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Citações

A vaidade e o orgulho são coisas diferentes, embora as palavras sejam frequentemente usadas como sinônimos. Uma pessoa pode ser orgulhosa sem ser vaidosa. (Jane Austen)

Home Fátima Sabor do Amor - Capítulo 15
Sabor do Amor - Capítulo 15 PDF Imprimir E-mail
Escrito por Fátima   
Sáb, 05 de Setembro de 2009 23:04

Capítulo XV

 

Alexandra tentava conter a febre do paciente com compressas frias. Há quatro dias ela via seu esposo Otávio lutar para salvar a vida daquele homem. Assim como seu esposo sentia que ele era bom e principalmente que deveria protegê-lo.

Quando Otávio voltou da cidade com mais remédios, encontrou a esposa pensativa enquanto cuidava do paciente, que permanecia inconsciente, foi até ela beijando carinhosamente sua cabeça.

- Alguma novidade? – Perguntou visivelmente cansado. .

- Nada. Às vezes fico pensando se nossos esforços valeram à pena. Ele não reage Otávio.

- Temos que ter esperanças amor. A ferida está fechada, a hemorragia está estancada.

- Então o que o impede de acordar?

- Ele perdeu muito sangue e também engoliu muita água. Isso leva mesmo tempo e não temos mais nada a fazer a não ser esperar.

- Otávio, talvez se ele fosse para um hospital, ou se procurássemos o tal do Sr. Matias, você mesmo disse que o viu algumas vezes em companhia deste senhor...

- Acho que seria muito arriscado, afinal não sabemos o que aconteceu de fato, além do mais... Ainda estão procurando por ele... Os que o feriram.

- Como sabe?

- Quando estava chegando a casa, na estrada próxima ao rio, tinha dois capangas procurando algo no rio e quando me viram tentaram disfarçar, mas mesmo assim me abordaram.
- Otávio! – Alexandra se assustou.

- Eu estou bem amor. Eles apenas me perguntaram se eu havia percebido algo estranho em nossas terras... Tenho certeza que alguém muito poderoso está por trás de tudo isso.

- Agora mais que nunca, devemos protegê-lo, então?

- Isso mesmo. Não sei te explicar, mas sinto que esta é a coisa certa a ser feita.

Alexandra conhecia bem a bondade de seu esposo. O abraçou com carinho, deixando-se descansar naqueles braços acolhedores.

******************************______**********************************

Georgiana caminhava pelo jardim de sua casa. Desde que seu irmão se casara e seus pais viajaram logo após o casamento, para visitar um parente que estava doente, ela se sentia completamente sozinha. Seu irmão retornara da lua-de-mel esta manhã, mas seria completamente indelicado visitar o casal recém casado. Para passar o tempo e aplacar a solidão, ela sempre cainhava em meio às flores, ou tocava por horas em seu piano.

Estava colhendo algumas flores quando ouviu o barulho de um automóvel, pensou se seria seus pais, o que achou estranho, pois eles só retornariam em uma semana. Quando finalmente avistou o carro, percebeu que nunca havia visto aquele automóvel, certamente era alguém de fora da cidade.
Finalmente o carro foi estacionado em frente a imponente casa grande. Ela ficou olhando curiosa para descobrir de quem se tratava. Quando a porta se abriu, os seus olhos foram hipnotizados por uma bela imagem, um anjo loiro estava parado ao lado do carro olhando para a porta, então ela pôde observá-lo melhor.

Ele era um pouco mais alto que ela, tinha os cabelos loiros mel, a pele clara como a neve, os olhos azuis em perfeita sintonia com o rosado da face e dos lábios bem delineados.

Ainda fascinada pela beleza daquele anjo, viu que Francisca, a governanta da casa, estava atendendo o recém chegado. Então se deu conta que ela provavelmente estaria avisando que os patrões não estariam em casa. Movida por um flash de coragem, foi até lá.

- O que está havendo Francisca?

Ao ouvir aquela doce voz, Richard instantaneamente se virou em direção a voz. Um calafrio percorreu todo o seu corpo, algo estranho, um sentimento nunca sentido fez seu coração vibrar. Aquela moça que estava em sua frente, era a materialização da beleza e perfeição, os belos e grandes olhos verdes lhe dominaram por completo.

O som de sua voz fez o jovem virar-se em sua direção. Seus olhos se encontraram então uma forte corrente elétrica passou por eles. Georgiana sentiu o ar fugir de seus pulmões, notou que de perto ele era ainda mais belo. A resposta de Francisca a tirou de seu torpor.

- Ah! Srta. Georgiana. Este senhor insiste que precisa falar com alguém da casa, eu já disse que os patrões não estão, mas ele insiste... E eu confesso que quase não entendi o que ele falou. – Francisca sussurrou, em confidencia.

- Perdoe-me Senhorita, mas realmente o assunto que me traz aqui é urgente, e preciso falar com alguém da casa.

Georgiana teve que se segurar para não cair. A voz rouca e suave do anjo quase a derrubou, o sotaque forte deu um charme a mais. Certamente ele era estrangeiro e pelo pouco que conhecia de línguas, ele parecia ser inglês.

- Pode deixar Francisca, eu o receberei.

- Como quiser Srta. Georgiana.

A governanta abriu caminho para que eles adentrassem a casa... Já confortavelmente instalados na grande sala, o silêncio era constrangedor entre eles devido ao fascínio que um causava no outro. Até que Georgiana quebrou o silêncio.

- Então senhor?

- Darcy, Richard Darcy.

- Darcy?! – Georgiana perguntou surpresa. – Então o senhor é...

- Presumo que por sua reação estou no lugar certo. Preciso falar com meu tio, o Sr. Fitzwilliam Darcy. – Falou com seu sotaque estrangeiro, esforçando-se para se fazer entender.

- Sinto muito... Mas o Sr. Fitzwilliam Darcy faleceu há alguns anos.
- Oh! – A decepção era visível em sua voz. – Meus esforços foram em vão.

- Absolutamente Sr. Darcy... O filho de seu tio vive conosco, ele se chama William Darcy.

A expressão desapontada de Richard se transformou diante daquela notícia e um grande sorriso iluminou seu rosto, deixando Georgiana tonta diante daquela bela visão. Neste momento a governanta entrou na sala trazendo uma bandeja com guloseimas e chá, trazendo um grande alívio para ela que tinha a certeza de que estava presa àquele rosto perfeito, após servir, Francisca se retirou deixando-os sozinhos novamente.

- Então Sr. Darcy, estou surpresa com o seu parentesco com eles.

- Então contarei toda estória.

Richard sorriu, com seu sorriso de anjo, então passou a relatar o motivo de sua visita. A cada fato revelado a surpresa estampava o belo rosto de Georgiana, ela jamais poderia imaginar que o sempre simples e discreto Sr. Fitzwilliam Darcy guardasse tamanho segredo.

Após o fim do relato, Georgiana tentou assimilar tudo o que acabara de ouvir.

- Estou muito surpresa com tudo que acabo de ouvir. Nunca suspeitamos de tal fato.

- Eu imagino que meu tio tenha tido seus motivos para omitir tudo isso... E acredito que meu primo não saiba de nada também.

- Temo que sim, pois William sempre foi muito ligado a minha família, e certamente ele teria nos contado.
- Srta. Matias... Eu gostaria de vê-lo.
Claro. Eu não o vejo há alguns dias, mas vou pedir para alguém chamá-lo. Com sua licença.
Após alguns minutos, Georgiana voltou com uma expressão assustada, hesitou de início, sem encontrar as palavras, então respirou fundo e falou de uma vez.

- Sr. Darcy, sinto muito, mas ele não foi encontrado.

- Então posso esperar, já esperamos mais de vinte e cinco anos...

- Não se trata disso...  É que, bem, os empregados da fazenda não o vêm na fazenda há mais de três dias.

- Como? Ele viajou?

- Não... Eu acho que não... Ele é muito responsável, nunca ficou fora por tanto tempo, principalmente sem avisar...

- E o que pode ter acontecido? – Richard perguntou começando a se preocupar.

- Eu não sei, mas temo pelo pior.

- O que podemos fazer? Não podemos ficar parados.

- Meu irmão chegou está manhã de viagem, ele irá nos ajudar... Vou agora mesmo enviar um bilhete para que ele venha o mais rápido possível.

**********************************____********************************

O cheiro forte de bebida embreava todo o ambiente sujo do pequeno bar localizado na parte boêmia da cidade, ele era conhecido como reduto dos jogadores compulsivos, e já havia sido palco de grandes falências de fazendeiros e filhos de fazendeiros que não tinham limites em sua compulsão. As risadas grotescas dos homens ecoavam pelo pequeno cômodo.

O Sr. Braga tinha os olhos assustados, os efeitos do álcool em seu organismo eram visíveis. Seus lábios trêmulos balbuciavam coisas desconexas, enquanto via seu grande trunfo perdido na mesa de jogo. Tentou arrancar os papeis da mão do oponente, mas foi empurrado abruptamente caindo no chão sujo. Com um simples estalar de dedo do poderoso ganhador da noite, elementos de caráter duvidoso, pegando-o pelos braços o jogaram com violência porta a fora.

Cambaleando e praguejando, ele caminhou pela ruela, até que foi surpreendido por uma figura esguia e repugnante, que segurou em seu ombro assustando-o. Ao perceber de quem se tratava, em um impulso, Jorge Braga empurrou o homem contra um muro, na tentativa de se esconderem, segurando pelo colarinho da velha camisa do sujeito, passou a falar com todo o orgulho que lhe era característico.

- Como ousa a falar comigo em público seu idiota?... Já não o avisei que nunca, eu disse nunca, deve falar comigo na frente das pessoas. Não quero ter meu nome relacionado à gente do seu tipo.

- O patrãozinho pode ficar calmo, que o assunto que me trouxe aqui é importante. – O homem falou com uma falsa calma na voz, mas que escondia certa ameaça.

- Então fale logo, que eu não tenho tempo a perder.

- O corpo não foi encontrado. – Ele disse de uma só vez.

- O que?! Como assim?... Ele tem que está lá em algum lugar. – O pânico era evidente em sua voz.

- Vasculhamos desde o local do acontecido até o povoado e nem sinal do infeliz.

- Isso só pode ser um pesadelo, eu já tenho grandes problemas com os quais me preocupar agora. – Buscando acalmar o desespero que começava a tomar conta do seu ser, ele respirou fundo, então continuou. – Quero que continuem procurando, aquele professorzinho tem que está lá, um corpo não some assim, seja mais competente, pois eu estou pagando muito caro por isso.

- Meus homens estão trabalhando nisso há mais de três dias patrãozinho. Alguém deve ter achado o infeliz antes da gente.

- Cale essa boca seu infeliz! – Jorge Braga, praticamente gritou só em pensar nessa possibilidade. – Virem à noite, não durmam, não comam, não respirem... Mas encontrem-no. Agora some da minha frente imprestável, eu tenho que resolver um assunto muito importante.

O Sr. Braga empurrou o homem com força e seguiu cambaleando em direção ao seu carro. Parecia que todo o seu plano perfeito estava dando errado agora, mas ele sabia que não poderia se desesperar, precisava manter o controle da situação em suas mãos. Resolveu ir para sua casa, se recuperar da bebedeira e das emoções do dia, pois a noite tinha assuntos urgentes a tratar em Pinhal.

**************************************___*****************************

Lizzy desceu para o jantar contra a sua vontade, ela sabia que o que a esperava era a sua sentença de morte, mas sabia também que não havia outro jeito de resolver as coisas, estava destinada a ter uma vida infeliz ao lado de um homem repugnante e cruel, mas estava disposta a enfrentar tudo isso para proteger seu filho, o fruto de um amor verdadeiro e intenso que marcaria sua vida para todo o sempre.

Ao chegar à sala de jantar todos já a aguardavam, inclusive o Sr. Braga, que como sempre encenava na frente das pessoas a recebeu de forma galante e carinhosa. Jantaram em silêncio com alguns diálogos entre a Sra. Albuquerque e o seu futuro genro. O pai de Lizzy permaneceu todo o tempo em silêncio, apenas observando sua filha que tinha um semblante mais triste que o normal.

Findado o jantar, todos estavam reunidos na sala, quando o Sr. Braga passou a relatar o motivo do jantar. Ele precisava correr contra ao tempo, marcar a data do casamento o mais rápido possível, antes que a barriga de Lizzy começasse a aparecer. Então ficou acertado que a cerimônia seria realizada em vinte dias, o que pegou o Sr. Albuquerque de surpresa, mas diante do consentimento rápido de sua filha, sentiu que não tinha mais argumentos, e que aquele desastre era um fato consumado.

A Sra. Albuquerque era a mais feliz com a notícia, e após todos os seus rompantes de alegria se retirou arrastando seu esposo com ela, com a intenção mal disfarçada de deixar o casal de noivos a sós. Quando se viu sozinho com sua noiva, o Sr. Braga resolveu quebrar o silêncio.

- Então minha querida noiva, em menos de um mês estaremos casados. – Falou ostentando seu sorriso cínico e diante do Silêncio dela, continuou.

- Ora, vamos! Não será tão ruim, entenda nada pessoal. - Falou com ironia.

- Sr. Braga sejamos objetivos, por favor... O senhor ainda não me mostrou os papeis das dividas do meu pai que estão em suas mãos... Entenda nada pessoal, mas preciso das garantias. – Lizzy falou no mesmo tom de deboche que ele havia usado, pois decidiu que mesmo presa a ele, lutaria de igual para igual.

O nervosismo fez o um calafrio percorrer todo o corpo do Sr. Braga, mas ele recuperou o controle dos tremores que faziam suas pernas fraquejarem.

- Está desconfiada da minha palavra?!... Bem se é assim que prefere, depois do casamento... Bem agora preciso ir, já é tarde. - Nervoso, falou gaguejando.

Ele beijou a mão de Lizzy e saiu rapidamente. O que deixou Elizabeth desconfiada, pois sentiu que ele praticamente fugiu sem lhe dar uma resposta convincente, uma dúvida crucial começou a brotar em seus pensamentos.

*******************************************____***********************
A noite avançava pela madrugada fria e nublada, Alexandra viera substituir seu esposo nos cuidados com o paciente, já que preferiram cuidar pessoalmente dele, evitando assim que a presença dele ali se espalhasse.

Vencida pelo cansaço de tantos dias de expectativas e cuidados, ela decidiu dormir um pouco. Sentada em uma confortável poltrona colocada estrategicamente perto da cama, suas pálpebras pesaram, então quando estava quase entregue ao sono, pensou ter ouvido algum murmuro, abriu os olhos assustada na direção de Darcy que estava inquieto e banhado pelo suor.

Rapidamente umedeceu a compressa com água fria, passando por toda extensão da testa dele. Percebeu que ele estava febril, não tão alta quanto à quantidade de suor fez parecer, mas relativamente quente. Tremula e sem saber ao certo o que fazer diante daquela inusitada situação, decidiu que era melhor chamar seu esposo, ele certamente saberia o que fazer.

Correu em direção a porta, e antes de alcançar a maçaneta ouviu que ele tentava falar algo, mas sua voz era fraca e baixa. Se aproximando com cuidado, finalmente entendeu o que ele incessantemente falava:

– Lizzy... Minha Lizzy...

 






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