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Como nos lembramos rapidamente das razões para aprovar aquilo que desejamos! (Jane Austen)

PROCURA-SE UM EX-NAMORADO DESESPERADAMENTE - CAPÍTULO IV

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Capítulo IV

Damon Mars

Só com a belíssima decoração da entrada do salão de festas do famoso Royal Garden Hotel, pude perceber que o Damon gostava de impressionar. As luzes decorativas junto com os tecidos brancos davam um grande charme à entrada.

Quando entrei no salão, fui logo abordada por um garçom que gentilmente me ofereceu uma bebida. Peguei um Martini e passei a circular pelo mar de pessoas ricas, esnobes e completamente desconhecidas. Tomei meu Martini de uma só vez, pois seria uma longa e penosa noite.

- Deveria beber mais devagar. Não fica bem uma repórter do The Sun bêbada na festa mais badalada do final de semana.

Sorri antes de virar e me deparar com James, meu editor, lindo e sedutor a minha frente.

- O que faz aqui, James?

- Acha mesmo que perderia uma festa dessas? A nata londrina está aqui. Uma ótima oportunidade de fazer amigos e inimigos. – ele sorriu ironicamente enquanto pegava champanhe para nós com um garçom que passava. – Você está maravilhosa, Lizzy. – falou galanteador ao me entregar a taça.

- É a Liah que estou vendo ali perto do bar? – perguntei sorrindo enquanto apontava para a namorada dele. Uma modelo russa e aspirante a atriz nada inteligente, mas muito bonita.

- É, é ela. – ele respondeu tomando todo o champanhe da sua taça.

- James. Você deveria procurar alguém de quem gostasse realmente.

- Elizabeth Bennet, se meter na vida do seu chefe não está nos seus honorários. – falou rindo. – Além do mais, a Liah é muito divertida apesar de não entender muita coisa do que ela fala. Nosso anfitrião ainda não chegou?

- Parece que não.

- Trate de se entrosar com essa gente para que alguém o apresente a você. Ele não pode nos ver juntos ou vai desconfiar.

- Sabe que não preciso disso para chegar até alguém, James. Eu mesma me apresento.

- Certo. Esqueci de como você é competente.

- Aquele conversando com a sua namorada é o primeiro ministro? – perguntei apontando para o bar.
- Ah, essa não! Preciso ir até lá antes que ela fale alguma besteira e o jornal perca o apoio do governo. Faça o que sabe fazer melhor, Bennet. Seu trabalho.

Já fazia quase uma hora que estava na festa e nada de Damon Mars. Confesso que a expectativa dele me reconhecer esta me deixando louca, inquieta. Após sorrir falsamente para algumas pessoas, cumprimentar outras que nunca vi mais gordas em toda minha vida, resolvi ir até a varanda tomar um pouco de ar.

Para minha sorte, estava quase vazia e pude arrumar meu sutiã que teimava em não ficar dentro do vestido.

- Porcaria de sutiã! – reclamei tentando colocá-lo no lugar. – Ainda dizem que toda mulher precisa ter um Victoria Secrets.

Ops! Um pigarreado e tive a certeza de que não estava tão vazio assim o lugar. Me virei morrendo de vergonha, e coincidentemente me deparei com olhos azuis hipnotizadores já velhos conhecidos.

- Problemas com a roupa. – falei sem graça.

- Percebi. – ele respondeu em um meio sorriso.

- Você não estava viajando a trabalho? – perguntei me lembrando da nossa ultima conversa.

- Estava, mas tinha que estar aqui esta noite. Mais trabalho.

- Então trabalha no ramo automobilístico também?

- Não. Na verdade minha empresa está organizando todo o congresso e esta festa também.

Esse cara parecia me perseguir. Era incrível como sempre nos encontrávamos depois do pequeno acidente de carro no dia do meu quase casamento.

- Então, somos vizinhos? – perguntei me sentindo uma idiota logo depois. Essa pergunta soou como se eu não tivesse mais nada para perguntar.

- Somos. Moro alguns andares acima do seu.

- Não faz muito tempo, não é? Nunca te vi antes.

- Me mudei exatamente no dia do nosso pequeno acidente.

- Oh! – exclamei voltando meus olhos para o jardim. – No outro dia você saiu tão apressado do meu apartamento que nem tive a chance de agradecer por ter me salvado de descer as escadas de um modo diferente.
- Não precisa agradecer. Teve sorte que naquele dia eu tenha resolvido completar meus exercícios subindo as escadas ao invés de pegar o elevador. Na verdade vou te confessar que foi culpa por não ter aparecido na academia naquela semana. – falou em tom de confidência enquanto sorria.

- Sei bem como é, também não gosto muito de academia. Mas não quero que pense que sou uma alcoólatra ou coisa parecida.

- Não pensei, acredite. Mas sua amnésia no dia seguinte é mais comum do que eu lembrava.

- Como? – perguntei confusa.

Mas antes que ele tivesse a chance de responder, um grande alvoroço se formou. Vozes eufóricas e pequenos cochichos anunciavam a chegada do tão esperado Damon Mars.

- Desculpe, preciso ir. – falei nervosa. Por mais que eu quisesse saber sobre o que ele se referia, minha vontade de rever o Damon era ainda maior.

- Claro. – ele respondeu sorrindo com uma expressão estranha, como se estivesse rindo de mim. Será?

Bom, agora eu realmente não tenho tempo para isso. Ao passar por um garçom peguei sua bandeja vazia abruptamente, o que o assustou. Cabelo e maquiagem impecável! Estou pronta para a prova de fogo.

- Obrigada. – agradeci entregando a bandeja de volta enquanto recebia um olhar explicito dele me chamando de maluca.

Comecei a andar pelo salão como se estivesse em uma passarela. Cara! Estou me sentindo a própria Gisele Bündchen!

- Mas o que é isso, Bennet? – James perguntou sorrindo quando eu passei por ele.

Em resposta apenas sorri com o canto dos lábios e pisquei enquanto seguia rumo ao meu alvo.

Chegar perto de Damon Mars não seria nada fácil com tanta gente em cima dele, mas eu sabia esperar. Sem pressa!

Ok! Quase uma hora depois não ajuda ninguém a ser paciente. Meu desfile particular só serviu para chamar a atenção dos homens, menos do Damon que parecia me ignorar completamente. Apenas uma vez ele me olhou, mas foi como se estivesse vendo a parede; nenhuma reação sequer.
Resolvi ir até o bar e encher a cara. Minha noite não estava acontecendo como planejei, e agora meu cartão de crédito estava estourado por causa do vestido e dos sapatos, e tudo o que consegui foi pegar o telefone de um Deputado velho e barrigudo que me propôs ser sua amante.

- O que vai querer, princesa? – olhei para o barman que me sorria todo assanhadinho. Ah! Ao menos ele era bonitinho. Vai lá meu querido, aprecia a produção de quase mil euros.

- Acho que não tem Milkshake de morango com calda de cereja no bar. Ah! E por favor, não coloca a cereja no topo, pois ela só gosta da calda, mas odeia a fruta.

Quase caí dura quando me deparei com um charmoso Damon Mars encostado no balcão enquanto me lançava um olhar tão sexy que fez com que me sentisse completamente despida.

Ele estava lindo. Traços bem masculinos, alto, cabelos loiros repicados e a mesma boca e o mesmo furinho no queixo que me deixavam maluca.

- Então você lem... – comecei a falar surpresa e muito feliz.

- Como poderia esquecer. – ele me interrompeu - Elizabeth Bennet! Você está maravilhosa. – completou beijando o canto dos meus lábios. O velho, Damon de sempre.

- Damon Mars. Você também está ótimo. – Uma boa cruzada de pernas e um sorriso bem sensual vão ajudar. – Quando vi sua foto no jornal quase não o reconheci.

- Ah! Assim você me deixa triste. Assim que pus meus olhos em você e em seu belo vestido laranja.

- Salmão. – o corrigi sorrindo.

- Salmão. – ele sorriu despojado – Assim que vi você a reconheci imediatamente.

- E resolveu me esnobar por quase uma hora?

- Negócios. Mas então você é repórter agora?

- Alguém já andou investigando minha vida?

- Espero que você não esteja aqui para investigar a minha.

- Quantos podres eu poderia descobrir? – meu instinto investigativo se aguçou.

Ele me encarou com um olhar misterioso e aproximando sua boca da minha orelha sussurrou provocante.

- Irá descobrir que já sei o que fazer com minhas mãos.
Sei que para muitos pareceria uma frase indecente, mas para nós era engraçado já que Damon ficou “carinhosamente” conhecido como Damon mão-boba.

- É agora que eu devo me jogar nos seus braços? – perguntei irônica. Aquele jogo estava ficando interessante.

- Não, ainda. Mas o que acha de sairmos daqui e eu levar você e seu belo vestido salmão para jantar e relembrarmos nossos tempos de colégio?

- E seus negócios? Vai abandonar tudo?

- Estou entediado com tanta bajulação, e se me lembro bem, sua companhia é muito mais interessante. – sorriu de uma forma ainda mais charmosa. – Então?

- Claro. Por que não?

- Você conhece bem seus colegas jornalistas então se não quiser estar na capa de todos os jornais amanhã como a nova namorada do rei do automobilismo, suba até a cobertura e me espere lá.

Meu coração estava acelerado quando peguei a chave do quarto que ele me entregava discretamente.

Enquanto subia no elevador tentava me convencer de que estava indo até aquele quarto apenas para conseguir subsídios para minha matéria, mas a verdade é que mal me agüentava sobre as pernas.

Estava sentindo que talvez isso fosse um sinal. Quer dizer, mais um. Primeiro ele reaparece na minha vida depois de onze anos. Segundo: Neste exato momento estava indo até o quarto dele e sem sombra de dúvida o clima entre nós lá embaixo foi bem quente.

Depois de tantos anos a química entre mim e Damon ainda estava lá e ao que parecia agora mais forte. Quando a porta do elevador se abriu e a porta de número 20 apareceu na minha frente tive cinco minutos de dúvidas e medos, mas foram apenas cinco, pois o outro elevador se abriu e Damon apareceu lindo ao meu lado.

- Na dúvida? – ele perguntou caminhando para a porta.

- Eu... – Eu estava mesmo gaguejando? Minha nossa! Isso é muito ridículo para uma mulher decidida de quase trinta anos. Mencionar a idade foi totalmente desnecessário.
- A mesma Lizzy do colegial. – ele sorriu e caminhando até mim fez algo que me pegou de surpresa.

Se ele não estivesse me segurando fortemente, juro que tinha caído. Que beijo! Uau! Que beijo mesmo!

- Como você lembrava? – ele perguntou depois de um beijo de dois minutos.

- Não. Bem melhor. – sorri me deixando ser levada por ele até o seu quarto.

- Um homem ao chegar aos trinta precisa ao menos aprender a beijar, não acha?

Ao entrar fiquei surpresa com o requinte, conforto e espaço daquela suíte. Damon não era nada modesto, isso era certo.

- Nossa! – exclamei percorrendo o cômodo enquanto ele preparava uns drinques para nós no bar. – Você não está com problemas de dinheiro, está? – brinquei recebendo uma sonora gargalhada em troca.

- Gosto de conforto. Quem não gosta? – ele perguntou me entregando uma taça de um champanhe caríssimo.

- Tem razão. Quem não gosta? – repeti enquanto brindávamos. – A questão é: Quem pode ter?

- A vista é ainda melhor.

Segurando minha mão, ele me conduziu até a enorme varanda, onde uma piscina refletia a lua. O frio daquela época do ano ajudava no clima romântico. Sentamos nas cadeiras próximas a piscina e ficamos em silêncio por um tempo, apenas tomando nossas bebidas e nos olhando, vezes por outras, tímidos sorrisos surgiam.

- Nunca imaginei te encontrar novamente após tanto anos... – ele recomeçou a falar.

- Nem eu. Onze anos. – falei pensativa.

- Nos divertíamos muito, não era?

- Era sim.

- O que aconteceu com a gente? Quer dizer, por que acabamos?

- Eu não sei. Éramos jovens demais para um compromisso sério, sei lá.

- Bom, pelo que me lembro você me deu o fora. – ele sorriu diante do meu rosto corado.

- Tem razão. – admiti constrangida. – Mas suas mãos me assustaram. – brinquei nos fazendo sorrir.

- Isso não era para contar como ponto negativo, afinal eu só tinha dezesseis anos. – ele se defendeu. – Eu não sabia o que fazer com elas!

- Ok! Agora você me convenceu. – sorrimos abertamente.
- O Destino foi muito generoso com a gente nos reaproximando novamente. – ele falou sério enquanto se aproximava de mim.

- Acredita em destino? – perguntei ofegante tendo certeza de que o Damon era o homem da minha vida.

- Como você é linda. – ele sussurrou enquanto acariciava meu rosto. – Tanto quanto me lembrava.

Bom, eu poderia descrever por horas todos os beijos que trocamos e as sensações maravilhosas que senti, mas não saberia bem como descrever. Ficamos assim por mais de vinte minutos e quando senti o clima esquentar demais, resolvi me afastar, afinal de contas, eu jamais ia para a cama com alguém no primeiro encontro, aliás, nem no segundo, terceiro... Só quando o relacionamento estava firme.

- Então, como se tornou o rei do automobilismo? – perguntei quando ele voltou com nosso jantar que havia pedido minutos antes.

- Isso é uma entrevista? – perguntou erguendo uma sobrancelha.

- Eu adoraria. Imagine só o furo: Entrevista exclusiva com o rei do automobilismo, por Elizabeth Bennet. Mas, não é, só curiosidade mesmo.

- Quem sabe não te dou a exclusiva depois. – sorriu misterioso enquanto colocava um pouco de comida na minha boca. – Mas, respondendo a sua pergunta. Sempre quis ser rico e nunca escondi isso de ninguém.

- Disso eu lembro bem. Você sempre me disse que seria grande, importante.

- Nunca me contentei com pouco. Quando meus pais se mudaram para a Itália, fiz faculdade de engenharia mecânica e alguns cursos de design. Quando concluí a faculdade abri junto com dois amigos uma pequena montadora onde passamos a criar carros artesanalmente e logo estávamos no mercado.

- Deixa ver se eu entendi. Pelo que li nas revistas sua empresa só tem cinco anos. Como conseguiu crescer tão rápido?

- Para se chegar ao topo é preciso estar no lugar certo, conhecer as pessoas certas, e principalmente, tirar vantagem de quem pode te ajudar.
- Isso me soou meio Lex Luthor, não acha? – tentei brincar, mas na verdade estava com minhas antenas jornalísticas bem ligadas.

- Existem dois tipos de pessoas no mundo, Lizzy. As que se agarram a algo chamado ética e são engolidas pelos mais fortes. E aquelas que acima de qualquer coisa estão seus objetivos.

Dizendo isso ele me beijou novamente, mas confesso que já não estava mais tão à vontade assim. Para minha sorte a capainha da porta tocou e a contragosto ele levantou para atender. Fiquei no sofá me sentindo estranha, o homem da minha vida não pode ser tão inescrupuloso assim, não mesmo.

- Damon, querido. – ouvi uma voz feminina grunhindo e rapidamente meus olhos se direcionaram para uma cena que me matou.

Damon estava abraçado a uma morena que imediatamente reconheci como sendo Helen Buova, única herdeira de um dos maiores banqueiros da Europa. Se ela não fosse tão “feinha” eu entenderia aquele beijo cinematográfico.

- Resolvi te fazer uma surpresa. Fiz mal? – ela perguntou quando finalmente o soltou.

- Não, meu amor.

Meu amor?! Eu realmente não estava ouvindo aquilo! Ele namorava ela e eu era a outra?! Era demais para minha cabeça. Levantei do sofá vestindo meu casaco e pegando minha bolsa, foi então que ela notou minha presença.

- Quem é ela, Damon? E o que vocês dois estão fazendo aqui sozinhos? – perguntou pronta para armar uma confusão.

- Amorzinho, esta é Elizabeth Bennet, ela é repórter do The Sun e estou concedendo uma entrevista exclusiva a ela, só isso.

Completamente incrédula, fiquei olhando ele falar aquilo naturalmente, sem um pingo de nervosismo, como se fosse a mais pura verdade.

- Ah! Desculpe desconfiar de você, thuthuco. – thuthuco?! Eu juro que vou vomitar – Oi! – ela me estendeu a mão sorridente. – Sou Helen Buova, noiva do Damon, mas acho que ele já comentou isso, não é?

- Tenha certeza. – assenti irônica fuzilando ele com o olhar. – Acredite, ele não parou de falar em você um só minuto.
- Sério?! Ai amor, assim você me deixa encabulada. – não quero ser má, na verdade quero sim. Mas a risada dela era ainda mais estranha que sua cara, mais parecia um porco no cio.

- Agora uma foto do belo casal. – falei pegando meu celular. O que eu farei com a foto? Ainda não sei, mas que o Damon vai me pagar, ah isso vai!

- Não! – Damon quase gritou quando Helen o abraçou como se fosse entrar dentro dele. – Não estou arrumado para sair na capa do The Sun – ele disfarçou vendo a carranca que sua noiva lhe lançou.

- Você é lindo de qualquer jeito, thuthuco. – ela o olhava como se ele fosse o ar que ela respirava. Tem mulher que gosta de se iludir. – Nunca aparecemos juntos em revistas. – ela virou para mim e passou a falar em tom de confidência. – Sabe, ele não gosta que a gente apareça junto nas revistas e jornais para não expor nossa vida pessoal. Não é um fofo?

- Praticamente um urso de pelúcia. – sorri sentindo prazer na cara de horror dele. – Vamos, fiquem juntinhos. Faço questão de publicar a primeira foto de vocês juntos.

Completamente acuado, Damon se viu obrigado a abraçar sua noiva e forçar um sorriso para mim. Mas é claro que no fundo ele queria me matar, mas eu estava me divertindo muito.

- Eu adoraria ficar aqui sendo testemunha desse amor tão lindo, mas acho que já tenho material suficiente para minha matéria. – falei já saindo porta a fora.

- Foi um prazer te conhecer. – ainda a ouvi gritar antes de ganhar o corredor.

Eu estava furiosa! Frustrada também, é verdade, até desiludida, mas principalmente estava furiosa comigo por ser tão idiota. Apertei violentamente o botão do elevador com força pela quarta vez, mas o desgraçado não abria. Alguns segundos que mais pareceram horas depois, ele finalmente abriu e quando entrei e as portas estavam prestes a se fecharem, Damon apareceu correndo e segurando as portas com as mãos.

- Não acredito em você. – falei realmente incrédula.

- Lizzy, espera. Você entendeu tudo errado.
- Então vai me dizer que não é noivo de Helen Buova?

- Infelizmente não posso.

- Como pôde fazer isso comigo, Damon? – perguntei indignada. – Solta já esse elevador.

- Não! Espera. Eu e Helen somos noivos sim, mas eu não a amo, jamais amei.

- Isso só piorou tudo, Damon.

Percebendo que ele não estava disposto a soltar a porta do elevador, resolvi ir pelas escadas.

- Lizzy! Espera. – ele passou a me seguir, segurando em meu braço de forma que tive que parar. – Adorei te rever, adorei nossa noite.

- Cala a boca, Damon. Sabia que eu jamais teria ficado com você se soubesse que era noivo. Como pode fazer isso com ela?

- Preciso da influência do sobrenome da Helen, só isso. – ele admitiu me deixando em choque.

- Então só está com ela por causa do seu dinheiro?

- E por que mais seria? Não sabe o sacrifício que faço ao ficar com ela. Mas o fim sempre justifica os meios. Você me entende, não é?

- Claro. – respondi chocada.

- Eu sabia. – ele sorriu aliviado – Sabia que você entenderia, minha linda. – ele tentou me abraçar, mas me afastei.

- Eu disse que entendo, Damon, não que concordo. Sabe, por um momento achei que a vida tivesse nos dado uma segunda oportunidade, que você poderia ser o cara especial que tenho procurado, mas quer saber? Eu estava enganada. Adeus, Damon. – falei me soltando dos braços dele enquanto descia as escadas.

- Lizzy. Ainda podemos nos ver? – ele gritou do todo das escadas.

- Vai para o inferno, Damon! – gritei enquanto praticamente corria para longe dele.

- Não vai publicar aquela foto, vai? – ele gritou ainda mais alto.

- Pode apostar que vou! – sorri sumindo do campo de visão dele.

Ao chegar à porta do hotel sentei em um banco do jardim enquanto aguardava trazerem meu carro. Ainda não estava acreditando que tinha caído em uma roubada dessa! Logo eu, que sempre me orgulhei de reconhecer os maus-caráter logo de cara. Como pude pensar que o Damon poderia ser o cara especial que venho procurando?
- Burra! Burra! Burra! – resmunguei cobrindo meu rosto com as mãos.

- Hei! Tudo bem com você?

Elevei meus olhos e meu vizinho estava a minha frente, mas desta vez ele não estava sozinho, uma bela loira estava abraçada a ele. Então ele tinha uma namorada? Mas ela tinha idade para ser filha dele! Mentira, irmã talvez.

- Estou. – respondi desconcertada. – Se eu pudesse voltar a um lugar e socasse um idiota ficaria bem melhor. – sorri enquanto meus olhos teimavam em analisar a bela loira. Dezessete? Não, acho que ela não tem mais que dezoito. Maldade minha, com certeza não mais que vinte e cinco.

- Acho que não é uma boa idéia. – ele sorriu enquanto recebia um abraço da loira. – Estamos indo para casa, quer uma carona?

- Não, obrigada. Estou esperando meu carro.

- Tudo bem. Então a gente se vê por aí.

- É. A gente se vê.

Os dois sorriram para mim enquanto se afastavam abraçados e conversando. Confesso que fiquei com inveja dela. Ela tinha um namorado lindo, que parecia muito legal e que estava com ela por quem ela é. E eu, eu estou aqui sozinha, desiludida e agora mais do que nunca, sem esperança de encontrar o homem da minha vida.
 

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