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Podem existir sintomas mais otimistas? Não é a desatenção que nos rodeia a própria essência do amor? (Jane Austen)

Uma Segunda Chance - Capítulo 2

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Capítulo II


À noite Lizzy estava em sua banheira, sempre se sentia bem com um bom banho de espuma, tomando um bom vinho e pensando na vida, quando foi despertada pelo toque do telefone.

- Jane estou relaxando, o que você quer?

- Isso é jeito de me atender Lizzy.

- Desculpe minha querida irmã. Então?

- Charlles mandou confirmar com você sobre o jantar da próxima semana, então você vem?

- Não sei Jane, ainda não decidi.

- Lizzy, por favor, sua presença é fundamental. – agora era Charlles quem falava.

- Charlles assim é maldade, não consigo negar nada ao meu cunhado predileto.

- Obrigada pelo predileto, apesar de ser o único. Voltando ao assunto, faço questão de sua presença.

- Charlles não quero encontros marcados, sabe que não gosto dessas coisas.

- Não é querida posso lhe garantir. Além do mais terão outros convidados, por favor.

- Tudo bem eu vou, mas se eu perceber qualquer armação de vocês dois vou embora.

- Eu te adoro cunhadinha.

- Obrigada Lizzy.

- Jane isso foi golpe baixo, você sabia que eu não conseguiria negar nada ao Charlles.

- Ora o que é isso minha irmã, é apenas um jantar, que mal poderá lhe acontecer?

- Espero para o bem da sua saúde e de Charlles que nenhum, agora me deixe relaxar, tenho uma missão me esperando amanhã no trabalho, beijos.

No dia seguinte Lizzy chegou ao trabalho com a consciência de que o dia seria difícil, sentia muita pena de Mark, sabia que para o garoto era muito triste crescer sem mãe, mas ela estava obstinada a tentar, não sabia o porquê, mas sentia um carinho especial pelo menino. Ao chegar à sala ele estava do mesmo jeito do dia anterior, no mesmo lugar e com o mesmo olhar triste. A tarefa do dia era para que as crianças falassem sobre a profissão de seus pais, todos falaram com entusiasmo sobre seus respectivos pais, quando chegou à vez de Mark ele relutou um pouco, mas com a insistência de Lizzy ele foi se posicionou em frente à turma e olhando pra o chão começou:

“Meu pai se chama Fitzwilliam Darcy, ele é um homem muito rico e muito ocupado. Eu mal o vejo, mas tia Georgiana diz que é por que ele precisa trabalhar. A gente não brinca muito porque ele sempre ta ocupado. Eu sinto muita falta dele, queria que ele fosse como os pais dos meus amiguinhos...”.

Ele não conseguiu terminar, pois começou a chorar, Lizzy o abraçou e eles ficaram abraçados por um tempo até que em um movimento brusco ele se soltou dela e correu para sua cadeira e permaneceu calado o resto da aula. Após todos terem saído Lizzy resolveu falar com a Sra. Reynolds.

- Lizzy e aí como foram às coisas com o pequeno Mark?

- Difíceis Sra. Reynolds. Ele é uma criança triste, sozinha. Percebi que o pai é muito ausente na vida dele.

- Certamente, pois pelo que soube o Sr. Darcy é um multimilionário, herdeiro de uma grande fortuna que ele a multiplicou com muito sucesso.
.
- Mas trabalho não é tudo na vida de um homem, principalmente se ele for pai.

- Eu sei minha querida, mas nem todos pensam assim, ao menos ele recompensa o menino com todo conforto.

- Para uma criança isso não é o suficiente Sra. Reynolds. Mark pelo que percebi só deseja a presença do pai, e isso certamente não diminuiria a grande fortuna do Sr. Darcy.

- Lizzy vá com calma, isso é um problema profissional, então haja como tal. Sei que tem um grande coração e adora crianças, mas não cabe a nós fazermos com que o Sr. Darcy se aproxime de seu filho. Confio em você, por isso lhe deleguei este assunto.

- Pode deixar Sra. Reynolds, o meu foco é Mark e não o pai dele, mas gostaria muito de ter uma reunião com o Sr. Darcy.

- Isso é impossível, não creio que o Sr. Darcy viria até a escola.

- Mas por que não? Não se trata de qualquer coisa, mas sim do filho dele. Por favor, Sra. Reynolds isso não é pessoal, mas para ajudar Mark profissionalmente preciso falar com o pai dele. A Senhora poderia enviar um convite para que ele venha até a escola?

- Você tem razão, vou providenciar isso, mas não sei se ele virá.

- Obrigada Sra. Reynolds, bem vou indo, até amanhã.

- Até amanhã querida.

Durante os dias que se seguiram Lizzy tentou sem muito sucesso se aproximar de Mark, ele parecia fechado a novos sentimentos, mas ela sabia que quando ganhasse sua confiança seria mais fácil. Um dia durante o intervalo todas as crianças estavam brincando e Mark estava sozinho, olhando com um brilho nos olhos, Lizzy percebendo se aproximou:

- Mark por que não vai brincar com seus amiguinhos?

- Eu não quero Srta. Bennet.

- Pode me chamar de Lizzy. Daqui a brincadeira parece muito divertida, até eu estou com vontade de ir brincar. Vamos fazer o seguinte, vamos nós dois.

- Eu não sei...

- Do que tem medo meu anjo?

- Se eles não gostarem de mim?

- Por que eles não iriam gostar de você meu amor?

- Por que ninguém gosta de mim, só minha tia Georgiana.

- Isso não é verdade, eu gosto muito de você, seus amigos, e também tem seu pai.

- A Senhorita gosta de mim?

- Claro meu amor, e seus amiguinhos também.

- Mas meu pai não gosta de mim.

- É claro que ele gosta, ele é seu pai e ama muito você.

- Eu não acho. Ele mal fala comigo, não vejo ele.

- Mas é por que ele trabalha muito, é difícil para um homem como ele ter tempo livre, são muitos compromissos.

- Mas eu ouvi minha avó Catherine dizer que antes deu nascer meu pai era mais feliz.

- Você deve ter se enganado meu anjo... Acho melhor irmos brincar antes que a brincadeira acabe. Então o que me diz?

- Eu vou..

Lizzy sentiu seu coração doer ao ouvir aquelas palavras, como uma pessoa tinha coragem de tratar uma criança daquela forma, era inaceitável por mais importante que o Senhor todo poderoso Darcy fosse ele tinha que dar mais amor ao seu filho, ela precisava fazer alguma coisa.


 

 

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