Citações

Não podemos exigir que um rapaz despreocupado seja sempre prudente e circunspecto. Muitas vezes é apenas a nossa vaidade que nos engana. (Jane Austen)

PROCURA-SE UM EX-NAMORADO DESESPERADAMENTE - CAPÍTULO III

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Capítulo III

O plano...



Um som estridente nos meus ouvidos a esta hora não é algo muito agradável de se ouvir. Tentei abafar o som com as almofadas, mas era alto demais. Minha cabeça dói tanto que mais parece que o Metálica resolveu dar um concerto para o meu cérebro.

Reconheci o som como sendo o meu celular, e ainda de olhos fechados passei a procurá-lo no criado mudo derrubando alguns objetos pelo caminho.

- Alô. – falei ainda grogue.

- Ainda bem que você atendeu. Já estava quase chamando a polícia.

- Jane, por favor, fala baixinho que minha cabeça está doendo. – choraminguei.

- Isso se chama ressaca, Lizzy e ao que parece você está pior que a Char.

- Eu vou sobreviver. Só preciso ficar um tempo aqui na cama ta? Agora me deixa dormir.

- Tudo bem. Passo aí para almoçarmos juntas.

- Acho que comida é uma palavra fora do meu vocabulário no momento. Meu estomago está curtindo o show de rock da minha cabeça e tudo está revirando lá dentro.

- Então vou te deixar descansar e depois passo para levar algo para curar essa ressaca ou você não vai conseguir levantar da cama. Beijos.

Desliguei o telefone e com dificuldade cobri minha cabeça com o edredom. Alguns minutos de silêncio e agora a maldita campainha começou a tocar insistentemente. Esse povo não dorme?! É sábado de manhã, pessoas normais dormem até mais tarde no sábado.

Tentei abafar o som novamente com as almofadas até o indesejável visitante cansar e ir embora. Mas hoje não era meu dia de sorte mesmo. Bem, já que ele não estava disposto a ir embora, era melhor atender e acabar logo com isso.

Levantei ainda zonza e enquanto caminhava até a porta tropecei e derrubei objetos algumas vezes.

- Já vai! – gritei emburrada com a insistência da campainha. – Não acho a droga da chave.

- Acho que ela está no chão.
Parei atônita diante daquilo e corri para o olho mágico. Fiquei surpresa ao ver o homem que quase me atropelou outro dia. Ainda confusa, olhei para o chão e a chave estava lá como ele disse. Abri a porta e fiquei encarando ele com cara de alienada e percebendo todas as minhas dúvidas, ele resolveu respondê-las antes de serem feitas.

- Ok! Pelo que estou vendo não lembra de nada do que aconteceu ontem. Acho que já vi esse filme antes.

- O... O que exatamente aconteceu ontem? – perguntei aflita, pois a ultima coisa que me lembro foi de jogar meu lixo. Isso não é nada bom, não mesmo. – Ah meu Deus! Nós? Eu e você... Nós? – não conseguia falar de tanta vergonha que sentia.

- Ainda não entendo gaguês, mas se está perguntando se aconteceu alguma coisa entre nós, digo que não haveria clima depois de você vomitar em mim.

Certo. Isso é ruim, muito ruim, mas ao menos não dividimos nada além do meu vômito.

- Eu vomitei em você?! – perguntei sentindo meu rosto arder. Certamente eu estava vermelha. – Céus! Me desculpe.

- Tudo bem. Se serve de consolo eu ainda não tinha tomado banho. – falou sorrindo em tom de confidência.

- Acho que isso não fez com que me sentisse melhor. – choraminguei escondendo meu rosto com as mãos.

- Não precisa ficar assim. Estou dizendo que não foi nada. Isso acontece. – ele tentou me animar, mas não estava funcionando. – Quase sempre. – sorriu ao perceber que não estava funcionando. – É raro, mas tem gente vomitando outras pessoas por aí.

- Olha, eu realmente não lembro o que houve ontem a noite, mas seja lá o que for só terei paz se você me perdoar.

- Desculpas aceitas. Não vamos mais falar sobre isso.

Ficamos um tempo em silêncio sem saber o que dizer. Era uma situação muito inusitada e realmente não tinha o que ser dito, ao menos não por alguém que vomitou em cima de um homem lindo desses!

- Na verdade eu só passei aqui para saber como você estava. Ontem você estava inconsciente e...
- Então foi você quem me colocou na cama? – estava ficando nervosa novamente.

- Foi. – ele respondeu na defensiva – Quando você quase caiu das escadas apagou completamente...

- Espera aí! Eu o que?

- Não sei até onde você lembra, mas quase rolou escada a baixo. Por sorte eu vinha subindo e evitei o pior.

- Olha só, você me salva de quebrar os ossos e eu te agradeço vomitando em você! Acho que esqueci as boas maneiras que meus pais me ensinaram. – brinquei para esconder minha vergonha.

Que lindo! Uma bêbada que quase morre e ainda vomita em cima do seu salvador. Ele deve estar me achando uma senhora encrenca.

- Acho que além de desculpas também te devo obrigado por ter salvado minha vida.

- Não foi nada de mais. Ainda bem que eu estava passando na hora.

- Não seja modesto. E para terminar você me colocou na cama, trancou o apartamento e jogou as chaves por baixo da porta. Acertei?

- É. Viu? Nada de mais. Bom, já que constatei que você está bem, acho que é melhor eu ir antes que eu perca o vôo.

- Vai viajar?

Não, Lizzy. Ele vai pegar um avião para ir até a esquina! Mas que pergunta idiota. Agora segura o carão ou vai parecer mais estúpida do que já está sendo.

- Vou viajar a trabalho. Então...

- Obrigada mais uma vez e boa viagem!

- Obrigado. Mas antes de ir só me prometa uma coisa.

- Pode deixar, não vou vomitar em mais ninguém que não seja você. – ai que piada mais sem graça, mas para minha sorte ele é um cavalheiro e se dignou a sorrir.

- Fico lisonjeado. Mas é sério. Tenha cuidado, por favor. Eu posso não estar na escada da próxima vez.

Ai que fofo! Ele falou de forma tão carinhosa que me senti protegida.

- Eu prometo.

Após nos despedirmos, fechei a porta do apartamento ainda em choque por tudo o que aconteceu. Já não tinha mais sono e minha cabeça já não doía tanto assim. Resolvi tomar um banho e começar meu sábado, mas ao entrar no quarto e passar pelo espelho dei um grito desesperado.
- Isso só pode ser um grande pesadelo! – falei olhando aquela criatura a minha frente.

A criatura horrenda?! EU!

Passei as mãos nos cabelos a la Tina Tanner no filme Mad Max; fitei os olhos cansados e borrados pelo lápis da maquiagem da noite anterior. Definitivamente uma visão tenebrosa.

- Ai meus olhinhos verdes! Não acredito que estava conversando com meu vizinho bonitão parecendo a Medusa! Não! Não! Não! Não! Não! Não!

Esbravejei me jogando na cama novamente enquanto me enrolava por completo. Nunca mais eu vou ter coragem de encará-lo novamente depois disso! Isso sim é acordar com o pé esquerdo.

***~***~***~***~***~***~***

- Não sei como vocês me convenceram a trazer vocês para me ajudar a comprar o vestido da festa de amanhã. – reclamei com Jane e Charlotte que já estavam cansadas e querendo ir embora.

- Você não consegue se decidir por nenhum vestido. – Jane reclamou.

- Estamos andando dentro deste bendito shopping há horas. – Char completou.

- Ainda não encontrei o vestido perfeito. – me justifiquei.

- Vamos ao menos tomar um suco e descansar um pouco, por favor.

- Não precisa implorar, Char. – sorri e sentamos na praça de alimentação – quinze minutos no máximo.

Nos acomodamos nas cadeiras de uma famosa rede de fast food e fizemos nossos pedidos.

- Então, vai nos contar mais sobre o seu salvador? – Char pediu sorrindo cinicamente.

- Já contei o que tinha que contar. – me limitei a responder.

- Ah qual é! Primeiro ele quase te mata, depois te salva de rolar escada, te coloca na cama, no dia seguinte vai ver como você está. Seja mais especifica, por favor.

- Isso mesmo. – Jane concordou – Char disse que ele é lindo.

- Nem prestei atenção. E antes que vocês comecem a preparar nosso casamento, nem sei o nome dele. Vejo ele no meu prédio e nem tenho certeza se mora lá. E depois de ter vomitado nele acho que a probabilidade disso acontecer é zero. Fora que ele me viu acordando e com ressaca! – fiquei com vergonha só com as lembranças.
- Isso só pode ser um grande pesadelo! – falei olhando aquela criatura a minha frente.

A criatura horrenda?! EU!

Passei as mãos nos cabelos a la Tina Tanner no filme Mad Max; fitei os olhos cansados e borrados pelo lápis da maquiagem da noite anterior. Definitivamente uma visão tenebrosa.

- Ai meus olhinhos verdes! Não acredito que estava conversando com meu vizinho bonitão parecendo a Medusa! Não! Não! Não! Não! Não! Não!

Esbravejei me jogando na cama novamente enquanto me enrolava por completo. Nunca mais eu vou ter coragem de encará-lo novamente depois disso! Isso sim é acordar com o pé esquerdo.

***~***~***~***~***~***~***

- Não sei como vocês me convenceram a trazer vocês para me ajudar a comprar o vestido da festa de amanhã. – reclamei com Jane e Charlotte que já estavam cansadas e querendo ir embora.

- Você não consegue se decidir por nenhum vestido. – Jane reclamou.

- Estamos andando dentro deste bendito shopping há horas. – Char completou.

- Ainda não encontrei o vestido perfeito. – me justifiquei.

- Vamos ao menos tomar um suco e descansar um pouco, por favor.

- Não precisa implorar, Char. – sorri e sentamos na praça de alimentação – quinze minutos no máximo.

Nos acomodamos nas cadeiras de uma famosa rede de fast food e fizemos nossos pedidos.

- Então, vai nos contar mais sobre o seu salvador? – Char pediu sorrindo cinicamente.

- Já contei o que tinha que contar. – me limitei a responder.

- Ah qual é! Primeiro ele quase te mata, depois te salva de rolar escada, te coloca na cama, no dia seguinte vai ver como você está. Seja mais especifica, por favor.

- Isso mesmo. – Jane concordou – Char disse que ele é lindo.

- Nem prestei atenção. E antes que vocês comecem a preparar nosso casamento, nem sei o nome dele. Vejo ele no meu prédio e nem tenho certeza se mora lá. E depois de ter vomitado nele acho que a probabilidade disso acontecer é zero. Fora que ele me viu acordando e com ressaca! – fiquei com vergonha só com as lembranças.
- Tem razão, ele nunca mais vai ter coragem de te ver de novo. Te ver acordando e ainda por cima de ressaca é uma visão que ninguém esquece. – Char me provocou.

- Muito obrigada, Char. – retruquei mostrando a língua no exato momento que o garçom trazia nossos pedidos. – Ai Char, não sei como você não engorda comendo tanta porcaria. – falei vendo o sanduíche e a porção de batatas fritas que ela pediu.

- Genética, meu bem. Não engordo nem se comesse um boi inteiro.

- Que ótimo! Se eu sentir o cheiro do boi a uns 100 km já engordo uns cinco quilos.

- Que exagero, Lizzy. Você está muito bem. – Jane ponderou.

- Sabe há quanto tempo não coloco um chocolate na boca?!

- Mudando de assunto. – Jane falou com um sorriso misterioso. – Charles chega hoje à noite.

- Sério? – quase me engasguei. – E ai?

- Vamos jantar e depois vamos dançar em algum lugar. Estou tão nervosa.

- Não é pra menos. Depois de anos, rever seu grande amor é para arrancar os cabelos de nervosismo. Já pensou se ele estiver muito diferente, tipo, barrigudo e careca?

- Charlotte amiga, você é tão sutil quanto um elefante bailarino em uma loja de cristais. – ironizei.

- A questão é que ainda o amo como antigamente e sinto que ele é o homem da minha vida.

- Como você pode saber disso? Não vê o cara há séculos!

- Char, eu não consegui me apaixonar por mais ninguém desde meu rompimento com Charles. Não sei explicar, mas jamais poderia ser feliz com outro homem.

- Acho que é melhor você não criar tantas expectativas assim, Jane. – tive que concordar com a Char.

- Eu sei, eu sei. Só preciso convencer esse meu coração idiota disso.

- Agora é minha vez de dizer: Mudando de assunto. Alguém está muito animadinha para rever o senhor ambicioso e agora mafioso, Damon Mars. – Char me provocou.

- E estou mesmo. – confessei – Não o vejo há mais de dez anos, o que esperava?

- Estive investigando nas revistas de negócios e olha quem achei! – ela tirou uma revista da bolsa jogando em cima da mesa.
“A volta do rei do automobilismo a Londres.” – dizia a manchete da capa e um lindo Damon Mars sorria em seu terno Armani caríssimo e seu carro conversível.

- Viu que gatinho. – Char apontou para a foto. – E está solteiro segundo a reportagem.

- Que sorriso! – Jane completou.

- Realmente o tempo não passou para o Damon. – comentei pegando a revista nas mãos.

- O que significa que você vai ter que caprichar na produção.

- Não sei por quê. Estou indo a trabalho, Char e, além disso, quem garante que ele vá me reconhecer depois de tantos anos?

- E quem garante que não?

- A conversa está muito boa, mas tenho que ir. Preciso adiantar algumas coisas antes do encontro de hoje à noite. – Jane falou já levantando.

- Jane, quero saber todos os detalhes, até os mais sórdidos. – brinquei conseguindo deixa-la vermelha.

- Pode deixar. – ela sorriu enquanto se despedia.

Eu e Charlotte ficamos mais alguns minutos na praça de alimentação e depois recomeçamos a caça desenfreada a um vestido perfeito para a festa do dia seguinte.

Após algumas horas encontramos o que se aproximava da perfeição. De frente para o grande espelho eu admirava o vestido salmon de crepe grapiado, com apenas uma alça no ombro direito; cintura marcada e a saia levemente rodada até os joelhos. Um broche abaixo do seio esquerdo dava o toque especial.

- Diga que é esse, por favor. – Char resmungou sentada no sofá, visivelmente cansada.

- É este. – respondi sorrindo com o que via no espelho.

- Ai que bom! Pensei que iríamos ficar aqui por horas. Mas tenho que te dizer, você está uma gata e muito sexy. Damon Mars que se cuide.

- Não estou me produzindo para ele.

- Ah ta bom! Eu te conheço.

- Será que ele vai me reconhecer?

- Você não mudou muito desde o colegial. Se ele não lembrar é um tremendo babaca.

- Char, posso confessar uma coisa? – perguntei me aproximando dela e sentando ao seu lado.

- Claro.
- Depois dos meus fiascos com relacionamentos; depois do reaparecimento do Charles na vida da Jane e principalmente depois de rever aquele álbum, fiquei pensando que o homem da minha vida pode estar no meu passado.

- Ok! Codifica que estou meio perdida.

- Os quatro ex-namorados que coloquei naquele álbum foram os mais importantes da minha vida. Lembro de ter planos para o futuro com cada um deles e de amá-los, entende?

- Acho que sim, mas sobre o que exatamente estamos falando?

- Estou querendo dizer que talvez um dos quatro seja o homem da minha vida, assim como Charles é da Jane.

- Tudo bem. Vamos com calma, tudo bem? Primeiro: Jane ainda não sabe se Charles é o homem da vida dela. Segundo: Como você vai encontrá-los após todos estes anos?

- Sei que parece loucura, mas não acha coincidência demais o Damon reaparecer na minha vida? E se o destino estiver nos dando uma segunda chance?

- Amiga, o que tinha naquele suco verde que você tomou agora pouco? Acho que o seu quase casamento e esse reencontro da Jane com Charles e o álbum bagunçou sua cabeça.

- Sei que é cética em relação ao amor, mas tem que admitir que há uma possibilidade grande de eu ter razão.

- Claro que tem, mas daí você começar a correr atrás dos seus ex-namorados pelo país, aí já é uma grande loucura.

- Talvez eu não precise. Talvez o Damon seja o cara que eu tanto procuro.

- Damon mão boba?! Está falando sério?

- Por que não?! Foram anos sem nos ver; ele amadureceu com certeza.

- Vamos esquecer isso por agora, tudo bem? – ela falou como se estivesse falando com uma maluca ou coisa do tipo o que me fez rir.

- Ok! Mas depois da festa de amanhã veremos quem tem razão. – respondi levantando e seguindo até o provador.

Meu coração dizia que eu tinha razão e que um destes quatro ex-namorados era o homem da minha vida. Afinal, já tínhamos algo construído e que mal tinha em eu dar um pequeno empurrãozinho ao destino?!
Como eu adoro correr no Hyde Park aos primeiros raios do sol. É uma sensação maravilhosa e é nestes momentos que vejo que valeu a pena abrir mão de tudo para comprar meu apartamento em uma área tão próxima ao parque.

Minha corrida matinal era sagrada. Todos os dias; quer chova ou faça sol (salvos dias de ressacas ou quando passo a noite com alguém, é claro), aqui estou eu me exercitando e admirando a natureza.

Já tinha corrido os dois quilômetros de sempre e antes de ir embora, um pouco de alongamento na saída do parque. Em um dos alongamentos de pernas meus olhos se depararam com um casal conhecido trocando beijos calientes na frente do prédio da Jane.

Jane!Sim, era minha irmã que estava protagonizando esta cena no meio da calçada. Olhei bem para o homem e então reconheci Charles Bingley, mais homem, menos cabelos, mas a mesma quantidade de sardas no rosto. Resolvi me aproximar, afinal eu não iria perder esta chance de falar com ele depois de anos.

- Lizzy! – Jane foi a primeira a me ver.

- Oi! – respondi sorrindo – Estava correndo no Hyde Park quando vi vocês aqui e passei para dar oi.

- Charles, lembra da minha irmã?

- Claro. – ele sorriu para mim enquanto estendia a mão – Como vai, Lizzy?

- Bem, e você? – pelo sorriso bobo os lábios dele, certamente ele ia muito bem.

- Estou ótimo. – respondeu sorrindo para uma corada Jane.

- Vai ficar muito tempo em Londres? – me apressei em perguntar antes que o silêncio nos tomasse.

- Ainda não sei, mas acho que é possível que eu fique algum tempo, mais do que planejei.

Jane, minha querida irmã, não sorria desse jeito ou vai dar muita bandeira!

- Que bom. – finalizei sentindo que não tinha mais o que perguntar.

- Eu preciso ir agora. – ele falou por fim – Tenho uma reunião em algumas horas e ainda vou voltar para o hotel. Foi um prazer te rever, Lizzy.

- Igualmente, Charles.

Hora de inventar uma boa desculpa para deixar os dois pombinhos se despedirem.
- Jane. – comecei a falar enquanto eles se encaravam – Eu posso ir subindo? Preciso usar o banheiro. – Ok! Péssima desculpa, mas não consegui outra melhor.

Ela nem se deu ao trabalho de responder, presa na troca de olhar com seu uivo fatal. Completamente hipnotizada, ela apenas retirou as chaves da bolsa e me entregou sem dizer uma só palavra. Peguei as chaves e os deixei a vontade, mas morta de curiosidade.

- Pode ir me contando tudo! – gritei quando ela entrou no apartamento sorridente dez minutos depois.

- Um banho antes?

- Nem pensar. Não tenho tempo já que tenho hora marcada no salão para a festa de hoje à noite. Então, trate de me contar tudo.

- Ai, Lizzy. – ela suspirou antes de se jogar no sofá – Estou nas nuvens.

- Dá para notar. – sorri com a alegria dela – Foi tudo o que você esperava?

- Tudo e mais um pouco. Foi tudo ótimo. Charles é maravilhoso, igual ao que eu lembrava.

- Fico feliz por vocês, Jane.

- Acredita que assim como eu ele nunca conseguiu amar outra pessoa? Ele disse que teve alguns relacionamentos, mas que não conseguia ir a fundo por que sempre pensava em mim, na mulher da sua vida. Ai! – ela gritou abafando o grito com uma almofada. – Estou muito feliz!

- E ele explicou por que passou tantos anos sem se comunicar?

- Depois que eu fui para a França e perdemos contato, ele achou que eu não queria mais nada com ele e preferiu me dar um tempo até que eu escrevesse ou mandasse notícias. Disse que escreveu algumas cartas, mas não obteve resposta, então presumiu que eu não o amava mais.

- E por que ele resolveu te procurar agora?

- Ele viu uma reportagem sobre minha empresa na internet e viu que eu ainda estava solteira. Então...

- Resolveu arriscar. – completei a frase dela enquanto refletia sobre minha vida.

- Lizzy? Algum problema? – Jane se preocupou ao me ver introspectiva e pensativa.

- Não! Está tudo bem. Só estava pensando que vocês dois têm muita sorte.
É, acho que sim. Quem diria que o homem da minha vida estava no meu passado? Não é incrível?

- Muito.

Me limitei a responder enquanto minha mente vagava pelas quatro ultimas páginas daquele álbum e meus respectivos ex-namorados.

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