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Não é uma incivilidade generalizada a verdadeira essência do amor? (Jane Austen)

PROCURA-SE UM EX-NAMORADO DESESPERADAMENTE - CAPÍTULO X

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Capítulo X

Seguindo o curso normal das coisas...



O restante da minha estadia em Paris foi maravilhosa. Consegui fazer meu trabalho e para minha sorte, consegui grandes furos de reportagem, além do que estava previsto.

Quanto a mim e o Natan, bem o que aconteceu naquele telhado contem cenas inapropriadas para menores. Retomamos nossa amizade e ele resolveu ser meu guia pela cidade. Passeamos por todos os pontos turísticos possíveis e jantamos em lugares maravilhosos. Confesso que foi muito bom estar em companhia do Natan novamente; ele era tão divertido, inteligente, atencioso, perspicaz e tinha um senso de humor maravilhoso, qualidades que eu havia esquecido. Continuei hospedada no hotel, mas desde que reencontrei o Natan, acabava a noite sempre na casa dele, porque não dizer, em sua cama também...

Em minha ultima noite em Paris ele resolveu me levar até a Torre Eiffel, foi o ultimo ponto turístico da lista dele, pois segundo suas palavras seria a despedida romântica perfeita.

Era incrível como eu poderia me abrir com o Natan sem pudor nenhum. Enquanto jantávamos eu passei a contar toda a minha louca caça aos meus ex-namorados. É claro que fui motivo de chacota, mas ele me entendeu como poucos entenderiam.

- Então eu era o único que você não queria rever?

- Ah! Não era muito fácil pra mim, não quando ainda estava muito magoada com você.

- Você ficou mesmo com o professor de literatura?! – ele fez uma cara zombeteira.

- Fiquei! E vou te dizer, apesar dele ter me esquecido, tenho que dizer. Foi ótimo! – respondi sorrindo sendo acompanhada por ele.

- Não acredito que você já vai embora amanhã. – ele falou enquanto admirávamos a cidade luz do alto da torre.

- Nem eu. A semana passou voando.

- Espero que você tenha se divertido.

- Está brincando?! Foi muito legal estar aqui em Paris, e com você.

- Fico feliz que as coisas estejam bem entre nós. Sempre me doía lembrar de você durante estes anos e saber que estava magoada.
- Mas estamos bem agora. – sorri segurando a mão dele recebendo um selinho em troca.

- Eu te amo, Lizzy.

- Eu também te amo, Natan. – respondi com lágrimas nos olhos, pois era um amor diferente agora. – Tem certeza que você é gay? – não resisti à brincadeira.

- Com você por perto sempre tenho algumas dúvidas. – ele respondeu sorrindo.

- Ah! Posso ficar mais um tempo até você mudar de idéia. – o provoquei não segurando uma gargalhada.

- Ok, sua feiticeira, pega logo o primeiro avião para Londres ou já não vou mais saber quem sou. – ele brincou também. – Você é maluca, Lizzy, mas é uma maluca incrível.

- Deveria ter confiado em mim antes e evitado tanto sofrimento.

- Agora eu sei. – ele respondeu me abraçando forte.

- Natan? – o encarei carinhosa - Desejo muito que você seja feliz do jeito que você é e encontre alguém especial.

- Obrigado, Lizzy. Também te desejo encontrar alguém que te ame e te mereça.

- Então fica torcendo, pois não ando com muita sorte na vida amorosa. É como dizem: sorte no jogo, azar no amor. No meu caso é sorte em qualquer área da minha vida e muito, muito azar no amor.

- Não acredito nisso. Veja a mulher incrível que você é! Tenho certeza absoluta que não faltam pretendentes.

- Mas eu quero amar de verdade entende? Não quero mais relacionamentos convenientes, só para não estar sozinha. Quero amar incondicionalmente, sem medos, sem barreiras e claro, ser correspondida.

- E não tem ninguém em vista?

- Achei um cachorrinho muito gente boa, mas acho que com quatro filhotes o deixa impossibilitado de ter um relacionamento agora. – tinha que rir da minha própria desgraça.
Natan sorriu enquanto o garçom se aproximava com nossas sobremesas. Neste instante meu celular tocou o alerta de mensagem. Ao abrir um grande sorriso iluminou meu rosto. Uma foto do meu vizinho com quatro filhotinhos de poodle’s branquinhos e sapequinhas em seu colo e Chine no chão ao lado deles. Em seguida outra mensagem desta vez de texto onde ele dizia:

“Desculpe, mas o Chine estava louco para te apresentar aos seus filhos.” W.D

W.D? Só então eu me toquei de que nunca perguntei o nome dele nem ele o meu! Não é uma loucura? O que seria W. D? Wallace Donalds? Nossa que horror! Melhor parar de especular e perguntar quando tiver oportunidade.

- Boas notícias? – Natan perguntou ao ver minha expressão feliz.

- Um amigo me mandou uma foto do cachorro que te falei com os filhotes. – respondi mostrando a foto a ele.

- Bonitos. Todos eles. – ele respondeu em um sorriso misterioso. – E esse seu amigo por acaso está interessado em você?

- Não! – respondi de imediato como se aquilo fosse impossível. – Claro que não.

- E por que não?

- Ah! Sei lá. Por que não.

- Pois eu digo que ele está e pela sua reação agora, tenho certeza absoluta que você também está interessada nele.

- Não! – o meu não saiu mais como um grande susto. A não aceitação de uma descoberta inesperada. – Para a sua informação eu nem sei o nome dele e o conheço há quase três meses.

- Isso é motivo suficiente para não estar interessada nele? Por favor, Lizzy. Não tente mascarar o óbvio.

- Não estou mascarando nada, só não há possibilidade disso acontecer. Além do mais, ele tem um lance aí com uma ex-namorada que ele está tentando reconquistar, ou algo parecido, o que deixa as chances disso acontecerem quase nulas.

- Aí complica um pouco as coisas, mas que esse cara está interessado em você, isso pode apostar.

- Natan! Melhor mudarmos de assunto, ok? – pedi assustada por uma constatação assustadora.

- Se prefere assim. – ele concordou sorrindo.
Naquela noite não dormi na casa do Natan como vinha fazendo algumas vezes, ele me deixou no hotel e após nos despedirmos fui direto para o meu quarto. Tomei um banho e me joguei na cama aconchegante enquanto revia a foto enviada mais cedo.

Fiquei analisando melhor meu WD misterioso e me encantei ainda mais com aqueles olhos azuis tão hipnotizadores; aquele sorriso inebriante que é capaz de fazer com que a gente se envolva, se entregue sem nem argumentar ou resistir. Sem contar que ele era atencioso, inteligente, divertido, prestativo e muito gentil. Tinha um ar misterioso e algumas vezes orgulhoso, mas há algum tempo eu não conseguia parar de pensar nele e agora mais ainda.

- Não, não pode ser. – murmurei tentando negar o sentimento que me tomava.

Eu não podia estar interessada nele! Não que isso fosse algo difícil de acontecer, mas como pude me interessar por alguém do presente se meu foco e esperanças estavam no passado? Impossível! Sem chances.

Olhei mais uma vez para a foto no celular, então resolvi ser gentil e responder a mensagem; ao menos foi isso que meu coração inventou para a minha razão. Comecei a digitar a mensagem de texto.

“Adorei os seus netos. Eles conseguem ser mais lindos que o pai.” E o avô. Pensei em escrever essa ultima parte, mas sou covarde de mais.

Após alguns segundos de indecisão, enviei. Apreensiva, fiquei encarando o celular esperando uma resposta que não tardou em chegar. Me peguei ansiosa e empolgada para ler o que ele havia escrito.

“Me senti o patinho feio no meio deles. Um é seu, se quiser.” W. D.

Sorri abobalhada e estranhamente excitada devido àquela troca de torpedos. Estava me sentindo uma verdadeira adolescente. Respondi mais uma vez.

“É sério? Claro que eu quero.”

Após o envio a resposta veio logo.

“Quando você volta? O Chine quem mandou perguntar.”

Gargalhei diante daquela resposta esfarrapada e me cobrindo toda com o edredom devido ao frio, passei a responder.

“O Chine é? Sei... Amanhã.”
Desta vez a resposta demorou alguns minutos o que me deixou ansiosa.

“Desculpe, fui atender ao telefone. Amanhã viajo para NY, mas volto em dois dias.”

Não pude evitar me sentir triste e frustrada com aquela notícia, mas claro que não poderia demonstrar isso nas palavras. Tentei ser o mais fria possível.

“Ok! Veremos isso quando você voltar.”

Mais uma vez a resposta veio rápida.

“Ok! Então até a volta. Boa noite.”

O que eu faço agora? Respondo? Ele disse: Boa noite. O que isso significa? Boa noite; acabaram as mensagens? Ou Boa noite; fale mais comigo? Na dúvida era melhor não responder.

Naquela noite ainda recebi um telefonema do Natan preocupado comigo, mas depois de garantir que estava bem e que ele não precisava ficar preocupado, fiquei ainda algumas horas em claro, tentando entender a confusão que estava minha vida e principalmente meus sentimentos.

***~***~***~***~***~***

No dia seguinte Natan foi me pegar no hotel e fez questão de me levar ao aeroporto. Meu vôo sairia as dez e menos de meia hora do vôo resolvemos tomar um café.

- Você ficou chateada comigo ontem pelo o que falei sobre o dono do cachorro? – ele perguntou preocupado.

- Já te disse que não. Aquilo assim como sua suposição não tem importância. – o tranqüilizei.

- Então quer dizer que não há possibilidade nenhuma?

- É impressão minha ou percebi um pouco de ciúmes na sua pergunta? – perguntei desconfiada.

- Um pouco. – ele confessou em meio a um suspiro. – Você tem o dom inacreditável de confundir a minha vida. Estar com você estes dias reascendeu muitas dúvidas em minha cabeça.

- Sabe o que eu acho, Natan?

- Não, mas já imagino uma grande teoria. – ele brincou em meio a um sorriso lindo.

- Acho que você não é gay coisa nenhuma.

- O que?! – ele perguntou divertido.
- É. Talvez você sentiu atração por homens algumas vezes, mas com esse mundo doido de hoje isso é até normal. Mas estive com você e posso afirmar com todas as letras garrafais e em néon: Você é muito mais homem do que alguns homens que eu conheço.

- Hum... Já pensei nisso algumas vezes. – confessou timidamente.

- Viu?! Acho que você deveria tentar, sei lá. Deve ter alguém por quem você sinta atração.

- Essa é fácil. Você. – ele falou acariciando meu rosto. – Me sinto diferente quando estou com você. É tudo menos confuso e muito mais fácil. – completou me beijando de uma forma carinhosa e ao mesmo tempo avassaladora. – Fica comigo. – ele pediu ainda ofegante.

- Você não pode estar falando sério. – sussurrei ainda unida a ela por nossas testas.

- Pior é que estou. Fica comigo, Lizzy.

- Não acho que você vai querer alguém tão complicada quanto eu na sua vida agora. – respondi serena enquanto beijava a face dele em um beijo delicado. – Estou confusa, minha mente, meu coração e minha vida é uma confusão só neste momento.

- Isso com certeza tem haver com o seu amigo. – ele observou sorrindo enquanto voltava a tomar seu café.

- Acho que sim, mas ainda é tudo muito incerto, a começar pelos meus sentimentos. Mas posso te dar uma dica?

- Pode. – ele assentiu sorrindo desconfiado.

- A Cristhine é louca por você.

- A enfermeira? Sério? – ele pareceu surpreso.

- Vai dizer que nunca percebeu?

- Não!

- Pois ela arrasta uma carreta por você e ela é muito gente boa, além de linda. Pensa nisso.

- É uma possibilidade. Assim que resolver essa confusão que você instalou na minha cabeça eu prometo pensar.

“Ultima chamada para o vôo 342 com destino a Londres. Embarque portão F8.”

A bela voz ecoou pelo aeroporto me dando a deixa de ter que partir.

- Eu preciso ir. – falei já levantando.

- Eu sei. Obrigado por ter passado pela minha vida novamente, Lizzy. – ele falou pegando minha mala enquanto caminhávamos até o portão.
- Agradeça ao destino. – respondi sorrindo - Mas foi muito bom te rever, Natan.

- Tem certeza de que não quer ficar?

- Agora não tenho certeza de nada, mas acho que vou descobrir assim que chegar em casa.

- Eu entendo. E, quando descobrir, por favor, me avisa. Vou estar te esperando.

- Ok. – respondi quando chegamos à entrada do portão de embarque. – Juízo, Natan.

- Pode deixar, eu digo o mesmo para você. Juízo!

Nos despedimos com um forte e demorado abraço seguido de vários beijos. Já no avião fiquei pensando na ironia que foi descobrir que o Natan era gay e ao mesmo tempo, mais homem do que ele imaginava.

Porém o melhor de tudo foi finalmente limpar meu coração do sentimento ruim de dor e rejeição que sentia ao pensar nele. Agora eu poderia dizer com toda certeza do mundo que estava livre de todos os meus fantasmas do passado. Todas as dúvidas e incertezas ficaram para trás. Estava me sentindo leve, pronta para recomeçar.

***~***~***~***~***~***~***~***

Como cheguei em casa no sábado pela manhã, aproveitei o dia para terminar de escrever a matéria e arrumar meu armário, pois estava uma grande bagunça. Tenho que confessar que ser dona de casa realmente não é o meu forte; odeio lavar, passar, arrumar e odeio um pouquinho menos cozinhar, mas isso só quando recebo meus amigos em casa para almoçar ou jantar.

Todas estas tarefas me tomaram o dia todo. À noite recebi um telefonema da Char me convidando para irmos até um salão de beleza novo da mãe dela. Geralmente eu recusaria o convite, mas ele veio no momento certo, pois precisava mesmo de uma boa repaginada para a nova fase que começava em minha vida.

Enquanto fazíamos as unhas, passei a relatar a Char tudo o que aconteceu durante a minha viagem a Paris, absolutamente tudo.

- Gay?! – ela gritou quando contei sobre o Natan.
- Fala baixo! – pedi desesperada temendo que todo mundo tivesse ouvido.

- Como assim ele é gay? – ela sussurrou em confidência.

- Como alguém é gay, Char?

- Mas ele é gay tipo biba louca? Ou, daqueles que se passam muito bem por hetéros lindos?

- Digamos que ele é mais homem do que pensa. – respondi sem esconder o sorriso das lembranças das noites quentes no apartamento dele.

- Como assim? O que você está me escondendo, dona Lizzy?

- Não estou escondendo nada. Vem cá, quero te contar algo. – me aproximei dela de forma que só ela pudesse ouvir. Enquanto falava pude ver a surpresa nos olhos dela.

- Não acredito que você... – ela deixou as palavras morrerem enquanto gargalhava.

- Nem eu. – respondi sorrindo enquanto cobria o rosto com as mãos. – Dá para acreditar nisso?

- Menina, já vi de tudo nesse mundo, mas isso vai marcar minha existência. E aí, como vocês ficaram?

- Não ficamos. Quer dizer, ficou tudo meio confuso, mas acho que somos amigos.

- Adoraria ter um amigo desse! – ela me provocou. – Ele fez tudo isso mesmo? Minha nossa!

- Para, Char! – pedi sorrindo – É sério! Estamos confusos demais para nos envolvermos agora. Ele com a sexualidade dele e eu, bem, eu com meus sentimentos.

- Sentimentos?! Ouvi direito? Você está interessada em alguém? Por favor, só não me diga que é outro ex-namorado que não está no álbum.

- Não. Desta vez é alguém bem do presente.

- Nome! Preciso agora de um nome.

- Antes de te dizer o nome, vou logo acabando com essa empolgação. Ele não está interessado, aparentemente não.

- Roubada, amiga. Cai fora antes que seja tarde e você já esteja sofrendo. Mas quem é o fruto proibido?

- Alguém que se chama W.D. – respondi em meio a um suspiro.

- W.D ? Acho que eu não conheço.

- Conhece muito bem. É o meu vizinho lindo que por incrível que pareça, ainda não sei o nome dele.
- Eu sabia! – Char gritou me assustando e assustando a pobre manicure – Sabia que tinha alguma coisa entre vocês dois.

- Pior que EU não sabia, quer dizer, acho que percebi meio tarde.

- Diz isso por causa da namorada dele?

- Não, eles nem estão mais juntos.

- Então?

- Parece até mentira, mas ele também está em uma fase de reconquistar uma ex-namorada e pelo que pude perceber o lance é sério. Acredita que ele terminou com a “namorada” por causa desta ex?

- Será que isso é alguma doença contagiosa? Todo mundo resolveu se envolver novamente com seus ex-namorados?

- Ei! – exclamei encarando-a. – Por falar nisso, me conta esse lance seu com o Collins. – exigi enquanto as manicures acabavam nossas unhas.

- Não tem muito o que falar. Nos encontramos por acaso em uma festa e ele voltou a me cercar igual nos tempos da faculdade.

- Só que desta vez você parece interessada.

- Digamos que talvez. Não sei, o Collins sempre me intrigou. São sentimentos tão dúbios. Uma hora eu não o agüento com aquele jeito meio idiota de ser, mas outras vezes ele consegue ser o cara mais atencioso e fiel que eu já conheci e isso me faz ficar caidinha por ele.

- Qual dos sentimentos está vencendo desta vez?
- Ainda não sei, mas para encerrar o assunto, estamos saindo, às vezes. – ela respondeu em um sorriso misterioso. – E aí, o que vai fazer no visual?

- Não tenho certeza, mas quero uma grande mudança.

- Nova fase, novo visual?

- Exatamente. – respondi cheia de confiança.

- Então vamos passar pelas mãos do Pierre. Ele é um dos mais renomados cabeleireiros de Paris e minha mãe que não é boba, o contratou.

- Ao sair deste salão definitivamente serei outra mulher. – enfatizei seguindo Charlotte pelo salão.

Eu realmente precisava de uma boa mudança no visual para acompanhar essa nova etapa da minha vida. Sabe quando seu interior muda e você sente essa necessidade de que o exterior também mude? É exatamente assim que estou me sentindo.

Após explicar ao simpático Pierre o que eu queria, sentei na cadeira fechando os olhos e me entregando completamente a ele.

- Então? – ouvi a voz do Pierre algumas horas depois, então acordei. Sim, eu sempre durmo quando mexem no meu cabelo.

- Céus Lizzy! Até parece outra pessoa. – Charlotte exclamou boquiaberta.

- Gostou, querida? – Pierre perguntou, mas eu ainda não tinha uma resposta.

Encarando o espelho passei a mão pela nuca agora desnuda enquanto meus olhos fitavam aquela estranha, mas muito linda e sexy.

- Está me deixando ansioso, darling. Gostou ou não?

- Acho... que sim. – respondi ainda insegura – Quer dizer, ficou lindo! Mas será que não ficou muito curto?

- Ficou perfeito! – Char interveio antes que eu começasse a chorar.

Olhei mais uma vez para a nova Lizzy e lembrei dos cachos loiros abaixo dos ombros de outrora, completamente diferente do cabelo castanho na altura do queixo, todo repicado. Algo bem atual e muito, mais muito sexy.

- Tem razão. – concordei já mais animada. Eu só preciso me acostumar. Sempre tive cabelão e só preciso de um tempo.

- Uma noitada para comemorar esse novo visual? – Char perguntou enquanto virava a cadeira de forma que eu fiquei de frente para ela.
- Perfeito! – O que eu tinha a perder? E se queria seguir adiante tinha que dar a cara a bater e conhecer gente nova. Nada de passado. O futuro é meu único alvo agora.

- Ótimo! Então vamos para a inauguração de uma boate de uns amigos meus.

- Então é melhor eu ir para casa e me arrumar.

- Ok! Te deixo lá e também vou me arrumar. Vai ser demais! – ela gritou eufórica me passando sua energia. A noite seria maravilhosa.

Charlotte me deixou em casa e combinamos de nos encontrarmos em duas horas. Ri muito quando o porteiro não me reconheceu e quase não me deixou entrar. Quando cheguei ao meu apartamento entrei e fui direto escolher uma roupa sexy para combinar com meu novo visual.

Tomei um banho rápido e quando me preparava para trocar de roupa ouvi a campainha. Me enrolei rapidamente no hobby e fui atender a porta. Meus olhos brilharam ao ver o entregador com uma sestinha linda e um filhote de poodle dentro, que certamente era do chine.

- Elizabeth Bennet? – ele perguntou lendo o nome em sua ficha.

- Sim. – respondi já louca de vontade de pegar o filhotinho no colo.

- Assine aqui, por favor.

Assinei no local indicado e peguei a sesta fechando a porta em seguida.

- Ei! Como você é lindo! – exclamei enquanto caminhava para o meu quarto. – Mas será que você é um rapazinho ou uma mocinha? – indaguei quando coloquei a sesta sobre a cama.

Com cuidado peguei “ele” no colo e ao verificar, logo constatei que era fêmea e muito linda. Ela se parecia muito com o pai, a cor branca do pêlo e a calda mais curtinha.

- Como vamos te chamar? – falei pensativa enquanto ela pulava no meu colo. – Deixa eu ver... Lesse? – um choramingado e certamente ele não gostou do nome – Não. Vamos pensar em outro nome. Já sei! Você tem cara de Mia! Gostou princesa? – perguntei elevando ela até perto do meu rosto recebendo lambidas que me fizeram rir. – Pronto! Seu nome será Mia!
Coloquei ela em cima da cama e procurei algum bilhete dentro da cesta, afinal apesar de suspeitar que havia sido um presente do W.D, ainda não tinha certeza. Um pequeno envelope branco estava próximo ao laço. Abri rapidamente e minhas suspeitas se confirmaram.

“Precisarei ficar mais quatro dias fora então pensei em adiantar seu presente para que não se sinta tão sozinha. Espero que goste”.

Atenciosamente,
W.D


Sorri completamente feliz. Cada vez mais eu estava ficando perigosamente interessada pelo belo, charmoso e atencioso, W.D. Mia choramingou na cama e logo constatei que ela estava com fome.

- Não tenho nada para você aqui, Mia. Mas vou me trocar e vamos às compras menina. Já que agora você é minha filha tem que aprender logo a comprar. – Recebendo algumas latidinhas como resposta, fui me vestir.

Perdi completamente a noção do tempo no pet shop do bairro e quase duas horas depois, quando voltei para casa encontrei uma Charlotte furiosa no hall da portaria. Droga! Hora de levar uma bronca daquelas e com razão.

- Posso saber onde você estava?! – ela começou assim que eu me aproximei – Estou te esperando há mais de uma hora!

- Desculpe, Char. Eu esqueci completamente que combinamos de sair.

- Como assim esqueceu?! Que cachorro é esse aí? – finalmente ela viu a Mia no meu colo.

- Essa é a Mia. Diz oi pra tia Char, Mia.

- Você acabou de falar com um cachorro?! Ai meus sais! Você está ficando maluca? Mas quem é Mia? Melhor, de quem é a Mia?

- Minha oras! Ela foi o motivo de eu ter esquecido. Estava me arrumando para sairmos quando o entregador me trouxe ela; e como ela estava com fome fomos ao Pet shop e lá perdi a noção do tempo. Realmente sinto muito, Char.

- Trocada por um cachorro. Que maravilha! – ela brincou acariciando a cabeça da Mia. Na verdade ela esboçou uma caricia, mas Char não tinha jeito com crianças, nem com animais. – Quem te deu ela?
- Trocada por um cachorro. Que maravilha! – ela brincou acariciando a cabeça da Mia. Na verdade ela esboçou uma caricia, mas Char não tinha jeito com crianças, nem com animais. – Quem te deu ela?

- W. D. – diante do olhar de dúvida tratei de explicar. – Meu vizinho bonitão.

- Ah! Puxa, mais que cara original. Qual homem dá um cachorro de presente ao invés de um colar de brilhantes ou um anel de rubi?

- Um cara muito sensível. – o defendi.

- Prefiro um cafajeste então. Pelo seu chamego com essa bola de pêlos aí já vi que nossa noitada foi por água abaixo.

- Não liga para a tia Char, Mia.

- Ah que ótimo! Agora sou tia de cachorro. – ela falou pegando sua bolsa – Depois dessa preciso de uma boa bebida e uma boquinha de vinte e seis anos.

- Aonde você vai?

- Para festa. Para onde mais? Se você quer ficar sendo babá de cachorro, tudo bem, mas eu ainda sei o que é me divertir amiga. – ela respondeu enquanto me beijava.

- Amanhã eu te ligo para combinarmos alguma coisa. – tentei me redimir do furo da noite.

- Desde que não seja um passeio no zoológico. – ela ironizou me fazendo sorrir. – Tchalzinho.

- Beijos. – gritei um pouco, já que ela já estava descendo as escadas do prédio. – Vem, Mia. Vamos te alimentar e montar sua casinha.


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