Capítulo IX
Lizzy chegou à casa de Jane na hora combinada, Charlles com o seu bom humor habitual a recebeu e lhe comunicou que Jane ainda estava no quarto se arrumando. Lizzy beijou as crianças e subiu para ajudar a irmã.
- Lizzy! Nem vem, já estou terminando.
- Eu não falei nada.
- Mas pensou. É que não sei o que levar.
- Não vamos passar apenas dois dias?
- É, mas e daí?
- E pra que três malas?
- Você também Lizzy, já basta o Charlles.
- Tudo bem Jane, mas anda logo, não é bom pegar a estrada à noite.
- Já estou indo. A propósito não acreditei quando você disse que iria conosco.
- Mas por quê?
- Como por quê? Você não detestava o Darcy?
- Eu nunca disse que o detestava, houve apenas um grande mal entendido entre nós. E estou indo porque o Mark me convidou.
- Ah! O Mark sei...
- Pode parar Jane, não é nada do que você está pensando.
- Eu não estou pensando nada, você que ta se entregando.
- Olha se vai continuar eu desisto dessa viagem, eu não tenho nenhuma relação com o Sr. Darcy, a não ser o fato dele ser pai de um aluno meu.
- Não ta mais aqui quem falou.
- Acho bom.
- Jane meu amor, vamos embora já é tarde. – disse Charlles entrando no quarto. – Lizzy achei que você conseguiria fazer ela se apressar.
- Desculpe Charlles, mas acho que ela não vai voltar de lá. Olha a quantidade de roupas que ela ta levando.
- Parem de falar de mim como se eu não estivesse aqui... Pronto, acabei, podemos ir agora!
Lizzy e Charlles abafaram o riso, entraram no carro e pegaram a estrada em direção a Pemberley, a viagem foi tranqüila e muito divertida e depois de algumas horas chegaram à entrada de Pemberley. Lizzy ficou extasiada com o que viu, a entrada era beirada por um jardim belíssimo que se estendia até a porta imponente, ao elevar os olhos ela avistou uma casa linda, enorme em estilo medieval, toda iluminada, com um fio de voz ela apenas sussurrou:
- É linda demais!
Darcy, Mark e Georgiana os esperavam na porta. Ao ver Lizzy, Mark correu em sua direção e a abraçou forte, Lizzy retribuiu o carinho e foi cumprimentar Darcy e Georgiana seguida por Jane e Charlles, após os cumprimentos eles entraram e a mando de Darcy os criados foram mostrar os quartos... Lizzy se olhou no espelho e pensou:
- Nossa! Eu caprichei mesmo.
Ela saiu do quarto e encontrou Jane no corredor, as duas desceram juntas. Todos já estavam na sala e ao vê-las Darcy encaminhou-os a sala de jantar, que correu tranquilamente, muito animado e cheio de conversas alegres. Após o jantar as crianças foram encaminhadas aos seus quartos e os adultos ficaram reunidos na sala de jogos de Pemberley. Darcy e Charlles foram jogar uma partida de sinuca, Jane ficou no computador olhando seus e-mails, enquanto Lizzy e Georgiana conversavam.
- Fiquei muito feliz quando Mark me contou da sua vinda.
- É, foi realmente muito bom ter aceitado o convite, eu agradeço mesmo, estava precisando respirar ar puro. E é um lugar lindo, estou realmente encantada.
- Fazia muito tempo que não vínhamos aqui, eu e Mark há mais ou menos uns dois anos e Darcy, bem... A ultima vez que veio aqui foi com Anne, sua esposa.
- Nossa!
- É. Ela adorava isso aqui. Na verdade se dependesse dela acho que passaria mais tempo aqui do que em Londres, mas devido ao trabalho de Darcy isso era impossível.
- Estar aqui deve trazer muitas lembranças ao seu irmão.
- Mas fiquei muito feliz quando ele nos convidou pra vir aqui, isso mostra que aos poucos ele está superando.
- Posso saber do que estão conversando? – Perguntou Darcy se aproximando e beijando a testa de Georgiana.
- Nada meu irmão.
- Eu estava elogiando a beleza de sua casa Sr. Darcy!
- Obrigada Srta. Bennet. Pemberley está em nossa família há gerações.
- É realmente muito linda, e muito bem conservada. Os detalhes, os móveis e o estilo medieval, tudo igual.
- Minha intenção foi deixar tudo como sempre foi. Claro acrescentando algumas coisas da modernidade. Mas garanto que gostará muito mais de nosso bosque. Gosta de caminhar e de natureza Srta. Bennet?
- Muito.
- Então amanhã o que vocês acham de um piquenique? Perto do lago, tem árvores maravilhosas e o tempo está ótimo.
- As crianças vão adorar meu irmão.
Todos concordaram com entusiasmo e depois de muitas conversas, todos se recolheram.
No dia seguinte às 9h da manhã, todos caminhavam até o lago. Chegando lá Lizzy não pôde deixar de admirar a bela paisagem, realmente Darcy estava certo, a beleza de Pemberley era indiscutível. Mark e Julie chamaram Lizzy para brincar de pega-pega, e ela de imediato aceitou o convite. A brincadeira foi ficando cada vez mais animada a ponto de Charlles e Georgiana irem se juntar a eles. Darcy e Jane foram convidados, mas recusaram. Jane por que tinha que ficar com Nicolas e Darcy porque mesmo com muita vontade de participar não se sentiria a vontade. Darcy ficou observando o jeito de Lizzy brincar com as crianças e não conseguiu evitar comentar com Jane:
- A Srta. Bennet tem muito jeito com crianças.
- É verdade Darcy, acho que pra falar a verdade ela é meio criança, por isso se dão tão bem. É, acho que ela seria uma excelente mãe... – falou Jane com um pesar na voz.
Darcy não conseguiu falar nada, na verdade ele não achou palavras para aquela situação. A manhã se passou e depois do almoço Darcy voltou para casa precisava dar uns telefonemas, mas prometeu que não demoraria. Mark teve a idéia de mostrar a Julie o seu lugar predileto em Pemberley. Georgiana, Jane e Charlles logo, animaram-se com a caminhada, mas Lizzy estava um pouco cansada decidiu ficar e arrumar as coisas. Dez minutos depois que o grupo havia saído Darcy voltou, ao encontrar apenas Lizzy, ele perguntou:
- Onde estão todos?
- Mark resolveu mostrar seu lugar favorito a Julie e outros os acompanharam.
- Precisa de ajuda aí?
- Não, já estou terminando de arrumar as coisas, mas mesmo assim muito obrigada.
- Acho que sei onde eles foram.
- Deve ser muito lindo, pois Mark estava muito entusiasmado.
- É um lugar muito especial pra ele. Georgiana mostrou este lugar a ele e desde então sempre que ele vem aqui tem que ir até lá. A mãe dele também adorava Pemberley, principalmente este lugar... Foi... Foi onde a pedi em casamento...
- Realmente é um lugar muito especial para vocês... Sr. Darcy, Mark sente muita falta da mãe, acho incrível como ele fala dela sem nem ao menos tê-la conhecido.
- Anne era uma pessoa muito especial, uma mulher doce, meiga, bondosa, ela passava isso pra todos que a rodeavam e fica fácil pra quem conviveu com ela a descrever com perfeição, e Georgiana sempre se preocupou em falar de Anne para o Mark, o que eu deveria ter feito...
- Sr. Darcy se não quiser falar, tudo bem.
- Acho que não falei por muito tempo e isso me fez muito mal, preciso falar, claro ao menos que eu esteja aborrecendo você.
- Claro que não! Então como vocês se conheceram?
- Somos primos, fomos criados juntos e sempre nos demos bem. Nossas mães eram irmãs e eram muito unidas. Começamos a namorar na nossa adolescência, eu a amava... Separamos-nos na faculdade, pois eu fui estudar nos Estados Unidos e ela ficou aqui, mas juramos que assim que nos formássemos nos casaríamos. Eu contava cada dia, cada ano que passava, nos correspondíamos sempre e duas vezes por ano nos encontrávamos, e quando finalmente nos formamos eu a trouxe aqui e no lugar favorito dela eu a pedi em casamento...
- Sr. Darcy...
- Tudo bem. Foi o dia mais feliz de nossas vidas... Anne sempre teve uma saúde frágil, mas estava tudo bem, passamos um ano casados. Resolvemos ter um filho era o que faltava para completar nossa felicidade, fizemos tantos planos... Mas ela não conseguia engravidar, procuramos um médico, ela fez muitos exames até que... Até que foi detectada uma doença rara, ela estava condenada. Procuramos vários especialistas, inclusive em outros países e ninguém podia nos ajudar, todo o meu dinheiro não podia salvar a mulher que eu amava.
- Deve ter sido muito difícil.
- Foi horrível. Até que encontramos um médico que a acompanhou. Mas Anne desejava muito ser mãe, era o sonho da vida dela. O médico disse que ela poderia engravidar, mas que isso atrapalharia no tratamento, que não era recomendado, no fundo eu tinha esperanças entende. Mas ela queria muito, discutimos por causa disso, um filho era importante pra mim, mas ela era mais naquele momento. Ela foi ficando triste cada vez mais triste e eu me senti um egoísta, talvez aquele fosse seu ultimo pedido e eu não poderia deixá-la partir sem realizá-lo. Foi muito difícil para eu ver minha mulher ter uma gravidez tão conturbada, devido à doença ela não se levantava da cama, foram nove meses e sacrifício pra ela.
- Ela era uma mulher muito forte Sr. Darcy e acredite pra ela não foi nenhum sacrifício. Nada mais poderia ser feito e ela sabia disso. E tudo o que ela queria era ser mãe, deixar um fruto do amor lindo de vocês. Eu a admiro muito.
- Eu demorei muito para entender isso, na verdade acho que ainda estou absorvendo tudo isso. No dia do parto eu estava com ela, apesar de tudo ela estava radiante, foi uma cesariana muito complicada, e quando tiraram Mark e o mostraram a ela eu vi quanta felicidade ela sentia naquele momento, seus olhos brilhavam e ela sorriu como eu nunca vi antes, foi um sorriso pleno e de repente o brilho dos seus olhos foi se apagando... E eu nunca mais pude vê-la sorrir.
- Sr. Darcy sua esposa foi uma mulher fantástica, deveria se orgulhar muito dela, mas agora começo a entender o seu comportamento com Mark, mas ele não teve culpa do que aconteceu.
- Mas eu nunca o culpei de nada. Só que não conseguia olhar para ele e não lembrar de todo o meu sofrimento, tudo o que passamos, me entreguei de cabeça no trabalho, precisava de um meio de tentar esquecer, fui egoísta e agora percebo isso, pensei apenas na minha dor e esqueci que tinha um filho maravilhoso que precisava de mim. Acho que a desapontei muito, fui um péssimo pai, e ela acreditava que eu seria o melhor pai do mundo, e olha só no que me tornei.
- Mas não é tarde Sr. Darcy e o Senhor está tentando mudar as coisas agora, e isso é o mais importante. Aos poucos conquistará seu lugar, o lugar que sua esposa tanto sonhou e tinha certeza que seria seu. Sabe Sr. Darcy ela se foi, mas ao menos deixou uma criança maravilhosa, pena que nem todas podem ter a mesma sorte.
- Srta. Bennet não há nada que possa fazer? Quero dizer, em relação à Senhorita não conseguir ter filhos.
- Já visitei vários médicos, fiz tudo que estava ao meu alcance. Mas eu já me conformei. Tenho meus sobrinhos, meus alunos, meus amigos, minha família. Vou tentando preencher esse vazio e vou seguindo.
- Ainda não me perdoou pelo que lhe falei na casa do Charlles, fui tão insensível.
- Esqueça isso, foi um mal entendido e eu já esqueci. Apenas nos conhecemos da forma errada.
- Então precisamos mudar isso.
- Como assim?
- Olá sou Fitzwilliam Darcy, pai de Mark seu aluno. – disse Darcy estendendo a mão.
- Isso é sério?
- Muito.
- Ok! Sou Elizabeth Bennet a professora de seu filho.
- É um prazer conhecê-la Srta. Bennet.
- O prazer é todo meu Sr. Darcy.
- Posso lhe pedir um favor?
- Claro Sr. Darcy.
- Não me chame de Senhor me sinto um velho sabia? Pode me chamar de Darcy, como meus amigos me chamam.
- Se prefere assim, tudo bem Darcy. E por favor, me chame de Elizabeth ou Lizzy como meus amigos me chamam.
- Bom, então quer dizer que somos amigos?
- É, acho que sim.
- Tia Lizzy você perdeu!
Julie surgiu seguida pelos outros, ficaram mais um pouco e no final da tarde voltaram para casa. O restante da estadia em Pemberley foi prazerosa, com passeios a cavalo, caminhadas pelo seu belo bosque e muita diversão. Lizzy e Darcy conversaram mais algumas vezes e sempre com muito entrosamento o que deixou todos surpresos. Chegou o fim e todos seguiram de volta para Londres.














