Citações

Não diga que o homem esquece mais depressa que a mulher, que o amor dele morre mais cedo. Eu não amei ninguém, se não a ti. (Jane Austen)

PROCURA-SE UM EX-NAMORADO DESESPERADAMENTE - CAPÍTULO II

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Capítulo II

O álbum...



Segundo andar e até agora estou bem viva da silva. É claro que alguns cochichos e olhares tortos ecoaram nos corredores do poderoso The Sun quando eu passei, mas minha fama de língua afiada e pavio curto os impossibilitaram de perguntar qualquer coisa. O fato de trabalhar no mesmo jornal que meu noivo abandonado não iria facilitar muito minha vida, mas eu sou forte, não sou?

Cheguei na minha sala sem nenhum ovo podre, queimada na fogueira ou coisa do tipo. Sentei aliviada pela tranqüilidade até que meu chefe resolveu me fazer uma visita.

- Sua história daria uma boa manchete. – falou já sentando a minha frente.

- Para a coluna de fofocas, talvez, mas não para a minha seção.

- Tem razão, a menos que você tivesse matado o Ryan ao invés de largá-lo na igreja. – sorriu de sua própria piada sem graça. – Como você está?

- Por que todo mundo me pergunta isso? Eu estou bem, afinal eu sou a mulher desalmada que abandonou o pobre coitado no altar. Acho que essa pergunta deveria ser direcionada a ele e não a mim.

Ele ficou um longo tempo em silêncio apenas me observando com um olhar que eu conhecia bem e que traduzido em palavras dizia isso:

- Eu sabia! – falou por fim com seu sorriso triunfante.

- Nem vem dizer que me avisou.

- Mas eu avisei. Lizzy você ia se casar com o cara que trabalha aqui há cinco anos e que nunca saiu da seção de obituário. O que você tinha na cabeça?! Ele é um grande babaca!

- Por que só agora todo mundo resolveu me dizer que o Ryan é um babaca?

- Vai me dizer que não sabia? Ele te mandava rosquinha com leite ao invés de flores! Onde estava a percepção da minha repórter investigativa mais competente?

- Ah! Tudo bem que ele não é o cara mais original do mundo, mas ele é um cara legal e sempre consertou meu computador! – falei a ultima frase triunfante, como se isso não tornasse o Ryan tão babaca.
- Como um ex-repórter investigativo dos bons, confesso que desisto deste caso de entender como uma mulher como você iria se casar com um cara como ele.

- Você despencou do quinto andar para vir até aqui só para falar de mim e do Ryan?

- Também, mas vim por que quero que você cubra a visita de um importante empresário do ramo de automóveis que virá a Londres para um congresso de novos lançamentos de carros.

- Duas alternativas para você: Coluna de esportes ou a de fofoca.

- Errado minha cara. Damon Mars não é um pacato rei do automobilismo.

- Damon Mars?! – aquele nome chegou aos meus ouvidos como um soco no estômago. Não poderia ser o mesmo Damon.

- Conhece ele?

- Não, claro que não. Não pode ser o mesmo Damon. Mas o que ele esconde de tão importante que fará com que eu me transforme em uma jornalista de fofoca?

- Ainda não sabemos ao certo, mas uma fonte quente me informou que existe uma fundação patrocinada pelas empresas dele que serve para lavagem de dinheiro. Uma boa matéria ou não?

- Excelente se o que você está dizendo se confirmar.

- Ótimo! Então pode caprichar na produção, pois você tem um convite para a festa de lançamento do congresso daqui a três dias.

- Estarei lá chefinho.

- Ok! Agora preciso voltar ao trabalho, mas antes uma pergunta.

- Acho que não vou querer ouvir.

- Agora que você está livre, será que...

- Não! – respondi antes que ele terminasse sua frase. - James, cai fora da minha sala agora. – completei sorrindo e arrancando uma gargalhada dele.

Hora do almoço, talvez o horário mais tenso para mim, pois eu sempre almoçava no restaurante do próprio jornal e o Ryan me acompanhou por dez meses. Nossa! Em apenas dez meses de relacionamento eu disse sim a um pedido de casamento e quase me casei! Realmente eu não estava no meu juízo perfeito e provavelmente ele colocava alguma droga na minha salada ou no suco.
Resolvi sentar na mesma mesa de sempre; sob os olhares curiosos e acusadores fiz meu pedido e passei a fingir que estava lendo um livro, mas na verdade eu nem conseguia visualizar as letras tamanha minha ansiedade.

Quando o garçom trouxe meu prato e finalmente eu tirei o livro do meu rosto, o avistei entrando pela porta recebendo de imediato uma chuva de olhares curiosos. Por que as pessoas são tão indiscretas? Será que elas acham que a pessoa não vai notar elas olhando fixamente cada passo do cidadão?

Engoli seco quando ele hesitou um pouco antes de entrar, mas ao me ver, seu sorriso se abriu e fez o que ninguém em sã consciência faria: veio sentar comigo.

- Posso sentar com você? – ele perguntou sem um pingo de constrangimento. Nem parecia que tinha sido abandonado no altar há três dias.

- Eu... Eu acho que sim. – respondi completamente passada e engomada.

- Pode continuar comendo, hoje estou sem fome e vim só pela companhia.

Certo. Esse cara não está normal. Como ele pode sorrir assim para mim e fingir que nada aconteceu? No lugar dele eu iria querer arrancar a cabeça do desgraçado que partiu meu coração.

- Você está legal? Quer dizer, está tudo bem?

- Claro que sim. Por que não estaria? – perguntou pegando uma batatinha frita do meu prato e comendo enquanto sorria.

- Ryan... – comecei a me preocupar.

- Olha, Lizzy. Pensei bem sobre tudo o que aconteceu e acho que você tomou a decisão correta por nós dois.

- Foi?!

- Claro. Você não me amava o suficiente, certo?

- Ryan!

- Não, tudo bem. Sabe, no final das contas isso acabou trazendo a Rachel de volta pra mim.

Ok! Para tudo agora! Quem é Rachel?! Já existe uma Rachel apenas três dias depois do nosso rompimento?! O encarei confusa e percebendo minha agitação ele resolveu responder a pergunta não feita.
- Rachel é a garota da coluna de moda e comportamento por quem eu tinha uma grande paixão ano passado lembra? Antes de te conhecer. No começo ela me esnobou, mas acabamos ficando duas ou três vezes, só que aí o bonitão do Alan da seção de esportes apareceu e a roubou de mim. Mas agora depois que ela soube o que você fez comigo, voltou a me procurar dizendo que ao quase me perder, percebeu que eu sou o amor da vida dela. Não é um máximo?!

Como é o nome daquele aparelho que dá choque para o coração voltar a bater? Ah! Desfibrilador! É isso! Alguém traga um agora porque nem meus olhos piscam mais.

- Lizzy?! Lizzy? – só quando Ryan me sacudiu eu voltei a raciocinar. – Perguntei o que você acha?

- Eu... Bem...

Nem precisei sair do meu transe de gagueira, pois ele simplesmente me ignorou e voltou seus olhos para a bela loira que entrava pela porta do restaurante. Ao vê-lo, ela se aproximou e deu um beijo nele que eu quase precisei arrancá-la de dentro da boca dele.

- Vamos almoçar? – ela perguntou com a voz sexy – Estou faminta.

- Claro. Vai indo que vou apenas me despedir da minha amiga.

Amiga?! Nós éramos amigos agora?! Situação completamente surreal, muito surreal. Ah! E antes que pareça que eu estou com ciúmes ou arrependida, vou logo avisando que estou é chocada, estupefada.

- Você não se incomoda, não é Lizzy?

- Não, não, pode ir almoçar.

- Estou falando sobre mim e a Rachel. – ele sorriu, certamente rindo da minha estupidez.

- Oh! Claro que não. Tudo bem mesmo. – respondi enquanto ele se afastava sorridente.

O que mais esperar do ser humano? Eu não espero mais nada, já esgotei minha cota de entendimento por um bom tempo. Esse nerd sorridente e que está pegando a loira gostosa da coluna de moda não lembrava nem um pouco o bebê chorão abandonado de três dias atrás. Acabei de perder minha fé nos homens.

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- Achei que não viriam mais. – exclamei ao abrir a porta para Char e Jane.
- Trânsito minha cara. – Char respondeu enquanto tirava o casaco.

- Vocês moram a algumas quadras daqui. Trouxeram os filmes?

- Titanic, Bonequinha de luxo, Casablanca e Quando um homem ama uma mulher. – Jane tirou os dvds da bolsa.

- E eu trouxe o vinho e o... – Char fez suspense enquanto retirava algo da bolsa. – O álbum!

- Minha nossa! Como ele é brega! – falei analisando a capa cheia de bugigangas e uma flor enorme de pano.

- Não vejo a hora de vermos esse álbum. Char não me deixou vê-lo no carro. – Jane protestou.

- Assim não teria graça. Nem eu vi, tinha que ser visto pelas três.

- Então vamos logo. Vou pegar os petiscos enquanto vocês arrumam a sala.

Poucos minutos depois gargalhávamos com os ex’s da Char, cada um mais safado que o outro e a cara dela nas fotos era hilária. Cara de tédio e em outras, como se estivesse paquerando outra pessoa, pois a maioria das fotos dos ex-namorados ela estava presente.

- Não acredito que colocou o Collins na sua lista de especiais! – exclamei ao ver o cara mais CDF e cheio de firúlas nas palavras de todo o campus.

- Ah, qual é? Ele tem uma pegada que o faz especial e com gosto de quero mais sim. – ela respondeu cinicamente.

- Mas você dizia que ele era chato. – insisti ainda sem entender.

- E era, às vezes. Mas não sei explicar, eu gostava de estar com ele. Ninguém nunca me tratou tão bem quanto ele.

- E você deixou um homem desses escapar? – Jane questionou enquanto enchia nossas taças novamente.

- Não sei, é complicado. Eu sou complicada. Agora vamos parar de enrolar e ir logo para a parte da Jane.

- Claro, dona Char, depois de oito intermináveis páginas sua. – a provoquei.

- Na minha vai ser rapidinho, afinal só me lembro de ter colocado um. – Jane falou abrindo em uma página onde a bela foto do ruivo Charles Bingley estava adornada por corações e juras de amor.

- Charles! Vocês namoraram séculos. – Char observou.

- Do colegial a metade da faculdade. – completei o pensamento da Char.
- Meu único amor. – Jane alisou o rosto dele melancolicamente.

- Sério?! – eu e Char perguntamos na mesma hora.

- Claro. Lembro de prometermos um ao outro que não nos casaríamos com mais ninguém e que mesmo que a gente se separasse, esperaríamos o tempo certo.

- Tudo muito lindo, mas quem garante que ele já não é pai de um bando de sardentos ruivos, esposo de alguém e com uma barriga enorme de chopp? – Char perguntou enchendo nossas taças com mais vinho.

- A Char tem razão. Não pode ficar esperando por ele já que nem sabe onde ele está. – concordei com a boca cheia de queijo.

- Tenho falado com ele faz alguns dias. – ela falou timidamente de maneira que mal ouvimos.

- O que?! – quase me engasguei com o queijo e precisei secar minha taça de uma vez. – Tem falado com Charles Bingley? Mas, como?

- Internet, Lizzy. – ela respondeu já com os olhos brilhando.

- Ela tem razão. Com a internet hoje as pessoas sabem até a cor da sua calcinha. – Char brincou nos fazendo sorrir. – Mas nos conta logo como isso aconteceu.

- É. Agora trate de nos contar tudo. – exigi.

- Ah! Ele me achou através do site da minha empresa de arquitetura. Quase desmaiei quando ele me ligou a primeira vez, foi tão mágico.

- Vocês não se vêem há quanto tempo? Quatro anos? – Char quis saber.

- Quatro anos, seis meses e vinte e dois dias. – se ela dissesse as horas também eu iria interná-la. – Desde quando ele terminou a faculdade e foi morar nos Estados Unidos.

- Não entendo como vocês perderam contato.

- Ah Lizzy, no começo nos correspondíamos, mas depois que me mudei para a França perdemos contato.

- E o que vão fazer agora? – perguntei já sentindo minha cabeça rodar, afinal foram quatro taças de vinho.

- Ele está vindo para Londres amanhã e quer me ver. Ai meu Deus! – ela gritou escondendo o rosto nas mãos.

- Já vi tudo. – Char falou enchendo minha taça novamente. – Ao menos uma das Bennet vai finalmente se casar.
- Muito engraçado, Char. – a repreendi, falsamente aborrecida. – Fico feliz por você, Jane.

- Chega de sentimentalismos e vamos logo ver a sua lista, Lizzy. Nem lembro quem são seus ex’s especiais.

- Deixa que eu abro, pois confesso que também não lembro bem.

Tomei o álbum das mãos dela e a primeira foto foi a de Damon Mars. Coincidência engraçada, não? De manhã ouço falar dele e agora vejo que ele é o primeiro da minha lista. Não acredito em destino ou coisas do tipo, mas isso foi realmente muito estranho.

- Uau! Que gato! – Jane exclamou vendo melhor a foto. – Não lembro bem dele, quem é?

- É um gostosinho ambicioso que estudou com a gente no colégio. Na época você já estava na faculdade. – Char esclareceu. – Quase ninguém gostava dele, mas a Lizzy sempre pacifista foi à única a se aproximar dele e quando vi, já matavam aula para namorar no ginásio, na piscina.

- Ele beijava tão bem e aquele cabelinho loiro, minha nossa! – enfatizei já tropeçando na fala – Tinha umas mãos bobas é verdade, mas era inteligente, bonito, sabia o que queria e beijava bem. – sorri com as lembranças. – Lembro que um dia ele me disse que seria grande; um dos maiores empresários do país e acho que conseguiu.

- Como assim? – Jane quis saber.

- Meu chefe quer que cubra uma visita de um grande empresário do ramo automobilístico e adivinhem o nome dele? Damon Mars.

- Será que é a mesma pessoa? – Char se animou.

- Não sei, vou descobrir no domingo na festa de lançamento do congresso. Vamos ao próximo.

Virei à página e lá estavam os óculos de grau e o sorriso amigável e gentil de Noah Denner.

- O que você viu nele? – Char perguntou visivelmente bêbada. – Ele é um gatinho admito, esses belos olhos, mas um tanto comum.

- Noah era um fofo. Sabe aquele cara para casar e ter um bando de filhos? Esse era o Noah. Não sei por que não me casei com ele. E aquela voz que arrebatava coração?
- Esse eu lembro, foi o primeiro namorado que você apresentou a mamãe. – Jane sorriu – E ela quase pirou por ele ser ajudante de mecânico.

- Nem me lembre. Nos conhecemos no ultimo ano do colegial e passamos bons momentos juntos. Eu queria me casar com ele, lembro bem. Nunca tive um amigo tão legal e que nas horas vagas beijava bem e tirava minha virgindade.

- Foi ele?! - as duas gritaram eufóricas.

- Foi e confesso que foi maravilhoso! Nunca me arrependi, Noah era um cara especial.

- Próxima página! – Char gritou – As coisas estão esquentando.

Sorri e tomei mais vinho. Quantas taças já foram? Ah! Perdi as contas na quinta. Não foi fácil dar de cara com o sorriso torto de Vincent Dough.

- O cara mais velho! – Char falou pegando o álbum das minhas mãos. – Nossa eu era tarada nesse homem!

- Char! Mais respeito com o namorado alheio, quer dizer, ex-alheio. – rimos completamente bêbadas, menos Jane que ainda permanecia com a primeira taça de vinho.

- Papai ainda hoje quer matá-lo por ter corrompido a filhinha dele.

- Ter um caso com seu professor da faculdade bonitão e solteiro não é algo que os pais desejam para as filhas. Cara, como eu era apaixonada por este homem! Ele me ensinou cada coisa. – sorri maliciosa lembrando da minha fase rebelde sem causa.

- Vamos para a ultima antes que isso pegue fogo. Uhu! – Char bêbada parecia uma líder de torcida, era cada gritinho que vou te contar!

Ultima página. Ok! Meu sorriso murchou ao ver o olhar enigmático de Natan Elliot. Não que ele não tenha sido especial, mas nosso relacionamento foi estranho e terminou de forma mais estranha ainda.

- O Virgem!

- Ele não era virgem, Char. – respondi emburrada.

- Então tinha algum problema.

- Problema ele tinha, eu acho. Nunca tive um namorado tão especial e atencioso. Com Natan eu podia conversar sobre qualquer coisa e até hoje ninguém nunca me entendeu como ele. Só consegui suportar toda a pressão do ultimo ano de faculdade por causa dele.
- Mas ele não queria transar. Grande coisa. – Char ironizou - Fora que ele parecia sempre perturbado, cheio de fantasmas assustando ele.

- Char, você está bêbada. – Jane observou arrancando a garrafa das mãos dela. – Ele deveria ter seus motivos.

- Pode ser, mas a rejeição dele doía bastante e quando ele terminou tudo quase surtei, pois estávamos tão bem, tirando a falta de sexo, é claro.

- Vocês também estão vendo a sala girar? – Char perguntou tentando se levantar.

- Acho que a noite já deu. – Jane a ajudou se levantar – Vou levar essa bêbada em casa e você dona Lizzy, trate de tomar um bom banho frio e um café forte, pois está tão bêbada quanto essa aqui.

- Pode deixar general! – tentei bater continência, mas cai em cima do sofá morrendo de rir acompanhada por Charlotte.

- Você vai ficar legal? – Jane me perguntou enquanto pegava suas coisas e as da Char ajudando ela a caminhar.

- Vou, pode deixar. – Acho que estava vendo duas Jane e umas três Charlotte agora.

- Te ligo depois para saber como você está.

Nos despedimos e logo me vi sozinha em meu apartamento com aquele bendito álbum nas mãos. Olhei mais uma vez as fotos dos meus quatro ex-namorados e uma tristeza me invadiu. Depois deles vieram outros, mas nunca me senti feliz de verdade, era como se minha realização amorosa tivesse ficado ali naquele álbum. Como se eu estivesse ligada a eles para sempre e a chave para minha felicidade estivesse com um daqueles quatro homens.

- Estou ficando maluca isso sim. – falei pegando a garrafa e bebendo seu conteúdo de uma só vez.

Foi com grande dificuldade que consegui juntar o lixo e resolvi levar logo para fora antes que ele passasse dias em minha área de serviço. Abrir a porta nunca me pareceu tão difícil quanto agora; quando alcancei a porta da área de serviço comum do andar quase cai me segurando nos cestos de lixo. Comecei a voltar para o meu apartamento me sentindo uma máquina de costura, pois andava em zig zag vendo tudo duplicado a minha frente.
Quando passei pelas escadas me desequilibrei, tentei segurar na parede, mas ela não estava lá. Pendi todo o meu corpo para a escadaria já temendo um grave acidente; fechei meus olhos com força e esperei sentir meus ossos quebrando enquanto rolava escada abaixo. Foi então que senti fortes mãos me segurando enquanto um delicioso cheiro invadia meu nariz.

- Peguei você. – reconheci a voz e logo abri meus olhos para encará-lo.

- É, você me pegou. – respondi sorrindo antes de perder a consciência.

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