Citações

Se eu a amasse menos, seria capaz de falar mais sobre o que eu sinto. (Jane Austen)

"Mr.Darcy e Eu" - Capítulo 17

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Capítulo XVII

Será que isso é possível?... Finalmente meu final feliz!

 

Um cheiro forte e estranho invadiu meu nariz chegando como um choque em meu cérebro. Pisquei os olhos devido à luz e tentei me levantar, mas uma mão forte me fez deitar novamente.

- Não faça isso, ainda.

Olhei para o dono da voz suave e quase desmaiei de novo ao vê-lo. Era ele com toda certeza, só que com algumas diferenças: Os olhos eram azuis cristalinos, os cabelos lisos e desalinhados e uma barba por fazer, acentuavam as diferenças. Mas era o mesmo rosto, o mesmo corpo, era ele, era meu Mr. Darcy.

- Você está bem? –[i] Ele perguntou enquanto examinava meus olhos como se fosse um médico. [/i] – Não sei o que usou, mas deveria parar com essas porcarias, isso ainda pode te matar. –[i] Falou pacientemente. [/i]

- Eu estou bem e já disse que não sou nenhuma viciada, ta legal! –[i] Esbravejei enquanto me sentava, e ele rapidamente veio me ajudar. [/i]

- Só estou tentando te ajudar.

- Então pode começar parando de me chamar de viciada? –[i] Esbravejei. [/i]

- Estava agindo como uma.

- Eu só achei que você fosse... Você se parece com alguém que eu conheci. –[i] Falei ainda analisando seus traços e a incrível semelhança. [/i]

- Devo deduzir que não sou eu, já que você disse que ele era educado e que eu sou: estúpido, grosso e... Ah! Mal educado e idiota também.

- Entendeu o que eu falei? –[i] Perguntei envergonhada. [/i] – Sabe falar português?!

- Jhonatan me ensinou algumas coisas, principalmente os xingamentos, para poder me defender dele quando está de mal humor. –[i] Ele sorriu despojado, então achei a mais incrível das semelhanças: O sorriso! –[/i] Por falar no irresponsável, onde ele está?

- Ele saiu, tinha um encontro com alguma namorada.

- Own! –[i] Ele falou pensativo, depois sorriu sem graça para mim. –[/i] Desculpe, mas realmente não se importa? Os relacionamentos de hoje estão cada vez mais moderninhos.

- Não é o que você está pensando. –[i] Me apressei em explicar ao entender a que ele se referia. [/i] – Não sou namorada do Jhonatan. Eca! –[i] Não pude nem pensar nesta possibilidade. [/i]

- Então vocês têm uma amizade colorida? Relacionamento aberto? Acho isso muito legal e corajoso, sério! Nada contra. –[i] Afirmou enquanto levantava e se dirigia até a cozinha, então eu o segui. [/i]

- Quer calar a boca e me deixar explicar?

- Desculpe. –[i] Ele riu enquanto mexia no armário. [/i] – Café?

- Não tomo café. –[i] respondi emburrada. [/i]

- Chocolate quente? –[i] Permaneci calada, então ele sorriu e me encarou enquanto encostava-se ao balcão. [/i] – Começamos da forma errada, mas só estou te oferecendo um chocolate quente. Sinal de paz?! –[i] Ergueu as mãos para o alto. [/i]

- Está bem. –[i] Sorri. [/i]

- Ótimo! –[i] Sorriu e voltou para o fogão. [/i]

- Estrangeira?

- Brasileira.

- Percebi, pelos xingamentos. – [i] Ele sorriu charmoso. [/i] - Apesar do bom inglês o sotaque te denuncia.

De repente me dei conta de como eu estava vestida. Eu estava incrivelmente horrorosa diante de um homem lindo, charmoso e sexy.

“Ai meu Deus! Hora de mudar de roupa já.”

- Eu... Vou até o seu quarto? –[i] Ele assentiu, então continuei. [/i] – Vou até o seu quarto e volto já.

- Tudo bem.

- Não se preocupe, não vou me drogar. Não preciso disso pra pirar. –[i] Ironizei, fazendo-o sorrir. [/i]

Retirei os [b] três [/b] moletons que usava, mas o frio não me deixou muita opção, a não ser, permanecer com a calça, as meias grossas e dois casacos. Ao menos, eu estava mais apresentável. Arrumei os cabelos em um rabo de cavalo e finalmente, voltei para a sala.

Como ele não estava, fui até a cozinha. Chegando lá, o encontrei sentado de forma despojada na cadeira, com as pernas sobre a mesa.

- Oi. –[i] Falei timidamente, me aproximando. [/i]

- Oi. –[i] Ele respondeu me olhando de cima a baixo, sorrindo gentilmente em seguida. [/i]

“Ponto pra mim! *Dancinha da vitória!

- Magrinha. –[i] Falei apontando para o meu corpo. [/i]

- Qual a mágica?

- Retirar três moletons sempre funciona.

- Vamos revelar seu segredo ao mundo das dietas e seremos ricos!

Sentei na cadeira oferecida e peguei a xícara de chocolate quente que ele me entregou.

- O que acha de nos apresentarmos da forma correta agora? –[i] Ele deu inicio ao tratado de paz. [/i]

- Sem me chamar de viciada?

- Sem me mandar de volta para... Para onde mesmo?

- Deixa pra lá. –[i] Sorri e estendi minha mão. [/i] – Fabiana Porto, não viciada e irmã do irresponsável do Jhonatan.

Ele sorriu e apertou minha mão enquanto falava:

- Antony Mark Lefroy, médico e colega de apartamento do seu irmão irresponsável que não me avisou que você viria.

- Ele não te avisou que eu viria? –[i] Diante da negativa dele, continuei. [/i] – Ah! Mas comigo foi bem pior; ele não me disse que dividia o apartamento com alguém.

- Bem, não é de se surpreender, não é? Afinal, estamos falando do Jhonatan.

Rimos então um silêncio constrangedor nos envolveu. Buscamos refugio ao mesmo tempo no chocolate quente, bebendo-o até o fim.

- Veio visitar seu irmão? Quando chegou?

- Cheguei hoje e vim para ficar. Não aqui no seu apartamento, é claro, ao menos não para sempre... Droga!

Eu estava mais enrolada do que carretel; ele pareceu achar engraçado e nos servindo de mais um pouco de chocolate, pediu que eu continuasse. Assim, iniciamos nossa conversa agradável, onde eu expliquei que vim para trabalhar em uma empresa de segurança da informação e que assim que me estabilizasse, alugaria um apartamento para mim.

Ele por sua vez, me falou que dividia o apartamento com Jhonatan a menos de três meses, pois após uma temporada em Paris, recebeu uma excelente proposta de trabalho em Londres e enquanto não alugava seu apartamento, aceitou o convite do amigo, no caso, meu irmão.

Entre risadas, boa conversa e um porre de chocolate quente, amanheceu.

- Nossa! Já são 5hs da manhã. –[i] Me surpreendi ao olhar no relógio. [/i]

- Sério?! –[i] Ofereci meu braço para que ele conferisse. [/i] – Estava tão bom que nem percebi o tempo passar.

- É. –[i] “Alguém me bate aí. Como eu só pude dizer: É? Idiota! “[/i]

- Acho que você precisa descansar.

- Acho que sim, e você também afinal, voltou de um plantão.

- É, acho que sim... Pode ficar com o quarto.

- Não! De forma alguma, é seu quarto.

- Sei que sou grosso, estúpido e mal educado, mas jamais deixaria uma dama dormindo no sofá.

- Oh! –[i] Afundei meu rosto em minhas mãos, envergonhada. [/i] – Me desculpe por aquilo, eu não quis...

- Tudo bem. –[i] Ele me deu aquele sorriso maravilhoso enquanto colocava suas mãos sobre as minhas. [/i] – Eu entendo, também não fui o mais agradável homem do mundo com você. Viro-me por aqui, ainda posso dormir no quarto do Jhonatan.

- Ta... Então... –[i] Falei me levantando. [/i] – Obrigada.

Inebriei-me um pouco mais com aquele sorriso tão familiar e sexy, seguindo para o quarto logo depois.

Já deitada na cama, fiquei refletindo em como a vida adora me pregar peças. Colocar em meu caminho, um homem maravilhoso e que para piorar ou não, era o clone daquele que foi meu grande amor. Ainda fiquei um tempo acordada, mas o cansaço me venceu, me arrastando para a escuridão.

***********

Olhei no relógio e tomei um susto ao constatar que já passavam das 15hs. Levantei correndo me dirigindo até o banheiro e tomei um bom banho. Ainda estava muito frio, mas não tento quanto ontem; optei por um jeans, casaco de lã vermelho e botas. A casa estava silenciosa, nenhum sinal dos dois.

Como meu estômago estava roncando, resolvi ir até a cozinha, preparar alguma coisa para comer. Quando me aproximei da geladeira, percebi que havia dois bilhetes lá, ambos endereçados a mim. Resolvi ler primeiro, o do Jhonatan.

[b] [i] Monstrinha,

Surgiu um problema em uma restauração que sou o responsável em Paris; infelizmente precisei ir até lá e terei que ficar até o final da semana. Desculpe por não ter te avisado sobre o Tom, mas sabe como é minha cabeça. Não se preocupe, toda a programação do passeio que fiz acontecerá, com a única diferença de que o seu acompanhante será o Tom. Ele é super gente boa, cuide dele e de você também. Ah! E não dê em cima do meu amigo, ele também está avisado.

Com amor, Jhonatan. [/b] [/i]

Peguei o outro bilhete, do Antony e passei a lê-lo.

[b] [i] Fabiana,

Não quis acordá-la, mas tive que sair para cobrir o plantão de um amigo aqui do hospital; volto no começo da noite. Seu almoço está no freezer.

Att, Tom [/b] [/i]


Ótimo! Eu tinha todo o restante da tarde sozinha e sem nada para fazer. Então me lembrei da diferença de horário entre Brasil e Inglaterra e resolvi entrar na internet. Pronto! A Gaiola estava formada; as meninas da comunidade estavam online e o papo rolou solto. Expliquei que tinha chegado bem e que ainda não tinha tido tempo de comprar as coisas que elas encomendaram, mas que faria isto durante a semana.

A Tânia e a Indira também estavam online, ficamos teclando por horas. E só percebi quão tarde era quando ouvi a porta se abrindo e a figura linda do Antony entrando. Despedi-me das meninas e fui cumprimentá-lo.

- A Bela adormecida acordou. –[i] Ele brincou enquanto retirava o casaco e o gorro, ambos cheios de flocos de neve. [/i]

- Desculpe, eu estava muito cansada.

- Eu sei. Não quis acordá-la, mas precisei cobrir o plantão de um amigo.

- Eu li no bilhete.

- Então suponho que tenha lido o do seu irmão também?

- Li sim, mas não se preocupe comigo, não quero atrapalhar você.

- Se está se referindo aos nossos passeios, sinto dizer que é tarde demais. Já troquei todo o meu plantão no hospital e agora está obrigada a me acompanhar. –[i] Falou sorridente. [/i]

- Tem certeza? Eu não quero...

- Tenho tanta certeza, que já vamos começar de hoje à noite.

- Hoje?

- Pensei em te levar para conhecer um autêntico pub e te apresentar alguns amigos. Claro, se você estiver a fim.

- Claro. Se você não se importar em andar com um boneco de neve ao seu lado. –[i] Ele riu, então continuei. [/i] – Não estou acostumada com neve, frio.

- Você está com um médico, não esqueça. Qualquer coisa, eu te reanimo.

- Isso é muito animador.

Os amigos dele me receberam muito bem, eram todos muito divertidos e receptivos, apesar da frieza britânica inicial. Passamos horas agradáveis no pub até voltarmos para casa.

Durante os dias que se seguiram, apesar dos horários complicados dele, fizemos todo o roteiro traçado pelo Jhonatan. Nunca me diverti tanto em minha vida; Tom além de lindo e charmoso, sexy, inteligente e atencioso, era muito engraçado, sempre me fazia rir com seus comentários sarcásticos e divertidos. Quando estávamos juntos, eu tinha a liberdade de conversar sobre tudo, me sentia livre e perigosamente, inclinada a me apaixonar novamente. Assim a semana estava chegando ao fim.

No sábado, ele não tinha plantão e conseqüentemente, todo o dia livre para mim. A programação do dia era uma viagem de trem até os arredores de Alton, Hampshire para uma visita a casa onde Jane Austen viveu e que agora era um museu sobre sua vida e obra. Já durante a curta viagem, resolvemos nos conhecer melhor.

- Deixou muitos corações partidos no Brasil?

- O de meu pai e o das minhas amigas contam? –[i] Brinquei, fazendo-o sorrir. –[/i] Não... Não parti o coração de ninguém.

- Jhonatan me falou que você estava noiva antes de vir pra cá.

- Ele fala demais. –[i] Sorri olhando a paisagem pela janela. [/i]

- Se não quiser falar, tudo bem.

- Não, não tenho problemas com isso... Eu estava noiva sim, mas não deu certo. Sabe como é, testosterona sem controle.

- Traição?

- Exatamente. Mas, não foi só isso... Acho que não tinha sentimento suficiente para um casamento, por parte de nós dois, entende?

- Entendo... Se ele te amasse de verdade não te trairia e se você o amasse de verdade o perdoaria.

- É, acho que sim. –[i] Refleti, então mudei de assunto. –[/i] Agora é minha vez. E você, algum coração partido por aí?

- Além do meu? Acho que não.

- Sinto muito.

- Não sinta, ela não merece. Sim, fui traído também. –[i] Ele respondeu a pergunta não feita, mas que estava estampada em meu rosto. [/i] – Sabe o que dizem: Mulher de médico sempre se sente muito abandonada, e sempre tem alguém pronto para consolá-las.

- Se ela te amasse de verdade não teria te traído e se você a amasse de verdade a perdoaria. –[i] Repeti sorrindo as palavras dele. [/i]

- É, acho que não. –[i] Ele sorriu abertamente. [/i] – Sua teoria...

- Sua teoria! –[i] O corrigi. [/i]

- Ok! Minha teoria até estaria correta se ela ao menos estivesse arrependida e não as vésperas de se casar com ele.

- Own! –[i] Tentei falar alguma coisa, mas não sabia o que. [/i]

- Não se preocupe. Sem sofrimento, sem sangue, sem lágrimas. –[i] Brincou mostrando as mãos. [/i] – Somos parecidos, depois de tudo.

- Somos sim.

Ouvimos o anúncio da aproximação da estação e começamos a nos preparar para descer. Durante a caminhada até o museu, ele fez questão de me mostrar e explicar tudo, cada detalhe da cidade; enquanto ele falava e apontava, eu só conseguia admirá-lo.

Já no museu, fiquei encantada com cada detalhe, com as exposições, as explicações dos guias, os quadros e principalmente alguns manuscritos das obras da Jane Austen. Tom apenas me acompanhava em silêncio, me observando e rindo da minha cara de criança no park da Disney pela primeira vez. Tudo era mágico e fascinante para mim, era inacreditável.

Quando chegamos à parte do museu destinado a O&P, meu coração acelerou; não sei explicar, mas uma angústia me tomou, como se eu pudesse senti-lo mais uma vez. Fechei os olhos ao parar de frente para uma possível foto do homem que segundo alguns estudiosos de Austen, tinham inspirado-a a criar Mr. Darcy: Tom Lefroy. Permaneci com os olhos fechados, apenas sentindo aquela sensação reconfortante, como se fosse um abraço.

- Está tudo bem? –[i] O ouvi perguntar, aparentemente preocupado. [/i]

- Sim. –[i] Respondi ainda de olhos fechados, sentindo as lágrimas brotando. [/i] – Lembranças, apenas, lembranças...

- Não foi à emoção ao ver meu antepassado, espero. Creio que eu seja um pouco mais bonito que ele.

- O que?

Abri os olhos, estarrecida minha mente logo fez a associação do nome dele: Antony Mark Lefroy; Tom Lefroy! Virei-me ainda sem acreditar e até tentei falar alguma coisa, mas só conseguia fazer pequenos movimentos com os lábios, arrancando uma baixa gargalhada dele.

- Sim, sou descendente direto de Tom Lefroy, o possível grande amor de Jane Austen. –[i] Falou em confidência. [/i]

- Por que... Por que não me contou?

- Tem idéia de como isso me traz certos inconvenientes?

- Imagino. Eu acho.

- Procuro não associar muito minha imagem a isso tudo, mesmo sendo quase impossível. Não é fácil conviver com o peso deste sobrenome.

- Mas... –[i] Ainda estava em choque. [/i]

- Acho que você precisa de um pouco de ar. Vem, vou te levar a um lugar que é muito especial para mim.

Deixei-me conduzir por ele caminho afora, enquanto a confusão que era minha mente me dizia que tudo era uma grande loucura. Primeiro eu vivo uma linda história de amor com um personagem de um livro, e agora, estou me envolvendo com o tataraneto, ou sei lá o que, do verdadeiro Mr. Darcy! Ou eu sou muito sortuda, ou minha vida é uma grande loucura!

- Será que vou ter que te dar algum tratamento de choque?

Ouvi a voz dele e só então em dei conta de que havíamos chegado ao tal local. Olhei admirada a ponto de prender a respiração tamanha beleza.

- É lindo! –[i] Sussurrei. [/i]

- Fica ainda mais bonito na primavera. –[i] Ele sorriu e me indicou um lugar para sentar, na grama mesmo. [/i] – Está com frio?

- Um pouco. –[i] Admiti me encolhendo e me abraçando. [/i]

- Posso? –[i] Ele ofereceu seu corpo para me aquecer, e é claro que eu não recusei. [/i]

Carinhosamente e com muito respeito, ele me abraçou de maneira que recostei minha cabeça em seu peito.

- Desculpe pela minha reação estúpida no museu; você deve ter me achado uma grande idiota.

- Não se preocupe com isso. Você fez a mesma cara que todas as fãs da Jane Austen fazem quando descobrem.

- Todas?

- Às vezes esta informação vem à tona, daí já viu.

- Hum.

- Não é muito fácil ser o Tom Lefroy do presente. –[i] Ele riu em um suspiro. [/i] – As pessoas esperam que eu seja perfeito como Mr. Darcy.

- E quem disse que ele é perfeito?

- Você é mesmo fã de O&P?

Não pude deixar de rir com aquela pergunta e me aconchegando ainda mais ao seu corpo, respondi:

- Sou sim, mas sei que não existem homens nem mulheres perfeitos, todos não passam de relis mortais.

- Inclusive Mr. Darcy?

- Principalmente ele.

- Você é uma impostora?! –[i] Ele me afastou para me olhar com um sorriso brincalhão nos lábios. [/i] – Fala como se o conhecesse de verdade.

- É claro que o conheço quase nos casamos há dois anos.

Ele riu alto e mais uma vez apoiou minha cabeça em seu peito, esfregando sua mão direita em meu ombro.

- Gosto de você. –[i] Falou meio inseguro. [/i]

- Eu também gosto de você. –[i] Respondi sentindo o cheiro maravilhoso da pele dele. [/i]

“Sabe aquele cheiro que não é perfume? Que são cheiros naturais?! Para alguém até pode parecer maluquice, mas o Tom tinha cheiro de morango”.     

- Fabiana? –[i] Ergui meu rosto em resposta. [/i] – Eu quero dizer que gosto muito de você... Esta semana foi maravilhosa, nunca me diverti tanto com alguém, nunca fui tão eu mesmo, entende?  A cada noite que nos separamos para dormir eu fico louco de vontade de te ver, é uma saudade tão grande que mal consigo dormir, tamanha minha ansiedade para ver você no dia seguinte.

- Eu...

Até que eu queria falar alguma coisa, mas quando ele me olhou daquela forma tão arrasadora, deixei as palavras morrerem e apenas me perdi naquele olhar.

- Sei que pode parecer loucura e precipitação, mas... Estou apaixonado por você. Sinto como se... Como se te conhece há muito tempo.

- Oh!

Estava tão surpresa e ao mesmo tempo feliz, que não conseguia me expressar com palavras. Mas algo que ele me falou, rompeu todas as barreiras do meu coração, me levando as lagrimas.

- Antes que me responda qualquer coisa, preciso lhe falar algo... Você é a mulher que eu imagino acordando todos os dias ao meu lado. Aquela que me faz ter vontade de voltar para casa correndo depois de um dia cansativo de trabalho; aquela que ocupa meus pensamentos cada minuto do meu dia; que me faz ficar o dia todo conversando sobre qualquer coisa que não sejam futilidades; aquela que me faz perceber que sou um homem que só precisa ser amado e que precisa amar.

Levei as mãos ao rosto enquanto soluçava. Era ele! Ele tinha voltado como me prometeu, voltado pra mim.

[i] ‘Eu nunca vou te deixar sozinha... Sempre estarei em seu coração e não sei como, mas sinto que voltarei para você um dia... Eu juro... Eu juro... “E quando acontecer, seu coração saberá que sou eu”. [/i]

A lembrança de Mr. Darcy me prometendo voltar um dia para mim surgiu em minha mente como um filme... Um filme com final feliz. Eu não queria explicações lógicas, queria apenas abraçá-lo e dizer que eu sabia que meu coração sabia...

- Fabiana? Você está bem? –[i] A voz angustiada e aflita do Tom me trouxe de volta. [/i]

Enxuguei as lagrimas com as costas das luvas grossas de lã, e depois o encarei com paixão... Com esperança.

- Não poderia estar melhor. –[i] Sorri aproximando meus lábios dos dele. [/i]

- Você é bem estranha, sabia? –[i] Falou estreitando ainda mais a distância entre nossas bocas. [/i] – Mas eu gosto disso.

O pequeno espaço se desfez e experimentei o beijo mais importante da minha vida... O beijo da volta e desta vez para sempre...

A viagem de volta foi repleta de carinhos e beijos, além de mais investigações sobre a vida de cada um, como forma de nos conhecermos mais. Da estação até o apartamento, fomos caminhando em meio à neve e de mãos dadas; eu não poderia estar mais feliz.

Já em casa, os beijos passaram de calmos para intensos e cheios de desejo. As roupas iam ficando pelo chão formando um caminho para algo maior que nós dois naquele momento. Quando chegamos ao quarto, estávamos apenas de roupas intimas; tentei tirar as minhas, mas ele me impediu, e com seu olhar penetrante passou para trás de mim; suas mãos traçavam um caminho de fogo por minhas costas até alcançar o feixe enquanto seus lábios delineavam meu pescoço.

Quando ele me virou com posse para ele, já me vi jogada na cama enquanto meu corpo relembrava antigas e saudosas sensações e experimentava algo novo e maravilhoso...


- No que esta pensando? – [i] Ele perguntou enquanto brincava com meus dedos. [/i]

- Por incrível que isso possa parecer, principalmente para mim, em nada. Estou apenas ouvindo seu coração.

- E o que ele está dizendo?

- Não sei me diz você.

- Ela está dizendo que está com medo e quer saber o que acontecerá agora.

- Então pode dizer a ele que eu não faço a menor idéia, e que quero muito saber a resposta também.

- Quer ser minha namorada?

- Isso é meio antigo, sabia? –[i] Zombei. [/i] – Nem sabia que ainda se pedia alguém em namoro.

- Não esqueça que eu sou Tom Lefroy, ainda conservo as atitudes cavalheirescas do meu antepassado.

- Eu sei, e como sei.

- Então?

- Então o que?

- Aceitar ser minha namorada?

Ergui meu corpo e me coloquei em cima dele enquanto roçava meus lábios aos dele novamente, atiçando-o, até explorar o beijo, liberando pequenos tremores em nossos corpos colados.

- Isso responde a sua pergunta? –[i] Perguntei marota. [/i]

- Sim.

Quando estávamos prestes a recomeçar tudo novamente, ouvimos fortes batidas na porta do quarto. Olhamos-nos assustados e quando ouvimos a voz do visitante, tivemos que segurar o riso.

- Eu não acredito que vocês dois estão... Que vocês... –[i] Jhonatan esbravejou. [/i]

- Ele parece nervoso. –[i] sussurrei segurando uma gargalhada. [/i]

- Você sabe alguma luta?

- Serve karatê? Sou faixa preta.

- Eu confiei em vocês dois! Saiam já desse quarto!

- Vamos enfrentar a fera? –[i] Perguntei beijando os lábios dele em um beijo provocante. [/i]

- Ao seu lado, estou pronto para qualquer coisa. –[i] Ele retribuiu o beijo com a mesma intensidade. [/i] – Mas, lembre-se: é melhor ficar atrás de você, afinal, você é a lutadora aqui; eu não luto nem no vídeo game.

Rimos alto o que enfureceu Jhonatan ainda mais.

- Tom e Fabiana, eu não vou falar de novo!

- Você é minha perdição. –[i] Ele falou sedutor enquanto me beijava com paixão. [/i]

*******Fim do capítulo ******
 

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