Citações

Não quero que as pessoas sejam muito gentis; pois tal poupa-me o trabalho de gostar muito delas.(Jane Austen)

AMOR ON LINE - CAPÍTULO IV

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CAPÍTULO IV

 

23 de dezembro de 2009.


- Ta legal, agora você vai ter que sair conosco, Lizzy. Estou começando a ficar preocupada com você. Há um mês você está trancada neste apartamento. Já chega! – Jane falou decidida enquanto vasculhava o armário da irmã em busca de uma roupa.

- Char, me ajuda. – Lizzy suplicou para a amiga que apenas observava tudo – Você me entende, explica pra ela.

- E acha que adianta? – Char respondeu dando de ombros.

- Nem ousem falar novamente sobre estes namoros virtuais, isso é muito irreal para qualquer ser humano pensante.

- Diga isso para Charlotte e seu namorado firme de um mês, Denis. – Lizzy tentou argumentar.

- Isso é uma exceção a regra!

- Mas eu não estou namorando virtualmente o Darcy. Somos apenas amigos.

- Seja lá o que vocês forem não é uma relação saudável.

- E posso saber por quê? – cruzou os braços, igual uma criança aborrecida.

- Tenho várias razões, mas vou citar apenas duas. Você não sai mais de casa, não tem mais vida social; passa todas as noites neste computador falando com alguém que pode muito bem estar mentindo para você.

- Tenho direito a resposta? – diante do olhar impaciente da irmã, Lizzy prosseguiu em sua defesa. – Não saio de casa pelo simples e único fato de não gostar de muita gente, festas e música alta. E quanto a ele estar mentindo para mim, confio nele.

- Como pode confiar em alguém que conhece há um pouco mais de um mês?! Viu? Está ficando maluca. Vai tomar banho e conhecer gente de carne e osso agora.

- Não vou nem que me torture.

- Ah é? Se não for, juro que vai me decepcionar muito.

- Chantagem emocional, é? Não começa Jane.

- Por favor! Olha, vamos combinar o seguinte, você sai comigo hoje e eu prometo que paro de implicar com seu namoro virtual.

- Já disse que somos apenas amigos.

- Então, temos um acordo?

- Está bem! – concordou aborrecida enquanto entrava no banheiro. – Char, você ainda me paga por não ter me defendido. – gritou antes do barulho da água ser ouvido.

 

- Desmancha essa cara, Lizzy. – Jane pediu quando chegaram à boate.

- Custava ter deixado eu ter avisado ao Darcy que não poderia teclar com ele hoje? Agora ele vai achar que eu o esnobei.

- E daí? Vocês são casados? Ainda diz que não entende porque estou preocupada.

- Não entendo mesmo.

- Você não sai mais de casa sem dar satisfação a ele!

- Estou ajudando ele a terminar seu livro, é tudo profissional Jane, já disse.

- Saímos de casa para não falar nisso. Então agora, trate de fazer cara de sexy e vai no bar porque aquela carinha lá não para de te olhar. Vai!

Recebeu um pequeno empurrão da irmã e revirando os olhos, resolveu tomar uma bebida para relaxar enquanto pensava o que Darcy iria pensar. Quando sentou em um dos bancos e pediu sua bebida, virou na direção da pista de dança, então avistou a ninfeta da bunda linda dançando coladinho com um rapaz que certamente não era o Nicholas. Seguiu com o olhar mais um pouco e viu Nicholas sentado em uma mesa sozinho e com cara de poucos amigos.

***********************************


- Posso servir seu jantar ou ainda vai ficar na frente desse computador? – Ana perguntou ao entrar no escritório.

- Não quero comer! – respondeu mal humorado.

- Então posso tirar o jantar?

- Faça o que quiser, Ana.

- Aconteceu alguma coisa?

- Não.

- Se não quer falar, tudo bem. Vou recolher o jantar e ir dormir se não precisar mais de mim.

- Pode ir, Ana.

Olhou no relógio e sua inquietude só aumentou. Já eram quase vinte e três horas e nem sinal dela... Inicialmente ficou preocupado, temendo que alguma coisa tivesse acontecido, mas agora estranhamente sentia raiva; ficou imaginando coisas absurdas. Na tentativa de espantar a raiva, resolveu descer até a praia e caminhar um pouco, porem deixou o computador ligado ainda na esperança que ela entrasse.

 

O frio era cortante, mas inexplicavelmente aquilo fez muito bem, pois sentiu que a raiva diminuiu. Não entendia porque estava se sentindo daquela forma; estava decidido a nunca mais se envolver com alguém pra valer, e agora estava chateado porque alguém que mal conhece havia lhe dado um bolo virtual.

- Quando vou aprender que não vale à pena confiar nas mulheres?! – esbravejou enquanto caminhava sentindo a água morna do mar molhar seus pés. – Mas eu não estou envolvido, assim como ela também não está. Isso tudo não passa de fantasia. É! Uma fantasia que já passou da hora de chegar ao fim.

Já tinha sofrido todas as desilusões possíveis com Caroline e não passaria por isso novamente. Como Ana sempre lhe diz, é melhor cortar o mal pela raiz antes que as coisas fujam do controle.

- Não vou mais perder o controle da minha vida! Não desta vez.

*****************************

- Vou até o banheiro, já volto. – Lizzy precisou gritar, pois a música estava muito alta.

Quando se aproximou do banheiro observou um casal que parecia discutir, envergonhada passou rapidamente, mas ao se aproximar, levou um susto quando viu Nicholas e sua namorada. Quando ela avistou Lizzy, saiu apressadamente deixando-o sozinho e com cara de bobo.

- Isso te deixa feliz, não é? – ele perguntou depois de alguns minutos encarando Lizzy.

- Está enganado Nicholas, me faz sentir pena de você.

- Não precisa sentir pena de mim, estamos muito bem. Todo... Todo casal briga, não é? Nós mesmo, quantas briguinhas tivemos.

- Se prefere pensar assim. – respondeu enquanto retomava sua caminhada para o banheiro, mas ele segurou seu braço direito.

- Acho que cometi um grande erro, Lizzy. – ele admitiu com a voz embargada.

- O quer que eu faça? Solte fogos?

- Não sei... Estou confuso, mas te ver agora... Me fez pensar que talvez eu tenha errado muito com a gente.

- Sério? E daí?

- Podemos conversar outro dia? Um jantar?

- Está de brincadeira comigo?

- Lizzy...

 

- Escuta aqui, não há mais espaço na minha vida para você.

- Então você tem alguém?

- Eu... Tenho.

É claro que ela não tinha ninguém, mas e o Darcy? Só agora as palavras de Jane passaram a ter sentido; mesmo sem terem nada, sentia-se como se fosse comprometida com ele de alguma forma. Precisava resolver isso de alguma maneira e seria agora.

- Lizzy? – ouviu Nicholas chamar antes de alcançar uma das portas da boate.

Foram vinte minutos até um táxi chegar e mais quase trinta para chegar até o seu apartamento. Entrou praticamente correndo no apartamento indo direto para o seu quarto. Ligou o computador rapidamente e quase o jogou pela janela enquanto esperava ele entrar no MSN, mas para sua decepção, ele não estava lá.

Sem pensar duas vezes, abriu seu e-mail e passou a digitar o que vinha em seu coração.

Darcy,

Me desculpe por não ter aparecido mais cedo. Se ainda estiver acordado e mesmo que esteja chateado, por favor, precisamos conversar.

Lizzy


Clicou na tecla de enviar e continuou ali parada em frente ao computador por longos quinze minutos...

Vinte e cinco minutos e nada; já estava desistindo quando finalmente ele entrou no MSN.

LIZZY diz: Oi – o chamou, completamente ansiosa.

DARCY diz: Oi – ele respondeu alguns minutos depois.

LIZZY diz: Sinto muito por não ter aparecido.

DARCY diz: Tudo bem.

LIZZY diz: Tem certeza? Por que posso explicar.

DARCY diz: Não tem que me explicar nada.

Se surpreendeu com aquelas respostas curtas e grossas.

LIZZY diz: Tem razão, não tenho mesmo.

DARCY diz: Não, não tem.

Ficaram um tempo sem digitar nada. Lizzy sentia as lágrimas inundando seus olhos enquanto tinha vontade de dizer poucas e boas para ele. Se ele queria ser frio, resolveu devolver na mesma moeda.

 

LIZZY diz: Já terminei o ultimo capítulo do livro; gostei muito das modificações que você fez. Creio que finalmente terminamos.

DARCY diz: Sim, terminamos.

LIZZY diz: Então acho que nosso trabalho terminou por aqui.

DARCY diz: Gostaria muito de lhe recompensar por seu trabalho, falarei com meu editor para que receba por sua contribuição.

LIZZY diz: Não fiz isso por dinheiro! – se sobressaltou.

DARCY diz: Sei que não, mas perdeu quase um mês comigo e com o livro e não acho justo que não receba por isso, além do mais, não gosto de ficar em dívida com ninguém.

As lágrimas de raiva já banhavam o rosto de Elizabeth. O que estava acontecendo? O que tinha mudado em tão pouco tempo?

LIZZY diz: Pelo visto, além do nosso trabalho, nossa relação também acabou?

Ele não respondeu o que aumentou ainda mais sua ira.

LIZZY diz: Acho que entendi tudo agora, quer dizer, tudo ficou claro pra mim. Você só estava me usando para concluir a porcaria do seu livro não foi? Como fui tão idiota?!

DARCY diz: Não disse isso!

LIZZY diz: Mas sua atitude fria agora deixou tudo muito claro, acredite.

DARCY diz: Você está errada.

LIZZY diz: Então o que?! Fala!

DARCY diz: Por favor, nunca mais pense que a usei, jamais faria isso com você. Está entendendo tudo errado.

LIZZY diz: Quer saber, é melhor você não falar mais nada, isso só está piorando. Talvez seja melhor assim.

DARCY diz: Droga! Me escuta! Eu jamais faria isso com você. É que acho que estamos indo longe demais, entende? Hoje quando você não apareceu eu fiquei louco, achei que algo tinha acontecido e depois me vi tomado pelo ciúmes e pela raiva...

LIZZY diz: Ah! Eu não imaginava.

Diante daquele desabafo Lizzy sentiu o chão sumir sob seus pés. O que responder? Como agir?

LIZZY diz: Sabe o que é engraçado? – perguntou depois de um tempo.

DARCY diz: O fato de você estar me achando patético e eu me sentindo um completo idiota agora?

LIZZY diz: Não. rsrsrs... Hoje resolvi sair sobre pressão da minha irmã, e comecei a achar que estamos indo longe demais e não quero mais perder o controle da minha vida.

DARCY diz: Nem eu.

LIZZY diz: Então não estamos prontos para isso, não é?

DARCY diz: Acho que não, quer dizer, você é muito especial e essa dependência que sinto em relação a você está me assustando agora.

LIZZY diz: Tem razão. Talvez seja melhor não nos falarmos mais. Não acha?

***********************

Darcy estava confuso; sua razão dizia para fugir daquela mulher o quanto antes, mas o que dizer ao seu coração que desejava pegar o carro e dirigir a meia noite até Maceió e sentir o cheiro dela, tocar sua pele macia e ouvir sua voz... Ao pensar nisso, algo passou por sua cabeça.

DARCY diz: Não sei. Confesso que estou confuso. Acho que não é o momento para me envolver agora em algo sério, mesmo não sabendo ainda o que nós temos.

LIZZY diz: Talvez precisemos de um tempo longe e quem sabe não esquecemos tudo rapidamente. Também não sei o que está rolando entre a gente, mas também não quero me envolver sério com ninguém. Estou em uma fase onde relacionamentos significam uma aventura.

DARCY diz: Isso! Para mim também e você não merece passar por isso. É especial demais para mim e merece alguém mais inteiro do que eu neste momento.

LIZZY diz: Bem, então se você não é um velho rico, moribundo e sem parentes vivos, acho que não serve para mim. rsrsrs...

 

DARCY diz: Lizzy?

LIZZY diz: Oi.

DARCY diz: Queria muito ouvir sua voz. – seu coração acelerou enquanto suas mãos suavam de ansiedade pela resposta. – Sei que decidimos parar com tudo, mas jamais teria paz se não ouvir ao menos um pouco sua voz.

LIZZY diz: Darcy eu não sei se é uma boa idéia.

DARCY diz: Eu sei! Sei que pode ser um erro, mas eu preciso ouvir sua voz.

Ela demorou a responder o que lhe deixou ainda mais aflito.

LIZZY diz: Tudo bem, mas só se você prometer não anotar meu número e depois de hoje, nunca mais voltarmos a nos falar novamente.

DARCY diz: Ok.

Respondeu sem muita convicção, mas precisa ouvir a voz dela. Esperou mais alguns segundos e o número dela apareceu na tela. Com as mãos tremulas e muito ansioso, discou o número; a cada toque seu coração batia cada vez mais forte.

- Alô. – ouviu a voz dela e sua respiração ofegou. Era uma voz rouca e sexy, mas ao mesmo tempo terna, suave.

- Oi. – respondeu sentindo que não conseguiria formar uma frase sequer, tamanho nervosismo. – Então esta é sua voz? – bateu na testa diante da idiotice que havia falado.

- Acho que sim. – ela sorriu nervosa. – Sabe que não foi uma boa idéia, não sabe?

- Sei. Agora já não tenho mais certeza se quero me afastar de você.

- Darcy... – ela tentou falar, mas ele a interrompeu.

- Não, eu sei. Sei que precisamos fazer isso, quer dizer, isso é muito louco.

- Uma grande loucura – ela concordou sorrindo e ele se deliciou naquele riso suave e agradável.

- Obrigada mais uma vez por ter me ajudado com o livro, sei que fui um grande chato na maioria das vezes.

- Tem razão, você foi um grande chato sim; mas é um escritor muito talentoso e sei que seu livro será um grande sucesso.

- Nosso livro. Ele é nosso, já que grande parte das idéias foi sua. Ainda acho que deveria aceitar sua parte...

- Darcy! – ela o repreendeu.

 

Tudo bem! Céus! Como você é tão teimosa! – sorriu com o grunhido que ela deu no outro lado da linha. – Mas me deixe ao menos citar seu nome no livro, por favor.

- Se quiser.

- Quero sim.

Aquele momento constrangedor onde ninguém sabe o que falar e fica desejando um buraco se abrir chegou. Ficaram em silêncio, apenas ouvindo a respiração do outro, sem coragem de falar, mas também sem forças para desligar e acabar com tudo aquilo.

- Antes que eu esqueça – ela falou primeiro – Feliz Natal!

- Ah meu Deus! É verdade, já estamos no dia vinte e quatro de dezembro. – comentou quando constatou que já passava da meia-noite. – Feliz Natal para você também. Vai passar com sua família? – perguntou na tentativa desesperada de nunca encerrar aquela ligação.

- Não, vou jantar na casa da minha irmã aqui mesmo. E você?

- Minha irmã e meus amigos estão aí em Maceió, então vou ficar sozinho por aqui mesmo. Sabe como é? Gosto da solidão.

- Parece que sim... Já eu ainda não me acostumei com ela.

- Lizzy, eu queria muito ir a frente com isso, mas não serei uma boa companhia para alguém tão especial como você.

- Nem eu para você. Neste momento precisamos de alguém apenas para uma aventura, uma noite, sexo. – ela completou com a voz trêmula.

- É! É isso mesmo. Sexo e nada de amor.

- Abaixo o amor! – ela brincou e os dois riram nervosos.

- Nunca vou te esquecer. – falou com sinceridade.

- Também nunca vou esquecer você. – a voz dela parecia triste.

- Quem sabe um dia...

- É. Algum dia...

- Acho que chegou a hora de desligarmos.

- Acho que sim... Adeus, Darcy.

- Adeus, Lizzy.

 

Não foi fácil apertar o botão e encerrar aquele momento especial da sua vida, mas ainda estava magoado o suficiente para não se envolver com ninguém e quando fizesse isso seria sem compromisso, apenas por diversão e satisfazer seus desejos. Talvez ressuscitasse o velho Darcy galinha e isso certamente machucaria Lizzy o que era a ultima coisa que ele queria. Caroline o fez repensar suas atitudes, e agora precisava deste tempo sozinho.

*******************************

24 de dezembro de 2009.


O Jantar na casa de Jane e agora do Victor, já que eles resolveram morar juntos, foi maravilhoso. Lizzy se divertiu como há muito tempo não fazia, e mesmo não parando de pensar em Darcy, sabia que tinham tomado a melhor decisão.

- Então, o que achou do amigo do Victor? – Jane perguntou quando elas estavam na cozinha.

- Ele é muito divertido, nunca ri tanto com tão boas piadas. – respondeu com sinceridade.

- Não estou perguntando neste sentido. Vou ser mais clara: “Ele é legal, mas sem chances comigo”. Ou: “Ele é muito lindo e tudo o que estou pensando agora é em levar ele pra cama”. Então, qual das opções?

- Ele é muito lindo e claro que enquanto ele sorria pra mim com aquele ar cafajeste fiquei pensando sobre o desempenho dele na cama. – respondeu cínica.

- Eu sabia! Safada! Vejo que está voltando à razão.

- Jane, seu conceito de razão está me assustando. – brincou recebendo um pano de prato no rosto jogado pela irmã.

- Ele também pareceu interessado, pois não tirou os olhos de você a noite toda. Acho que alguém hoje vai tirar o atraso.

- Fala baixo, sua doida! - Lizzy a repreendeu sorrindo – Quem sabe? – sorriu matreira enquanto tentava ser uma mulher firme e sem se apegar a ninguém. “Só sexo!” repetiu em seu pensamento.

- Falando na tentação, ele está vindo pra cá. – ela sussurrou em meio a um sorriso – Não tinha um vestido mais decotado não?

 

- Cala a boca... – Lizzy sussurrou de volta enquanto Victor entrava na cozinha com seu amigo gostosinho que ela não lembrava o nome agora.

- Jane, muito obrigada pelo jantar, estava divino. – ele agradeceu enquanto cumprimentava Jane.

- Não mereço tanto mérito, já que o Victor cozinhou quase tudo, mas ao menos a salada foi minha obra prima. – Jane respondeu simpática enquanto recebia um abraço do seu noivo.

- Eu já estou indo, se quiser posso te dar uma carona. – desta vez ele se virou para Lizzy que sorriu nervosa enquanto decidia o que responder.

- É claro que ela aceita... – Jane respondeu pela irmã recebendo um leve cutucão disfarçado – Você veio de táxi mesmo, e há esta hora achar um em plena véspera de natal é quase como ganhar na loteria.

- Eu... Eu aceito – respondeu tentando se manter calma. – Obrigada.

- Vai lá deusa do sexo! – Jane sussurrou quando a cumprimentou na porta – Divirta-se e nada de juízo.

Durante o trajeto até seu apartamento, eles conversaram e riram muito, não podia negar que ele era muito agradável e divertido e que aqueles lábios carnudos eram um verdadeiro convite para a perdição de qualquer mulher.

Ele parou em um posto e enquanto abastecia o carro, foi até a loja de conveniência deixando Lizzy sozinha no carro. Ouviu seu telefone tocar e ao identificar como sendo o número da irmã, atendeu sorrindo.

- Ainda sou virgem, Jane. – brincou.

- Imaginei – a outra entrou na brincadeira. – O que está havendo? Me conta!

- Estamos abastecendo o carro e estou sozinha enquanto ele foi à loja do posto.

- Lizzy! Não deixe esse homem escapar essa noite, você merece.

- Não sei o que fazer, quer dizer, eu sei o que fazer, mas acho que perdi a prática de como ser casual e direta. – desabafou nervosa.

- Tudo bem, fica calma. Só precisa relaxar e se deixar levar.

- Tudo bem, me deixar levar, entendi.

- É só sexo, Lizzy! Todo mundo faz isso o tempo todo.

- Claro! É normal, não é?

- É! Agora sem neura e aproveita. Conte-me tudo depois.

 

Desligou o telefone e tentou respirar mais uniformemente. Sempre foi uma pessoa muito racional e segura de seus sentimentos; quando adolescente, nunca ficou com ninguém se não sentisse nada. Seu primeiro namorado durou quase cinco anos e é claro, perdeu sua virgindade por amor e com ele.

Quando entrou para a faculdade, só se envolveu pra valer com dois homens, mas sexo só com um e este relacionamento foi até a graduação. Viajou para São Paulo para suas especializações e lá conheceu o Nicholas e foi amor a primeira vista; quando ela voltou para Alagoas ele a seguiu e montou uma filial de suas empresas na capital; foram quatro anos juntos.

Nunca teve experiência com sexo casual e sentia-se nervosa e sem saber o que fazer, mas Jane tinha razão, ela precisava viver.

- Não deve ser tão difícil assim. É só sexo!

Falou em voz alta no exato momento em que ele entrou no carro. Ele lhe entregou uma bebida enquanto sorria abertamente e ela se sentia uma completa idiota. Quando chegou à rua do edifício que ela morava, ele estacionou um pouco antes em uma parte escura da rua.

- Bem, chegamos. – ele falou sorridente quando desligou o carro.

- É, chegamos –repetiu nervosa – Obrigada pela carona.

- Sem problemas, mas posso cobrar pela corrida? – o sorriso dele era inebriante.

- Depende do valor – entrou no jogo se sentindo uma gata sexy e poderosa. Provocar e ser provocada era muito bom.

- Posso começar com a gorjeta. – ele falou se aproximando cada vez mais dela.

- Que seria?

Sem falar, ele resolveu ser direto e mostrar. A enlaçou pela cintura aproximando-a de seu corpo enquanto sua língua começou a invadir sua boca.

O beijo foi ficando mais intenso, sendo seguido por mais beijos igualmente excitantes, até que sem fôlego, ela se afastou um pouco.

- Não quero nem imaginar quando cobrar a corrida. – brincou tentando recuperar o ar.

- Bem, pode me pagar aqui mesmo ou me deixar subir e me pagar no seu quarto.

- Ow! Você é direto.

 

- Sei o que quero e neste exato momento, quero você.

Antes que ela respondesse já viu sua boca sendo tomada mais uma vez enquanto sentiu as mãos apressadas dele invadindo seu vestido e passeando por suas coxas.

- Além de direto é rápido. – afastou a mão dele com calma,

- Desculpe, é que você está me deixando maluco. – falou sem afastar sua boca do pescoço dela.

- Eu é quem devo estar ficando maluca.

Mais alguns beijos e realmente as coisas estavam ficando quentes. Mas Lizzy por mais que quisesse não conseguia entrar no clima, ficar a vontade.

- Espera. Espera. – pediu retirando a mão dele de sua blusa. – Vamos devagar. Eu nem lembro o seu nome, como podemos transar!

- Oh! Mas isso tem importância? – ele tentou se aproximar novamente, mas ela o impediu. – Olha, Eliza...

- É Lizzy! – ela o corrigiu contrariada.

- Certo, Lizzy. Não vamos nos casar nem nada; somos adultos e é só sexo lembra?

- Tem razão, só sexo. Acho que posso fazer isso.

Ele sorriu e a beijou novamente enquanto sua mão entrou novamente no vestido só que desta vez ele queria invadir um território perigoso com sua mão.

- Espera! – pediu novamente e desta vez ele pareceu se aborrecer, pois se arrumou no banco enquanto dava um longo suspiro.

- O que foi desta vez? – perguntou passando as mãos no rosto.

- Preciso saber seu nome. Não posso ir pra cama com alguém que nem lembro o nome, desculpe.

- Se é importante pra você, meu nome é Lucas.

- Lucas?! – lembrou do personagem do livro do Darcy! Até quando queria se livrar do amor e desta coisa toda, ele dava um jeito de atrapalhar sua noite, mas ela não iria permitir. – Tudo bem, vamos continuar.

Praticamente se jogou em cima dele enquanto tentava abrir sua camisa. Ele se empolgou e já estava levantando o vestido dela quando ouviram alguém batendo no vidro do carro.

**********************

- Feliz Natal, meu filho. – Ana falou quando Darcy chegou em casa.

- Ana! Ainda acordada? – perguntou constatando no relógio que já era quase meia noite.

- Preparei uma pequena ceia para nós dois. – ela respondeu apontando para a sala de jantar.

- Ana, já deveria estar na casa da sua família desde o dia vinte.

- Não poderia deixá-lo sozinho. Além do mais, sei que vou ganhar um dinheiro extra – brincou, recebendo um abraço carinhoso dele.

- Eu te amo, Ana. Feliz Natal.

- Agora vamos deixar de sentimentalismos e vamos comer que estou faminta.

Seguiram para a sala se acomodando na mesa bem farta e lindamente decorada.

- Precisa retornar as ligações de sua irmã e do seu Richard. Eles já ligaram umas vinte vezes.

- Ligo amanhã. Hum! Você fez rabanada! Adoro rabanada.

- Sei que sim e estão quentinhas.

- Assim você me mima, Ana. – comentou enquanto abocanhava um pedaço de rabanada.

- Gosto de mimar você. Nunca tive filhos e você e Georgiana e até o irresponsável do Richard, são mais que meus patrões, são meus filhos. – falou com os olhos brilhando pelas lágrimas.

- E nós te amamos como uma mãe, Ana. Afinal está conosco desde... Desde que ela se foi. – respondeu olhando para o enorme quadro com a foto de seus pais.

- E é por te considerar meu filho que preciso lhe dizer uma coisa.

- Então esta ceia é uma forma de me comprar para me dar um sermão, não é dona Ana? – sorriu diante do sorriso matreiro da mulher a sua frente.

- Não de todo. William, o que pensa que está fazendo?

- Em relação ao que? – perguntou confuso.

- Está voltando a ser aquele irresponsável de antigamente.

- Por que está dizendo isso?

- Saiu ontem à noite e voltou muito tarde; hoje saiu novamente e está cheirando a perfume barato. Por que está fazendo isso?

- Fazendo o que? Estou voltando a viver, Ana. Acha que não mereço isso?

- Claro que merece, mas não mascarando seus sentimentos da forma como está fazendo.

- Sentimentos? Não tenho sentimentos por ninguém. Não sei do que você está falando.

 

- Não?! E a moça da internet?

Darcy que mantinha os olhos na mesa evitando o olhar de Ana, diante daquela pergunta não pode evitar olhá-la nos olhos.

- Acha que não percebi nada, não é? – ela perguntou percebendo a surpresa dele. – Quando aconteceu tudo aquilo com Caroline e nos mudamos pra cá, achei que você nunca mais fosse se recuperar; sempre bravo, irritado, quebrando as coisas e sem querer ninguém por perto. Mas aos poucos fui notando que você estava diferente, mais alegre, falante e até tocando piano novamente.

- Então você imaginou que eu tivesse alguém novamente?

- Você não saia mais do computador e mal comia, sempre no computador até que uma noite enquanto você tomava banho fui até seu quarto avisar que iria sair e sem querer vi que estava conversando com uma moça chamada Lizzy. Não tive mais dúvidas, você estava apaixonado.

- Não estou não! – se sobressaltou – Você está enganada! Não vou mais me apaixonar, quero é curtir minha vida.

- A quem está querendo enganar? A você mesmo? Está na cara que está apaixonado ou então não a teria dispensado.

- Como sabe que...

- Não está no computador agora, está? E esse mau humor do cão! Eu te conheço mais que a minha própria mão, menino.

- É mais complicado do que você imagina, Ana. Estamos em uma fase não muito boa e é melhor para nós dois não levarmos tudo isso a frente, sabe? Ambos saímos de relacionamentos conturbados e a ultima coisa que queremos é nos envolver afetivamente com alguém.

- O que eu sei é que vocês estão enganando a si mesmos. Só porque tiveram relacionamentos ruins perderam a fé nas pessoas, no amor!

- Ana... – ele tentou falar, mas ela o impediu.

- Se quer continuar sentindo pena de si mesmo e voltar a ser o cara fútil e vazio de antes, fique a vontade, mas não me peça para ficar aplaudindo isso, porque me preocupo demais com você para ficar quieta. Não a deixe escapar!

 

- Não depende só de mim, Ana. Ela também quis isso.

- Se ela for tão teimosa e cabeça dura quanto você, é mais uma que acha que felicidade é fugir do amor.

- Ela é muito teimosa. – respondeu sorrindo enquanto lembrava-se das discussões que tinham sobre o livro.

- Viu? Você está apaixonado. Deveria ver o brilho dos seus olhos ao falar dela.

- Ana, como posso estar apaixonado por alguém que nunca vi? Isso é loucura.

- O coração não precisa de imagens para decidir quem devemos amar ou não, simplesmente ele ama. Se ela for gorda, feia ou uma modelo internacional, eu o conheço o suficiente para saber que seus sentimentos não vão mudar, pois se apaixonou pela pessoa e não por um estereótipo.

- Não vai comer? – perguntou rindo, mas na verdade estava fugindo de sua própria consciência.

- Já comi. E tem razão, isso tudo foi só para te dar um sermão. – respondeu entre gargalhadas.

- Eu sabia! – sorriu de volta enquanto comia mais um pouco.

- Agora vou dormir, pois estou muito cansada. – levantou dando um beijo na cabeça dele.

- Obrigada, Ana e Feliz Natal.

- Feliz Natal. – ela respondeu antes de sair, mas parou na porta voltando-se para ele novamente. – E trate de falar com ela novamente e se vire, pois amanhã vou visitar minha família e só volto no ano que vem. – resmungou antes de sair.

- Apaixonado! – repetiu quando se viu sozinho – Não posso e não quero estar apaixonado.

*********************

- Lizzy? – Nicholas chamou enquanto a seguia pela rua deserta segurando uma garrafa de vinho na mão.

- Não fala comigo, Nicholas! Ainda estou furiosa com você por ter atrapalhado a minha... O meu... Por ter me atrapalhado, droga! – esbravejou enquanto apressava mais o passo rumo ao seu prédio.

- Você deveria me agradecer! O que deu em você? Estava praticamente transando com um estranho na rua que mora. E se alguém te visse?!

 

- O que eu faço ou deixo de fazer não é da sua conta. – praticamente gritou parando para encará-lo – Aliás, o que diabos você está fazendo aqui?

- Eu?

- Não, o coqueiro atrás de você. – ironizou – É claro que é você! O que quer?

- Eu... Bem, eu estava passando e resolvi vim te desejar feliz natal.

- Com uma garrafa de vinho? – perguntou cruzando os braços sobre o peito.

- Você me pegou! – finalmente admitiu. – A verdade é que eu queria te ver.

- O que?! Você está ficando maluco?! Onde está sua paquita?

- Passando o natal em alguma rave. – falou cansado. – Não agüento mais remexer minha cintura até o dia amanhecer; preciso me esconder um pouco, meu corpo já está todo dolorido. – sussurrou em confidência.

Mesmo com raiva dele, Lizzy não pôde evitar a gargalhada que se formou em sua garganta ao imaginar Nicholas em uma rave. Mas desta vez ele a acompanhou na gargalhada.

- Sabe Nicholas, – começou após se controlar. – não sei se sinto pena de você ou acho muito bem feito.

- Pode sentir os dois, eu mesmo os sinto agora. O que está havendo conosco, Lizzy? Eu tentando me afirmar como viril e macho com uma garota superficial que poderia ser minha filha e que é dançarina de Axé; você transando com um estranho na porta do seu prédio. Essa não se parece com você.

- É. – ela concordou pensativa – Acho que estamos na crise da meia idade mesmo.

- Então, posso subir para tomarmos uma taça de vinho e conversarmos um pouco.

- Não sei...

- Como bons amigos, prometo. Pelos velhos tempos, Lizzy.

- Ok. Mas se você se meter a besta, te jogo lá de cima.

- Combinado.

Quando entraram no apartamento, enquanto Lizzy guardava suas coisas, Nicholas passou a analisar o local.

- Nossa! Está tudo diferente aqui. – comentou quando ela voltou do quarto.

- Fiz algumas mudanças. – ela respondeu passando para a cozinha para pegar as taças.

- Transformou meu antigo escritório na sua tão sonhada sala de TV?

 

- Eu merecia isso. – sorriu e lhe entregou o saca rolhas.

- Sabe, isso não é um bom sinal.

- O que? – perguntou enquanto se acomodavam no sofá.

- Primeiro você me deixa subir, o que significa que não mexo mais contigo. E agora, vendo nosso antigo apartamento onde nada mais me lembra, vejo que você definitivamente me superou.

- Nicholas...

- Não, tudo bem. Não vou negar que quando comprei seu vinho favorito e dirigi até aqui, tinha vontade de te levar para aquela cama e fingir que nada havia mudado, mas...

- Mas tudo mudou.

- Agora eu vejo. Fomos felizes não fomos?

- Muito. – respondeu enquanto pegava sua taça. – Mas as coisas mudaram agora e...

- E eu estraguei tudo. – ele confirmou bebendo seu vinho.

- Na verdade, você apenas deu o primeiro passo, da forma mais canalha que poderia fazer, mas deu.

- Tem razão, não estávamos bem.

- Não estávamos e eu não conseguia enxergar isso, porque sempre gostei de tudo certo, seguro e previsível. Nosso relacionamento era tudo isso, minha cápsula perfeita e não quis enxergar nem aceitar que não era tão perfeita assim.

- Você é uma mulher maravilhosa, pena que nem sempre te disse isso.

- Ah, que é isso!? Você também não é nada mal, a não ser quando resolve se vestir como adolescente. – riu de sua piada sendo acompanhada por ele.

- Quanto ridículo? – ele perguntou erguendo a sobrancelha.

- A verdade? – ele assentiu sorridente e ela continuou – Muito ridículo.

- Sou o motivo de piada de todos os meus amigos, já me sinto mal o suficiente.

- Nick...

- Ai como é bom te ouvir me chamar assim novamente.

- Nick – ela repetiu sorrindo – Você é muito inteligente, divertido, lindo e muito bom de cama.

 

Ah sou?! – ele riu cinicamente.

- Muito seu convencido. – ela respondeu sorrindo – Não precisa mudar suas roupas, seu estilo de vida para conquistá-la. Se ela for esperta o suficiente vai cuidar muito bem de você. Um coroa charmoso assim e com um carrão igual ao que você tem não se acha tão fácil. – o provocou arrancando risadas dos dois.

- Muito obrigada por destacar meu caráter. – ele retribuiu a brincadeira. – Quer ouvir a verdade?

- Vá em frente.

- Não vejo a hora de me livrar dela. Sério, não me olhe assim. Acho que todo homem tem essa tara de namorar uma garotinha para se auto-afirmar, mas quando vai analisar tudo, pesar as coisas na balança, percebe que é mais emoção e aventura do que companheirismo.

- Sinto muito, Nicholas.

- Não sinta, ela também já deve estar cansada de mim, então estamos quites.

- Mas você vai encontrar alguém legal, você vai ver. – desejou sinceramente enquanto segurava a mão dele.

- E você? Aquele tarado lá embaixo é o seu cara especial?

- Não! Na verdade nem lembro o nome dele. – riu enquanto ele enchia sua taça novamente – Não estou procurando uma relação amorosa. Sou moderna agora meu bem, comigo é apenas sexo casual.

- Até parece! Você levou mais de cinco encontros para irmos para a cama.

- Ai tem razão. – concordou rindo – Fui um desastre lá embaixo e mesmo que você não tivesse chegado, não teria ido até o fim. Não funciona assim comigo.

- Sei que não. E é isso que te torna tão especial e maravilhosa. – acariciou o rosto dela. – Lizzy, não deixe nenhum idiota de meia idade que se acha um adolescente tirar isso de você. Você é uma mulher que ama e se perder isso, perderá sua identidade.

- Obrigada, Nicholas.

- Acho que é melhor eu ir antes que não consiga mais cumprir minha promessa de não te jogar naquela cama. – falou já levantando e pegando seu casaco e a chave do carro.

- Você vai ficar legal? – Lizzy o acompanhou.

 

- Acho que sim. Ao menos que você queira ir para o quarto e provar novamente como sou bom de cama.

- Vai embora, Nicholas. – riu – Ou te jogo pela janela.

- Eu ainda te amo, Lizzy. Quem sabe um dia não é?

- Acho que não, mas quem sabe. O mundo dá voltas.

- Feliz Natal, meu amor. – a beijou levemente nos lábios enquanto a abraçava carinhosamente.

- Feliz Natal. – ela respondeu antes dele ir embora.

**************************

O calor quase insuportável daquela madrugada impediu Darcy de dormir; na verdade, as palavras de Ana não saiam de sua cabeça. Ele não queria se envolver, mas ao mesmo tempo, sentia falta dela de uma forma tão intensa que chegava a doer.

Acostumou-se a teclar com ela todas as noites e agora, parecia que existia um grande buraco em sua vida. Passou a mão pelo pescoço suado e resolveu tomar o banho; foi até o chuveiro e deixou a água cair em sua cabeça escorrendo por seu corpo.

Quinze minutos depois, vestido em sua calça moletom, o sono ainda não viera e o calor continuava a lhe atingir. Levantou da cama indo para a varanda onde o vento e a brisa açoitava seu rosto fazendo com que o cheiro do mar invadisse suas narinas preenchendo seus pulmões.

Como poderia estar apaixonado por alguém que nunca viu o rosto?! Como poderia sentir falta apenas de uma voz?! Estava ficando louco, mas sabia que enlouqueceria mais ainda se não a ouvisse mais uma vez, se não a tivesse por perto. Ficou com duas mulheres após a última conversa que teve com ela, mas nenhuma o fez esquecê-la, tanto que não passou de alguns beijos frios.

Sabia que ela havia concordado com aquele rompimento e que talvez agora ela pudesse até ter outra pessoa, mas precisava ouvi-la mais uma vez. Não queria se envolver nem amar novamente, nem ela queria isso, mas dariam um jeito.

 

Sem pensar duas vezes para não desistir, pegou o telefone no quarto voltando para a varanda. Tinha prometido a ela apagar o número, mas não teve coragem; guardou o numero em um papel em sua carteira.

Ficou esperando ansioso enquanto o telefone tocava insistentemente; uma, duas, três, quatro vezes. Ao sexto toque uma voz sonolenta atendeu.

- Alô. – ouviu a voz dela, mas não tinha coragem para responder.

- Alô? – ela falou mais uma vez, agora mais desperta e um pouco irritada. – Se não responder vou desligar; não tem vergonha de passar trote para os outros às duas da manhã?! – ele segurou o riso ao imaginar ela brava. – Vai se catar seu...

- Lizzy, não desliga. – falou apressadamente vendo que ela estava prestes a desligar.

- Darcy?! – ela pareceu surpresa. – É você?

- Sim, sou eu. – o fato dela ter reconhecido a sua voz de certa forma o deixou feliz. – Sei que tinha prometido não ligar mais.

- Ah meu Deus! – ela parecia ainda não acreditar – Na verdade, você prometeu que não guardaria meu número.

- Eu sei. Mas... Mas não consigo não falar com você. Quer dizer, ainda podemos nos falar, não é? Não precisamos fingir que nunca nos falamos ou que não sentimos falta um do outro. Senti sua falta. – admitiu esperando ansioso pela resposta dela.

- Também senti muito sua falta. – respirou aliviado quando ela respondeu.

- Que bom ouvir isso. – sorriu sendo seguido por ela – E o que faremos agora?

- Eu não sei. – a voz dela saiu abafada seguida de um longo suspiro.

- Eu também não. Podemos conversar um pouco? – pediu enquanto deitava em sua rede.

- Claro.

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