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Não desesperar nunca do que se quer esperar: Por uma aplicação infatigável alcançaremos o fim.(Jane Austen)

PROCURA-SE UM EX-NAMORADO DESESPERADAMENTE - CAPÍTULO V

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Capítulo V

Planejando a viagem...



Sentada em frente ao meu computador fiquei olhando fixamente para a frase em letras grandes no editor de texto:

Exclusivo: Saiba como o rei do automobilismo conquista seus milhões!

Mas por mais que eu estivesse muito zangada com o Damon, publicar o que ele me confidenciou iria mais parecer uma vingança idiota a uma matéria de respeito. E como a minha ética jamais me permitiria fazer algo assim, comecei a deletar a frase do editor.

- Meus olhos estão ansiosos para verem a grande manchete na primeira página! – James entrou na minha sala com o olhar de uma cobra pronto para dar o bote. É assim que um bom jornalista fica quando está prestes a lançar uma bomba exclusiva.

- Bom dia, James. – o cumprimentei sem muita vontade.

- Então, o que descobriu de ilegal do rei do automobilismo?

- Nada.

- O que?! Como assim, nada? Vi você conversando com ele no bar da festa e depois...

- Depois nada, James. Ele me concedeu uma exclusiva e não descobri nada ilegal.

Nada além da falta de caráter e ambição exagerada. – pensei em responder.

- Ah é? E esse monte de rosas aqui na sua sala? – falou pegando o bilhete de um dos ramalhetes.

- Isso é pessoal, James. – reclamei, mas ele já estava lendo.

- Damon Mars te mandou todas estas flores? O que está escondendo de mim, Bennet?

Quando ele me chamava pelo sobrenome, não era um bom sinal.

- Não estou escondendo nada, James. Quando estava conversando com ele descobrimos que fomos colegas de colégio, por isso ele mandou as flores.

- Mas a frase: Por favor, me perdoe e não publique aquilo. Não parece código estudantil. Bennet! Mas o que está havendo com você? Está perdendo o faro?

- Claro que não. A questão é que não tinha o que ser descoberto, só isso.

- Droga! – ele esbravejou – Essa seria nossa matéria da capa, agora vamos ter que publicar mais coisas que todo mundo publica.
- Talvez não. Disse que não consegui descobri nada do que você falou, mas a coluna de fofocas vai ter um prato cheio hoje. – sorri ao ver o brilho voltar aos olhos dele novamente. – Quando ele falou sobre não publicar estava se referindo a algo que descobri.

- O The Sun não tem coluna de fofocas, Bennet, temos uma coluna de entretenimento.

- Que seja. Vai querer a matéria ou não?

- O que você tem aí para mim? – ele sorriu já mais calmo.

- Soube que o solteiro cobiçado na verdade esconde uma noiva. Helen Buova.

- Impossível. Primeiro por ele nunca ter aparecido com ninguém nos eventos públicos e segundo por ela ser conhecida como o dragão Buova. Dizem que ela é mais feia do que um dragão de verdade.

- Sabe que quando tenho uma notícia, sempre tenho provas, James. - falei jogando a foto em cima da mesa.

- Uh! – ele fez uma cara de espanto ao pegar a foto – Ele tem um bom motivo para escondê-la. – completou entre risadas.

- Isso não foi muito cavalheiro, James. – reclamei. – Então?

- Bem, não é a matéria que queria, mas vai dar o que falar. Vamos publicar. – falou já levantando e saindo porta a fora.

Sei que deveria estar me sentindo mal por ter feito isso, mas tenho que confessar que daria tudo para ver a cara do Damon ao ver àquela foto publicada em todos os jornais. Na verdade estava fazendo um grande favor a ele, assim ele não precisaria mais esconder sua querida noiva do mundo.

No final do expediente, resolvi ir pegar umas fotos no laboratório do jornal, poderia pedir a minha assistente para fazer isso, pois era seu trabalho, mas realmente precisava caminhar um pouco, ver gente e assim parar de pensar no meu desastroso reencontro da noite passada.
Peguei um café no caminho e me dirigi até o estúdio e quão foi minha grande surpresa ao abrir a porta, Ryan e sua Rachel estavam aos beijos dentro do laboratório e garanto que o fato dele estar sem camisa e eles estarem deitados em cima da mesa deixa bem claro o que aconteceria ali se eu não tivesse chegado.

- Wow! – gritei quase derramando o café devido ao susto.

- Lizzy?! – Um Ryan completamente vermelho e constrangido me olhava paralisado. – Não é o que você está pensando.

Tudo bem que desde o nosso termino há quase uma semana eu não transava com ninguém, mas ainda podia lembrar de como se fazia isso e com certeza ele estava quase lá.

- Eu... Eu... – tenho que parar com essa gagueira já. – Vim pegar umas fotos da minha matéria. Onde está o Nil? – perguntei pelo fotografo chefe.

- Ele precisou sair e me pediu para tomar conta do laboratório.

- Sei. E você está se saindo muito bem. Não parem por mim. – falei enquanto saía da sala aborrecida.

De repente me peguei morrendo de raiva. Como um homem que há uma semana chorava por ter levado um fora me esqueceu tão rápido assim? Sei que parece egoísmo e que eu deveria estar feliz por ele, e estou, mas parece que eles estão juntos há anos e não dias.

- Lizzy? – ele chamou ao me alcançar no corredor vazio. – Espera, precisamos conversar.

- Não precisamos, não. Olha Ryan, você tem todo direito de refazer sua vida, mas é que... – deixei as palavras morrerem.

- Sei que você não está arrependida por ter me largado ou ficou com ciúmes. Então por que não me fala o que está pensando.

Descobri o que me fez quase casar com o Ryan, ele era muito compreensivo e entendia as mulheres muito bem. Eu nunca precisei falar, ele sempre sabia o que eu estava sentindo. Mas ainda não estou arrependida por não ter casado com ele.

- É que nós terminamos há pouco mais de uma semana e você e essa Rachel parecem tão...

- Apaixonados?
- Eu ia dizer assanhados e sem vergonha na cara, mas vamos ficar com apaixonados.

- Lizzy. – ele não conseguiu não sorrir diante da minha cara emburrada. – Nem eu mesmo consigo te explicar o que está acontecendo comigo, mas é algo que está me tornando mais seguro, mais feliz.

- E você não era feliz comigo?

- Era. Claro que era. Só que o que eu tive com a Rachel no passado foi muito forte entende? E agora que a vida nos deu outra chance me sinto mais confiante, mais maduro e com a certeza de que ela é a mulher da minha vida.

- Acho que sei como é.

- Nunca pensei que o meu grande amor estava no passado.

Aquela frase me fez parar para encará-lo. Ryan também encontrou seu grande amor entre suas ex-namoradas, assim como Jane. Isso fez com que reforçasse minha tese dos meus ex-namorados especiais.

- Sei que você vai encontrar um cara legal, Lizzy.

- Obrigada, Ryan. Espero que você e Rachel sejam felizes. – desejei sinceramente.

- Obrigado, seremos sim. Ah! E não conta pra ninguém sobre o que você viu aqui.

- Pode deixar, mas acho que vocês deveriam controlar esse fogo todo. – sorri antes de sair.

***~***~***~***~***~***~***

Noite de segunda-feira, nada para fazer, sem namorado para me esquentar, Char gastando seu dinheiro em alguma boate nova; só me resta caminhar por aí e jantar sozinha em algum lugar.

Meus passos solitários me levaram até o apartamento da Jane que para minha sorte ficava só algumas quadras do meu. O porteiro me deixou subir sem grandes problemas e depois de alguns minutos tocando a campinha e quase desistindo, uma afobada e descabelada Jane finalmente abriu a porta.

- Oi! – ela falou enquanto passava a mão nos cabelos.

- Oi. –respondi desconfiada – Desculpe vir sem avisar, mas achei que poderíamos jantar juntas hoje. Mas pelo visto você deve estar ocupada.

- É... Charles está lá dentro. – ela conseguiu ficar ainda mais envergonhada.

- Oh! Nossa! Que fora eu dei agora. Então, acho melhor eu ir.
- Não! Não! Entra e fica um pouco com a gente.

- Jane, a ultima coisa que eu quero está noite é segurar vela para um casal apaixonado.

- Lizzy. Você parece triste. Olha, posso pedir para Charles ir e podemos conversar. – ela falou carinhosamente segurando minhas mãos.

- Não vou negar que o convite é tentador, mas não vou atrapalhar seu encontro. – passei a mão sobre a dela e percebi algo estranho. – Mas o que é isso? – perguntei analisando o belíssimo anel que estava em sua mão direita.

- Ah! Charles acabou de me dar. – ela não escondeu sua felicidade.

- Minha nossa! Vocês estão noivos?

- Não sua maluca! É um anel de compromisso. Estamos oficialmente namorando e ele vai se mudar para cá.

- Para sua casa?! – As coisas estavam indo rápido demais.

- Não! – ela riu, acho que da minha boca aberta – Ele vai vir para Londres. Ele e um amigo e sócio estão montando uma filial da empresa aqui na cidade. Estou tão feliz, Lizzy.

- Estou vendo. E eu não poderia estar mais feliz por você, Jane. – a abracei realmente feliz por ela.

- Quando terminamos anos atrás nunca pensei que pudéssemos voltar a namorar e agora sei que fomos feitos um para o outro.

- Vocês merecem. Agora volta para aquele quarto antes que o clima esfrie. Desculpa ter te atrapalhado.

- Você nunca atrapalha. Olha, daqui a algumas horas posso ir para sua casa e dormimos juntas. O que me diz?

- De maneira nenhuma. Não se preocupe comigo, vou ficar bem.

- Tem certeza?

- Absoluta. Te vejo amanhã?

- Claro.

Nos despedimos e logo eu estava caminhando pelas ruas quase deserta completamente sem rumo e com a cabeça a mil. Era incrível como todo mundo resolveu encontrar seu grande amor no passado. Será que esse também não seria o meu caso? E se realmente um dos meus ex-namorados especiais, tirando o Damon é claro, pudesse ser o homem da minha vida? Aconteceu com Jane e até com o Ryan. Por que não comigo?
Parei na lanchonete do bairro e comprei uns cookies com capuccino, pedi para viagem, pois não estava no clima de ficar em uma lanchonete barulhenta e cheia de crianças chorando atrás de mais comida enquanto as mães desesperadas tentavam convencê-las que o dinheiro tinha acabado.

Quando cheguei de frente ao meu prédio, resolvi sentar na praça em frente. Enquanto comia meu belo jantar, fiquei pensando sobre as idéias malucas que passaram por minha cabeça nos últimos dias.

- Não está meio frio e escuro para um piquenique?

Sorri para meu belo vizinho, agora sem a loira a tira colo. Afastei os cookies cedendo um espaço para ele sentar.

- Está me seguindo é? – perguntei oferecendo cookies, mas ele recusou com um pequeno gesto.

- Considerando o fato de que moro no mesmo prédio que você e a probabilidade de nos esbarrarmos ser de 90%, acho que isso é meio impossível. – ele respondeu sorrindo. – Então, qual o motivo do piquenique ao luar?

- Meu apartamento está grande demais está noite.

- Hum. Entendo.

- E sua namorada? Onde ela está? – perguntei de repente, me arrependendo diante do olhar que ele me lançou. – Esposa? – tentei contornar, afinal ficou evidente minha curiosidade descabida.

- Digamos que seja minha amiga. – sorriu novamente – Ela voltou para Nova York hoje de manhã.

- Então você é de Nova York?

- Não! – respondeu enquanto me olhava como se eu estivesse perguntando algo que já sabia. - Sou tão inglês quanto você.

- Falei alguma bobagem? – perguntei desconfiada.

- Não é isso. Só que... – ele pareceu querer falar alguma coisa, mas mudou de assunto. – Posso? – pediu se referindo aos cookies.

- Fique a vontade. – ofereci o pacote. – São meus prediletos.

Ficamos um tempo em silêncio, apenas comendo nosso jantar improvisado e vendo o vai e vem das pessoas e carros na rua.

- Posso te fazer uma pergunta? – falei de repente chamando a atenção dele.

- Claro.

- Não vai me achar maluca?
- Vamos recapitular algumas coisas. – ele falou me encarando zombeteiro – Quase te atropelei vestida de noiva no meio da chuva, te salvei de cair das escadas completamente bêbada, ainda tive o prazer de ser vomitado por você. Ah! E presenciei sua conversa com um sutiã. Deixe-me ver. – ficou pensativo – Acho que nada mais em você pode me surpreender. – completou sorrindo.

- Nossa! Meu conceito com você é bem alto. – sorri de volta.

- Sou todo ouvidos. – ele me encarou.

- Já teve a sensação de que as respostas para suas perguntas estejam no seu passado?

- Algumas vezes. Mas poderia ser mais especifica?

- Ok! Vou tentar. Assim, você pensa em alguma ex-namorada em especial? Alguém que marcou sua vida de uma forma inesquecível. – fui direto ao ponto.

- Bem. – ele pareceu surpreso – Acho que sim. Talvez, mas...

- E que talvez ela seja a pessoa certa para você e que tudo o que você precisa é dar uma força ao destino?

- Para ser bem sincero. – ele fez uma pausa, depois continuou – Fiz mais ou menos isso recentemente. Não foi intencional, mas aconteceu.

- Jura?! – me surpreendi.

- É. Pode acreditar.

- E aí? O que aconteceu? Deu certo?

- Não sei. Ainda não tive coragem de falar com ela.

- Achei que fosse a loira de ontem, mas acho que me enganei.

- Não, não é ela. – se limitou a responder enquanto encarava a rua agora.

- Mas por que não falou com ela? Ela é casada ou algo do tipo?

- É complicado.

- Hum. Complicado e você não quer falar disso, não é?

- Isso. – respondeu sorrindo e voltando a comer.

- Então não acha loucura querer descobrir se poderia ser? E acabar com esses malditos “se’s” que teimam em nos rodear?
- Loucura é sim, não vou negar. Mas acho que antes de seguirmos com nossas vidas deveríamos ter a chance de tirar todas as dúvidas existentes.

- É! Você tem razão! – falei me pondo de pé. – Preciso ir a um lugar.

- Mas há esta hora? – ele também ficou de pé.

- Tenho que falar com alguém. Olha, muito obrigada pela companhia e pelo papo, mas tenho que ir. – falei correndo em direção a garagem.

- Sua maluca! – ouvi ele gritar então sorri. Ele tinha razão, eu estava mesmo ficando maluca.

Sem olhar para trás, fui até a garagem e peguei meu carro. Antes de ganhar a avenida peguei o celular e esperei impacientemente a pessoa atender.

- Char. – falei quando ela finalmente atendeu após uns seis toques – Vai para sua casa agora. Estarei lá em dez minutos.

Levei um pouco menos já que ela não morava tão distante assim de mim. Fiquei esperando por quase uma hora na recepção do prédio quando ela finalmente chegou.

- Por favor, diga que aconteceu uma catástrofe para você me tirar da balada. – foi falando assim que me viu.

- Desculpe, mas você me conhece. Não consigo esperar até o dia amanhecer.

- Então conta logo o que houve que já estou ficando preocupada.

- Lembra o que te falei sobre procurar meus ex-namorados daquele álbum?

- Ah não! Isso não está me cheirando bem.

- É sério, Char. Eu sinto de verdade que um deles pode ser o amor da minha vida.

- Ok! Refresca a minha memória. O que aconteceu mesmo em seu reencontro com o Damon? – ela perguntou com ironia, já que foi meu ombro pra chorar depois daquela noite. – Não deu certo, Lizzy!

- Mas ele sempre foi o mais safado de todos. – busquei uma justificativa – Os outros são diferentes.

- Lizzy isso é loucura.

- Não! Acho que a vida está me mandando sinais de que a resposta está em um ex. Jane reencontrou Charles; Ryan reencontrou Rachel e até meu vizinho bonitão veio atrás de um amor do passado.
- Mentira! O bonitão tem namorada? Ah, que pena! Ele era meu próximo alvo.

- Char, quer parar e me ouvir?! Aquele álbum não reapareceu na minha vida por acaso. Raciocina comigo. Na mesma época que o revemos eu fico desiludida e abandono meu noivo no altar, depois o Damon reaparece na cidade e para completar todo mundo que eu conheço está tendo lindos e perfeitos romances com ex-namorados. Sinais claros, Char!

- Fiquei meio zonza agora. Quer ir direto ao assunto e falar logo o que essa sua mente perturbada maquinou.

- Vamos atrás dos outros três do álbum. – falei exultante.

- O que?! Agora você ficou maluca de vez. Sabe quantos homens lindos, solteiros e interessantes existem nesta cidade para você ficar presa ao passado?

- Sei e você sabe também que não vou desistir assim tão fácil, não é?

- Infelizmente sei. Mas como vamos, sim, por que já sei que eu estou incluída nessa roubada, como vamos encontrá-los? Podem estar em qualquer lugar do mundo. Mortos, casados, monges tibetanos.

- Não será nada fácil, mas o jornal serve para isso. Vou usar meus recursos e você seus conhecimentos sociais e vamos atrás deles.

- Realmente você está falando sério, não é? – Diante do meu olhar decidido ela se deu por vencida. – Tá! E quando vamos começar a sua caça desesperada por seus ex-namorados?

- O mais rápido possível, Char. Sinto que agora vou encontrar as respostas que procuro.

- E eu as roubadas e confusões que adoro. - ela sorriu.

Abracei Char, não só por ela ter concordado em me ajudar, mas por ela ser minha amiga e estar ao meu lado mesmo nas minhas loucuras. Algo me diz que essa aventura promete!

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