Capítulo IV
Já se passavam das dez horas da manhã do sábado e Lizzy ainda estava na cama, como ela adorava o final de semana, não fazer nada, dormir tarde vendo seus filmes prediletos, acordar tarde, fica o dia todo de pijama, descabelada. Estava feliz no seu ninho, quando a campanhia começou a tocar insistentemente.
- Jane! Até no sábado.
- Como é agradável ser recebida por seu bom humor, minha irmã. Nossa! Você está péssima.
- Bom dia pra você também Jane.
- Então já sabe o que vai vestir?
- Vestir? Acho que sua loucura está piorando.
- Lizzy! Esqueceu do jantar de amanhã. Eu sabia, disse a Charlles que tinha que vir, se não você não iria.
- Jane, tenho mesmo que ir? É final de semana, meu descanso sagrado lembra?
- Você prometeu. Não venha me dizer que não vai, Charlles ficaria decepcionado com você.
- Tudo bem, por livre e espontânea pressão eu vou.
- Então o que vai vestir?
- Qualquer coisa. Ainda não pensei nisso.
- Como qualquer coisa? Vamos já para o seu quarto e ver o que temos.
- Jane!
- Lizzy!
As duas subiram e Jane começou a revirar todas as roupas de Lizzy, nunca em toda a sua vida Lizzy tinha provado tanta roupa, o que ela gostava, Jane detestava.
- Você precisa fazer compras minha irmã.
- Jane não vem não! Eu não vou fazer compras coisa nenhuma, as roupas que tenho são excelentes e alem do mais é apenas um jantar lembra?
- Não estou dizendo que suas roupas não são boas, mas são muito fechadas, muito sóbrias. Vamos fazer o seguinte, preciso comprar uma roupa pra mim, você me acompanha?
- Só vou acompanhar você mais nada.
- Tudo bem, mais nada, prometo.
Como sempre Lizzy acreditara nas promessas de Jane e como sempre ela caíra. Jane escolheu rapidamente seu vestido e de imediato começou a procurar um para Lizzy, as vendedoras traziam muitas roupas, parecia até uma avalanche sobre ela, depois de quase três horas de prova de roupa, finalmente escolheram um que não agradou muito a Lizzy, mas deixou Jane radiante. Após saírem da loja foram almoçar em um restaurante muito aconchegante que elas costumavam freqüentar, pediram e começaram a conversar:
- Não sei como sempre caio nas suas Jane.
- Ajo sempre com a melhor das intenções. O vestido é lindo, você será o centro das atenções, fico tão feliz.
- Eu não gosto de ser o centro das atenções e você sabe. Mas o vestido é realmente lindo, como sempre você tem muito bom gosto.
- Eu sei sim, mas você nem sempre foi assim. Minha irmã me parte o coração ver como você se fechou, você precisa reagir.
- Jane, eu não quero falar sobre isso.
- Lizzy já se passaram quase três anos e você ainda não superou.
- Não é fácil Jane. Se coloque em meu lugar só um pouco.
- Sei que não é fácil, mas você precisa reconstruir sua vida, se dar mais uma chance de ser feliz, amar novamente e...
- Jane eu não acredito mais no amor, levo minha vida do jeito que dá, e meu trabalho me deixa feliz, não posso arriscar passar por tudo novamente. E vamos parar com este assunto se não vou embora.
- Ei! Tudo bom. Vamos almoçar em paz, está bem? Desculpe-me
Lizzy se olhou no espelho. Jane tinha acertado na escolha do vestido, era um tomara-que-caia preto, levemente solto na saia, que desenhava com perfeição as curvas do belo corpo de Lizzy. Seu cabelo estava preso num coque perfeito, com pequenas mechas caindo pelo seu rosto, perfeitamente maquiado. Por mais que ela não gostasse tinha que admitir, estava linda, como há muito tempo não se sentia. Entrou no carro com cuidado para não destruir o belo trabalho que havia levado horas para ser feito.
Ao chegar à casa de Jane, ficou espantada com a quantidade de carros, Jane havia falado que seria apenas um jantar. Entrou na sala bem iluminada, havia muitas pessoas elegantes, ela aceitou uma bebida oferecida pelo garçom e procurou Jane e Charlles com o olhar, os viu cumprimentando algumas pessoas, ao vê-la de imediato foram até ela.
- Minha cunhada, deixe-me dizer que tirando minha esposa, você a mulher mais bela da festa. Quase não a reconheci.
- Lizzy você está maravilhosa!
- Gente, sou eu Lizzy, não sei por que tanto espanto, estou como sempre.
- Essa é a Lizzy de sempre.
- Jane não seria apenas um jantar para poucas pessoas?
- Eu te falei que seria para os nossos amigos, o que posso fazer se temos muitos amigos. Preciso cumprimentar os convidados, circule, converse, arranje alguém bem charmoso e interessante.
- Não vim aqui pra isso Jane, e qualquer cheiro de armação, vou embora.
Após Jane e Charlles se afastarem Lizzy ficou procurando alguém conhecido para conversar e para sua felicidade encontrou Charlotte, sua amiga de infância.
- Char! Que bom ver você aqui.
- Lizzy! Meu Deus, quase não a reconheci, está maravilhosa!
- Você também Char. Onde está seu queridíssimo esposo?
- Lizzy não seja má com Collins. Ele está circulando por aí
- Desculpe amiga. Você já viu o homenageado da noite?
- Pelo que ouvi, ele ainda não chegou.
- Char vou subir e dar um beijo nos meus sobrinhos, já não os vejo há algum tempo.
- Tudo bem. Vejo você depois, e cuidado para não inebriar os homens da festa com sua beleza e charme.
Lizzy foi até o quarto dos seus sobrinhos, eles já se preparavam para dormir, ficaram muito feliz ao ver a tia. Lizzy ficou conversando e brincando com eles que nem viu o tempo passar. Depois de quase uma hora Jane entrou feito um furacão no quarto.
- Aí está você. Lizzy! Estou procurando você a um tempão. Eu acho que já passou da hora dos meus anjinhos dormirem. Charlles está louco para lhe apresentar o amigo dele, ande vamos.
- Eu não acredito que em meio a tantas mulheres solteiras e lindas lá na festa, eu fiz tanta falta assim. Agora vão dormir meus amores, até amanhã.
Jane pegou pela mão de Lizzy e com passos apressados desceram para a festa. Elas avistaram Charlles conversando animadamente com um homem alto, que estava de costas para elas, ao ver que elas se aproximavam Charlles sorriu e falou algo que fez com que o homem se virasse. Quando seus olhos se cruzaram, o sorriso que Darcy trazia nos lábios se desfez, seus olhos percorreram todo o corpo de Lizzy. Mas ele tinha que admitir, ela estava linda! Nunca tinha visto mulher mais fascinante.
Lizzy parou incrédula, então Fitzwilliam Darcy era o amigo de Charlles, mas que falta de sorte, ela precisava se conter e trata-lo bem, não poderia estragar a festa de sua irmã.
- Aí estão vocês. Darcy está linda mulher é minha cunhada Elizabeth Bennet, Lizzy este meu grande amigo Fitzwilliam Darcy.
- Como vai Srta. Bennet?
- Já estive melhor, obrigada. – disse ela num tom de desdém.
- É muita coincidência que seja cunhada de Charlles.
- Espere um momento. Vocês já se conhecem?
- Sim Charlles, sou professora do filho do Sr. Darcy.
- Que coincidência maravilhosa. Lizzy você nem me contou.
- Como poderia Jane, não sabia que se tratava da mesma pessoa.
Um silêncio mortal imperou, o constrangimento de Jane e Charlles era visível, para felicidade dos dois o chefe de Charlles chegou e eles tiveram que ir recebê-lo deixando Lizzy e Darcy sozinhos. Lizzy não sabia o que falar, mas precisava falar algo antes de sair daquela situação embaraçosa.
-Fico feliz que tenha mudado de idéia em relação à Mark sair de nossa escola.
- Agradeça a ele mesmo e a minha irmã que me convenceram, mas se dependesse de mim não o tinha feito.
- Como sempre o Senhor é muito gentil.
- Fico lisonjeado que veja em mim tantas qualidades.
- Tantas quantas o Senhor mereça.
Os dois se olharam fixamente, ambos estavam prontos para explodir, quando Georgiana apareceu para alívio dos dois.
- Srta. Bennet! Que surpresa vê-la aqui.
- Srta. Darcy! Sou irmã de Jane.
- Sério? Que feliz coincidência.
- É verdade.
- Está linda, não está Darcy?
- Ah! É... Sim, a Srta. Bennet está realmente linda. – disse num tom de desdém.
- Obrigada. – disse ela secamente- E Mark como está?
- Ele está ótimo, graças a você. Tem feito um ótimo trabalho com meu sobrinho, nunca o vi tão animado.
- Mark é uma criança incrível, eu o adoro. Bom se me dão licença vou cumprimentar uma amiga. – Lizzy se despediu e saiu apressadamente.
- A Srta. Bennet está realmente muito bonita hoje, não está Darcy?
- Não tinha observado nada que me chame a atenção, para mim à mulher mais bonita da festa é você minha irmã.
- Sei, então por que ainda está olhando para ela enquanto fala comigo?
- Deixe de bobagem Georgiana, estou apenas observando as pessoas em volta, só isso.
Por mais que quisesse ele não podia tirar os olhos de Lizzy, aquele andar gracioso, aquele vestido sexy, ele começou a sentir seu corpo estremecer, era melhor parar de pensar nela.
Lizzy foi em direção a Amanda uma velha amiga que estava acompanhada por seu esposo Matt.
- Amanda há quanto tempo!
- Lizzy, nossa faz muito tempo mesmo.
- Elizabeth, você está linda.
- Obrigada Matt, você cada vez mais gentil e lindo também. Não imaginei que estariam aqui.
- Jane não lhe contou? Bem, Matt e Charlles são os mais novos sócios do Sr. Darcy. Não é maravilhoso?
- Claro que é. Parabéns!Matt tenho certeza que esse negócio será um verdadeiro sucesso.
Eles continuaram conversando e nem perceberam quando Charlles, Jane e Darcy se aproximaram deles.
- Charlles estava justamente contando a Lizzy da nossa sociedade.
- Matt, estragou a surpresa. - Charlles falou, e ao ouvir a música que tocava olhou para Jane enquanto falava. - Adoro esta música, meu amor, vamos dançar?
- Claro Charles.
- Ah eu também não vou perder a oportunidade de dançar, vamos Amanda?
- Pensei que não me convidaria nunca. Mas a Lizzy...
- Não se preocupe comigo Amanda, vá dançar com seu esposo.
Por que sempre acabamos sozinhos? Pensou Lizzy. Darcy apenas observava as pessoas, demonstrando o quanto estava desconfortável com aquela situação, de repente ele foi movido por um impulso.
- Aceita dançar comigo Srta. Bennet?
- Oh! É... Tudo bem. – Uma dança não tira pedaço – pensou Lizzy
- Srta. Bennet, quero lhe pedir desculpas pela forma como agi no outro dia, acho que fui muito rude.
- E foi mesmo.
- Ou! Tem alguém tentando se desculpar aqui, será que a senhorita percebeu? Mas já deu pra perceber que não existe diálogo com a senhorita.
- Normalmente eu tenho diálogos civilizados, com pessoas civilizadas.
- Fico imaginando tal cena, mas devo dizer que é uma tarefa difícil.
- Não tão difícil quanto imaginar que alguém o tenha como uma pessoa educada, gentil e delicado.
- Fico impressionado como uma escola tão conceituada aceite professoras tão grossas e que se acham no direito de julgar se os pais amam seus filhos.
- Não me acho no direito de...
- Nem deveria. Pelo que soube a Senhorita Não tem filhos, estou certo? Então acho que não entende muito da relação pai e filho.
- Pare! Não sabe do que está falando. – disse Lizzy enquanto tentava segurar as lágrimas.
- No dia que tiver filhos Srta. Bennet, o que acho improvável, saberá que, como pais devemos pensar primeiro no bem estar dos nossos filhos. Que temos que trabalhar duro para que eles tenham uma vida confortável, e que para isso temos que abrir mão de muitos natais, aniversários e tantas outras coisas. Mas a Senhorita não entende não é mesmo, não tem filhos, e do jeito que é nunca terá.
- Já chega!
Um som estridente de um tapa foi ouvido pelas pessoas que estavam próximas dos dois. Jane olhou atônita para Lizzy que chorava, enquanto Darcy passava a mão no rosto ainda surpreso com a reação dela. Charlles e Jane foram até eles. Lizzy saiu correndo seguida por Jane, enquanto Charlles levava Darcy para o seu escritório. Lizzy estava tremula, mal conseguiu abrir a porta do carro, enquanto grossas lágrimas escorriam por seu rosto.
- Lizzy! Lizzy! O que foi aquilo?
- Me deixe em paz Jane.
- Lizzy pelo amor de Deus o que houve? Por que bateu em Darcy?
- Jane pelo amor de Deus me deixe ir, preciso ficar sozinha.
Ela bateu a porta do carro e saiu deixando Jane paralisada.














