Uma Segunda Chance
Capítulo I
O sol entrava pelas frestas da janela clareando o rosto de Lizzy, que teimava em sair de seu sonho que a perseguia há meses. Ela estava admirando uma montanha e lá no topo um homem alto, porte atlético, cabelos castanhos, ficava apenas observando-a e depois de alguns minutos se olhando ele estendia a mão, mas era muito alto e tinham muitos obstáculos, ela não conseguia subir então ele desaparecia. Em um sobressalto Lizzy acordou suada.
- Meu Deus aquele sonho novamente, acho que Jane tem razão preciso mesmo de um homem e urgentemente.
Olhou no relógio e ao se dar conta que já se passava das 6h:30min correu para o banheiro e tomou um banho rápido, como sempre não daria tempo pra tomar café, teria que comer na rua. Colocou sua melhor roupa, afinal tinha que está apresentável na volta às aulas e como a escola em que leciona há mais de cinco anos é a mais conceituada de Londres, precisava sempre está impecável. Desceu rapidamente e enquanto pegava as suas coisas a campanhia tocou, caminhou até a porta enquanto falava:
- Oh não quem será a essa hora? Não posso me atrasar.
- Você não está atrasada Lizzy?
- Jane! Que surpresa. Estou sim e ficarei ainda mais se você deixar.
- Preciso falar com você e como agora não terá mais tempo pra mim, pedi a Charlles pra me deixar aqui antes de ir pra o trabalho, pra pegar uma carona com você e no caminho conversamos.
- E onde vai ficar, é caminho?
- Sim, vou até a escola.
- O que vai fazer lá?
- Vou entregar o atestado médico de Julie, o médico ainda não a liberou pra voltar às aulas.
- Meu Deus Julie, como ela está?
- Melhorando, sarampo é sarampo, mas ela ficará bem dentro de alguns dias. Você não estava atrasada?
- Estou super, vamos, no carro conversamos.
As duas entraram no carro e seguiram para a escola, Lizzy olhou pra Jane e fez uma careta.
- Conheço essa cara, diz logo o que foi?
- Tive mais um daqueles sonhos e imediatamente lembrei de você.
- Lizzy você precisa de um homem imediatamente.
- Jane que horror!
- Lizzy há quanto tempo você não sai com um cara?
- Sei lá... Mas isso não é da sua conta.
- É da minha conta sim, Lizzy você espanta os homens com esse seu jeito.
- Ah é! E o que me sugere Senhora sabe tudo.
- Você tem que sair mais, ser mais sociável, e claro não achar que todos os homens são idiotas.
- Eu não acho todos os homens idiotas. Charlles por exemplo eu o adoro.
- Mas Charlles não vale, por que modéstia parte meu marido é muito agradável, diga outros homens que você gosta, ah! Mas vou logo dizendo o papai também não vale.
- Jane desde quando você é tão cruel comigo?
- Não estou sendo cruel. Agora é serio minha irmã, há muito tempo que você está sozinha, eu e Charlles nos preocupamos muito com você.
- Jane, nem todos têm a sorte que vocês tiveram.
- Lizzy não é sorte, é amor.
- Não! Não! Pode parar com essa história de amor verdadeiro, sabe que não morrerei dessa doença.
- Eu sei, com você não adianta argumentar sobre amor, mas um dia você irá se recuperar de tudo e irá descobrir o amor verdadeiro, pois ele existe e está em algum lugar te esperando.
- Não me rogue esta praga. Bem chegamos, foi muito bom te ver, dê um beijo em Charlles e nas crianças, prometo que assim que der visito vocês.
- Lizzy!
- O que foi Jane, eu estou muito atrasada.
- Quase esqueci o que queria falar com você.
- Mas seja rápida, não pode ficar pra outra hora?
- Não, se não Charlles me mata. Um grande amigo dele voltou a morar em Londres depois de quase dez anos, semana que vem vamos dar um jantar de boas vindas a ele em nossa casa, gostaríamos que você fosse.
- Não sei por que, mas isso está me cheirando à armação sua e do Charlles.
- Lizzy assim você nos ofende!
- Jane não seja cínica, vocês já tentaram isso outras vezes e não deu certo lembra?
- Porque você não quis, mas eles eram ótimos. Então você vai ou não?
- Combinamos depois, ligo pra você. Agora preciso ir se não serei a mais nova desempregada da cidade.
Lizzy amava a irmã e o cunhado, mas a mania deles de tentar arranjar um namorado para ela a irritava, homem era algo que há muito tempo ela riscara da sua vida. Percorreu o longo corredor até chegar à sala dos professores, todos já a aguardavam, estavam todos os professores e a diretora a Sra. Reynolds, uma Senhora bondosa, muito inteligente e que adorava Lizzy, as duas sempre se entendiam muito bem.
- Bom dia a todos!
- Bom dia Lizzy, estávamos esperando você.
- Perdoem-me pelo atraso, mas o transito.
- Tudo bem Lizzy, entendemos. Teremos um novo aluno.
- Mas agora?
- Sim Lizzy, ele será seu aluno, se chama Mark Darcy, tem cinco anos e veio transferido de Nova York. Lizzy o deixei na sua turma, por que ele é uma criança fechada e introspectiva, pode ser pelo fato de ter perdido a mãe ao nascer e não ter tido tempo de conhecê-la.
- Deve ser muito triste para o probezinho.
- Conheço você e confio plenamente que fará um excelente trabalho.
- Obrigada Sra. Reynolds.
- Bom pessoal, acho que devemos ir ao trabalho.
Lizzy foi para sua sala, estava com muitas saudades de seus alunos, adorava o que fazia, infelizmente não havia tido filhos, e agora já não tinha mais esperanças de encontrar alguém que compartilhasse essa alegria com ela. Ao entrar na sala foi recebida por uma chuva de abraços pequeninos, quase a derrubaram, eles a adoravam. Após a calorosa recepção Lizzy o observou no fundo da sala um menino lindo, loiro, olhos azuis, mas seus olhos eram tristes e cabisbaixos, de imediato tratou de apresentá-lo a turma:
- Bom crianças, temos um novo aluno, ele se chama Mark Darcy e veio transferido dos Estados Unidos. Mark por favor, venha até a frente para saudar seus novos amigos.
O menino parecia não querer sair de seu porto seguro, com muito custo foi com passos pesados até a frente e permaneceu no mais absoluto silêncio.
- O gato deve ter comido a língua dele tia Lizzy.
- Franck não vamos apressar o Mark, e acho que ele não deve ter gatos em casa, mesmo por que gatos não comem línguas. Pode sentar Mark e quando quiser pode falar conosco.
A manhã se passou sem muito sucesso, Lizzy não conseguiu fazer Mark falar, nem se entrosar com as outras crianças, mas sabia que tinha que tentar e não desistiria tão fácil.














