Citações

Para que vivemos, senão para motivo de riso aos que nos cercam e rir deles quando chega nossa vez? (Jane Austen)

Uma Segunda Chance - Capítulo 3

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Capítulo III

 

Na segunda quando Lizzy chegou à escola a Sra. Reynolds a procurou antes que entrasse na sala.

- Bom dia Lizzy!

- Bom dia Sra. Reynolds!

- Sobre a reunião com o Sr. Darcy como havia me pedido, bem eu consegui, a secretária dele ligou hoje confirmando. Mas, ele só terá meia hora, então às dez horas mandarei Susy ficar na sua sala, e, por favor, não se atrase.

- Estarei lá as dez, não vamos querer que ele perca um compromisso por minha causa.

- Lizzy! Veja como vai tratar o Sr. Darcy.

- Não se preocupe Sra. Reynolds vou tentar não mordê-lo. Meus anjinhos estão a minha espera.

- Que Deus nos ajude.

Às dez horas Susy foi ficar no lugar de Lizzy, pois o Sr. Darcy já a esperava, porem um aluno havia caído e machucado o joelho. Susy ficou na sala enquanto Lizzy o levava a enfermaria, depois de ter se certificado que não era nada ela o deixou na sala e com quinze minutos de atraso foi ao encontro do Sr. Darcy. Ao entrar na sala ficou pálida ao se deparar com tamanha beleza e elegância, ele era alto, porte atlético, cabelos castanhos lisos que lhe caiam sobre a face, cobrindo seus olhos azuis profundos que lembravam o pequeno Mark.

Ele a olhou de uma forma intensa, Lizzy estava linda num vestido bege composto, mas que acentuava o seu belo corpo, Darcy não conseguia tirar os olhos dela e por um instante a raiva que sentia por seu atraso se foi.

- Bom dia Sr. Darcy! Perdoe-me o atraso, mas...

- Srta. Bennet acha que tenho todo o tempo do mundo para a Senhorita?

- Creio que não Sr. Darcy, mas acho que para seu filho o Senhor deveria arranjar.

- Como disse?! Acho que não entendi direito.

- Sr. Darcy o motivo pelo qual o Senhor foi chamado aqui é para falar do comportamento de Mark e...

- O que tem meu filho? O que ele aprontou?

- Ele não aprontou nada, por favor, deixe-me falar.

- Mas peço que seja breve, pois, tenho uma reunião muito importante dentro de alguns minutos.

- Bem, serei objetiva. Mark é uma criança triste, não participa das tarefas escolares, não interage com as outras crianças.

- Srta. Bennet acho que este é o seu trabalho, fazer com que meu filho mude.

- É sério que o Senhor pensa assim? Estamos em pleno século 21 e o Senhor que é um homem tão culto, ainda acha que é papel exclusivo da escola a educação das crianças?

- Está me chamando de ignorante Srta. Bennet? Sei a minha responsabilidade com meu filho, não preciso que me lembre.

- Não é o que parece.

- E onde a Srta. Está querendo chegar?

- Que o que faz com que Mark seja introspectivo, é a falta que o Senhor faz a ele. Sei que não tenho nada haver com...

- E não tem mesmo Senhorita. Não sabe como é minha vida, sabe quem eu sou Srta. Bennet? Os compromissos que tenho? Tenho um grupo de empresas para administrar, sei que não sou presente na vida de meu filho, mas é apenas conseqüência do meu trabalho, nada na vida são flores sabia?

- Mas isso não é tudo na vida Sr. Darcy, principalmente para uma criança de cinco anos.

- Acabou?

- Não entendi.

- Perguntei se acabou? Pois não tenho tempo para ficar aqui sendo julgado por alguém que se julga uma expert na vida alheia. Acho que não é uma boa influência para meu filho Srta. Bennet, e amanhã mesmo tirarei meu filho desta escola.

- Assim não estará ajudando seu filho Sr. Darcy.

- Passe bem Srta. Bennet. E deixe que do meu filho, cuido eu.

Darcy saiu completamente transtornado passando feito um foguete pela Sra. Reynolds. Ela se apressou em entrar na sala, chegando lá encontrou Lizzy furiosa, completamente transtornada.

- Lizzy o que aconteceu?

- Aquele homem é um estúpido, agora sei por que Mark é assim.

- Lizzy acalme-se, por Deus o que houve?

- Nossa conversa foi um verdadeiro desastre, ele se ofendeu, disse que eu estava me intrometendo na vida dele e que não era uma boa influência para Mark. Que ódio!

- Vocês discutiram?

- Não tem diálogo com aquele Senhor... E tem mais ele disse que tiraria Mark da escola.

- Deus! Lizzy isso é terrível.

- Eu sei. Mas não foi culpa minha, ele é um homem completamente arrogante, muito me admira ser tão bem sucedido.

- Eu deveria estar nesta reunião, e agora o que faremos?

- Infelizmente não há o que possamos fazer, sinto muito que ele tire Mark da escola, mas ele é o pai. Bem agora vou voltar para minha sala.

A noite Georgiana se preparava para o jantar quando a governanta comunicou que Darcy queria vê-la no escritório com urgência. Georgiana temeu, pois sabia que alguma coisa havia acontecido para que ele mandasse chama-la. Ao entrar no escritório Darcy estava visivelmente aborrecido.

- O que houve meu irmão?

- Sente-se Georgiana, preciso falar com você.

- Aconteceu alguma coisa Darcy?

- Quero que procure outra escola para Mark, se possível amanhã mesmo ele já não frequentará mais aquela escola.

- Mas por quê?

- Não acho que seja uma boa escola para ele e ponto.

- Mas Darcy, Mark gosta da escola, ele está melhorando, está mais alegre até me disse que fez novos amigos e principalmente que gosta da professora dele a Srta... Esqueci o nome dela, é...

- Srta. Bennet! – Disse ele num tom reprovador.

- Ela mesma, mas você a conhece?

- Tive a infelicidade de conhecê-la esta manhã e é por este motivo que quero que Mark saia daquela escola o mais rápido possível.

- Mas o que aconteceu para que você tome uma decisão destas?

- Não quero falar sobre este assunto minha irmã, apenas faça o que estou pedindo, será o melhor para Mark.

- Embora não ache que isso seja o melhor pra ele, farei como você pediu.

Georgiana foi chamar Mark para jantar, mas antes de descerem ela precisava conversar com ele sobre a decisão de seu pai. Precisava escolher muito bem as palavras, pois pela primeira vez viu o sobrinho entusiasmado com algo.

- Já estou pronto tia.

- Querido preciso conversar com você.

- Eu não fiz nada titia.

- Não é isso meu anjinho. Você sabe que seu pai o ama muito, e que tudo o que ele faz é para o seu bem.

- Sei sim.

- Então, ele acha que a escola que você está não é muito boa, então resolveu que você irá mudar de escola.

- Mas por quê? Eu gosto da minha escola titia.

- Eu sei meu amor, mas prometo que vou procurar uma escola bem legal pra você, tão boa quanto esta.

- Mas eu não quero outra, gosto dos meus amigos, da tia Lizzy, não quero sair.

- Meu bem, será melhor pra você, confie em mim.

- Eu não quero mudar de escola, se me mudar de escola eu não vou. – Ele começou a chorar.

- Calma meu amor, não chore, por favor. Vamos jantar, depois falamos sobre isso.

- Eu não quero comer.

- Mark, por favor! Vamos não seja mal criado.

- Eu não vou.

- Tudo bem, então pare de chorar. Vou falar com seu pai para que ele deixe você na sua escola, vamos jantar agora!

- Não quero ver ele.

- Mark!... Tudo bem, eu mandarei servir seu jantar aqui, e prometo que falarei com seu pai.

- Obrigada Tia Georgiana, eu te amo.

- Também te amo querido.

Georgiana desceu e olhou Darcy com um olhar de reprovação. Foi diretamente a cozinha e pediu para que servissem o jantar de Mark no quarto.

- Onde está Mark?

- No quarto, mandei servirem o jantar dele lá.

- Ele não está se sentindo bem? Alguma coisa com meu filho Georgiana?

- Acalme-se. Ele está bem, só está chateado por que você vai tirá-lo da escola, por favor, meu irmão reconsidere.

- Georgiana este assunto está decidido. Sou o pai dele e ele terá que aceitar minha decisão.

- Meu irmão eu sei que deseja o bem de Mark, mas ele está feliz na escola, gosta da professora, dos novos amigos. Ele está empolgado como nunca vi antes. Sinto que a professora a Srta. Bennet está fazendo um ótimo trabalho com ele.

- Não me fale nessa mulher! Ela me tira do sério.

- Então seu problema não é com a escola, mas com a Srta. Bennet. Isso não é justo com Mark.

- Ele só tem cinco anos, tenho certeza que gostará de outra escola, outra professora.

- Você não conhece seu filho Darcy, ele é tão teimoso e obstinado quanto você. E sabe muito bem o quer, e não quer outra escola. Darcy deixe suas desavenças com a Srta. Bennet de lado e faça isso por seu filho.

- Está bem, mas quero lhe pedir um grande favor.

- Pode pedir.

- Na próxima reunião da escola você vai.

- Tudo bem. Não vou deixar você ter mais um encontro desagradável com a terrível Srta. Bennet.

- Você está ficando muito engraçadinha, minha querida irmã.

No dia seguinte Lizzy chegou cedo à escola, na verdade ela mal conseguiu dormir, pensou na discussão com o Sr. Darcy e estava com o coração partido por não poder mais ajudar o pequeno Mark, nesta semana em que conviveu com ele adquiriu um amor, um carinho como nunca antes havia adquirido por nenhuma outra criança. Ela já estava perdendo a esperança que Mark viesse, certamente o pai dele cumprira a promessa e tinha tirado o menino da escola. Quando já estava prestes a desistir, viu-o entrar acompanhado de uma jovem que aparentava uns vinte e poucos anos, loira, cabelos longos, olhos azuis, e muito elegantemente vestida. Seria a esposa ou namorada do Sr. Darcy? Lizzy se odiou por tal pensamento. Ao se aproximarem Mark correu em direção a Lizzy e a abraçou fortemente.

- Mark meu amor, que bom ver você.

- Tia Lizzy, meu pai queria me tirar daqui, tia Georgiana não deixou, não foi tia?

- Foi sim meu amor. Srta. Bennet é um prazer finalmente conhecê-la, sou Georgiana Darcy, tia de Mark. Podemos conversar um pouco?

- É um prazer conhecê-la também, sim claro que podemos conversar. Pode esperar um pouco, vou colocar este mocinho na sala e pedir para alguém ficar com eles enquanto conversamos. Pode me esperar na sala dos professores? Volto logo.

Lizzy pegou Mark nos braços e o levou até a sala, após deixar Susy com as crianças ela foi ao encontro de Georgiana.

- Desculpe a demora. Aceita um café?

- Vou aceitar sim, obrigada. 

- Fico imensamente feliz por Mark não ter saído da escola.

- Não mais do que ele acredite. Nunca vi meu sobrinho tão empolgado com algo, sinto que ele gosta muito de você.

- Mark é uma criança maravilhosa, meiga.

- Ele sofreu uma perda muito grande, é difícil para ele não ter a mãe do lado, durante todos estes anos tentei suprir ao menos um pouco a ausência dela, mas não é a mesma coisa.

- Acho que tem feito um excelente trabalho, Mark é educado, saudável e muito amigo.

- Obrigada, mas ele herdou estas qualidades do pai dele, não é mérito meu.

- Do pai dele! Isso me surpreende.

- Srta. Bennet, sei que aconteceu algo entre a Senhorita e meu irmão, do contrário ele não teria tido a infeliz idéia de tirar Mark desta escola. Pode me dizer o que houve?

- Perdoe-me Srta. Darcy mas seu irmão é um homem muito intransigente, para não falar tudo o que penso dele.

- Sei que ele é uma pessoa difícil, mas é um bom homem. Apenas é muito ocupado.

- Tão ocupado que se esquece que tem um filho... Desculpe-me, eu não quis ofender, mas... Meu Deus!

- Não se preocupe, agora entendo o que houve entre vocês. Srta. Bennet, por mais que não pareça meu irmão ama o filho e realmente se importa com ele. É que desde que minha cunhada morreu as coisas têm sido muito difíceis para ele... Bom, agora preciso ir, vim apenas para conhecê-la e agradecer pelo que tem feito a meu sobrinho.

- Não precisa agradecer, faço o que gosto e isso se reflete no meu relacionamento com meus alunos, e principalmente quando são crianças como Mark, apaixonantes.

- Até logo, e com o tempo espero que reconsidere a má impressão que tem do meu irmão.

- Prometo que vou tentar. Até logo Georgiana.

 

 

 

 

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