Capítulo XVI
Recomeço
2007
Ao ouvir o piloto dizer que já estávamos sobrevoando a cidade, estiquei-me por cima da rechonchuda senhora que estava na poltrona da janela; ignorei o olhar assassino que ela me lançou e continuei embasbacada contemplando o pouco que meus olhos viam e que tanto imaginei em meus sonhos.
Quando finalmente peguei minhas malas, olhei para os rostos a minha frente e nenhum sinal dele; achei por bem sentar em uma das confortáveis cadeiras a minha frente, pois sabia que ele poderia demorar horas.
Após me acomodar, resolvi pegar uma revista de turismo da bolsa, foi então que avistei meu exemplar de O&P, agora já até conseguia lê-lo sem chorar, mas no começo não foi nada fácil, ainda doía muito; passei um tempo olhando para ele e antes que a saudade doesse, fechei a bolsa. De repente um berro conhecido no meio da multidão me chamou a atenção.
- Monstrinha!
Olhei para aquele sorriso aberto e meu coração se encheu de alegria; seus braços abertos me convidavam para o abraço de urso, como chamávamos. Ignorando alguns olhares sobre nós, corri até ele me jogando em seus braços de maneira que minhas pernas enlaçaram sua cintura.
- Jhonatan! –[i] Falei emocionada enquanto girávamos. [/i] – Não acredito que estou aqui com você. –[i] As lágrimas já molhavam meu rosto. [/i]
- Senti tanta saudade, monstrinha.
- Eu também.
Recebi vários beijos pelo rosto até ele me colocar no chão.
- Me deixa olhar bem pra você. –[i] Ele pediu enquanto me rodava. [/i] – Nossa! Você está maravilhosa; se não fosse minha irmã, não te deixaria passar... Argh! Se falar isso pra alguém eu te mato.
- E você ao contrário de mim, não mudou em nada; continua o mesmo safado de sempre.
- Mas eu ainda te amo, sabia? –[i] “Chantagista!” [/i]
- Jhon, querido. –[i] Ouvi em um inglês perfeito. [/i]
Voltei meus olhos para uma loira extremamente gostosona e irritantemente linda a minha frente.
- Fabi, quero te apresentar a Sharon. Sharon esta é Fabiana, minha irmã. –[i] Ele nos apresentou em inglês. [/i]
- É Meridit, Jhon. –[i] Ela o repreendeu. [/i] – Olá Fabiana.
- Oi -[i] Respondi enquanto fulminava Jhonatan com o olhar. [/i]
- Oh! É mesmo. Desculpe querida. Sabe que minha memória sempre me prega peças.
- Eu sempre te perdôo cachorrinho. –[i] A loira respondeu já sugando a boca do Jhon. [/i]
Segurei-me para não vomitar enquanto presenciava aquela cena tão ridícula. Como o negócio ia demorar, resolvi intervir.
- Será que os cachorrinhos vão se separar por contra própria ou vou ter que jogar água? –[i] Falei em português recebendo uma piscada de olho do safado do meu irmão. [/i]
Após deixarmos a loira em um pub onde ela trabalhava, seguimos para o apartamento do Jhonatan.
- Quando você vai criar vergonha na sua cara hein?
- Um dia. –[i] Ele respondeu entre risadas. [/i] – Quem sabe?
- Safado idiota!
- Linda! –[i] Mandou um beijo enquanto parávamos em um sinal. [/i] – Quando vai começar a trabalhar?
- Semana que vem.
- Ótimo. Assim teremos tempo para muito turismo aqui em Londres. Já fiz toda nossa programação: museus, um passeio pelo rio, uma visita ao palácio e claro que não deixei de incluir tudo relacionado à Jane Austen e Orgulho e Preconceito.
Baixei meus olhos em meio a um sorriso fraco para em seguida olhar a paisagem pela janela.
- Achei que já tinha superado Fabi.
- É claro que superei Jhon. Já faz quase dois anos. –[i] Suspirei. [/i]
- Até hoje me pergunto se você fez a coisa certa.
- Acredite, fiz sim... Não poderia interferir no rumo da estória desse jeito.
- Você sofreu, eu nunca deveria ter ligado para você.
- É claro que tinha que ter ligado. Eu jamais te perdoaria se tivesse me escondido algo tão importante.
- Ainda tenho pesadelos com aquela mulher. Passei tantos dias procurando por ela e ela foi quem me encontrou. Argh! Vamos esquecer isso.
- Vamos sim.
- Eu te admiro ainda mais por isso, mostrinha... Papai deve ter ficado uma fera com o final de mais um noivado as vésperas do casamento. Você ainda vai matar o coroa. –[i] Falou mudando de assunto. [/i]
- Ele supera. –[i] Me juntei a ele em uma gargalhada. –[/i] Mas isso não é engraçado, Jhonatan.
- Com Mr. Darcy eu até entendi, mas por que você terminou com o Felipe?
- Ah! A resposta é simples e você já sabe: Ele não segurou a fidelidade por muito tempo.
- Que é isso?! Só uma escapadinha na despedida de solteiro. Você é muito radical. Mulheres!
- Fala sério Jhonatan! Eu não poderia me casar com ele depois disso.
- Não foi só por isso, não é?
- Só você me conhece de verdade. E isso não é nada bom, nunca consigo te esconder nada. –[i] Resmunguei. [/i] – Na verdade eu não o amava o suficiente. Foi muito bom enquanto durou, mas não era amor para um passo tão sério. E antes que você ache que ele é a vitima, deixa eu te dizer que ele não está sofrendo.
- Mas ele te amava de verdade; você mesmo me falou que ele mudou por você. Não era o que você queria de um homem, que mudasse em nome do que sentia por você?
- Era, mas eu estava errada... Não quero que ninguém mude por mim, mas que mude por querer ser uma pessoa melhor. Foram quase dois anos de muita felicidade; o Felipe e eu fomos muito felizes, mas não era pra ser.
- Será que você não está se escondendo por trás disso, como uma forma de fugir da realidade de que ainda ama e não esqueceu Mr. Darcy?
- Claro que não. –[i] Respondi com sinceridade. –[/i] Eu ainda o amo, mas como deve ser: como o homem mais perfeito da literatura mundial. Deveria estar orgulhoso de mim, afinal, não fui egoísta e não privei tantas mulheres de suspirarem por ele.
- E eu estou Fabi, mesmo sabendo como isso foi difícil e sofrido para você.
O restante do trajeto fizemos em silêncio, então a lembrança do meu início com o Felipe veio a minha mente:
[i] Flashback...
Quando voltei ao vilarejo naquela noite, quase desabei ao contar para as meninas que não haveria mais casamento, mas me fiz de forte, eu precisava ser forte. É claro que nem elas muito menos os meninos engoliram a estória de que eu e Mr. Darcy resolvemos terminar tudo e ele decidiu ir embora sem se despedir de ninguém. Elas não entenderam, mas o apoio delas foi fundamental para minha sobrevivência.
Durante três meses chorei toda minha dor; chegar em casa era o mais difícil, sentir aquele vazio doía muito, então enfiei minha cara no trabalho, madrugando lá e só saindo depois das 21 ou 22 horas. É claro que minhas amigas quase me internaram; Tânia e Indira ficaram muito preocupadas com minha tristeza e a forma como estava lidando com isso, mas eu precisava sofrer para poder seguir em frente.
Em uma sexta-feira, já passavam das 21 horas quando o Felipe surgiu em minha sala com café para ele e chá pra mim. Ele entrou e ficou um longo tempo me olhando, depois passou a tomar seu café sem falar nada, então eu fiz o mesmo, comecei a tomar meu chá, também calada.
- Obrigada. –[b] Falei quando finalmente terminamos. [/b]
- Precisando. –[b] Ele sorriu solidário. [/b] – Sabe, não vou dizer que não gosto de funcionários que gostem muito do trabalho e não fazem corpo mole, mas preciso te alertar que se está fazendo isso, se matando aqui, por que está de olho no dinheiro da hora extra, sinto informá-la que não temos verba para isso. –[b] Falou brincalhão, conseguindo arrancar um sorriso aberto de mim, apesar de cansado. [/b]
- Sério?! Estava contando com esse dinheiro para trocar de carro. –[b] Retribui a brincadeira. [/b]
- Agora falando sério, Fabiana. –[b] Ele me encarou enquanto segurava minhas mãos. [/b] – Não faz isso com você.
- Eu não estou fazendo nada, só preciso trabalhar.
- Eu saberia se isso fosse verdade, mas acho que você está esquecendo que sou o seu chefe e sei que isso é uma desculpa. Não posso ficar de braços cruzados, vendo você se destruir.
- Que exagero! Aliás, todos vocês estão exagerando, afinal fui eu quem tomou a decisão. Eu só... Eu só estou me readaptando, só isso.
- Então prove para nós que estamos exagerando! Prove-nos que você ainda está aqui conosco. Que a mulher que eu amo ainda está aí.
- Felipe... –[b] Tentei argumentar. [/b]
- Não estou te pedindo nada... Estou falando como um amigo, mas não posso fingir que ainda não estou apaixonado por você. Eu preciso saber que você ficará bem.
- Eu vou superar.
- Sei que vai, você é forte. Mas, como um bom amigo que sou, vou começar a te ajudar te convidando para dançar.
- Dançar? –[b] Perguntei sorrindo. [/b]
- É. Adoro dançar e um amigo está dando uma festa de ritmos latinos em sua boate. Vamos remexer o esqueleto?! –[b] Ele me convidou já se colocando de pé e remexendo a cintura. [/b]
- Não te imagino requebrando ao som de uma salsa. –[b] Falei gargalhando. [/b]
- Tem muitas coisas em mim que você ainda não conhece... Mas eu sei esperar... Então, vamos?
- Por que não?
Fim do Flashback [/i]
– Bem, chegamos! Bem vinda ao meu humilde palácio. –[i] A voz do Jhonatan me arrancou das minhas lembranças. [/i]
O apartamento era muito aconchegante, antigo, tipo aqueles que vemos em filmes que se passa em Londres, aqueles que têm dois andares; lindo, minha cara. Jhonatan me levou até um quarto que estava até mais arrumadinho julgando pela grande bagunça do apartamento. Após acomodar minhas coisas, fui até a cozinha, onde Jhonatan estava.
- Isso aqui está uma zona! –[i] Reclamei enquanto olhava a pia cheia de louça. [/i]
- Nem sempre é assim ta legal.
- Não pense que serei sua faxineira. Vim aqui a trabalho e logo arrumarei meu cantinho.
- Lembro de um método que sempre funcionava quando eu queria que você fizesse algo pra mim.
*Aquela cara significava que ele ia mesmo fazer o que eu imaginava que iria fazer. Melhor me preparar.
- Não somos mais crianças, Jhonatan Porto. –[i] Falei já rindo e erguendo minhas mãos para me defender. [/i]
- Quem disse isso? Não é você mesmo quem diz que eu sou infantil? –[i] Ele se aproximava me encarando com cara de quem vinha com tudo. [/i]
- Jh...
Antes que eu conseguisse terminar o nome dele, suas mãos já estavam fazendo cócegas em mim.
- Pa... Para Jhonatan. –[i] Pedi entre risadas. [/i]
- Vai arrumar a casa hoje? –[i] O safado perguntou intensificando as cócegas. [/i]
- Não!
- Então vou ter que usar meu arsenal mais pesado. Prepare-se Fabiana Porto.
- Eu limpo. –[i] Me rendi, então ele parou. [/i] – Só hoje seu porquinho. Ops! Animal errado. Cachorrinho; isso é tão brega. –[i] Ele deu uma tapinha em minha cabeça e voltou para o que estava fazendo. [/i]
- O quer comer?
- Tem alguma coisa decente por aqui que se pode chamar de comida? –[i] Perguntei vasculhando a geladeira. –[/i] Jhonatan! Você só vive de água? Não tem nada aqui.
- Passo muito pouco tempo aqui. –[i] Ele deu de ombros. –[/i] Quer sair pra comer alguma coisa?
- Com este frio?! Nem morta!
- Então faz uma lista aí que eu vou comprar e pode deixar comigo que preparo o jantar; como um sinal de boas vindas, mas depois disso, vou me encostar-me em você como sempre.
- Quando sai mesmo o próximo vôo para o Brasil? –[i] Perguntei sarcástica recebendo um pano de prato no rosto. [/i]
Enquanto Jhonatan foi até o mercado comprar minha pequena enorme lista, dei uma geral naquela bagunça toda, não foi nada fácil, mas eu não poderia viver naquela casa da forma como estava.
Quando ele voltou, o ajudei com as compras e a pedido dele, fui tomar banho enquanto ele preparava nosso jantar. Ao sair do banheiro pude ter uma quase noção do que um picolé sente, eu estava congelando e quase não consegui chegar até a cama onde minhas roupas estavam. Tinha separado um moletom, que não estava fazendo muito efeito, então decidi vestir mais dois moletons por cima; olhei-me no espelho e quase me arrependi; eu estava horrível e enorme, mas melhor viver feia e quente, do que morrer sexy e congelada.
A pequena mesa já estava posta e o cheiro estava delicioso; o Jhonatan tinha feito sua especialidade: lasanha! Aliás, essa era a única especialidade dos Portos, éramos a família Garfield, só sabíamos comer e fazer lasanha.
Já sentados a mesa, saboreávamos a comida enquanto ele me contava sobre o sucesso da sua pesquisa sobre a antiga arte européia e seus projetos de restauração das casas históricas da região.
- Fico muito feliz que tudo esteja dando certo pra você, só falta deixar de ser galinha e se apaixonar por alguém.
- E quem disse que eu já não estou apaixonado? –[i] Falou em tom de mistério. [/i]
- Pelo amor de Deus só não me diga que é pela cachorrinha loira burra do aeroporto.
- A Julian?!
- Meridit, Jhonatan.
- Ta! Ela? Não!
- E posso saber quem é?
- Ela trabalha comigo; seu nome é Ângela, meu pequeno anjo loiro. Você não faz idéia de como ela é linda, inteligente, meiga, e...
- Esperta! Sim, porque com certeza ela não cai na sua lábia igual às outras; por isso você está apaixonado por ela.
- Achei que irmãos apoiassem os outros!
Fiz um sinal de que estava fechando minha boca com um zíper e voltei minha atenção para ele, que tinha um brilho no olhar que eu nunca tinha visto antes.
- Ela é esperta mesmo; não quer nada comigo. –[i] Falou triste. [/i]
- E por quê? Quer dizer, você é lindo, inteligente, divertido, super gente boa...
- Mas ela acha que eu não a amo de verdade, que quero apenas me divertir assim como faço com as outras.
- Por que será que ela pensa isso hein? –[i] Ironizei antes de beber um pouco de vinho. [/i]
- Fabi! Não te conto mais nada.
- Desculpe... Desculpe Jhon... Mas ela está certa. Não se preocupe, vou te ajudar a se tornar um homem de vergonha na cara e aí sim, ela vai te aceitar.
- Por ela eu sou capaz até de fazer voto de castidade.
Ficamos um tempo nos olhando seriamente, mas depois as gargalhadas inevitáveis encheram a cozinha.
- Sem chance. –[i] Eu brinquei me recuperando. [/i]
- Não mesmo... –[i] Ele concordou. [/i] - Mas e como vão todos lá em São Paulo? Papai, Tânia e Indira.
- Bem, papai continua sua boa vida de oficial aposentando ao lado da Vera e dos seus quatro filhos.
- Velho garanhão! E depois questionam a quem eu puxei.
- A Indira está casadíssima da silva com um cara muito legal, o Edu. Ela está grávida do seu primeiro filho e mora em Santa Catarina com ele. Ela está muito feliz.
- A Tânia deve estar casada também. Por que toda mulher acha que só é feliz se estiver casada?
- Engana-se meu bem. O Victor, namorado dela armou um super jantar uma vez, e quando fez o pedido, ela o xingou e terminou tudo com ele, deixando o pobre sozinho e confuso no restaurante.
- O cara quis matá-la depois disso.
- Nada. Eles conversaram alguns dias depois e ele finalmente entendeu que não poderia forçar a barra com ela e hoje eles estão muito bem, obrigado. Acho até que serão eternos namorados. Mas finalmente ela ama alguém de verdade.
- E você?
- Eu?! Bem, eu terminei meu noivado, pedi demissão de um emprego estável e promissor e larguei tudo para vir trabalhar aqui em Londres. Como vê, continuo a mesma maluca de sempre.
- Estou feliz por você está aqui comigo. Nunca pensei que teria coragem de fazer isso.
- Nem eu. Mas eu precisava mudar minha vida radicalmente, arriscar, fugir do meu quadrado perfeito e seguro.
- Um brinde a sua nova vida aqui em Londres. –[i] Ele propôs. [/i]
- A nós dois. –[i] Brindamos. [/i] – E, você lava a louça.
- Ditadora, tirana. Amanhã mesmo te embarco para o Brasil.
Jhonatan para variar, tinha um encontro com uma das suas “amigas”; apesar da insistência dele para que eu fosse junto, preferi ficar em casa e descansar, afinal foram horas de vôo e eu estava morta.
Tentei ver alguma coisa na TV, mas meus olhos não conseguiam ficar abertos. Fui para o quarto tremendo de frio; achei que tiraria de letra já que em São Paulo também faz muito frio, mas eu estava redondamente enganada; a sensação era como sair de um ar condicionado para um freezer. Com o edredom macio e cheiroso que achei no armário, me cobri até a cabeça adormecendo rapidamente.
*********
Senti alguém me chacoalhando devagar pelo ombro e pensei se tratar de um sonho, mas de repente, os chacoalhões foram ficando cada vez mais intensos e agora eram acompanhados de uma voz; a julgar pela pessoa estar falando em inglês, deduzi de imediato que não era o meu irmão e tremi por completo, sentindo que meu fim estava próximo.
“Não! Sou muito jovem para morrer!”
Abri os olhos, mas não consegui me mexer, estava muito apavorada. Um estranho estava no meu quarto e pelo seu tom, já estava muito irritado.
- Quer fazer o favor de acordar! –[i] Ele esbravejou em inglês. [/i]
“O que eu faço? Eu vou chorar!”
Respirei fundo e aos poucos comecei a baixar o edredom, mas eu corria um sério risco de morrer de ataque cardíaco antes de ver o rosto do meu algoz. Percebi quando ele se afastou da cama e meu coração acelerou ainda mais. Parei o que estava fazendo e voltei a me cobrir. Se eu iria morrer ao menos que fosse de olhos fechados, oras!
O estranho era tão cruel que decidiu que ele mesmo puxaria o cobertor, e assim ele fez. Permaneci com os olhos bem fechados e completamente tremula enquanto ele falava alguma coisa que meu medo não me permitia compreender. Fiquei quieta, só esperando o golpe fatal... Mas ele não veio, ao contrário, o que aconteceu foi isso:
- Miss... Miss... Por favor, abra os olhos, não vou machucá-la. –[i] A voz antes aborrecida agora estava serena e até arrependida. [/i]
Abri os olhos devagar e quando me deparei com ele, arregalei meus olhos surpresa e confusa. Eu só poderia estar sonhando ou morta. Fechei meus olhos com força colocando as mãos no meu coração e em posição fetal, comecei a falar em voz alta e com firmeza.
- Volte para O&P!
- Volte para O&P!
- Volte para O&P!
- Volte para O&P!
Repeti umas dez vezes até que meu fôlego foi embora. Não que eu não tivesse ficado feliz com a volta dele, mas isso não poderia acontecer justamente agora que eu estava finalmente sarada, feliz de verdade.
Fiquei com medo de abrir os olhos novamente e ele ainda estar lá. Mas depois me lembrei de que eu não tinha nenhum amuleto e muito menos tinha desejado ele aqui; alguma coisa estava errada; Mas era ele!
Abri os olhos novamente e me deparei com um par de olhos em meio à meia luz que pairava no quarto, que estava levemente iluminado devido à luz que vinha da sala. Ele parecia confuso e assustado e com a voz calma e as mãos em posição de defesa, recomeçou a falar cautelosamente.
- Fique calma... Está tudo bem. Só me diz o que você usou ou bebeu e po... Pode ficar na cama, eu ficarei na sala, sem problemas nenhum.
Fiquei sem reação enquanto o via se afastar de costas, como se estivesse com medo, quem deveria estar com medo era eu!
- Por que você voltou? Não podia fazer isso comigo! –[i] Falei em inglês. De repente quando vi que ele estava prestes a sair do quarto. [/i]
- Como? –[i] Ele se voltou para mim. [/i]
- Eu já tinha superado, então, por favor, volte para o lugar de onde você veio. –[i] Choraminguei. [/i]
- Desculpe, mas há esta hora isso seria impossível, e devo lembrá-la de que está na minha cama.
Só então me dei conta de que eu estava no país dele. Era isso então! Ele tinha aparecido novamente devido a minha chegada a Londres. Mas mesmo assim eu não queria e nem poderia arriscar meu autocontrole, pois desta vez não o deixaria partir novamente, eu não era tão forte assim.
Deite na cama de uma vez e puxei o edredom me cobrindo toda novamente. Ele tinha que ir embora, ele iria embora. Comecei a repetir meu mantra novamente.
- Volte para O&P!
- Volte para O&P!
- Volte para O&P!
- Volte para O&P!
- Miss...
- Eu não quero ouvir. Lálálálálá – [i] Comecei a cantarolar com as mãos nos ouvidos. [/i]
- Eu desisto ta legal! Pode ficar com o quarto, a cama... –[i] Falou aborrecido. [/i]
Ouvi seus passos indo em direção à porta, mas algo que ele disse antes de sair me fez parar de cantarolar e encará-lo.
- Droga Jhonatan! Agora você traz viciadas para o meu quarto! –[i] O ouvi praguejar. [/i]
- Viciada?! -[i] Falei furiosa me sentando na cama. [/i] – Ei! Espera aí.
Ele não me deu ouvidos e com uma mochila nas costas, começou a caminhar em direção a sala. Não deu outra. Completamente possessa e confusa, o segui.
- Eu quero falar com você! –[i] Falei irritada. [/i] – Você já foi bem mais educado, sabia?
Ele parou e ainda de costas pra mim, falou:
- Desculpe, mas eu não tenho muita paciência para viciadas ta legal?! Então, pode ficar no apartamento que eu vou dormir na rua, na calçada, em qualquer lugar, menos aqui. E amanhã eu me resolvo com o irresponsável do Jhonatan!
Enquanto ele pegava alguma coisa na gaveta de um pequeno e antigo móvel, fiquei observando suas roupas. Ele vestia uma calça jeans justa, um casaco de lã azul sobre uma camiseta branca e um sobretudo preto, ah! E um gorro preto.
- Eu não sou viciada! –[i] Falei enquanto a verdade começava a pairar em minha mente. [/i]
Ele me ignorou e recomeçou a caminhar em direção a porta, mas eu tinha que ver seu rosto, tirar a dúvida que estava me matando.
- Quer fazer o favor de olhar pra mim. –[i] Pedi decidida, mas ele mais uma vez me ignorou e começou a abrir a porta. –[/i] Seu... Seu grosso, idiota, estúpido e mal educado. –[i] Xinguei em português. [/i]
Ops! De repente, ele parou o que estava fazendo e virou para mim, então tudo começou a girar, escurecer e o chão já não estava mais sob meus pés...
********** Fim do Capítulo**********














