Citações

A natureza humana manifesta uma tendência muito acentuada para o orgulho, que são pouquíssimos os que não alimentam esse sentimento, fundados em alguma qualidade real ou imaginária! (Jane Austen)

"Mr.Darcy e Eu" - Capítulo 9

  • PDF
  • Imprimir
  • E-mail

Capítulo IX
*
*
Jane Austen deve estar se revirando no túmulo...
*
*
Quando acordei senti um delicioso aroma de café vindo da cozinha. Espreguicei-me sem pressa, mas ao olhar para o relógio percebi que não dava para esticar o sono.

Banho tomado fui até a cozinha com a boca cheia de água.

- Assim vou ficar mal acostumada. – Falei ao abrir a geladeira e pegar o suco e os frios para o nosso café.

- Preciso fazer alguma coisa. – Ele virou o rosto para me ver enquanto falava.

- Ficou muito feio o hematoma no seu olho. Vou te arrumar uns óculos escuros para você ir ao trabalho. E aí, como está se sentindo para o seu primeiro dia de trabalho? Animado?

- Sinto-me estranho.

- Espero que isso seja uma coisa boa. – Sentei e ele me seguiu trazendo o café.

- Nunca me vi trabalhando, é estranho.

- Tem razão. Mas tenho certeza de que se sairá muito bem.

- E se eles desconfiarem de alguma coisa? Se descobrirem?

- Sem chance! O&P não existe, esqueceu? Além do mais, você pode dizer que morou muitos anos na Inglaterra, nasceu lá, não sei.

- Gostaria de me comportar como vocês. Só assim não me sentiria tão deslocado. – Percebi que ele estava inseguro. Hora de entrar em ação.

- Levanta.

- Como?

- Anda, levanta. Você disse que gostaria de se comportar como nós. Não foi? Vou te dar algumas dicas.

- Não, eu lhe agradeço.

- Ah que é isso! – Ele continuou tomando o seu café, então resolvi tentar outra tática. – Primeiro: deixa de lado essa formalidade toda. Aqui nos tratamos pelo primeiro nome, a não ser que a pessoa seja muito importante ou mais velha.

- Creio que percebi.

- Segundo: Não fica parado feito estátua de séculos passados. Cada vez que você para, até parece que está fazendo pose.

- Mantenho apenas a postura de um cavalheiro. – Ele se defendeu.

- Mas você precisa ficar mais relaxado, entende? Fica em pé.

- Não.

- Ta legal, então eu te mostro.

Levantei e esqueci três palavras fundamentais na vida de qualquer pessoa: Senso do ridículo.

- Você fica assim cada vez que para. – Imitei a pose pomposa dele, inclusive a mão na cintura.

- O que tem de errado com isso?

- Vão achar que você é gay. – Sussurrei e pisquei pra ele. – Você tem que ficar assim. – Deixei os ombros caírem um pouco e abri um pouco as pernas.

- Isso é ridículo. Não posso fazer isso. Mas parece um daqueles irresponsáveis boêmios londrinos.

- Quer saber? Eu desisto. Preciso ir trabalhar. – Falei derrotada. - Olha não esquece que o Fernando vem te chamar às duas horas. E outra coisa: tira ao menos a mão da cintura, ta? Ou vão achar que você é gay.

Dessa vez consegui o fazer sorrir. Peguei minhas coisas no quarto e voltei para a cozinha. Quase cai na gargalhada quando o flagrei tentando fazer a pose que eu tinha mostrado minutos atrás. Pigarreei e rapidamente ele voltou à posição normal, completamente constrangido.

- Bem... Só te vejo a noite. Boa sorte no trabalho. – Eu estava doida para dar um beijo de boa sorte, mas sabia que ele poderia se assustar.

- Obrigado.


Cheguei ao trabalho e a Tânia já me esperava ansiosa. Mal entrei na minha sala e ela apareceu disfarçando com alguns papéis nas mãos.

- Dá uma olhada nesses relatórios do pessoal da programação.

- Eu já vi ontem, Tânia.

- Ah é! Nossa estou tão distraída hoje; deve ser as emoções da noite passada. – Ela sorriu enquanto olhava para o estagiário, que retribuiu o olhar com um sorriso cínico.

- A noite foi boa, pelo visto.

- Ai Fabi! Ainda posso sentir tudo...

- Tânia! Eu não quero saber. – Falei sorrindo, mas na verdade eu não estava em condições sexuais de ouvir descrições de uma noite tórrida de amor.

- Amiga, ele é maravilhoso, atencioso, lindo, romântico, inteligente e muito, mais muito bom de cama.

- Vamos ver até quando isso vai durar. Há quanto tempo ele está aqui?

- Três dias, eu acho.

- Ele ainda tem 27 dias, aproveita.

- Ah não Fabi. Ele não pode ser demitido. Ele tem feito um ótimo trabalho.

- Confesso que ele tem feito sim, mais até do que muito programador que temos.

- Então isso quer dizer que você vai dar uma forcinha para ele ficar?

- Então quer dizer que quando você se cansar dele vai vir me pedir pra dar uma forcinha para ele ser demitido? Francamente, dona Tânia!

- Se ele continuar a fazer todas as noites que ele fez ontem, aiiiiii. – Ela suspirou e começou a se abanar. – E aí, vai falar com o chefe?

- Vou sim, mas não somente por que você está me pedindo, só porque realmente gostei do trabalho dele.

- Obrigada, Fabi. E aí, como foram as coisas ontem com o bonitão?

- Nem me fale. Discutimos.

- Não sei por quê. Se um homem daquele me defendesse daquela forma eu iria recompensá-lo com uma boa noite de amor, não perderia tempo brigando com ele.

“E você acha que eu também não desejei isso? Ah! Eu tenho desejado isso cada segundo do meu dia. Estou ficando maluca e preciso aliviar a... o... aliviar!”

- Vamos trabalhar? A festa já é amanhã e ainda temos muita coisa para organizar.

- Você vai com o Darcy, não é?

- Acho que sim. Ainda não perguntei se ele quer ir. E você, vai com o estagiário?

- É claro. E se eu fosse você, não esconderia um deus grego daquele em casa não minha filha, e ainda colocaria um aplaca em neon: É meu! Eu estou pegando!

- Cai fora da minha sala agora! Acho bom começar a ter medo de mim, eu ainda sou tua chefe!

Em função da festa do dia seguinte, ninguém foi almoçar. Tínhamos apenas hoje para confirmar tudo, tanto internamente quanto externamente. Estava muito cansada quando arrumava minhas coisas, queria um banho e uma boa massagem. Ah! Uma massagem... Como eu adoraria aquelas mãos percorrendo minha pele nua como eu fiz com ele. Sentada na minha cadeira, fechei os olhos imaginando a maravilhosa sensação que isso me causaria.

- Não devia fazer isso. Não sabe o quanto é tentador.

Se eu não estivesse sentada, eu juro que cairia bonitinho. Abri os olhos assustada e encontrei o Felipe apoiado com as mãos em cada lado da cadeira me deixando encurralada no meio, e com o rosto tão próximo ao meu que senti o seu hálito quente nos meus lábios.

- Eu estava distraída. Deseja alguma coisa? – Comecei a gaguejar.

- Desejo. – Ele permanecia na mesma posição e tinha os olhos entre meus olhos e minha boca.

- Sim? – Insisti já sentindo que estava perdendo o controle.

- Vai à festa de amanhã?

- Cla... Claro. Eu preciso estar lá.

- Vai acompanhada?

- Sim.

- E posso saber com quem? – O olhar antes sedutor endureceu, mas ele não se moveu.

- Alguém. – Respondi nervosa, ainda perturbada com aquela aproximação.

- É sério?

- Ainda não... Ainda não sei.

- Hum. – Ele sorriu e aproximou mais a sua boca da minha desviando dos meus lábios e sussurrando no meu ouvido: Isso me dá uma chance.

Eu fiquei paralisada, em choque na verdade. Permaneci sentada enquanto via-o levantar e sair pela porta. Fiquei alguns minutos acalmando minha respiração e os tremores das minhas pernas. Isso foi... Foi... Foi diferente...

Estou até agora me perguntando por que eu não reagi. Mas meu cérebro perturbado me passou três bons motivos: Primeiro: Eu não sinto um homem assim há oito meses. Ou seja, oito meses na seca total. Segundo: Eu sempre desejei que o Felipe me olhasse de outra forma como ele estava fazendo agora. Terceiro: Mr. Darcy não me olha da forma como eu queria e logo ele vai embora e me esquecerá para sempre.

Estava até feliz, apesar de cansada, mas agora estou triste, confusa. Pior que nem tenho mais o consolo de ler o meu livro predileto nem ver o filme, pois eles nem existem mais. Dei uma carona para a Tânia que mais uma vez estava sem carro, ela estranhou meu silêncio, mas após uns cinco “Não é nada!” ela desistiu.

Cheguei em casa quase 19:00 horas. Mr. Darcy só voltaria depois das 21h, pois hoje era dia de trabalhar a tarde e a noite. Eu tinha a casa só para mim novamente, mas isso não me deixou feliz, na verdade ela esta vazia e grande demais.

Preparei o jantar e fui tomar um longo banho. Usei a banheira desta vez, na verdade nem sei se posso chamar de banheira, é tão pequena e apertada que me sinto uma sardinha enlatada quando estou dentro dela.

Coloquei meu mp4 em alto volume como eu costumo ouvir e fiquei ouvindo minha seleção de música predileta. Confesso que isso me deixou muito relaxada e acabei pegando no sono...

Senti uma mão tocando meu ombro e pensei estar sonhando; mas a mão insistiu. Abri meus olhos, sonolenta e me deparei com os olhos angustiados de Mr. Darcy.

- Graças a Deus! – Ele falou aliviado vendo-me abrir os olhos.

- O... O que foi? - Perguntei me certificando se a espuma cobria meu corpo. Opa! Eu estava nua!

- Vou sair para que possa se vestir. – A expressão dele passou de angustiada a aliviada e agora estava completamente perturbada e envergonhada.

Após a saída dele, me vesti rapidamente e preocupada fui logo encontrá-lo na sala.

- Oi. O que houve?

- Desculpe, eu chamei e como você não respondeu fui até o quarto e... E você estava tão imóvel, não abria os olhos nem me ouvia e eu... Eu pensei.

Isso não é lindo? Ele estava preocupado que alguma coisa tivesse me acontecido! Ai que homem é esse? Acho até que vou virar cientista e criar uns clones para minhas amigas.

- Está tudo bem. – Sorri caminhado até o sofá que ele estava me sentando ao seu lado. – Eu estava ouvindo música muito alta e acabei adormecendo. Como foi no trabalho? – Perguntei animada.

- Creio que me saí bem. – Ele sorriu abertamente. - O Fernando me ajudou muito e é bom sentir-me útil.

- Fico feliz e para comemorar preparei um jantar bem gostoso pra gente.

Levantei e fui para a cozinha colocar a mesa. Enquanto fazia isso, percebi que ele me observava fixamente de um jeito que me deixou desconcertada.

- O que foi? – Perguntei enquanto terminava de colocar a mesa.

- Sempre via minha mãe receber meu pai depois de uma viagem ou de uma visita aos arrendatários, com carinho e lembro-me dela escolher pessoalmente os pratos prediletos dele. Acho que sei como ele se sentia.

Eu fiquei tão emocionada com aquelas palavras que emudeci. Desviei meus olhos dos dele e os fixei no balcão. Ele também permaneceu calado, mas continuou me olhando.

- Vai tomar banho antes do jantar? – Perguntei ainda sem olhá-lo.

- Sim. E... Estou feliz aqui com você.

- Hum... – Eu não esperava por isso. - Então vai logo porque eu estou faminta. – Tentei sorrir, mas ainda estava abalada emocionalmente com o que ele disse.

Depois que ele saiu me deixei cair no banco e passei a refletir sobre tudo o que estava acontecendo na minha vida. Eu estava me apaixonando por ele, não que eu já não fosse, mas ele não era real. Eu sempre amei um Mr. Darcy que só existia no livro e na minha imaginação e agora eu estava me apaixonando pelo Darcy que era tão humano quanto eu, mas que a qualquer momento poderia ir embora. Eu precisava dar um jeito na minha vida. Fiquei alguns minutos pensando em como fazer isso.

Senti as lágrimas chegando, mas as segurei quando ele voltou para a cozinha, já tomado banho e de bermuda. Nem acreditei quando vi aquilo, foi quase um duelo convencê-lo a comprar e agora ele estava usando! E que pernas! Céus! Nunca tinha visto pernas tão lindas na minha vida, apesar de muito brancas, um bom final de semana na praia resolveria. Não é uma boa hora para um enfarto.

Durante o jantar ele detalhou sobre o seu dia de trabalho, mas eu apenas respondia em monossílabos. Ele pareceu perceber minha mudança, pois depois de um tempo, desistiu da conversa. Após o jantar estávamos vendo TV na sala, cada um em seu mundo na verdade. A campanhinha tocou e ele foi atender.

- Ainda bem que você está acordado. – A voz estrondosa do Fernando invadiu a sala. – Fabiana.

- Oi Fernando. – Sorri pra ele, mas voltei minha atenção para a TV.

- Esse seu namorado é incrível. Eu adoro esse cara. – Falou dando umas tapas nas costas de Mr. Darcy quase o derrubando. Mas esse era o jeito do Fernando. Expansivo ao extremo. – Vim te buscar para um chope e ver um futebolzinho com uns amigos. A Vanessa está naqueles dias e está muito chata.

- Eu não sei. – Mr. Darcy respondeu apreensivo olhando para mim.

- Ah! Qual é? Não vai me dizer que eu vou ter que pedir a permissão da Fabiana para te levar? – Fernando sorriu em sua conhecida risada estrondosa.

- Não acho uma boa idéia. – Interferi, pois Mr. Darcy não estava acostumado com essas coisas.

- Eu prometo que só vamos ver um futebol na TV e tomarmos umas cervejinhas. Sem mulheres, eu juro! – Ele falou cruzando os dedos e beijando em um sinal de promessa.

Fiquei um tempo em silêncio, mas então pensei que ele precisava viver outras coisas. E se por acaso ele fosse ficar aqui para sempre? Se Jhonatan nunca encontrasse aquela mulher? Ele tinha que aprender a se virar, e sem mim, pois eu não poderia viver presa àquilo para sempre.

- Tudo bem. Podem ir.

- Se não quiser, eu não vou.

- Pode ir, Darcy. Eu vou ficar bem, vou aproveitar e fazer algumas coisas do trabalho. Vai lá e aproveita a noite dos meninos! – Tentei encorajá-lo.

- Tem certeza? – Ele me olhava de uma forma estranha.

- Anda, vamos logo antes que ela mude de idéia. Você tem que aprender muito sobre as mulheres e eu vou te ensinar.

Assim que a porta se fechou, fui até o quarto e me vesti. Em poucos minutos eu já estava no hipermercado perto do meu prédio; enquanto pagava o que comprei no caixa tentava me convencer de que estava fazendo o que era certo, apesar do meu coração dizer outra coisa. Fiz um pouco de charme e pressão financeira até conseguir que eles fossem entregar àquela hora.

Depois de ter recebido a mercadoria, comecei a arrumá-la na sala. Amanhã eu veria outro lugar para colocar. Fiquei um longo tempo pensando se desarrumava ou não, mas por fim, minha razão venceu, deixei arrumado lá na sala e fui me vestir para dormir.

12:45 e nada deles chegarem. E se eu ligar para o celular do Fernando? Droga eu não tenho o celular dele! Não era apenas um chope e um futebolzinho na TV? Coloquei o travesseiro no rosto na tentativa desesperada de dormir até que ouvi a porta da sala sendo aberta.

Pensei em fingir que estava dormindo, mas ao ouvir as risadas e as vozes altas, corri para a sala. Se alguém me contasse ou escrevesse isso eu juro que mandava internar. Mas eu estava vendo, bem na minha frente.

- Shiiiiiiii! Ela está com cara de brava. Não fala nada. – Um bêbado Fernando falava para Mr. Darcy com os olhos arregalados suprimindo uma gargalhada.

- Perdoe-me miss Porto. – Mr. Darcy falou enquanto fazia uma reverência seguida de uma quase queda.

- É miss Porto, perdoa ele. Espera aí! Você já foi miss? Nossa que legal.

- Eu não acredito que você o embebedou, Fernando! – Esbravejei caminhando na direção dos dois e saindo do meu estado de choque.

- Eu disse pra ele maneirar na cerveja, mas ele se empolgou dizendo que nunca tinha provado nada mais... Mais o que mesmo?

- Deliciosamente agradável.

- Sabia que ele fala difícil? Eu amo esse cara! Você é meu amigo? Eu sou seu amigo cara!

Eu estava prestes a dar um chilique, aquilo era mais do que eu poderia agüentar. Comecei a caminhar até a porta, e antes de sair, a voz de Fernando me fez parar.

- Aonde você vai?

- Vou chamar a Vanessa para me ajudar com você dois. – Respondi irritada.

- A Vanessa não! Ela vai me matar.

- Bem você pode escolher entre: Ela te matar e EU te matar! Mas pense bem, ao menos ela te ama e eu sou só a vizinha.

- Nossa! Você é assustadora!

Revirei os olhos e fui chamar a cavalaria. Eu já tinha visto a Vanessa brava, mas daquele jeito, nunca, temi pelo Fernando.

- Fernando! – Ela o repreendeu. – Desculpe por isso, Fabi.

- Oi amor. Você sabia que a Fabiana já foi miss? Isso não é legal? Foi miss o que? Ah! Miss Porto. Onde fica isso hein?

- Cala a boca. Desculpa mesmo, Fabi. Vou te levar pra casa e te dar um banho frio.

- Banho? Ôba! Você vai tomar banho comigo?

- Acho que você não merece.

Quando eu vi a Vanessa amolecer assim, bem na minha frente, pensei que já era hora de incentivar que eles fossem. O que? Eu não queria ver eles se pegando na minha sala. Todo o mundo resolveu provocar minha seca?!

- Também vou dar um banho nele. – “Até parece!” Falei enquanto levantava Mr. Darcy do sofá. – Vejo vocês amanhã.

- Claro! Desculpe por isso ta? Vamos.

- Vamos... Vamos. Até amanhã Darcy! – Fernando começou a se levantar, mas algo chamou a atenção dele. – Ih cara! Você está mais encrencado do que eu pensei. Ela te botou pra fora do quarto.

Só quando Fernando apontou para o colchão arrumado na sala, foi que Mr. Darcy finalmente percebeu. Ele me olhou de forma estranha, havia curiosidade e tristeza misturada. Vanessa percebeu o clima e tratou logo de ir embora com Fernando.

Fechei a porta e demorei a encará-lo novamente, mas ele não me deu chance de pensar muito.

- Por quê?... Por que está me colocando para fora do quarto? – A voz dele era angustiada, apesar de arrastada devido à bebida.

Eu não tinha resposta para esta pergunta, não mesmo.

- Amanhã nós conversamos sobre isso, agora vamos dar um jeito nesse pileque.

Aproximei-me dele e comecei a tirar os sapatos, depois fui para o casaco e a camisa. E enquanto eu fazia isso, ele conversava.

- Eu me diverti.

- Percebi. Divertiu-se até demais.

- Eu me comportei como eles.

- Não deveria. Levanta os braços para eu tirar sua camisa. – Ele obedeceu.

- Eu até aprendi duas palavras que eles falavam sempre, principalmente quando não estavam contentes com os jogadores. Quer ouvir? – Como fiquei em silêncio e continuei tirando a camisa, ele continuou. – Uma é... Por...

- Não! Pode parar; acho que já sei que palavra é e vou logo te dizendo, não é uma boa repeti-la por aí, ta legal?

- Ah... – Ele pareceu refletir, mas depois continuou. - Mas a outra eu não consegui entender muito bem... Era alguma coisa como cara...

- Eu já entendi! – Coloquei minha mão na boca dele. – Eu juro que já entendi.

- O que quer dizer?

- O que? – Eu estava encrencada. – É algo... Algo do tipo: Avante! Vamos lá! Uh-hu!

- Ah...

Era só o que me faltava; Mr. Darcy falando palavrão!

*Esganar o Fernando: mais um item pra lista.

- Vem para o colchão, depois de uma boa noite de sono, você vai ficar novinho em folha.

Comecei a conduzi-lo para o colchão. Quando consegui sentá-lo, ele jogou o corpo com toda força me derrubando sobre ele. Eu tentei me levantar, mas ele segurou meu corpo com força. Enquanto me prendia a ele com a mão esquerda, com a direita começou a retirar meus cabelos que agora cobriam meu rosto e colocá-los atrás da orelha.

Eu estava completamente tremula, minha respiração começou a ofegar. Ele não podia fazer isso comigo! Não podia! Eu o odeio! Não, eu o amo e estou doida por ele, louca para tê-lo, para ser dele. Tentei me desvencilhar, mas ao tocar aquele peito desnudo, as traidoras das minhas mãos ganharam vida própria e começaram a acariciar a pele quente dele.

Ele me olhava tão intensamente que eu mal podia respirar e deixar de olhar para aqueles olhos.

- Você é linda. – Ele sussurrou.

Fechei os olhos, então senti quando ele puxou gentilmente, mas ao mesmo tempo possessivamente, minha cabeça para mais perto do rosto dele. Eu já não sentia mais meu corpo, minha mente, minha respiração, as batidas do meu coração, era quase uma morte, mas especificamente um abandono do corpo... Éramos nós dois...

Quando eu senti o quente toque dos lábios dele nos meus, tive vontade de tascar logo um beijo de língua, mas ele segurou meu rosto entre as suas mãos e sussurrou algo que me deixou em pânico:

-Eu não quero voltar... Quero ficar aqui, com você.

Fiquei paralisada e olhando apavorada para ele, enquanto recebia uma olhar indagador. Afastei-me devagar e tremula, ele não tentou me segurar, talvez tenha se assustado com a minha reação. Enquanto caminhava de costas para o meu quarto, assisti a ele ficar sentado e acompanhar meus passos...

Na segurança do meu quarto, me joguei na cama deixando as lágrimas caírem. Eu não poderia interferir na história...

*********Fim do Capítulo. ***************

 

Link us







Esqueceu seu login?
Sem conta ainda? Registrar

Conectados

Nenhum

Acessos


Hoje84
Neste mês2421
Desde Março de 200985443
Brazil flag 63%Brazil (49484)
United States flag 6%United States (4818)
Portugal flag 5%Portugal (3748)
Russian Federation flag 2%Russian Federation (1432)
Ukraine flag <1%Ukraine (472)
Germany flag <1%Germany (353)
France flag <1%France (316)
Netherlands flag <1%Netherlands (302)
United Kingdom flag <1%United Kingdom (302)
Latvia flag <1%Latvia (152)