mas eu realmente precisava de um tempo.

- Lizzy... – ele começou a falar, mas eu não deixei.

- O que exatamente aconteceu depois que você me colocou no carro? Eu me lembro de algumas coisas, mas depois deste momento é tudo um grande buraco negro pra mim. – resolvi ser direta.

- O que você acha que aconteceu? – sua voz estava calma, mas ele estava nervoso, percebi através dos seus olhos.

- Não faço a menor idéia, isso é o pior de tudo. Passei anos me julgando sem nem saber o que aconteceu naquela noite.

- Então você acha que...

- Espero que não, ou não conseguiria mais olhar nos seus olhos. – lamentei fitando a piscina.

- Bom... Vou começar afirmando que te coloquei na cama por duas vezes sem que nada tivesse acontecido entre nós.

Não pude deixar de respirar aliviada. Foram anos me culpando por aquele porre, pensando que tinha cometido uma grande loucura com um estranho e saber que nada aconteceu foi como se tivessem tirado um grande peso das minhas costas.

- Confesso que depois que te conheci, agora de verdade, não esperava outra coisa de você. – falei segurando forte a mão dele entre as minhas.
- Ainda quer saber o que aconteceu? – ele perguntou enquanto beijava meus lábios.

- Acha que vou ficar muito chocada?

- Não sei... Acho que você vai ter bons motivos para rir disso tudo.

- A rainha do mico! Pode começar.

- Eu tinha acabado de colocar você no carro e...

Flashback...

Era só o que me faltava. Primeiro eu aceito vir a uma festa idiota apenas em consideração ao meu grande amigo, pois odeio esse tipo de coisa; depois acabo me perdendo neste fim de mundo e tenho que parar em um pub barato de beira de estrada já que meu celular está sem bateria; para completar minha sorte, me envolvo em uma briga, coisa que nunca faço, para defender uma estranha. E só para finalizar estou com uma bêbada de cabelo azul no meu carro, dirigindo sem rumo e não sei o que fazer com ela. Isso só pode ser um grande pesadelo.

- Ei! – a chamei tocando em seu braço enquanto dirigia – Para onde eu te levo?

- Não... Não faço a menor idéia. – ela respondeu de forma embolada devido à bebida.

- Mas eu preciso te levar a algum lugar. Você deve morar em algum lugar.

- É claro que eu tenho onde morar.

- E seria?

- Em Londres.

- Em Londres?! Mais que ótimo, Darcy, você vai ter que dirigir horas no meio da noite para levar essa garota em casa. Da próxima vez vê se não se mete na briga dos outros. – resmunguei batendo com força no volante.

- Você é maluco, é? – ela perguntou gargalhando – Você fala sozinho.

- Olha, fica quietinha aí, ta legal? Já me deu dor de cabeça demais por hoje.

- Eu não pedi para você me ajudar. – ela protestou retirando o cinto. – Pára já essa porcaria de carro.

- Mas o que é que você está fazendo? – freei bruscamente quando vi que ela estava tentando abrir à porta do carro.

- Você é um grosso, sabia? Me ajudou porque quis e agora fica aí todo... todo... todo filho de uma mãe! – concluiu seu discurso inflamado enquanto saia do carro correndo por uma trilha.
- Droga! Mais essa agora. Por que simplesmente não consigo não me importar e seguir meu caminho? Por que eu tinha que me deparar com uma maluca dessas?!

Furioso, não vi outra saída a não ser obedecer minha razão e minha índole; liguei o carro novamente escondendo-o no canto da estrada, seguindo-a logo depois. A trilha dava para uma praia deserta; comecei a andar pela areia procurando por ela e não acreditei quando a vi sentada na beira de um mirante natural quase caindo, o que certamente seria uma grande tragédia. Desesperado e temendo o pior corri até lá.

- Acaso está querendo se matar é? – indaguei sem muita paciência segurando-a pelos braços.

- Me solta! – ela protestou se debatendo.

- Não vou deixar você cometer essa loucura. – fui firme.

De repente ela começou a rir, aliás, gargalhar. Ela riu tanto que mal conseguia respirar o que me deixou ainda mais irritado.

- Isso não tem graça, sua maluca. – bradei furioso.

- Você achou que eu iria me matar? – e mais uma onda de gargalhadas.

- Não era o que você estava tentando fazer?- me acalmei mais um pouco.

- É claro que não, acha que eu sou maluca? – ela não vai mesmo querer saber a resposta. – Tenho uma vida ótimaaaaaaaaa e não pretendo acabar com ela tão cedo. Vem, senta aqui e curte o visual, cara! – falou apontando para o horizonte quase caindo. Em um impulso a segurei rapidamente.

- Podemos sair daqui? É perigoso.

- E você é um daqueles caras certinhos e chatos que nunca se arrisca. Imaginei quando vi seu cabelo. Esse cabelo arrumadinho, cheio de gel penteado para trás mostra que você é careta demais.

Ai que maravilha. Ela agora vai analisar minha personalidade através do meu cabelo. Só me faltava essa.

- Olha, eu não tenho tempo para essas besteiras. Tive um dia horrível e estou tendo uma noite infernal, então seja boazinha e vamos embora, AGORA! – enfatizei completamente impaciente.
Assim como a gargalhada saiu em uma explosão, o choro veio ainda mais forte e do nada. Realmente aquela estava sendo uma noite e tanto. Definitivamente mulher chorando era meu calcanhar de Aquiles. Em meio a um longo suspiro sentei cuidadosamente ao lado dela e meio sem jeito passei o braço por seu ombro amparando sua cabeça em meu peito.

- Está tudo bem. – falei revirando os olhos.

- Não está não, minha vida é uma droga. – ouvi sua voz chorosa e retirei do bolso um lenço entregando a ela.

- Você mesma acabou de dizer que sua vida era ótima. – tentei anima-la, mas não deu muito certo, pois ela continuou a chorar.

- Ninguém gosta de mim, ninguém me ama.

- Não é verdade. Sua família, seus amigos, todos eles te amam. – arrisquei, sem nem saber se aquela criatura tinha alguém na vida.

- É, eles me amam. – ela pareceu refletir e isso a acalmou um pouco. – Mas o desgraçado do Natan não me ama. – e recomeçou a chorar.

- Aquele idiota do bar não merece que você fique desse jeito. – por um instante o fato dela estar chorando por causa daquele idiota me deixou com raiva.

- Não aquele desgraçado do Ben. Nem sei porque entrei naquele carro com ele. Eu só queria sair de lá e ir para longe de tudo, entende? Mas eu não sou o que ele falou, não sou. – choramingou novamente – Se não tivesse acontecido aquilo e eu não tivesse bebido eu jamais sairia com ele. - ficou um tempo em silêncio, então continuou - Mas eu estava falando do meu namorado, o Natan, entendeu?

Quase nada, mas fiz cara de quem entendeu, então ela continuou.

- O que será que tem de errado comigo para ele me trocar pela safada da Sharon? Será que eu sou feia? Eu sou feia?

Diante daquela pergunta, por incrível que pareça, só naquele instante eu passei a observá-la; olhei para ela percebendo coisas que antes não tinha visto. A pele branca, o nariz fino acentuando a boca vermelha e bem delineada, e por fim me perdi naqueles olhos castanhos intensos e hipnotizadores.
- Diz! Eu sou feia? – ela insistiu me tirando do transe.

- Não. Você não é feia. – finalmente falei, escondendo minha agitação.

- Então deve ser o cabelo azul. É isso, esse cabelo deve ter espantado ele.

Bom, quanto a isso é melhor ela não pedir minha opinião, pois esse cabelo realmente está muito esquisito.

- Acredita que ele não me acha atraente? Acredita nisso? – suas mãos agora seguravam minha camisa me puxando cada vez mais ao encontro do rosto dela. Que vontade de beijá-la. – Você me acha atraente? – Essa não!

- Eu... Acho. – admiti – Acho você muito atraente.

- Own! – ela sorriu enxugando as lágrimas. – Você é tão fofo!

Dizendo isso me puxou novamente pela camisa me beijando em um selinho demorado...


***~***~***~***~***~***

- Eu não fiz isso! – protestei envergonhada cobrindo o rosto com as mãos.

- Fez sim. – ele confirmou beijando minha cabeça.

- Ai que vergonha! Nem quero saber o que fiz depois desse beijo.

- Veja pelo lado bom. Foi depois desse beijo que fiquei louco por você. – ele falou mordiscando minha orelha, me fazendo ficar toda arrepiada.

- Hum... – gemi sentindo o controle ir embora, mas ainda queria ouvir o final da história. – Isso é muito bom, mas quero ouvir o final. – consegui falar me afastando a todo custo.

- Ok. – ele também se afastou. – Vamos voltar à história. Onde eu estava mesmo?

- Na parte que eu perdi toda noção e te ataquei.

- Ah, claro! Bom, você me beijou e...

***~***~***~***~***~***

A sensação que aquele simples beijo causou em mim foi instantânea. Quando estava prestes a intensificar o beijo ela se afastou.

- Obrigada. – disse beijando minha face e voltado a fitar o mar a nossa frente. – Mas o Natan não me acha atraente, não mesmo.

- Ele é um louco por isso. – falei ainda sentindo o gosto dos lábios dela.
- Acredita que namoramos já há cinco meses e nunca transamos?! – ela falou essa ultima palavra baixinho, em tom de confidência, como se fosse um segredo. – É. E isso me deixa maluca; fico pensando que eu devo ter algum problema. Você transaria comigo?Quer dizer, se fosse meu namorado.

Vieram várias respostas em minha mente, mas era bem melhor para meus hormônios me esquivar.

- Escuta, foi apenas uma briga de casal, aposto que amanhã com calma vocês vão se entender.

- Não, não! De jeito nenhum! Hum! Hum! – manejou a cabeça negativamente. – Não quero mais, cansei. Meus hormônios não agüentam mais.

Achei graça da sua resposta e não contive o sorriso.

- Você fica rindo! Queria ver se fosse você na minha situação.

- Desculpe. – pedi tentando conter o riso.

- Não transa comigo, mas aposto que deve está se divertindo muito com sua Sharon.

- Foi por isso que você bebeu tanto assim?

- Foi. Eu sou uma burra mesmo! Vai, pode falar, isso foi idiotice, não foi.

- Tenho que concordar. Beber não foi uma boa saída.

- É, eu sei. Amanhã vou me arrepender amargamente. Droga!

- Como foi parar com aquele cara do pub?

- Ah! O Ben? Ele estuda com o meu namorado, quer dizer, ex. Depois que vi o Natan com a Sharon fugi e tive a infeliz idéia de entrar no carro dele. E o final você já sabe.

- Foi uma grande loucura. Você poderia ter se metido em uma grande enrascada.

- Poderia, mas eis que surge você! Meu herói! – novamente ela me agarrou e desta vez não me deu um selinho, mais um beijo que fez com que perdesse o controle.

Em fração de segundos o beijo se intensificou e nossas respirações ofegavam freneticamente. Minhas mãos acariciavam as costas dela enquanto meus cabelos eram levemente puxados pelas mãos dela.

Como os lábios dela eram macios e quanto era doce o gosto do seu beijo. Me perdi completamente naquele momento.

- Uau! – ela exclamou sorrindo quando finalmente nos afastamos. – Isso foi... foi...
- Demais! – completei então ela concordou com a cabeça enquanto aquietávamos nossa respiração.

- Ai minha nossa! Eu traí meu namorado. – ela falou de repente levando a mão ao peito. – Eu acabei de trair meu namorado. Eu traí o Natan com você!

- Ei, calma. – pedi na tentativa de acalmá-la. – Não tecnicamente, já que vocês terminaram.

- É, você tem razão. – ela pareceu se acalmar. – Não acredito que acabei de beijar um desconhecido. Nada pessoal, mas acredite, nunca fiz isso em toda minha vida.

- Podemos resolver esse problema. – falei estendendo minha mão direita – William Darcy, muito prazer.

- Lizzy, quer dizer, Elizabeth Bennet. – ela apertou minha mão sorrindo. Seu sorriso era iluminador. – William?

- Hum?

- O mundo está rodando. Você está rodando também. Fica quieto que eu quero te beijar de novo.

- Acho que está na hora de você me dizer aonde mora e irmos embora. – falei sorrindo enquanto a ajudava a levantar.

- Ah não! Não, eu quero tomar banho de mar.

- Há esta hora?! Nem pensar. – protestei puxando-a delicadamente pela mão.

- Tem certeza de que não quer mesmo tomar banho de mar comigo? – ela insistiu tentando ser sexy, mas quase caiu ao tentar uma pose de mulher fatal.

- Tenho certeza de que não quero fazer nada que faça você se arrepender amanhã. – respondi me controlando para não ceder. – Vem, vou te levar para casa, seja lá onde for que você more.

- Eu moro no campus da Universidade de Londres. Mas só vou com você com uma condição. – pelo sorriso maroto dela esperei alguma travessura.

- Que seria? – temi a resposta quando a vi se afastar um pouco.

- Que você consiga me pegar. – gritou correndo pela areia em direção a praia.

Levei alguns segundos para começar a correr atrás dela, mas não demorou muito para alcançá-la, já que ela corria com dificuldade devido à bebida. Quando consegui segurá-la, não sei bem como aconteceu, mas acabamos tropeçando e caindo abraçados na areia.
- Não acredito nisso. – resmunguei tirando a areia do meu rosto. – Você está achando engraçado, é? – perguntei não mais segurando o riso enquanto ela gargalhava

- Mas é engraçado. – ela se defendeu tentando limpar meus cabelos cheios de areia. – Você está todo sujo de areia.

- E você não é a senhora limpinha neste momento. – falei sorrindo, contagiado com a felicidade dela.

- Você é tão lindo quando sorri sabia? – recebi um olhar intenso enquanto senti suas mãos delineando meus lábios. – Deveria sorrir mais.

- Você é linda... – sussurrei perdido naqueles olhos castanhos.

- Por que não me beija agora? É nessa hora que você tem que me beijar. – a voz dela era quase um sussurro.

Não esperei mais nenhum convite, capturei aqueles lábios macios sentindo o doce sabor daquele beijo. Logo o beijo se intensificou e todo o desejo de outrora voltou ainda mais violento. Talvez o contato dos nossos corpos tenha contribuído para a crescente vontade de tê-la ali mesmo.

Ela já começava a tirar minha camisa e eu sua blusa, quando um lampejo de consciência me tomou.

- Não... – falei com dificuldade enquanto me afastava. – Não posso fazer isso.

- Por que? – ela perguntou chorosa – Acaso você também não me quer?

- Céus! Por mim você seria minha agora mesmo. – desviei meus olhos dos dela para não cair em tentação.

- E o que te impede?

- O único e simples fato de que não quero fazer isso com você neste estado. Sei que se algo acontecer entre nós agora, você vai se arrepender para o resto da vida. Olha, escuta. – peguei o rosto dela e virei em minha direção – Você é linda, inteligente e parece ser uma pessoa legal e ajuizada. É isso mesmo que quer? Se vingar do seu namorado transando com o primeiro estranho que encontrar? Vai conseguir conviver com isso?

- Nossa! Seria tão mais fácil se você não fosse tão certinho. – ela sorriu timidamente. – Você tem razão. Estou me sentindo bem estúpida agora.
- Está tudo bem. Vem, hora de ir pra casa. – falei ajudando ela a levantar.

- Eu nunca vou te esquecer, William. – ela falou não conseguindo ficar de pé devido ao seu estado.

- Amanhã você nem lembrará do meu nome. – afirmei colocando ela nos braços.

- Acredite em mim. Nunca, eu disse nunca mesmo, vou te esquecer. – as palavras saíram emboladas enquanto ela colocava os braços em volta do meu pescoço encostando sua cabeça em meu ombro.

- Espero que não... – sussurrei enquanto a levava para o carro.

O trajeto de algumas horas até Londres foi bem louco. Hora riamos muito das piadas que ela teimou em me contar; hora soube um pouco mais da vida dela, o curso de jornalismo que fazia; sua única irmã e sobre sua melhor amiga maluca; teve momentos de choro também, principalmente ao falar que morava longe dos pais há muito tempo e dos seus ex-namorados, ah! E sobre a morte de sua cadelinha quando tinha quatorze anos. Mas os momentos mais difíceis foram às quatro vezes que tive que parar por ela está passando mal devido ao álcool.

O sol despontava tímido no horizonte quando finalmente entrei no campus da universidade. Já fazia algumas horas que ela dormia profundamente no banco de trás do carro. Quando comecei a circular pelos dormitórios avistei o carro do Charles saindo de um estacionamento; rapidamente fiz sinal com os faróis para que ele parasse, pois certamente ele poderia me ajudar a encontrar o dormitório dela.

Logo que reconheceu meu carro ele desligou o seu descendo em seguida, e em segundos caminhava em minha direção com uma expressão apreensiva, preocupada talvez.

- Will? Onde você se meteu, cara?

- Longa historia, meu amigo. E muito maluca também. Mas o que está fazendo aqui? E a festa em Bath?

- Nem me fale nesta festa. Aconteceu algo grave e tivemos que voltar. – respondeu em meio a um cansado suspiro.

- O que aconteceu? – me preocupei.
- Estamos todos a procura da irmã da minha namorada. Ela brigou com o namorado e simplesmente sumiu. Jane está inconsolável.

- Hum... Por acaso essa garota tem cabelo azul?

- Tem! – ele pareceu ganhar novas esperanças – É a Lizzy! Você a viu?

- Vi. Vi sim. Vem cá. – o chamei até o carro abrindo a porta de trás.

- Mas é a Lizzy! Como... Então você é o cara que o Ben falou... – ele parecia confuso – Will, você... Não acredito que você fez isso, deve ter uma boa explicação...

- Charles – fiz ele me encarar segurando em seus ombros – Mas do que é que você está falando? Eu fui capaz de fazer o que?

- Will. Algumas pessoas viram quando a Lizzy saiu com o Ben após a briga com o namorado. Duas horas depois o Ben apareceu sozinho no acampamento e nos contou que estava em um pub na beira da estrada com ela e apareceu um cara que ofereceu dinheiro para transar com a Lizzy e que ela estava tão chapada que aceitou na hora. E que o cara ainda acertou ele com um belo soco.

- O... O que?! – chutei o pneu do carro com força. Senti a raiva me tomar. Se esse Ben estivesse na minha frente não sobraria nenhum dente em sua boca suja.

- Calma, Will. Sei que tem alguma coisa estranha nessa história toda.

- Charles, acredite em mim. Não foi nada disso que aconteceu.

- Acredito em você, Will. Somos amigos há anos e te conheço muito bem para saber que jamais faria algo assim. Mas o que realmente aconteceu?

- É uma longa história que te conto depois, mas o que precisa saber é que não aconteceu nada entre nós e só estou metido em toda esta confusão por ter defendido ela daquele idiota.

- Tudo bem. Conversaremos depois e você me conta tudo. Agora o que vamos fazer?

- Não sei... Mas não posso deixar as pessoas pensarem o pior dela.

- Estão todos comentando. Será a fofoca do ano.

- Posso contar para as pessoas o que realmente aconteceu.
- Acha que vão acreditar? Ben é um daqueles babacas que todo mundo venera por ser o atleta mais queridinho e vitorioso da Universidade. Será a palavra sua e da Lizzy contra a dele e acredite, ele ganha.

- Mas não podemos deixar isso acontecer.

- Olha, vamos pensar com calma. – ficamos em silêncio alguns minutos – Espera! Já sei o que vamos fazer. Eu a levo para o dormitório e digo que a encontrei no mesmo pub.

- Charles, lá deve ter sido o primeiro lugar que foram procurar. Não vai dar certo.

- Não, vai dar certo sim. Eu fui procurá-la lá. Posso dizer que ela estava no banheiro quando entrei, qualquer coisa que desminta a versão do Ben.

- Não sei não...

- Will, deixa tudo comigo, ta legal. Não vou deixar que nada de ruim aconteça com ela.

- Ainda acho melhor eu falar tudo e...

- E as pessoas acharem que vocês combinaram tudo? Vai por mim, amigo. Será bem melhor que ninguém saiba o que aconteceu esta noite. Você vai voltar para Nova York amanhã mesmo. Tudo bem?

- Ok! – concordei derrotado. – Só me mantenha informado.

- Pode deixar. Agora me ajuda a colocá-la no meu carro e vai embora logo depois...


***~***~***~***~***~***

- E foi isso que aconteceu. – ele finalizou enquanto brincava com meus cabelos.

- Então Charles sempre soube de tudo? Não acredito nisso!

- Ele só tentou te ajudar. Nunca contei a ele o que realmente aconteceu. Omiti o fato de ter ficado louco por você.

- Por quê?

- Ah! Nunca fui muito bom em falar dos meus sentimentos, além do mais, voltei para Nova York e segui adiante.

- Hum... Entendi.

- Mas o que ele te contou? Nunca falamos sobre isso depois do ocorrido.
- Ele disse que me encontrou no mesmo pub em que o Ben me deixou. Disse que eu estava dormindo no banheiro e que o dono não havia visto até uma cliente me encontrar. Mas nunca acreditei nisso. Não lembrava o que tinha acontecido depois de ter entrado no seu carro, mas lembrava de você, não tecnicamente, na verdade me lembrava de um homem com quem saí de carro; o que sempre me fez acreditar na versão do Ben.

- Sério? – ele me encarou incrédulo.

- Sério. Durante anos me culpei por tudo o que aconteceu e mesmo confirmando para todo mundo a história do Charles, no fundo acreditava que o Ben tinha falado a verdade.

- Mas agora sabe que não aconteceu nada entre nós. Não tem mais que ficar se culpando.

- É eu sei. Tive muita sorte de ter te encontrado naquela noite. – falei aliviada por ter sido ele e não um maluco.

- Teve sim. Mas eu tive mais sorte ainda de ter te encontrado. Foi uma noite inesquecível.

- Mas como eu pude esquecer você?! – me senti envergonhada.

- Me fiz a mesma pergunta durante um bom tempo. Mas acho que você sempre se sentiu tão mal por tudo que simplesmente bloqueou toda a história na sua cabeça.

- É. Faz sentido. Will? – o encarei sentindo meus olhos úmidos.

- Hum. – recebi um olhar carinhoso enquanto ele acariciava meu rosto.

- Por que nunca me procurou? Quer dizer, se foi tão importante, por que nunca me procurou e esclareceu tudo?

- Eu te procurei, Lizzy.

- Procurou? – me surpreendi e tentei lembrar, mas não consegui. – Quando?

- No dia seguinte. Vou te contar...

***~***~***~***~***~***
flashback...

Olhei no relógio e constatei a mesma coisa de cinco minutos atrás: estava quase na hora do meu vôo. Mais uma vez aquela estranha me tirava da rotina, do bom senso e da minha vida certinha e regrada.

Alguns alunos começaram a sair do prédio; hora de decidir se vou fazer mesmo isso ou não. Sei que Charles me pediu para não procura-la, mas infelizmente não consegui evitar. Tinha que vê-la mais uma vez; saber se aquela noite havia sido especial para ela assim como foi para mim.

Ela logo se destacou entre aquela turma de alunos. Seu cabelo azul não era algo difícil de ser notado. Respirei fundo e tive os famosos cinco segundos de indecisão e pela primeira vez em minha vida a emoção venceu a razão.

Saí do carro e passei a caminhar em direção ao pequeno grupo em que ela estava, umas três garotas, talvez, estava tão nervoso que nem observei direito. Quando me aproximei ela se despedia das amigas e ao se virar de repente acabamos esbarrando derrubando os cadernos e livros dela no chão.

- Desculpe. – pedi enquanto me abaixava para ajudá-la a recolher suas coisas.

- Não, tudo bem. Eu é quem estava distraída e não te vi. – ela respondeu pegando alguns livros.

Ficamos de pé e finalmente ela me olhou. Fiquei parado, ansioso, esperando com desespero ela lembrar de mim e simplesmente dizer: Oi, Will! Mas ao contrário disso, ela sorriu e falou sem jeito.

- Acho que esses livros são meus. – falou apontando para os livros que eu ainda segurava.

- Ah! Claro, são seus. – respondi constrangido entregando os livros a ela.

- Então... – ela falou após alguns segundos de silêncio em que eu estava olhando fixamente para ela. Acho que a assustei. – Valeu pela ajuda. – concluiu se afastando sem nenhum sinal de que tinha me reconhecido.


***~***~***~***~***~***~***
- Então você era aquele cara estranho que me olhou de maneira ainda mais estranha?

- Era eu sim. Sabia que tinha te assustado. – ele sorriu me abraçando devido ao vento frio que começou soprar.

- Um pouco. Afinal de contas não é todo dia que um estranho fica caladão te olhando. Poderia ter dito quem era. Assim não teríamos perdido tanto tempo. – beijei o pescoço dele tremendo um pouco. Estava ficando cada vez mais frio.

- Acho que não era o momento. Talvez você fugisse de mim.

- É... Tal... Talvez. – gaguejei. Mesmo nos braços dele estava gelada.

- Você me perdoa? Juro que não premeditei nada e... –ele começou a se desculpar.

- Eu não tenho o que te perdoar. Só quero ficar aqui, com você.

- Fico aliviado ao ouvir isso. – ele beijou meus lábios com paixão - Estou quase virando um sorvete. E você também. Vem, vamos entrar e tomar um banho quente.

- Hummmm... Banho quente é perfeito agora.

- Foram segundas intenções que vi nesta frase? – ele arqueou a sobrancelha me encarando.

- Segundas não, meu bem. Já passou das décimas intenções. – sorri beijando-o de forma provocante.

A combinação William, paixão, sexo e água quente foi explosiva. Minhas pernas ainda tremiam quando terminei de me vestir e me juntei a ele na cama. Ele estava apenas me esperando para nosso jantar improvisado com uma bela bandeja, com sanduíches e suco.

- Estou faminta. – falei pegando um sanduíche que ele mesmo fez.

- Aconselho a se alimentar bem, pois ainda não terminamos a conversa que começamos no banheiro. – sorriu cinicamente.

- Por favor, uma trégua. – pedi sorrindo fazendo ele gargalhar – Mal consigo ficar de pé. – falei dando uma boa mordida no sanduíche.

- Só temos esta noite. – ele me lembrou saboreando seu sanduíche.

- É verdade. Voltaremos para nossa dura realidade amanhã. – me desanimei.

- O que foi? – ele se preocupou.

- Nada. É que... O que vai acontecer agora, digo, entre nós?
- Bom... Eu não consigo mais ficar nenhum segundo sem você. – falou me beijando de forma sensual.

- Nem eu sem você. – sussurrei ainda beijando-o. – E o que vamos fazer?

- Vai demorar a comer?

- Por que?

- Nada, só quero saber se já terminou.

- Já, eu acho. – respondi tomando o suco de uma vez, colocando o copo na bandeja.

Ele me encarou sereno e afastando a bandeja me jogou na cama ficando por cima de mim.

- Você me assustou! – falei sorrindo.

- Desculpe, não pude evitar. – sorriu enquanto beijava meu pescoço, dando pequenas mordidas. – Você tem algum imã que atrai William Darcy´s escondido por aí? Hum? – perguntou olhando por dentro do roupão me fazendo gargalhar.

- Estou falando sério, Will. O que vamos fazer? – tentei parar de rir, mas ele continuava beijando meu corpo me fazendo perder completamente o controle.

- Bem, você eu não sei, mas eu... – ele parou de me beijar e me encarou decidido. – Eu tenho uma namorada. Quer dizer, ainda não pedi oficialmente para ela ser minha namorada, mas acho que depois dos arranhões que ela deixou a pouco nas minhas costas, ela me deve essa. – piscou o olho direito capturando meus lábios em um beijo intenso em seguida. – Então o que me diz? – sussurrou com sua boca ainda colada a minha.

- Eu digo que sempre tive razão e que o homem da minha vida sempre esteve entre os meus ex-namorados. – respondi quase em um gemido devido as caricias se espalhando por meu corpo.

- Espero que sua caça tenha terminado, minha cara. – mal consegui ouvi-lo, pois ele retirava minha calcinha com a boca.

- Pode apostar... – sussurrei antes de me entregar a insanidade...

***~Fim~***
 

Link us







Esqueceu seu login?
Sem conta ainda? Registrar

Conectados

Nenhum

Acessos


Hoje84
Neste mês2421
Desde Março de 200985443
Brazil flag 63%Brazil (49484)
United States flag 6%United States (4818)
Portugal flag 5%Portugal (3748)
Russian Federation flag 2%Russian Federation (1432)
Ukraine flag <1%Ukraine (472)
Germany flag <1%Germany (353)
France flag <1%France (316)
Netherlands flag <1%Netherlands (302)
United Kingdom flag <1%United Kingdom (302)
Latvia flag <1%Latvia (152)